Categoria: GALIZA

17-07-2009

PORTURARIDADE, GALIZA, ENTRE-DOURO-E-MINHO, ALTA VELOCIDADE ELEVADA

Atualizações 16/7/09

* Só para provar que a Assembleia Metropolitana serve para alguma coisa:

(...)

Assim, a Assembleia Metropolitana do Porto, reunida em 10 de Julho de 2009,
considera prioritária a ligação ferroviária Porto-Vigo em Velocidade Elevada, e
reclama do governo e das competentes entidades públicas:
-a construção duma linha nova,
-em bitola europeia (1.435 mm),
-e com uma estação ferroviária no Aeroporto de Pedras Rubras

(...)

Via Baixa do Porto. Objetivo, necessário e sem nenhum erro. Notável.


* O Governo vai aprovar um decreto-lei para que os professores de Atividades Extra-Curriculares sejam contratados sem recurso a recibos-verdes. Parte das Câmaras oferecia já contrato aos professores das AECs, e sem decreto-lei do Governo. O que teria sentido era que a Direção Geral do Trabalho investigasse todas as Câmaras que, durante todo este período, furaram a lei contratando profissionais para uma atividade que nunca foi de recibos-verdes.

Ministério promete resolver situação de professores de actividades de enriquecimento curricular

(...)

O Governo vai aprovar, esta quinta-feira em Conselho de Ministros, o decreto-lei que resolve a situação dos 15 mil professores das actividades de enriquecimento curricular.

O contrato destes técnicos era muito precário, como reconhece o Ministério da Educação, porque os professores eram contratados pelas autarquias em regime de recibos verdes.

Mas, a partir de agora, avançou à TSF o secretário de Estado, Valter Lemos, serão criadas as condições necessárias e legais para que as autarquias celebrem contratos de trabalho com estes docentes.

(...)

O dirigente da Federação Nacional de Professores (Fenprof), Mário Nogueira, comentou esta posição do Governo, afirmando que o Ministério apenas está a fazer cumprir a lei.

«O Governo vir dizer que vai repôr o que está na lei, quer dizer que se assim não for teríamos um Governo fora da lei. Em primeiro lugar, a existência de um contrato para esta situação é obrigatório, portanto, o Governo não via impôr nada que seja novo», declarou.

(...)



Na TSF.


* O TAF relata o nascimento da Rede Norte:

(...)

Foi neste espírito de aproveitar a riqueza dispersa pela sociedade civil que nasceu recentemente a Rede Norte: uma plataforma destinada a agregar competências complementares da Associação de Cidadãos do Porto, da Associação Comboios XXI (de Braga), da Campo Aberto (dedicada ao ambiente e ordenamento do território), e de mais organizações que a estas se queiram reunir. Junta-se assim massa crítica para gerar propostas concretas baseadas em estudos sólidos, que serão oferecidas ao poder político para implantação. Em termos simples: é "preparar a papinha" para quem tem o poder executivo.

(...)





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BLOGADO ÀS 01:07:41

30-06-2009

LÍNGUA, GALIZA

Atualizações 29/6/09

* Não é que goste do Bloque, mas alguma coisa tem de ser feita:

O BNG denunciará perante a Unesco a vulneraçom dos direitos humanos e linguísticos do povo galego

O Grupo Parlamentar do BNG apresentará informes e denúncias também ao Conselho da Europa

O deputado nacionalista Bieito Lobeira comunicou à imprensa que o BNG denunciará perante a XXXV Conferência Geral da Unesco, que terá lugar no mês de Outubro, a vulneraçom da Declaraçom Universal dos Direitos Humanos assim como dos direitos lingüísticos dos galegos.

O deputado afirma que o Executivo de Núñez Feijóo dá ao idioma próprio da Galiza o trato legal de um dialecto. Perante este "atentado gravíssimo", Lobeira mostrou-se crítico com o actual governo e as medidas tomadas por este, como a realizaçom do inquérito sobre o uso do idioma na educaçom, a reforma das provas de acesso à funçom pública, a supressom das galescolas ou a eliminaçom de programas culturais da grelha da CRTVG.

Do mesmo jeito, a deputada Carmen Adán, que acompanhou a Lobeira nas declaraçons ante a imprensa, referiu que as medidas tomadas contra o galego na educaçom agem com umha cortina de fumaça para ocultar a supressom do programa gratuito de livros de texto.

Crise interna no PP pola língua da Galiza

Segundo informam vários meios, um sector do PP teria manifestado o seu desacordo com a gradual prostraçom do PPdeG cara às teses dos colectivos galegófobos, estratégia lingüística que afundiu o PP na Catalunha ou no País Basco. Ademais, acham que derrogar o actual texto irá contra o Plano de Normalizaçom Linguística, aprovado unanimemente no Parlamento na era de Manuel Fraga.

Ligado com o anterior, BNG e PSOE manifestárom que a derrogaçom do actual Decreto do galego no ensino e a sua substituiçom por um novo texto nom se realizará com consenso, e anunciárom que se o PP perder a maioria nas vindouras eleiçons, por sua vez derrogarám o decreto popular.



No PGL.


* Outra boa ideia:

O Fiscal Superior da Galiza apela ao principio jurídico de discriminaçom positiva

Insta a Junta a pôr em andamento medidas legais que situem o galego em igualdade com o castelhano

O Fiscal Superior da Galiza, Carlos Varela, apelou ao principio jurídico da discriminaçom positiva, que favorece a língua em inferioridade de condiçons, para que o a co-oficialidade lingüística seja real e efectiva.

Carlos Varela assegura que se nom se acata esta medida, o princípio de igualdade estabelecido pola Constituiçom espanhola nom será cumprido. Por esta razom, Varela exige ao Governo galego que adopte acçons «correctoras» para o galego nom ficar em inferioridade de condiçons.

(...)



Também no PGL.



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BLOGADO ÀS 00:46:05

16-06-2009

GALIZA, AMIGOS, FERROVIÁRIO, METRO, ESPAÑA ESTRAÑA, ALTA VELOCIDADE ELEVADA

Atualizações 15/6/09

* O Metro do Porto seguiu a minha sugestão e já está no google transit. A busca parece ainda limitada ao Metro, sem CP, STCP nem privados.


* A Assembleia da República discutiu hoje a Rede de Alta Velocidade. Pelo que vi à hora do almoço, não se juntaram apenas para falar da nova ponte sobre o Tejo ou do Madrid-Lx, graças a Deus.


* O Público noticia obras na Linha de Cascais. Não informam, no entanto, sobre travessas polivalentes, mudança da tensão elétrica ou a ligação, em Alcântara, à Linha de Cintura. Leio na REFER que

Os investimentos previstos incluem, essencialmente, a modernização da sinalização, a eliminação de todas as passagens de nível ainda existentes, a modernização da super-estrutura de via, a adequação da tensão eléctrica (tornando-a igual à da restante rede) e a requalificação de estações e apeadeiros.




* O Valentim, já presidente da AGAL, é entrevistado no galizalivre e escreve no Novas. Gosto muito dele.



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BLOGADO ÀS 01:18:50

13-06-2009

LÍNGUA, GALIZA, ESPAÑA ESTRAÑA

Atualizações 12/6/09

* Isto seria, no Estado espanhol, no mínimo, difícil:

Oportunidades em mirandês

Dois candidatos ao programa Novas Oportunidades, de S. Pedro da Silva, em Miranda do Douro, obtiveram, ontem, o certificado de equivalência ao 9º ano de escolaridade, com a particularidade de serem os primeiros a desenvolver todo o processo em mirandês. Albertina de São Pedro, 62 anos, e Luís Silva, de 40, apresentaram o projecto final perante o júri de certificação do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC) do Centro Novas Oportunidades do Instituto Jean Piaget de Macedo de Cavaleiros.

