365

27-08-2005

OCORRÊNCIAS

365

Saí outra vez na 365. Eles são insanos, tenho quase a certeza.

BLOGADO ?S 19:30:39

3 comentários

Comentário de: mfc [Visitante]
mfc

Explica-te melhor… ou se calhar sou atrasadinho e não percebi!

28-08-2005 @ 16:23
Comentário de: gomes [Membro]  
ptolo

É a segunda vez que a revista 365 publica um texto meu. Neste caso, o Carta ao Eça.

29-08-2005 @ 02:04
Comentário de: Paulo Eduardo [Visitante]
Paulo Eduardo

Caro Nuno Gomes, creio que voçe tem razão na sua asserção patológica referente aos editores da revista 365. Eu próprio enviei em carta este texto e vi agora o número mais recente da revista, na qual não fui publicado. Deixo por isso neste espaço o meu texto.

Jardim da Estefânia

O médico disse:

- Grite para as árvores, é uma terapia anti-solidão.

Então ela foi ao jardim mais próximo exercer o aconselhamento. E quem estava no jardim ? O amado. No jardim estava o amado. Jerónimo viu-a de mãos trementes e suadas segurar a agenda litúrgica. Ele disse-lhe:

- Larga tudo e vem comigo. Vamos contar os corvos do jardim.

Ela seguiu-o espantada por este homem ter uma voz dócil e terna. Ela era uma gótica renegada, frágil e bela quanto um pássaro ( por exemplo melro ou cotovia ) pode ser.
Dantes a moça apanhava pedras nas ruas, martelava-as e colocava o pó circundante nas pupilas.Agora tudo era diferente. Tinha uma companhia valiosa, alguém a quem se entregar. Cumprimentaram no percurso o judeu imóvel nas bordas do recinto selvífico e sem saber porquê o aspecto oblativo mas pernicioso dele aumentou a insegurança da rapariga que comunicou a emoção em processo de transferência ao amado Jerónimo.

- Reparo na tua expressão um incómodo, uma dor quiçá, pressinto uma maceração interior. Serei eu ? Oh, não ! Não me abandones por favor, por favor!!

- Não, não és tu; é só uma pedrinha que tenho no sapato.

Então ela agachada, quedou-se perplexa, boquiaberta, encismando as maravilhas da meretriz natureza.

- Jerónimo, é a tua voz que está no sapato! Finalmente encontrámos.

- Não é possível, responde ele altivo, pois a minha voz é felina e Setembro não cabe num elefante.

- Tens razão.

- Em verdade te digo: Se o jardim da Estefânia tivesse javalis e uma cabine telefónica eu não era o ser humano que sou.

E nisto deram um beijo comprido como a altura da terra ao céu na bochecha e começou a chover muito, de tal forma que unicamente os habitantes de antanho se recordariam de semelhante fenómeno. O Doutor Marques no alto do terceiro andar da sua janela observou o destino destes dois amantes abraçando-se no resplandescente coreto, ponto de abrigo a dilúvios, e emocionado com a chuva cada vez mais intensa e profunda começou a escrever uma crónica sobre lobotomia. Ainda hoje ninguém conhece o seu conteúdo e há quem solicite resgatar a escuridão do seu quarto de maneira a que as letras no papel não se afundem. Lamentamos a pobre sorte das hematófogas.

29-08-2005 @ 16:06
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