Categoria: IR'05

19-07-2007

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

5/12, 8h45, Gare Perrache (lyon)

Não queria usar um tom dramático, mas é agora que a minha viagem assume o ponto de viragem. Para ir ver o F.C.P. a Bratislava vou ter de apanhar um comboio nocturno que parte de Lyon às 15h16, para chegar a Wien às 8h52. São 17h de viagem, mas garante-me a possibilidade de chegar a Wien a horas decentes, deixar as coisas na Pousada (e marcar quarto, ir até Bratislava, comprar os bilhetes, visitar a cidade, à noite ver o jogo e depois voltar a Wien). Isto se tudo correr direito. Pelo meio tenho de me entreter em Lyon até às 3, e ainda tenho quase uma hora para dar uma voltinha em Genéve. Quem sabe, talvez tudo corra bem. A minha maior preocupação são os bilhetes. Comprar bilhetes no dia de jogo da Liga dos Campeões nunca foi boa sina.



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BLOGADO ÀS 19:10:48

15-01-2007

FOTOS, IR'05, VIAGENS, IMAGENS, RECORTA

o início

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BLOGADO ÀS 23:33:13

21-11-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

4/12, 15h30, metro (Lyon)

Franceses da merda. Para além de o metro e o tram têm também um sistema óptimo de autocarros (todos eléctricos). Estive agora no Museu de Arte Contemporânea, integrado na Cite Internationelle do Piano. Não vendiam bilhetes apenas para aquela exposição, mas para todas dentro da Bienal de Arte Contemporânea. Deram-me também um guia que fala, sem grande detalhe, de cada exposição, e a localização de cada museu. E, também, como ir de museu em museu de transportes públicos. Malditos!, lembram-se de tudo.

Ela respondeu ao meu toque. Comprei um postal do museu para lhe mandar. Não posso mandar só postais com paisagem.

Devia ter comprado um bilhete para o dia inteiro. Nunca acerto com a merda dos bilhetes.



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BLOGADO ÀS 23:35:54

21-11-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

4/12, 12h15, metro (Lyon)

Das vinte e quatro emprenas pintadas, fotografei vinte e uma. Só no fim localizei as que falhei, mas já estava no tram.

Já tenho os horários para ir amanhã a Firminy. Ainda não sei como ir para Bratislava, vou tentar saber amanhã.

Tenho saudades dela. Vou mandar-lhe um toque.



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BLOGADO ÀS 23:34:45

21-11-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

4/12, 10h, metro (Lyon)

Estou no metro, agora, vou visitar uma coisa chamada Museu Urbano Tony Garnier. A pousada está lotada, e ontem, como cheguei tarde, tive de ficar na parte de cima dum beliche, perto da porta. Mas como hoje de manhã saíram dois alemães aproveitei para trocar para um outro beliche, em baixo, mais longe da porta.

Estive a ver na internet, o FCP joga em Bratislava depois de amanhã, dia seis. Apesar de sentir vontade de continuar por cá mais tempo, vou tentar apanhar um comboio nocturno amanhã à noite e dormir pelo caminho. Espero que dê.



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BLOGADO ÀS 23:33:23

21-11-2006

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3/12, 22h, pousada (Lyon)

E prontos, cá estou eu de volta ao mundo das pousadas sobrelotadas e hiper-restritivas. Não se pode beber álcool. No bar, isto é. Mas bebi a Super-Bock no quarto.

Foi bom o Beethoven. Tirando o casal dessincronizado à minha frente (ele atentíssimo à música, ela a precisar de muito carinho) e teria sido perfeito.

Estar em La Tourette foi óptimo. Houve a parte tenebrosa, de achar que era o único naquele sarcófago de betão (o quarto / o edifício). Quando fui jantar, já de noite, e percorri aqueles corredores imensos e despovoados, comecei a sentir alguma da essência do edifício. Não é um convento convencional, apesar da forma canónica.