O percurso começou há um ano, por vontade dos formandos em fazer do mirandês uma língua capaz de entrar num projecto de vida desta dimensão, por se tratar, nos dois casos, de uma forma de comprovar competências adquiridas ao longo da vida. "Eu só avançava com o processo se fosse em mirandês. Desde pequena que falo mirandês e entro em agonia quando vejo as pessoas a colocá-lo de lado. Por mim, sempre que posso, falo com amigos e familiares em mirandês, é a minha língua materna", assegura Albertina.

Os candidatos levaram os portefólios, elaborados ao longo do processo, com as suas histórias de vida, em sessões igualmente faladas em mirandês, apenas com um pequeno texto intrudotório em português.

Segundo Alfredo Cameirão, orientador de curso, o processo também constituiu um desafio para o Instituto Piaget e para a Agencia Nacional para a Qualificação. " Não podemos colocar de lado este projecto, já que abre uma nova possibilidade para a língua mirandesa", observa Alfredo Cameirão.



No JN.


* Ótima jogada de marketing:

José Luís Fontela queixa-se de perseguição

Presidente da Comissão Galega do Acordo Ortográfico pede asilo a Portugal

O presidente da Comissão Galega do Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, José Luís Fontela, disse hoje à agência Lusa que pediu asilo político ao Governo português, como primeiro passo para pedir nacionalidade portuguesa.

“Quero liberdade. Pedi asilo político para que não me tirem direitos, liberdades e garantias”, disse José Luís Fontela, advogado, poeta e escritor, acusando os serviços de informação espanhóis de “controle de correspondência” e “sequestro de livros”.

Fontela, natural da Galiza, referiu que vive em Portugal “desde 1992”, primeiro em Viana do Castelo, depois em Valença, onde ainda tem residência oficial, e agora em Braga, onde quer continuar a viver.

O pedido de asilo político, enviado por carta ao Conselho de Ministros, é o “primeiro passo” para pedir a nacionalidade portuguesa, mas José Luís Fontela aceita outro estatuto. “Se me derem estatuto de apátrida, fico contentíssimo”, salientou.

O advogado e poeta afirmou que desde os nove anos que lhe chamam “separatista”, por ser republicano, tal como o seu pai, e defender o Português como língua oficial e nacional da Galiza. “Defendemos a língua portuguesa como língua oficial da Galiza. É uma linha cultural. Aqui não há nada de político”, frisou, afirmando-se “republicano, federalista, democrata e socialista”.

José Luís Fontela referiu que enviou da Galiza vários livros de poemas, de linguística, de pintura e de escultura para pessoas de outros países, como a Alemanha e o Brasil, mas não chegaram ao destino. A seguir, fez o mesmo a partir de Portugal, e os livros chegaram, pelo que concluiu que os serviços de informação espanhóis, que apelidou de “polícia política monárquica”, estão a fazer “controles de correspondência” e a “sequestrar cartas e livros”.

Fontela disse ainda que anexou ao pedido enviado ao Governo português uma carta dirigida ao ministro do Interior de Espanha em que denuncia os alegados sequestros de correspondência



No Público.



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BLOGADO ÀS 00:46:52

30-05-2009

LÍNGUA, GALIZA, AMIGOS, ENTRE-DOURO-E-MINHO

Atualizações 30/5/09

* O Valentim, camarada cá da malta, vai ser o novo presidente da AGAL. Parabéns, amigo. Coragem para o futuro.


* Melgaço e Monção já dispõe de (razoáveis) ligações ferroviárias a Vigo e Ourense: basta-lhes cruzar o rio Minho e, em Arbo ou Salvaterra, apanhar um comboio galego. Uma maneira simples de otimizar as ligações ferroviárias nesta zona era promover comboios diretos entre Ourense e o Porto. Assim, aos habitantes de Melgaço e Monção bastava-lhes cruzar uma ponte para terem uma ligação direta ao Porto. Esta seria a verdadeira 'Linha do Minho'.



(grande)



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BLOGADO ÀS 00:43:29

12-05-2009

LÍNGUA, CARTAZ, GALIZA, IMAGENS, REGIONALIZAÇÃO, NORTE, CENTRALISMO, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 11/5/09

* Finalmente o bom senso:

Empresa de energia apadrinhada por Sócrates e Pinho perde certificação

A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, perdeu a certificação de produtora de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão que tinha certificado os seus produtos retirou-lhe essa classificação, no final da semana passada.



No Público.


* José Sócrates:

Há uma questão que está a preocupar muita gente no Porto e no Norte: o que vai acontecer ao aeroporto? Ficará na dependência nacional, na ANA, ou terá autonomia administrativa?

É preciso para o país que haja uma gestão conjunta das diferentes infra-estruturas aeroportuárias, sobre isso não tenho a mínima dúvida e remeto todos aqueles que têm opinião diversa para um estudo feito pela ANA que é muito explícito relativamente a esse ponto.



No JN, via ACdP.


Há três premissas básicas, que convém nunca esquecer:

-o potencial de passageiros do aeroporto Sá Carneiro é infinitamente superior ao de qualquer aeroporto construído à volta de Lisboa;

-os aeroportos não 'têm' de ser geridos em rede - a gestão em rede tem de ser feito pelas transportadoras aéreas;

-só um país muito pequeno (como o Luxemburgo) pode pensar na ideia de aeroporto nacional.

Assim sendo, o que se percebe de todas estas movimentações políticas é de que o Governo acha que a ANA só conseguirá uma privatização favorável se esta incluir todos os aeroportos que gere neste momento. E que o aeroporto de Alcochete só fará sentido, na sua megalomania descabida, se tiver os aeroportos de Faro e do Porto abaixo de si na hierarquia, a alimentá-lo. Remeter o jornalista para um 'estudo feito pela ANA' é como remeter o jornalista para a 'opinião da ANA'. E o interesse da ANA é óbvio.


* Há quem ache que só podem existir ciclovias se se mantiverem os privilégios dos automóveis. Eu, obviamente, penso o exato contrário - as ruas já estão entregues aos carros, porquê insistir nisso?

Ciclovia em Alvalade abre acesa polémica

O presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, em Lisboa, considera o projecto "uma aberração". O vereador Sá Fernandes diz que o caso ainda está a ser estudado. E os utilizadores de bicicletas criticam a Junta.

Em causa está um troço de uma pista ciclável projectada para atravessar a Rua de Entrecampos e a Avenida Frei Miguel Contreiras. Esta ciclovia faz parte do plano da Câmara Municipal de Lisboa para uma rede de pistas cicláveis que deverá atingir os 25 quilómetros de extensão até ao final do ano.

Armando Dias Estácio, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, emitiu um comunicado e um abaixo-assinado num tom bastante crítico contra o projecto. Sucintamente, a Junta de Alvalade considera "um absurdo" a construção de uma pista ciclável na Rua de Entrecampos. A diminuição de estacionamento automóvel é o argumento apresentado.



No JN.


