Damorcracia

11-02-2009

LÍNGUA, NOVAS DA GALIZA

Damorcracia

Frente à questão ?qual a maior demonstração de amor??, a cada um surgirão respostas específicas. O amor não descreve nada de concreto, mas antes uma ideia. Como carece de definição exata, tem em cada cabeça materialização própria. Se uns dirão que mostrar amor é apoiar a pessoa amada na doença, seja, é uma definição. Outros poderão dizer que o amor é arriscar a própria vida por essa pessoa especial. Ambos estão corretos, semelhantes no seu altruísmo. E se eu por norma considero o amor como sentimento egoísta, hoje vejo-o como coisa útil, desinteressada. Se me perguntarem qual o amor que mais invejo, eu respondo: é o seguir em frente. Não pura e simplesmente o esquecer, mas antes o respeitoso acatar da democracia. A aceitação da livre-escolha.

Com imagens, talvez. Imagine-se um casal intensamente apaixonado, que se separa por decisão da mulher. O homem, despeitado, continua insistindo por meses, mesmo percebendo que pouco ou nada resta do que os uniu ? apenas o seu ?amor? por ela. Quando ela vai viver com outra pessoa o homem pára e percebe que tudo acabou. Mas o que fazer com o ?amor? que ainda pulsa dentro de si? É então que entende que o amor é ter, mas é também prescindir de. E não há maneira mais bela de demonstrar o amor que o ?deixar seguir?.

Como nas relações, também os países deviam unir-se e separar-se por amor. Se a democracia não é amor, então é ódio e engano. A Alemanha voltou a ser uma. A Checoslováquia separou-se e o amor ficou. Na Iugoslávia o oposto. Não se separando por amor, a morte e a destruição tomaram-lhe a vez. Na Coreia, a separação pode tornar-se efetiva ? e aí não haverá amor que os salve.
E por todo o mundo surgem laivos de esperança. Possibilidades de substituição da tecnocracia pelo amor. Na Dinamarca e no Canadá o divórcio (independência de regiões) é permitido, e os votos começam a falar por si. Talvez algum dia o Quebeque e a Gronelândia sejam países independentes. Diferentes línguas, culturas ou etnicidades poderão dar belos casamentos, mas também podem ser a causa de genocídios sem nome.

E isto tudo por causa do Estado espanhol e da (imbecil) proibição do referendo autonomista basco. O Governo de Madrid considera-o inconstitucional e, consequentemente, proibido. O que têm de perceber é muito simples: quando acaba o amor, o ódio pode muito bem surgir em seu lugar. E permanecer.


publicado no Novas da Galiza de Janeiro

tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ?S 16:38:18

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