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BLOGADO ÀS 23:32:00

21-11-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

3/12, 18h45, Theatre Guignol (Lyon)

Vim ver a maratona de Beethoven. A entrada é grátis, e como a música africana na Ópera estava esgotada, decidi aproveitar. Como qualquer português, cheguei e perguntei: “C’est ici la marathone de Mozart?” “Beethoven.” Encolhi os ombros. “Oui, oui, c’est ici. A les sept heures.” “Merci bien.” Como podem ver, posso não perceber nada de música, mas sou muito educado.

Consegui mais Super-Bock. É tão fácil que começa a perder a piada. Vou ver se consigo abrir uma durante o concerto. Lá vou eu para a sala, com o saco de compras na mão.

Passei a tarde dentro do Museu de Belas-Artes. Vi, literalmente, toda a história da arte. Perto das seis, quando os visitantes começavam a rarear e as vigilantes começavam a vestir os quispos, e pensava eu, estou quase a ver toda a arte do mundo numa tarde, num frenzy de amante da arte, disseram-me que ia fechar. Aliás, tive de perguntar, porque as vigilantes começavam a cercar-me com os seus quispos sobre os ombros, com ar de frete, e não diziam nada. Afinal não faltavam apenas uns quadros, faltava um piso inteiro. Tinha-me esquecido dos impressionistas.

Com estas sessões grátis, todos vêm ver música. E não apenas os que podem.



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BLOGADO ÀS 23:31:05

21-11-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 17h30, La Tourette

(internet: meile para o Nando -> jogo FCP)

Já estou há algumas horas no mosteiro. Cheguei ligeiramente antes das onze, como me pediram, e o almoço serviu-se logo a seguir. Comi com um frade, um maluquinho, três estudantes de arquitectura e as recepcionistas. Digo que o homem é maluquinho porque pareceu-me daqueles arquitectos vidrados na obra de algum arquitecto do passado, que parecem reger as suas vidas e impressões de tudo segundo essa obsessão. Pelo que percebi da sua conversa, ia deitar-se na cripta, pois estava a tentar convencer o frade que emanava calor do chão. Mais tarde vim a confirmar que ele ia mesmo pôr as suas palavras em acção, pois vi-o a sair duma sala com um grande edredon. O frade pareceu-me simpático, apesar de depois do almoço ter passado por mim e não ter dito nada. Achei piada à forma como ele esbugalhava os olhos ao falar com a recepcionista loira. Bem, eu também esbugalhei os olhos quando ela subiu as escadas de caracol à minha frente. Que rabo, Jesus! (imagino que o frade pensará o mesmo, mas de uma forma mais católica e comedida)

(internet: mandar meile ao Filipe a perguntar o que ver na Suíça -> mandar meile ao Alex desejando melhoras -> investigar cidades alemãs - Freiburg - Nürnberg - Bamberg)



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BLOGADO ÀS 23:30:06

13-09-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 17h15, La Tourette

Passa agora uma semana desde que comecei a viagem. De início, devido à minha inata capacidade de perceber tudo ao contrário, pensei que o bilhete para todas as zonas fosse de 22 dias. Apesar de o Mika, que já tinha feito este mesmo inter rail, me dizer que era de um mês, eu convenci-me a mim próprio que era de 22 dias. E, eu que sou eu, disse a toda a gente que a viagem seria de 22 dias. Até ao meu patrão. Ainda não sei bem o que fazer com um mês nas mãos. Sei apenas que este ano não trabalho mais, já me consciencializei, e não há volta a dar-lhe.

De início mandava-lhe vários toques ao dia (nunca mais de dois). Depois passei a mandar um toque à noite, porque nessa altura ela me parecia mais receptiva a responder. Ontem nem me respondeu - e eu, ser básico, fiquei deprimido.



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BLOGADO ÀS 16:52:40

13-09-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 11h15, T.E.R. (para L’Arbresle)

Tenho de descobrir quando joga o Porto em Bratislava. Comprei ontem um guia de arquitectura de Wien, e de lá a Brastislava são só 50 quilómetros.