*


Dia 17 de Maio em Compostela:

Por todo isto este 17 de maio queremos fazer saber que:

1. É umha falácia que exista umha imposiçom do galego. A imposiçom do castelhano nom tem discussom desde o momento em que é a única língua que todos os cidadãos e cidadãs do estado espanhol têm a obriga de conhecer segundo a constituiçom espanhola.

2. Reclamamos, para enfrentar esta situaçom, a aboliçom do sistema legal que subordina o galego ao castelhano, a aboliçom do supremacismo castelhano que procura a limpeza do galego e exigimos a implementaçom de autênticas políticas de normalizaçom lingüística ao serviço da nossa sociedade.

3. Consideramos hipócrita a negaçom do conflito lingüístico existente na sociedade galega, causado por umha legislaçom de inspiraçom perversa, que condiciona e impede o desenvolvimento de umha verdadeira normalizaçom lingüística. Exigimos, aliás, que instituições teoricamente concebidas para o estudo e potenciamento da língua (RAG e ILG) se pronunciem sobre tal conflito, saindo de um silêncio que colabora na subordinaçom do galego e na manutençom do supremacismo castelhano.

4. Afirmamos que a normalizaçom lingüística é um direito colectivo inalienável, constituindo a necessária coesom social de cada povo em torno à língua própria. O monolingüismo social é o complemento natural ao polilingüismo individual e à diversidade lingüística crescente das sociedades actuais. Negamos a reduçom do galego a um fenómeno meramente individual pois, como qualquer língua viva, é umha realidade social cujo sentido e utilidade reside no seu uso na Galiza como língua comum a todos e todas e para o relacionamento internacional.

5. Toda a instituiçom social, como os meios de comunicaçom, ensino, administraçom e quaisquer serviços públicos, deve contribuir, portanto, à eliminaçom dos preconceitos e discriminações contra a nossa identidade lingüística e cultural e promover a normalizaçom lingüística. Denunciamos especialmente a pretensom de continuar discriminando o galego no ensino infantil e pré-escolar, encorajando o auto-ódio e a galegofobia.

6. Consideramos que, frente ao recrudescimento do discurso refractário ao galego na vida pública, a política lingüística nos últimos quatro anos se tem caracterizado polo continuísmo com a era fraguista. E que com a chegada do novo governo à Junta da Galiza se aproximam tempos de retrocesso e de concessom aos sectores mais espanholistas.

7. A nossa aposta é reintegracionista, pois consideramos que o único futuro do galego passa por integrar-se no mundo da Lusofonia que permitirá a sua sobrevivência, ajudará ao seu prestígio e, sobretudo, fará com que os utentes tenham um universo de possibilidades de relações humanas, comerciais e culturais ao seu dispor.

8. Fazemos parte do movimento social de base que trabalha diariamente ao longo de muitos anos para a dignificaçom da língua e da cultura galegas e que nom somos um movimento que fique à espera de que governos ou instituições venham a lançar leis que salvem ou embarguem o futuro da língua.

9. O sistema cultural galego, com todos os seus produtos, é um sistema cultural dependente do sistema cultural espanhol e tem como conseqüência que todos os produtos que chegam a nós tenham que ter passado anteriormente um filtro. A nossa cultura nunca conseguirá falar em pé de igualdade com culturas doutros lugares estando baixo este jugo, pois nom poderá ter presença própria, senom através da espanhola.

10. Denunciamos a discriminaçom e silenciamento da tradiçom cultural galeguista do reintegracionismo, e reclamamos o justo reconhecimento social de umha das principais figuras culturais do século xx galego, cujo legado continua vivo: Ricardo Carvalho Calero, para quem reclamamos o Dia das Letras no ano 2010, ano em que se cumprem 100 anos do seu nascimento e 20 anos do seu finamento.





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BLOGADO ÀS 02:01:18

25-03-2009

FOTOS, LÍNGUA, GALIZA, VIAGENS, IMAGENS, TERRA, FERROVIÁRIO, NORTE, POLÍTICA À PORTUGUESA, PORTUGAL ESPERTO, PÓVOA-VILA, GRANDE PORTO

Atualizações 24/3/09

*

Movimento cívico defende região autónoma

O Movimento Alternativo do Nordeste (MAN) promete defender "com unhas e dentes" a criação da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro com autonomia igual à da Região Autónoma da Madeira e até defende a criação de uma zona franca na Região.

Este é um movimento completo - para além de pugnar por questões regionais, não deixa de se relacionar com as grandes questões nacionais (senão mesmo da humanidade):

Outra das causas que este movimento abraçou foi a da taxa dos contadores da água. O MAN organizou uma petição, com 1190 assinaturas, que já enviou ao Provedor de Justiça, onde denuncia que a taxa de disponibilidade de caudal cobrada aos munícipes é "uma forma camuflada de cobrança ilegal com o recurso à esperteza saloia para obter receitas ilícitas, pela utilização dos contadores da água", refere a petição que está em fase de análise pelo Provedor.




*

Um homem que circulava esta quart-afeira de manhã numa bicicleta, na Estrada Nacional 378, na Venda Nova, concelho de Sesimbra, teve morte imediata após ter sido atropelado por um automóvel e ter caído em plena via.

Não queria soar a maluquinho das bicicletas, mas um agente da autoridade não pode expressar a sua opinião sobre os casos em mão. É a lei.

Filipe, de cerca de 60 anos, terá tentado desviar-se dos buracos existentes na berma da estrada e acabou por se desequilibrar e cair. O veículo que seguia na sua traseira, no sentido Sesimbra/Fogueteiro, não conseguiu travar e atropelou-o.

Segundo as autoridades policiais, esta é a explicação mais plausível para o acidente. "A pessoa iria a circular na via e ao desviar-se de uns buracos, desequilibrou-se e caiu na estrada. A viatura que seguia atrás não teve tempo de reacção", adiantou, ao JN, fonte da GNR, que identificou a condutora do automóvel, prosseguindo agora as investigações para que o caso transite para tribunal.

Se assim dita a lei, porquê isto? É assim que se fazem inquéritos em Portugal? Pergunta-se à pessoa que sobreviveu a um acidente a sua versão do que aconteceu e fecha-se o inquérito? Ou apenas se decreta, a priori, a culpabilidade do ciclista (ou a natural previsibilidade do acidente)?


* A Associação Galega da Língua Portuguesa chegou ao Mário Soares - será que ele reparou?




* Eis uma ótima notícia: em Lisboa, Metro cresce mais dois quilómetros em Agosto. A Linha Vermelha, que acabava na Alameda (Linha Verde), vai continuar até São Sebastião (Linha Azul), passando pelo Saldanha (Linha Amarela). Digam o que disserem, a rede lisboeta é fraquinha. Tem poucas interligações entre as várias linhas e deixa uma parte importante do território por cobrir. É bom ver que andam a corrigir isso.




* Em Ponte de Lima discute-se a chegada da Velocidade Elevada - terão direito a estação? Era bem.


* Sugestão do Nuno:

Especialistas de energia denunciam "embuste" na visita de Sócrates e Pinho à Energie

A visita de José Sócrates e de Manuel Pinho às instalações da Energie para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica que produz o que designa por "painéis solares termodinâmicos" está a desencadear uma série de protestos por parte dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no país.

"É uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste", denuncia Eduardo Oliveira Fernandes, ex-secretário de Estado da Energia e académico que desenhou a política energética do actual Governo, no que é acompanhado por Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES), e por Manuel Collares Pereira, considerado um dos principais especialistas em energia solar no país, ex-investigador do INETI e responsável pela empresa fabricante de painéis solares térmicos Ao Sol. Os três especialistas clamam que o produto da Energie, fabricado na Póvoa de Varzim, é "publicidade enganosa" - mostram tratar-se de uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar e não de um painel solar térmico - e atribuem o incentivo político do primeiro-ministro e do ministro da Economia, com a visita efectuada, a uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes.