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BLOGADO ÀS 16:52:10

13-09-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 11h00,T.E.R. (para L’Arbresle)

O meu pequeno-almoço foi um copo de leite e umas bolachas. Como estou com uma fezada incrível para o almoço, estou a guardar estômago. Mas! (pensamento ultra-recente), é um almoço num mosteiro. Pode bem ser umas bolachas de água e sal e água das pedras.



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BLOGADO ÀS 16:51:27

13-09-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 10h30, Gorge-de-Loup (Lyon)

Acabei de perder o meu primeiro comboio. É como o outro gajo dizia, não há nada como matar a primeira rola (sem qualquer sentido figurativo). Antes de perdermos o primeiro comboio, sentimos aquela ânsia - será que é desta? - e, ao mesmo tempo, algum receio por aquilo que desconhecemos. Agora que já está feito, agora que já passei por tudo e ainda me sinto íntegro, já nada pode correr mal. Já perdi o comboio, agora está tudo bem.

(acabou de passar uma catatua do outro lado. uma mulher africana com um carrinho de bebé e um cabelo tão trabalhado que, assim à distância, nem percebi o que era cabelo e o que era cabeça)

Pensando bem, a culpa não foi minha. Ontem tinha ido à estação de Nîmes para marcar a viagem Nîmes/Lyon/L’Arbresle. Demoraram quinze minutos para inserir esse último topónimo no computador (computador burro ou pessoas estúpidas), e teve de ser uma mulher a fazê-lo. O gajo acabou por se esquecer de me dizer que o comboio para L’Arbresle partia de outra estação de Lyon. Como fiquei a pensar que o comboio partia da estação aonde cheguei, e como tinha uma hora para trocar, tratei de procurar uma estação de correio para enviar a primeira remessa de papéis (bilhetes, folhetos) para casa. Só quando voltei à estação dos comboios é que reparei que o comboio era noutro sítio, e que tinha apenas vinte minutos para o apanhar. A menina das informações explicou-me que era muito em cima, mas que poderia apanhar outro comboio em Gorge-de-Loup. Apanhei o metro e cá estou.

Lyon, que me disseram ser a segunda cidade do país, parece, no mínimo, grande. Mas ainda não vi quase nada. Não está frio, e caía uma ligeira morrinha quando cheguei a Gorge-de-Loup.

As mulheres daqui parecem gostar bastante de olhar para mim. Em Portugal nem por isso.

Ah, finalmente um chaço! Já estava farto daqueles comboios modernos. Agora sinto-me em casa.



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BLOGADO ÀS 16:50:22

09-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

2/12, 08h15, TGV (para Lyon)

O raio do TGV parece andar sempre em linha recta. Isto há-de ser truque.

A mãe à minha frente é um pedaço. Com piercing no nariz e tudo.

Ontem conheci duas australianas, a Kyra e a Christina. A Christina trabalhava com refugiados em países como a Birmânia e Tailândia. Parecia um rapaz, mas era muito simpática (ao contrário de muitos rapazes que vejo por aí). A Kyra era escritora. Como ainda é nova, era obviamente uma escritora não publicada. Prometeu-me que me enviava um capítulo do último romance que tinha escrito. Talvez a convença a enviar-me tudo. Já tinha estado seis meses em Portugal, por isso ainda tive oportunidade de a envergonhar pedindo-lhe que falasse em português. Até se safava bem. Será que a história se vai reescrever? A J. K. Rowling também deu aulas de inglês em Portugal e deu no que deu. Será que a Kyra também?

Jantámos juntos (os três), partilhámos bebidas, e depois de jantar continuámos a beber e a falar. A Kyra ia-nos mostrando fotos de Riga, a Christina ia falando das experiências com os refugiados, e um careca de nome Christopher vinha de quando em vez perguntar se podia beber da minha cerveja japonesa. Para o despacharmos íamos dando-lhe duma bebida que a Kyra tinha trazido da Lituânia, com quarenta e cinco por cento de álcool e horrível. Que melga que ele era.