* Os tram-train avançam em Coimbra (via Transportes em Revista):

Sistema de Mobilidade do Mondego

Foi hoje enviado para publicação no Diário da República e no Jornal Oficial da União Europeia o anúncio do concurso público relativo à Empreitada de Reabilitação das Infra-estruturas do Troço Miranda do Corvo/Serpins, do Ramal da Lousã, primeira empreitada da 1.ª Fase do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).




* Em Matosinhos, continua a limpeza da costa:

Forçados a demolir habitações onde vivem há décadas




* Comboios: Governo encerra Linha do Corgo por razões de segurança (sugestão do Nuno)


* O melhor programa de sempre versando Prevenção Rodoviária:



A mensagem é de que, se virem o Toy, não entrem no carro com ele ou, então, fujam da frente.


* Hoje, quarta-feira, 25 de Março de 2009, exploro as debilidades do sistema ferroviário português (acompanhar minuto a minuto):




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BLOGADO ÀS 00:26:24

20-03-2009

LÍNGUA, GALIZA, REGIONALIZAÇÃO, ACORDO ORTOGRÁFICO, IMPRENSA, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO

Atualizações 19/3/09

* O Rui Tavares ilustrou em crónica do Público o que publicou no blogue ontem, e teve o condão de, falando da desigualdade, abarcar temas como a regionalização, o Norte e a situação no Estado Espanhol. Cada vez mais, Rui Tavares é o meu herói pessoal.

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda. A direita preocupa-se menos com a desigualdade desde que o país seja homogéneo. O conservadorismo nacional é anti-regionalização, anti-imigração e anti-direitos dos gays (bom dia, Dra. Manuela Ferreira Leite) mas não perde o sono com a desigualdade. O projecto oposto não tem problemas em viver num país heterogéneo; o que nos interessa é dar a mesma dignidade a cada uma das partes que o constituem.

Em suma, eu diria que foi o quando a Espanha viu que é um país plural que começou a tornar-se um país mais igual. Mas que sei eu? Perguntem a Felipe González. O que ele respondeu numa entrevista recente foi que o segredo do crescimento da Espanha está em assumir a sua pluralidade interna: “Se há trinta anos atrás me dissessem que a Galiza viria a ser uma economia dinâmica na globalização, eu daria uma gargalhada”. Com o nosso desigual Norte a cair no atraso, é uma gargalhada amarga para nós.




*

Aos 30 anos, o "Correio da Manhã" começa nos próximos dias a adaptação do jornal ao novo Acordo Ortográfico, anunciou o director do título, Octávio Ribeiro, na edição de hoje.

Parece óbvia ainda a ignorância em relação ao Acordo:

"A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, "caro Leitor", quando já ninguém estranhar a palavra 'facto' escrita sem cê", refere Octávio Ribeiro.

Segundo o AO, 'fa(c)to' é uma palavra de dupla grafia, o que significa que se grafa como se quiser. E se na fonia preponderante em Portugal se lê o 'c', se bem que subtilmente, deve grafar-se 'facto', como eu faço há já algum tempo. O que é um facto.

No Público, via Blogtailors.


* 32 mil euros por bilhetes de La Féria:

A Câmara do Porto adquiriu bilhetes no valor de 32,5 mil euros para o musical "Alice no País das Maravilhas" de La Féria. O montante foi deduzido nos 5% da receita de bilheteira que a Autarquia tem direito. O PS critica discriminação.

No passado, a aquisição de ingressos nos espectáculos de companhias teatrais da cidade era uma forma da Autarquia apoiar esse trabalho. "A compra de bilhetes era uma maneira da Câmara do Porto ajudar as companhias no momento de concretização dos espectáculos. E distribuía esses bilhetes pelas escolas. Com Rui Rio, deixou de fazê-lo", especifica Carla Miranda, convencida de que o problema fundamental não reside nessa aquisição, mas na inexistência de critérios na gestão do Pelouro da Cultura.

"Rui Rio disse que as companhias eram subsídiodependentes", quando a única ajuda municipal era a compra de ingressos, argumenta: "Esses termos não servem para o senhor La Féria. Não é igual para todos. O facto de não existirem regras conduz a estes actos discricionários".



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BLOGADO ÀS 01:15:35

19-03-2009

PORTURARIDADE, LÍNGUA, GALIZA, FERROVIÁRIO, NORTE, GRANDE PORTO

Atualizações 18/3/09

* Vítor Silva entrevista António Alves. O norte, a ferrovia e a bitola europeia. Não concordo com tudo o que disse, mas é bom ouvir alguém esclarecido a falar sobre estes temas.


* Obras na Linha do Minho:

Consignação da empreitada de reabilitação da superstrutura de via entre Carvalha e Valença e alteamento da gare das estações de Caminha e S. Pedro da Torre

Esta obra de reduzida dimensão esconde um pequeno segredo: "Substituição de travessas de madeira existentes por travessas de betão bi-bloco". O que significa que, mesmo para obras mais pequenas, a CP já substitui as travessas por travessas bi-bloco. O que significa que, mesmo em obras pequenas, começa a entrar em Portugal a bitola europeia. Ótimas notícias, portanto.


* O metro avança na direção de Gondomar - primeiros desvios de trânsito:

A nova Linha de Gondomar está já em fase de construção, no terreno. Depois de instalados os estaleiros de obra e devidamente garantidas todas as condições de segurança no trabalho, arrancam agora as primeiras frentes de obra em Rio Tinto.




* Gosto muito da Espanha porque, enfim, é um país muito bonito e que protege a diversidade cultural - a diversidade cultural castelhana, isto é:

«Os novos dados do Mapa Sociolinguístico da Galiza (MSG) confirmam que o galego está numa situaçom de emergência», assim de contundente foi o presidente da MNL quando ontem deu a conhecer os dados do estudo de 2004 elaborados pola RAG e só agora divulgados.

Conforme esses dados, o número de pessoas entre 15 e 54 anos que nunca falam em galego passou, entre 1992 (ano do anterior MSG) e 2004 (novo MSG), de 13 para 25% e mesmo até 10,7% das crianças reconhecem que nom receberam nem uma única aula em galego, embora que a opçom «só em castelhano» nem apareçesse contemplada no decreto de 1995.

Por outro lado, as pessoas que dizem falar habitualmente galego passaram de 30,5 para 16%; em total as que dizem falar «só galego» e «mais galego» apenas atingem 38,9%, ou seja, até 22,1 pontos menos do que em 1994 quando a percentagem atingia 61%.

A primeira recolha de dados do MSG foi realizada em 1992, e a segunda há cinco anos, em 2004, embora só seja agora em 2009 que é publicada pola RAG. O MSG é editado em três volumes: Lingua inicial e competencia lingüística (editados os dados de 1992 como 2004), Usos lingüísticos (apresentados só agora com os dados de 2004) e Actitudes lingüísticas (só dados de 1992).

Conforme apontou Carlos Callón, o MSG também reflecte uma queda 40 pontos nos dados da língua inicial, pois o galego passou de nesse âmbito de 60,3 para 20,6% em doze anos.