Parece que vou na direcção do mau tempo. Já vi neve em alguns campos. Ou então era algodão.

Hoje tive a pior manhã da viagem. Já estava à espera. Ontem copos. E fui para a cama tarde (onze horas). E hoje não queria mesmo perder o comboio, já tenho tido combinado no mosteiro para chegar antes do meio-dia. Como o comboio para Lyon era às sete e quarenta e oito, acabei por acordar às… seis e meia. Totalmente desnecessário, eu sei, mas estava tão ansioso que nem dormi direito, e acabei por me levantar antes da hora. Fiz a mala aos murros (nunca tinha sido tão difícil até agora), acordei todos no quarto e ainda consegui trancar fora do quarto um gajo que tinha ido à casa-de-banho e tinha deixado a porta entreaberta. Bem que ele me olhou com uma cara de indignação, mas não sabia do meu cartão para abrir a porta. Antes de sair ainda reparei que tinha deixado na cozinha o meu queijo de 2€50 e as minhas quatro clementinas a 2€30 o quilo. Cheguei à paragem antes do autocarro das sete e dois (o mais seguro, pois o seguinte era só às sete e dezanove). O autocarro chegou atrasado, mas acabei por chegar à estação meia hora antes da partida do comboio. Que raio de manhã.

BLOGADO ÀS 05:09:15

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

1/12, 15h30, J (Nîmes)

Apanhei agora o ‘bus’ para o Nemausus, do Nouvel. Será que é desta que vejo os carros queimados?

Já marquei a estadia em La Tourette. Tenho de apanhar o TGV às 07h48. Às horas que me deito, não me parece mal.

Ontem (ou noutro dia, já não sei) veio-me um pensamento estranho. Ela namora, portanto se isso continua, ele continua naturalmente a dormir com ela. Será que ele a trata bem? Será que ela o trata bem? Será que ela pensa em mim quando está com ele? Será que pensa em mim sempre, como eu penso n’ela sempre?

BLOGADO ÀS 04:52:09

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

1/12, 12h45, Les Arenes (Nîmes)

Só podia ser coisa de franceses malucos. Transformaram o coliseu romano em praça de touros. Não está mal, não é essa a questão, é até incrível que ainda utilizem uma estrutura dos tempos romanos, mas… É elíptico! Ora, toda gente sabe que as praças de touros são circulares! Totós.

Em vez de ter comido a minha sandes manhosa naquele canto sombreado do jardim, devia tê-la guardado para a comer cá dentro. A foto, pelo menos, sairia mais pitoresca.

Agora tiro fotos a mim próprio. Que degredo! Hoje fui à FNAC, para saber se tinham um cartão SD e um adaptador, para o poder usar na minha máquina. Não tinham. Decidi, nesta viagem, tirar fotos como se estivesse em Portugal, e não pensar em poupá-las. Aparentemente, dois gigas em fotos (870 na máxima qualidade) não é suficiente. Vou ter de comprar um cartão novo, que iria comprar de qualquer maneira em Portugal.

Parece-me que aquela mãe ordenou aos filhos que não se tocassem. Será que percebi bem?

BLOGADO ÀS 04:49:55

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 21h00, Sala de convívio, pousada (Nîmes)


Quando comecei a viagem e reparei nos dois livros, vi que cada um tinha um significado especial. Em The Old Man and the Sea, um homem luta contra tudo e todos para atingir os seus objectivos, o que poderia ser uma metáfora da minha vida (isto se eu fosse vaidoso, o que não é o caso. É, pelo menos, a metáfora da minha viagem, sozinho contra o mundo). O livro que leio agora, Moby Dick, é ainda mais próximo do que vivo agora. Neste início de livro, o protagonista, Ishmael, entra numa mundo que não é o seu, o dos caçadores de baleias. E vê-se confrontado com situações como a de ter de partilhar a cama com alguém que não conhece, ou decidir se quer conhecer as pessoas que vai encontrando. Também eu tenho essas hesitações. É sempre estranho estar num quarto com pessoas que não conheço, e estou sempre na dúvida se hei-de falar com as pessoas ou não. Uma coisa tenho claro desde o início: aconteça o que acontecer, eu vou fazer este Inter Rail sozinho. Posso conhecer pessoas, mas não vou fazer questão disso. Já tenho muitos amigos, e bons. Tenho é de os prezar, e não querer ter mais amigos só por querer.