Ainda, o rural continua a ser o espaço com maior uso do galego, embora uma queda de quase 15 pontos (de 55,3 para 40,5%), face ao mundo urbano, onde o domínio do castelhano («só e mais») é já esmagador nalguns casos: Ferrol (85%), Vigo e Corunha (81,9%), Ponte Vedra 75,9%, Ourense 67,8%, Lugo 59% e Santiago 57,4%.

(negrito meu)


* O Rui Tavares fala da desigualdade social como coisa má, e escuda-se em gráficos e outras intrujices. Lá porque Portugal fica mal em todos os gráficos (tirando o gráfico em que não aparece), não significa que a teoria esteja correta. Apenas significa que somos um país tremendamente desigual em termos sociais e por isso temos défices de desenvolvimento. Ah? Será que isto é mesmo verdade?



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BLOGADO ÀS 00:47:40

04-03-2009

NOTAS, LÍNGUA, GALIZA, IMAGENS

Atualizações 3/3/09

* Português mais empregado que o galego ILG-RAG nas teses de doutoramento da USC:



* Muito curioso: na obscura categoria que escolhi para o coisas, 'generalista', sou o 19º blogue mais lido Portugal. Claro que, no cômputo geral, sou apenas 385º.



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BLOGADO ÀS 00:59:38

02-03-2009

GALIZA, FERROVIÁRIO, NORTE, ALTA VELOCIDADE ELEVADA

Atualizações 1/3/09

* No rio Douro existe apenas uma ponte (São João) a fazer a ligação ferroviária entre o norte e o resto do país. Com a Alta Velocidade a situação mantém-se, já que a ponte utilizada é a mesma. Ninguém percebe o errado de tudo isto.

E entre Lisboa e o Porto existe em quase toda a sua extensão duas linhas paralelas de caminho-de-ferro. Agora será construída uma terceira linha, sem que a linha contínua existente (linha do norte) tenha sido otimizada e sem que a(s) outra(s) linha(s) (linha do oeste + ramal da Figueira da Foz + linha do vouga) tenham ganho continuidade e uso real. Fico sempre com a ideia que dava para fazer muito mais trabalhando com o que já existe gastando muito menos dinheiro. O que se vê é o infeliz contrário.


* Medo.



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BLOGADO ÀS 11:53:33

26-02-2009

LÍNGUA, GALIZA, POLÍTICA À PORTUGUESA, PÓVOA-VILA

Atualizações 26/2/09

* Póvoa de Varzim sem lei:

O presidente da Junta de Freguesia de Argivai, Póvoa de Varzim, terá ameaçado com "três tiros" os deputados da União Eleitoral de Argivai, na última Assembleia de Freguesia. O incidente podia ter terminado pior, não fosse o público presente ter conseguido segurar o autarca Adolfo Ribeiro.

Em resposta, explicou, ao JN, Domingos Silva, "o presidente da Junta disse, aos gritos: "Vocês são uns calhaus com dois olhos. Se tivesse aqui a 'p….' dava-vos três tiros a todos".

Isto de chamarem 'autarca' ao homem é abuso.


* No ciberdúvidas, perguntas e mais perguntas e respostas sobre o galego.


* Na Galiza, e tudo no domínio do presunto (presumível, isto é), um rapaz, Jácobo Pinheiro, matou um casal homossexual por temer ser violado. Um dos homossexuais teria aproximado-se de Jácobo, nu, Jácobo não foi na cantiga, e o homossexual terá ido buscar uma faca. Jacobo tirou-lhe a faca e matou-o com 35 facadas. De seguida Jácobo terá matado o companheiro do referido homossexual, que fugira, com outras 22 facadas. No total, 57 facadas. Passadas algumas horas, depois do banho, Jácobo ateou fogo ao apartamento. Sentença judicial, através de um júri popular? Própria defesa.

Em Lazkao, Euskal Herria, um jovem, depois de uma bomba da ETA ter danificado o seu apartamento, desceu à mais próxima Herriko Taberna (bar ou centro social onde costumam reunir-se os simpatizantes da esquerda abertzale vasca) e atacou-a. Como agora ele encontra problemas em continuar a viver na referida terra, poderá ter de mudar de sítio ou necessitar de proteção policial. Alguns políticos do PP compreendem que o jovem, traumatizado, tenha vandalizado um lugar que não tinha nada a ver com o ocorrido.

A mensagem que perpassa tudo isto é clara: em Espanha, o discurso conservador e espanholista (muito presente nos meios de comunicação) defende que se matem homossexuais e se ataquem lugares com tendências não-espanholistas. A acompanhar.



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BLOGADO ÀS 21:04:41

23-02-2009

PORTURARIDADE, LÍNGUA, GALIZA, PLANEAMENTO MACADAME

atualizações 22/2/09

*



Segundo a unesco, o galego já não é uma língua ameaçada porque, como eles consideram o galego e o português a mesma coisa, a proximidade salva-os da extinção. Uma coisa bem vista (a de dizerem que a língua é a mesma) e outra claramente fantasista (a de nós os salvarmos do que quer que seja).

Curioso é também verificar que não consideram o mirandês uma língua mas um dialeto do asturo-leonês. Apesar da diferença de critérios em relação ao relatório anterior, é bom ver que na unesco há filólogos profissionais que dizem sem hesitações: nem o galego nem o mirandês são línguas - são dialetos - e é bom perceber essa objetividade.


* A Galiza é já uma região portuguesa - é ver o que vão fazer no Bolhão:

Em torno do mercado de frescos, surgirão as tasquinhas com pratos típicos de todo o país e da Galiza e lojas ligadas à venda de produtos tradicionais.

(negrito meu)


* É claro que pôr carros na nova ponte sobre Tejo é uma ideia aberrante. Via Menos1Carro.


* Ecovia ligará Caminha a Esposende em 2013:

Municípios de Caminha, Viana do Castelo e Esposende querem criar, ao abrigo do Polis do Litoral Norte, uma ecovia junto ao mar até 2013. Responsáveis aludem à proposta como "elemento de ligação" de todo o programa





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BLOGADO ÀS 01:33:27

12-02-2009

LÍNGUA, GALIZA, ACORDO ORTOGRÁFICO, IMPRENSA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 11/2/09

* Afinal eu tinha razão.


*

Se não houvesse AO nós corríamos o seríssimo risco, não só da pulverização da língua portuguesa, como de aqui a trinta ou quarenta anos sermos, com todo o respeito, os galegos da língua portuguesa.


José Mário Costa, falando sobre o Acordo Ortográfico. Os galegos, já se sabe, ainda são os galegos da língua portuguesa.



* Em Setúbal, o corte de sobreiros tem utilidade pública:

A Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus) não conseguiu evitar o abate de mais de 1300 sobreiros, que foi autorizado pelo Governo para a construção de uma urbanização em Setúbal. A Quercus avançou com uma providência cautelar, mas as arvóres já tinham sido abatidas.




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BLOGADO ÀS 01:51:29

05-02-2009

GAMANÇOS, LÍNGUA, GALIZA, FERROVIÁRIO, IMPRENSA

Atualizações 4/2/09

* Menos1Carro:

Há uns tempos dei-me ao trabalho de mostrar que, descontando a Bélgica, todos os países da Europa tinham cidades sem auto-estrada maiores que Beja ou Bragança. Ou seja, Portugal é um caso patológico ao estar alcatifado com auto-estradas.