BLOGADO ÀS 04:49:01

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 19h00, Sala de convívio, pousada (Nîmes)


Já tenho um caderno novo! Grande, branco, bom! Agora já posso escrever tudo o que não escrevi antes por falta de espaço. Este tem uma coisa que nunca tinha visto, uma página com linhas. Como o caderno não tem linhas, posso sempre pôr a página com linhas sob a que estou a escrever. Assim não se nota a minha inabilidade em escrever em linha recta. Estes franceses pensam em tudo, carambas!
Nîmes parece ser uma ‘daquelas’ cidades. Mal cheguei, comprei o bloco e apanhei o autocarro, e só pude ver um pouco de Nîmes, mas o que vi deixou-me curiosíssimo para amanhã.

A Pousada é fora da cidade, e talvez isso justifique o seu preço baixíssimo, nove euros e qualquer coisa. Tive de pagar pelos lençóis (que, afinal, era só um) e o pequeno-almoço não está incluído, mas tá-se bem. O empregado, Andy, elogiou-me o inglês. Também lhe podia dizer que ele falava bem francês, mas topei à distância queele era bife, por isso não o fiz. Aliás, quando topei que ele não era francês pedi-lhe logo para falar inglês. É que não há necessidade.

Durante a tarde, quando corria para o comboio, telefonaram-me por causa dum projecto. O meu telemóvel, fiel e certo, foi-se abaixo. Quando o liguei, recebi uma mensagem a dizer que se safavam sem mim. Ainda bem.

Quando cheguei a Nîmes tentei ligar para os frades em La Tourette, mas não consegui usar o meu cartão de chamadas. Também não o consegui na Pousada, e tive de usar moedas. Moeda de cinquenta cêntimos, e lá consegui falar com uma senhora que, como todos os franceses, era extremamente simpática (quando digo extremamente, quero mesmo dizer no extremo). A pensão completa ficava por 45€, se chegasse a tal hora tinha direito a tal, mas devia ter telefonado há mais tempo, assim em cima da hora ela ia ter de telefonar aos monges. Dei-lhe o número do meu telemóvel, e… Acabou o dinheiro no telefone público. Foda-se. Enquanto punha mais cinquenta cêntimos no telefone, ela telefonou-me para o telemóvel. Nem deu para começar a conversa, a bateria tinha-se ido de vez. Atarantadíssimo, tentei encontrar o carregador do telemóvel, e pensava onde o poderia pôr a carregar, quando ela me telefona para o telefone público. Para o telefone público! Que nível! Aí acabámos de combinar tudo. Os segundos cinquenta cêntimos ficaram lá dentro, mas prontos. Todos o sabem, todos os segundos cinquenta cêntimos são para os pardais.

Amanhã vou fazer umas comprinhas. Controladas, claro, só para o jantar, ou ainda me roubam como ontem. Ora: sabonete, jantar, sobremesa, spray para tirar o cheiro das sapatilhas. E mais alguma coisa que me devo estar a esquecer. Talvez mais fruta.

O meu jantar, hoje, foi batatas fritas e Heineken. Também, a fome não era muita. Ainda deve ser bastante cedo, não queria ir já dormir. Aposto que os dois japoneses do meu quarto já foram dormir. Ou então estão acordados à minha espera para saberem porque lhes disse Gomenassai. Do que me lembro, Gomenassai significa peço desculpa, e disse-o quando passei entre os dois, por ter interrompido a conversa. Se calhar insultei-os e nem reparei. Tenho de treinar o meu japonês.