Fazer o mesmo para o comboio dava muito trabalho, mas rapidamente se pode verificar quais as cidades dessa lista que têm comboio. Infelizmente, o resultado não me surpreendeu. Descontando duas (Stadskanaal e Ioannina) todas têm ferrovia. Mais uma vez, Portugal é um caso patológico: ao contrário da Europa é frequente as cidades terem auto-estrada mas não terem linha férrea.



* Margarida Rebelo Pinto, entrevistada por Carlos Vaz Marques:

Qual é o problema das pessoas se repetirem nos seus livros? Se todos se repetem porque é que só dizem que sou eu que me repito? Porque é que está a insistir tanto nessa tecla? Já lhe disse: quais são os escritores que não se repetem? Olhe o Murakami, em que os livros são todos tão parecidos. Aí está um grande exemplo.


Afinal, qual é o probrema?


* Eixo Atlântico:

"O Eixo Atlântico foi pioneiro na introdução do ensino do português na Galiza e do galego no Norte de Portugal, como disciplina extracurricular, opcional, no primeiro ciclo do ensino básico", recordou Menezes.

Para o presidente do Eixo Atlântico, "é com medidas destas que se pode colocar de pé este caminho que pretendemos percorrer".

Menezes disse depois aos jornalistas que "não é prudente, nem possível" tentar implementar esta iniciativa a nível nacional, mas pediu apoio para os municípios do Eixo Atlântico que a estão a adoptar nas suas escolas.

"Introduzir o espanhol como segunda língua opcional no primeiro ciclo das escolas portuguesas parece-me uma medida importantíssima para concretizar a lógica de cooperação efectiva", afirmou, acrescentando que o mesmo se passa com o português nas escolas galegas.


(negrito meu)

De início fiquei assustado, a seguir percebi que foi gralha do Menezes ou do jornalista.

De que nos serviria aprender 'galego'? Para podermos escrever cartas à Xunta?



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BLOGADO ÀS 00:12:18

02-02-2009

LÍNGUA, VÍDEOS, GALIZA

Atualizações 1/2/09

* Não perguntem a Recep Tayyip Erdoğan pelos direitos dos curdos, mas gostei de o ver falar dos crimes contra os palestinos:

* Ângelo Pineda Marinho, Ideologias e língua (I)

La primera ele, en la que todos piensan seguramente, es la toponímica, La Coruña y A Coruña, y que no es una ele cualquiera, porque más allá de su lectura en el marco de un debate localista esconde algunos de los principios o convicciones que sustentan el pensamiento de este singular alcalde coruñés y que son esenciales a todo el pensamiento socialdemócrata de la corriente histórica europea: el internacionalismo, el cosmopolitismo urbano y la tolerancia cultural.

Andrés Precedo Ledo. Las eles de Paco. 16 de fevereiro de 2006

O "L" que marca a espanholidade do topônimo simboliza aqui valores e princípios que o senhor Precedo atribui a Paco Vázquez, através da defesa que este fez do castelhano. Se o espanhol expressa o "internacionalismo", o "cosmopolitismo urbano" e a "tolerância cultural"; por uma oposição lógica, ao galego corresponde o nacionalismo, a cerração rural e a intolerância cultural. Este caso é um bom exemplo de como dizer as coisas sem dizê-las.


Pineda Marinho discorre sobre as "quatro ideologias principais nas colunas de opinião do jornal La Voz de Galicia" sobre "discurso público, representações sociais e conflicto lingüístico". Está muito bem o texto, apesar de me chocar que ainda exista gente como esta a escrever nos jornais galegos:

¡Y es que ya está bien! ¡Fuera caretas!: nadie prohíbe a los profesores de la Universidad de Santiago dar sus clases en gallego, pero el 80% las dan en castellano; nadie prohíbe a los columnistas de prensa escribir en gallego, pero la inmensa mayoría lo hacen en castellano; nadie impone a los políticos hablar en castellano, como lo hacen en privado la mayoría de los no nacionalistas; nada impide a los empresarios montar un diario en gallego, pero ninguno ha querido jugarse en ello su dinero; nada impide a los jóvenes hablar en gallego, pero el 56% de los que tienen entre 16 y 25 años lo hace habitualmente en castellano; ni nadie impide a los comerciantes rotular en gallego, pero lo hacen en castellano casi todos.

¿Por qué? Pues porque quieren. Porque en uso de su libertad así lo han decidido.

Roberto Blanco Valdés. Lenguas: bien, hablemos de libertad y de imposición. 18 de maio de 2008



*

MAYDAY 2009 – O LUGAR ONDE NOS ENCONTRAMOS

De há uns anos a esta parte, diversos países têm vindo a assinalar o dia 1 de Maio, Dia do Trabalhador/a, alertando especificamente para a situação dos/as trabalhadores/as precários/as. Esta iniciativa é conhecida como MayDay* e decorreu pela primeira vez em Portugal, em Lisboa, em 2007.

A expressão do descontentamento do precariado faz-se na rua, com uma parada que agrega trabalhadores/as sujeitos/as às actuais expressões da desregulação laboral: falsos recibos verdes, contratos a prazo, intermitência no espectáculo, desemprego, desemprecariedade, trabalho temporário ou estágios sem remuneração.

Após duas edições bem sucedidas em Lisboa, gostaríamos de dar amplitude a este descontentamento no Porto, unindo vontades e vozes múltiplas. A iniciativa parte do FERVE, mas dirige-se a todos: associações, sindicatos, companhias, colectivos, movimentos e pessoas interessadas em promover a mudança.

Por isso, convidamos-te a participar na primeira Assembleia Pública de discussão desta iniciativa, a decorrer no dia 10 de Fevereiro, às 21h30, no MAUS HÁBITOS (Rua Passos Manuel, 178, 4º andar - Porto).

Pelo FERVE;

Cristina Andrade.




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BLOGADO ÀS 10:21:20

14-01-2009

GAMANÇOS, LÍNGUA, CARTAZ, GALIZA, ACORDO ORTOGRÁFICO, FERROVIÁRIO, IMPRENSA, ALTA VELOCIDADE ELEVADA

Atualizações 13/1/09

* No PGL:

O presidente da Junta, Emilio Pérez Touriño, reuniu-se hoje com José Sócrates, chefe do Executivo português, umha juntança na qual anunciou que a CRTVG reforçará a sua presença informativa em Portugal para que os cidadãos e cidadãs da Galiza podam ter informações de além Minho com maior freqüência.



* O FERVE reúne-se:

Na próxima quinta-feira, dia 15 de Janeiro, às 21h45, decorre uma reunião do FERVE - Fartos/as d'Estes Recibos Verdes, que terá lugar no café/livraria Gato Vadio, situado na Rua do Rosário, número 281, no Porto (Rua paralela à Rua de Cedofeita).

Todos/as quantos/as queiram podem comparecer, trazendo ideias, contributos e um amigo/a também!

Pelo FERVE;

Cristina Andrade



*Acordo Ortográfico em Lisboa:

Jornal desportivo Record já aplica novo acordo ortográfico


* No Arrastão:

Olmert, que se afastou do cargo de primeiro-ministro por suspeitas de corrupção, explica como ordenou aos Estados Unidos que não votassem a favor da resolução que eles próprios formularam. A arrogância explica porque pode Israel fazer tudo o que lhe dá na gana e nem se importa de envergonhar com a sua basófia o seu principal aliado:

Olmert disse que exigiu falar com Bush apenas dez minutos antes da votação no Conselho de Segurança da resolução à qual Israel se opôs. “Quando vimos que a secretária de Estado, por razões que não percebemos, queria votar a favor da resolução… Procurei entrar em contacto com o Presidente Bush e eles disseram-me que ele estava em Filadélfia a fazer um discurso”, disse Olmert. “Disse-lhes: ‘não me interessa. Tenho de falar com ele agora’.”