Tenho os pés frios. Isso não é nada bom. Mas, também, é natural. Estou de chinelos.

BLOGADO ÀS 04:48:12

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 16h00, Grandes Lignes (França)


Por ter comido tão tarde, se calhar já não janto hoje.

Com a pressa, acabei por não comprar o caderno e o sabonete. Não me posso esquecer em Nîmes.

BLOGADO ÀS 04:46:21

08-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 15h45, Grandes Lignes (França)


Uma senhora pediu-me o telemóvel, não percebi muito bem para quê. Expliquei-lhe que o meu era português, mas ela disse-me que não havia problema porque não sei que não sei quê. Aí mostrei-lhe que não tinha bateria, e ela respondeu-me “C’est pas grave.” Ai não? E se eu quiser telefonar a alguém?

O pequeno-almoço tem sido certo, assim como também é certo comer qualquer coisa à noite. A noção de almoço é que desapareceu completamente. Nunca é certo.

A visita a Carcassonne acabou por correr mal. Tinha quase três horas e meia para ver tudo, e decidi logo de início que veria tudo, mas nas calmas. Comecei pela Bastide, uma zona quase ortogonal pós-medieval. Apesar de não existir nada de especialmente interessante, decidi ir rua a rua, de forma metódica. Se houvesse algo para ver, eu descobriria-o! Mas nada. As ruas eram invariavelmente iguais, todas com bastante comércio. A zona do castelo, que no mapa me parecera bem pequena, devia ser mais rápida de visitar. Foi só quando compreendi que me faltava pouco tempo e que a cidade velha era, na realidade, a parte mais interessante, é que comecei a acelerar. Como a estação não tinha cacifos, tive de andar três horas e meia com a trouxa às costas, sem grandes pausas. Vi o castelo e a cidade velha em passo de corrida, e foi com alguma alegria que vi que era necessário pagar para entrar. Aproveitei a deixa para me ir embora a tempo de apanhar o comboio.

Pelo que percebi da minha curta estadia, Carcassonne situa-se nas terras de OC (Languedoc), de cultura e línguas Occitana. Não deu para perceber muito mais, mas deu para ver uma matrícula com o OC em vez do F.

Finalmente provei o Croc Monsieur, que de alguma remota maneira deu origem à nossa francesinha. É bom, mas não notei parecenças.

BLOGADO ÀS 04:45:39

01-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 15h15, Grandes Lignes (Carcassonne)


Ouve-se nas colunas o piloto a explicar o que se pode comer no bar. Parou para respirar fundo entre os Toblerone e os Mars e as sandes mistas e as bebidas frescas.

BLOGADO ÀS 03:29:23

01-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 12h00, Grandes Lignes (França)


Já me lembro. Anteontem vi pêra rocha à venda. Parece ser bastante conhecida por aqui.

BLOGADO ÀS 03:28:50

01-08-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 11h45, Grandes Lignes (França)


As vantagens do Inter Rail no Outono/Inverno: há menos turistas; como há menos viajantes, é mais fácil arranjar alojamento, e são preços de época baixa. Por causa do frio, não se tem de mudar de roupa tão frequentemente; a comida dura mais tempo sem se estragar; como os dias são mais curtos, acordamos mais cedo de manhã para aproveitar melhor o dia.

Vantagens de fazer o Inter Rail sozinho: marcações, reservas, estadias, tudo é mais simples; não temos de combinar nada, somos nós a decidir tudo.

BLOGADO ÀS 03:28:03

31-07-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11 11h30 Grandes Lignes (França)

Pareceu-me ter visto cotovias, ainda agora, num campo. Ontem, em Bordeaux, vi duas pegas-rabudas (são aves, ok?) numa chaminé. Primeiro veio uma, afugentou os pardais, e depois veio a segunda.

BLOGADO ÀS 03:53:19

31-07-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 11h15, Grandes Lignes (França)


Estou satisfeito com o meu nível de francês. Está até acima do espanhol.