O primeiro-ministro israelita caracterizou Bush como um “amigo sem paralelo” de Israel. “Eles tiraram-no do palco, levaram-no para outra sala e eu falei com ele. Disse-lhe: ‘não pode votar a favor desta resolução’. E ele respondeu-me: ‘Escute, eu não sei nada sobre isso, não o vi, não estou familiarizado com a forma como está formulado’.” Olmert contou que disse então a Bush: “‘Eu estou familiarizado com ele. Não pode votar a favor’. “Ele deu a ordem à secretária de Estado e ela não votou a favor – a resolução que ela própria concebeu, formulou, organizou e manobrou para ser aprovada. Ela ficou bastante envergonhada e absteve-se na resolução que ela própria criou.”



* Galiza em Coimbra:

Coimbra Inovação Parque (iParque) e Parque Tecnológico da Galiza são, agora, aliados com os olhos postos na internacionalização. A rede de parques de ciência e tecnologia torna o eixo Centro de Portugal/Galiza promissor.

* Vem aí comboio novo:

O concurso público internacional para a construção do troço da rede ferroviária de alta velocidade entre Porto e Vigo será lançado este Verão, garantiu, ontem, o ministro das Obras Públicas, Mário Lino, após uma reunião com o presidente da Junta da Galiza.


(nota: até Valença, o que está previsto do lado português é Velocidade Elevada - até 250 qm/h - e não Alta Velocidade - até 350 qm/h)

E mais:

Com a entrega do respectivo processo na Agência Portuguesa do Ambiente, no dia 7 de Janeiro, teve início a avaliação de impacte ambiental da quadruplicação do troço Contumil-Ermesinde, da Linha do Minho.

BLOGADO ÀS 00:35:38

13-01-2009

GAMANÇOS, FOTOS, LÍNGUA, CARTAZ, LIGAÇÕES, VÍDEOS, GALIZA, HUMOR, IMAGENS, AMIGOS, ACORDO ORTOGRÁFICO, PÓVOA-VILA

Atualizações 12/1/09

* O Vasquinho agora julga-se estrela de cinema e aparece em 32 revistas por mês:




* Pim Pam Pum, de Andoni de Carlos Yarza e Asier Urbieta. Via Igor.


* O Acordo Ortográfico e Vasco Graça Moura:

Acordo vai agravar a crise de 2009



* O Acordo Ortográfico em Coimbra:

Jornal “O Despertar” começa a aplicar acordo ortográfico



* Manuel Jorge Marmelo e Carlos Quiroga na TVG


* Paulo Moura:

O silêncio dos contentores

Enquanto o país discute se se deve ou não construir o novo terminal em Alcântara, fomos espreitar o que se passa por trás da barreira dos contentores. Uma semana no porto de Lisboa.



(negrito meu)

Aos poucos vai-se percebendo que não é só implicância minha: em Lisboa, há mesmo quem ache que Portugal é uma cidade.


* Para que ninguém se esqueça mesmo, Janeiro no Octopus:




* O mundo com os nomes certos (em inglês).

BLOGADO ÀS 01:31:18

07-01-2009

GAMANÇOS, PORTURARIDADE, FOTOS, LÍNGUA, GALIZA, IMAGENS, AMIGOS, ACORDO ORTOGRÁFICO, FERROVIÁRIO, NORTE, IMPRENSA, CENTRALISMO, MULHERES

Atualizações 6/1/09

*

O Filipe e a Sofia vão construir em Luanda. É bom que não se vejam os musseques da vossa torre!, meninos.


* Daniel Oliveira no Expresso:

Na realidade, Israel quer o mesmo que Ahmadinejad e o Hamas: riscar o vizinho do mapa. Apenas uma diferença: o seu propósito está cada vez mais próximo.



*



Através do valter, descubro que o Luís Luís, estimado camarada, escreveu o texto introdutório do Cabeça de Ferro, da Imprensa Canalha. É bom saber que manténs a veia. Tenho de ler isso.


*




* Chris Roper:

Dakar death rally

Imagine the following news report:

"London - Five people have died during this year's Wimbledon Championships. Two ballboys were crushed beneath a Coke vending machine on Monday, and number 10 seed Wayne Ferreira died last Sunday of complications caused by choking on court. The latest death is a five-year-old girl who was struck by a ball accidentally smashed into her face by Tim Henman.

"Organisers said that the deaths were unfortunate. During the last 20 years, there have been more than 30 deaths at Wimbledon, but there are no plans to cancel the prestigious event.

"Carlos Moya said that there was no thought in his mind of not taking part. 'It's sad to hear that a competitor has died, but that's the nature of this tournament. It pits man against the tennis ball, and it's this unpredictability that makes it the exciting game that it is. It's something that man has always done - pit himself against the unknown. It's what makes us human.'"

Ridiculous, isn't it? But it's the sort of drivel one has to read daily about the Barcelona-Dakar Rally, formerly known as the Paris-Dakar. This year, the Dakar has claimed five lives. Two drivers, named as Fabrizio Meoni and José Manuel Perez, and three civilians, who nobody has bothered naming. One of them was a five-year-old girl, crushed under a lorry.


Since the rally was first held in 1979, more than 40 people (some reports put the figure at 30) have died, including the race's organiser, Thierry Sabine. In 1996 a three-year-old girl was killed by motorcyclist Marcel Pilet in Guinea, as he roared over a sand dune. Again, history records her killer's name, but not hers.


(negrito meu)

Quando o Dakar passava em Portugal, o limite das viaturas nas localidades eram os óbvios 50 hm/h permitidos por lei. No resto do percurso, em África, eram os óbvios 'o que o carro der'. Os direitos humanos têm óbvias delimitações territoriais.

E quando vi as equipas técnicas do Dakar do ano passado a chorar ao saberem do cancelamento da prova, pensei: chorariam por quem?


* Lipor:

A Lipor tem, actualmente, em mãos alguns projectos como " um centro de triagem automatizado que não requer tanta intervenção humana para que possa absorver maior quantidade de material". Além desse trabalho, a empresa "vai construir um novo centro de triagem para o ecoponto amarelo, uma vez que tem existido um aumento no que toca ao plástico".


(negrito meu)


* José Silva:

Mesmo sabendo que é no Norte que a Superbock tem mais clientes, Pires de Lima decidiu «drenar», deslocalizar a direcção de Marketing da Unicer para Lisboa.


* Área Metropolitana:

A Autoridade Metropolitana de Transportes do Porto será criada até ao final de Fevereiro. O regime jurídico do futuro organismo foi publicado ontem e cabe, agora, ao Governo e à Junta Metropolitana nomearem os gestores.



* PMS:

Quando o Governo argumenta com os fundos europeus como uma vantagem da construção do TGV e do Novo Aeroporto de Lisboa, não consigo deixar de pensar no Paradoxo de Leontief:

Leontief demonstrou que pode acontecer por vezes que um País que receba uma transferência de outro, se a aplicar mal, acabe por ficar mais pobre em vez de mais rico, como aconteceu connosco e com os espanhóis com o ouro das Américas ou, em tempos mais modernos, com a "dutch desease" nos anos 60.