BLOGADO ÀS 03:52:20

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 10h15, Grandes Lignes


Os SNCF também têm chaços, principalmente os regionais. A única diferenças entre os chaços deles e os nossos são trinta anos.

Aqui tudo parece mais fácil de roubar. Não é coisa que faça, agora, mas já o fiz. Às vezes roubava banda-desenhada no Diana-bar. Uma vez roubei umas Playboy com uns amigos. Quando estive na Grécia roubei um livro sobre o erotismo na Grécia antiga. E já roubei camisas na farmácia, para as experimentar em casa (acho que um dos momentos mais humilhantes da minha vida foi quando deitei fora camisas por ter passado o prazo de validade). Tirando a banda-desenhada, apenas roubei itens que fossem de cariz sexual, por vergonha.

Felizmente ainda não veio ninguém reclamar o meu lugar. Que sorte.

BLOGADO ÀS 04:54:50

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 10h00, Grandes Lignes


Foi estranho ter falado em português com a dona da loja e com a Ana. Não estava à espera. Mais estranho ainda foi saber que a Ana era do Porto, que a dona da loja era da Sé e a outra cliente na loja (que dizia “eu quero que eles todos sofram como eu sofri!”) era de Rio Tinto. Ou seja, compatriotas mesmo.

Veio agora um ‘arab’ ter comigo, perguntando se lhe arranjaria um euro. Fingi que não percebia, mas tornei claro que não lhe dava nada. “Et du bière?” Ele tinha visto a minha Heineken. “J’ai seule une bière.” Vai fumar para outro lado, pá. Isso só te faz mal.

BLOGADO ÀS 04:54:05

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 09h45, Grandes Lignes


Os franceses têm o defeito de serem ostensivamente simpáticos. “Merci!” “ Je vos empri!” Fiquei escandalizado quando vi um puto na Pousada em Bordeaux a dizer “C’est pas grave!”, com uma estranha alegria.

Afinal o caderno não acabou. Ainda tenho muitas costas de folhas a utilizar.

BLOGADO ÀS 04:52:58

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11,09h15, Grandes Lignes


Para o tipo de viagem que estou a fazer, usando apenas o comboio e ficando em Pousadas, não dá para ver tudo. O ideal é visitar as grandes cidades. Fica-se duas a três noites na Pousada e vê-se tudo. Também se pode visitar cidades pequenas, mas apenas como paragem entre duas grandes, como vou fazer hoje visitando Carcassonne entre Bordeaux e Nîmes.

Ah, meio litro de Heineken e os pés estirados no banco da frente. Isto, num inter rail, é um luxo.

BLOGADO ÀS 04:52:21

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 09h00, Grandes Lignes


Acabei de ver um veado. Assim, como quem não quer a coisa. Já não vejo veados em Portugal há anos. Estaremos assim tão distantes de França?

Os campos ainda estão cobertos de geada. Disto também temos em Portugal!

BLOGADO ÀS 04:51:45

26-06-2006

CADERNOS, IR'05, VIAGENS

30/11, 08h30, Grandes Lignes


Nunca percebi as pessoas que começam a andar atrás duma porta do metro quando ele chega, em vez de esperarem que pare uma à sua frente. Nem nunca entendi quem chega em cima da hora a um comboio com lugar marcado e corre ao longo do cais para entrar na carruagem certa, em vez de entrarem na primeira que encontrem e procurarem o lugar no interior do comboio. Há pessoas que não pensam.

Esqueci-me de comprar o caderno na estação, apesar de ter tido bastante tempo. Pera lá, porque é que estou a escrever isto se tenho pouco caderno? Há pessoas que não pensam.

Já não me masturbo desde Portugal. As fezes têm saído bem, e isso é óptimo.

Estou a gostar mais deste pedaço de França do que o que vi até Bordeaux. Tem vinha e bastantes casas, mas tudo em consenso.

BLOGADO ÀS 04:51:08

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