O mesmo se aplica ao plano anti-crise. Os Governos gastarão mais dinheiro e nós ficaremos todos mais pobres.



* Sugestão de fim de noite: coisar, um tumblr genial de um tal de Nuno Gomes Lopes. A acompanhar atentamente.


* Querem aprender a falar galego? Passem alguns anos no Estado Espanhol (em sítio onde apenas se fale castelhano) e depois tentem falar português. Não convencidos? Um exemplo.

Um amigo meu, que ilustra o exemplo que acima referi. Alguns anos em Barcelona. Resultado? O piso térreo de um edifício é agora a 'planta baixa'.

E, ainda hoje na TVGaliza, uma mulher falava de não sei o quê que lhe aconteceu na 'planta baixa' do prédio.


* Não, este blogue não está chegado à esquerda. No meu ecrã, sim, mas no da Alice está no centro e por isso está bem.


* Pedro Mexia, rebuscado na sua adulação de Cláudia Vieira:

De todas as alocuções de fim de ano (presidente, primeiro-ministro, cardeal-patriarca) aquela de que gostei mais foi a de Cláudia Vieira, difundida à cidade e ao mundo via Diário de Notícias.



* Possidónio Cachapa, anunciando o seu 'Curso de Escrita Reconstrutiva (escrita criativa)':

É cada vez maior o número de pessoas que escreve e publica. Entre esses, há alguns que possuem uma voz mas que insistem em escrever o que lhes parece certo, vendável ou que pode agradar à família próxima. Historicamente está provado que este tipo de escritores nunca vencerá a morte e que provavelmente os seus livros serão vendidos a peso muito antes dela.
Este curso, limitado nas inscrições, está destinado aos que gostariam de encontrar os tomates que o seu conformismo ou as confortáveis rotinas insistem em esconder.



* Acordo Ortográfico:

Os especialistas ainda esgrimem argumentos a favor e contra as novas regras, mas o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa já começou a entrar nos hábitos dos brasileiros. Segundo um inquérito online lançado pelo jornal diário "A Folha de S. Paulo", no qual as normas entraram em vigor no dia 1 de Janeiro, vinte e sete por cento dos que responderam à pergunta feita no site já começaram a escrever segundo as regras do ainda polémico acordo, enquanto trinta e quatro afirmam que vão esperar por 2013 para fazê-lo, uma vez que, a partir daí, a nova ortografia será a única considerada correcta

No Público, via Blogtailors.


* Uma mulher: Halle Berry

BLOGADO ÀS 00:31:07

04-01-2009

GAMANÇOS, OBSESSÕES, GALIZA, FERROVIÁRIO, IMPRENSA

Atualizações 4/1/09

* Más notícias:

Comboios: circulação no Ramal da Figueira da Foz suspensa




* Esta é a distribuição mundial de sunitas e xiitas:



É também bom saber que existe o lado bom do islão: de um lado os xiitas, do outro o Sunni Islam.


* Um cartaz correto, sem conotações políticas ou outras trapalhadas:




* Uma mulher: Jennifer Charles:

BLOGADO ÀS 23:00:40

15-12-2008

GAMANÇOS, GALIZA, PROSA

Le Clézio, A Febre (Um dia de velhice), pp.213

Triunfo da dor. Traição dos olhos, dos ouvidos, da pele. É preciso caminhar, toda a vida, no meio deste deserto. Ver, ouvir. Ouvir, ver. Comer. Rir. Falar, fumar, beber. Cheirar. Procriar. Escrever. Respirar. Ter dores. Sangrar, tremer. Encolerizar-se. Sofrer. Gritar, dormir, esperar. O cansaço está em todo o lado. Não há meio, não, não há meio de lhe escapar. É preciso sofrer, ter calor, ter frio. Acariciar. Gozar. Compreender, compreender sem parar. Todos os dias. Assim, todos os dias, sem excepção. Urinar. Saborear. Deixar-se levar pelas palavras inúteis, adoptar os ritmos, os hábitos. Procurar as frases, estender os ouvidos e os olhos, estender a pele. Fingir amar, amar, talvez.

BLOGADO ÀS 12:48:38

13-12-2008

INSTANTÂNEOS, LÍNGUA, LIGAÇÕES, GALIZA

Atualizações 7-12/12/08

* A mata que se vê ao longo da estrada não anima. Os eucaliptos dominam, e nos espaços sobrantes acácias e pinheiros entopem a vista de sombra. Daqui, da janela da cozinha, descubro uma segunda leva de árvores, mais densa e idosa, perenemente guardando o Vouga que se adivinha mais abaixo. Alguns carvalhos e outras árvores igualmente dignas mas ainda por identificar. Espero que os companheiros de viagem acordem e as chamas fazem-me esquecer as dores e os pés da caminhada de ontem. Olho lá para fora e volto a querer caminhar. A dor atrai mais dor.

Eles descem, um por um. Ela fala que a mata é bonita mas que só os eucaliptos restarão - uma barragem a jusante, impositiva, inundará todos esses carvalhos e afins. Como se a barragem decidisse por si qual as árvores a manter. Como se, enquanto dormíssemos, a ordem natural fosse continuamente redesenhada. Acordamos e já não sabemos bem o que existia. O dinheiro substitui a natureza. Os dólares são verdes o ano inteiro.


* Depois do choque de saber que o português da Galiza (com o belo reintegrado do Quiroga) necessitava de adaptação para ser publicado em Portugal, percebi com horror que mesmo os livros brasileiros são adaptados. Lembro-me que o Jorge Amado usava tremas e, era logicamente, não adaptado (na edição do Público, pelo menos). Sei que o Paulo Coelho é adaptado porque, no outro dia, numa farmácia (ou numa bomba de gasolina, ou numa estação dos correios, já nem sei), alcei o braço e vi. O Chico e o Ubaldo, admito, já não me lembro. O Veríssimo leio-o em circunstâncias especiais, no Expresso, e sei que também é adaptado. Nos livros já não me lembro. O que queria dizer era que lembrava-me das tremas do Jorge Amado e a minha memória achava, esquecidamente, que o brasileiro era também português para os editores portugueses. E como o Paulo Coelho usa letras para construir palavras sem fazer o que quer que seja com isso, a grafia interessa pouco ou nada.

Até ver isto. Cíntia Moscovich, A Arquitetura do Arco-íris. Em Portugal publicaram o livro como A Arquitectura do Arco-íris. Já agora ‘aportuguesavam’ também a autora, e passaria a Jacinta Moscovita. Não?


* Ah! Todos querem ser arquitetos mas ninguém quer ser empregada de limpeza. Seja, eu quero desenhar a casa, mas limpá-la, nem por isso.

Uh! Ninguém se atreve a substituir-se ao cirurgião. Não não, cirurgia é coisa séria, eles tiraram cursos e eu não posso ver sangue. Dar aulas? Ai, eu? É deixá-los estar, eu de aulas sei pouco, é deixá-los aturar os miúdos. Desenhar a minha casa? Mas isso sou eu que faço, sou eu, pois. Eu dou os meus deseinhos ao gaijo (deseinhos, bem, um deseinho. Se não um deseinho, uma descrição), ele vai para casa passar aquilo ao contador, ele volta na semana seguinte, eu aprovo, chama-se os homes para avançar com a obra e quando responderem da Câmara, com jeito, já’tá a obra feita. E quando estiverem os tetos estucados chama-se o desenhador cá a casa e paga-se o serviço com um borrego assado e duas garrafas de Monte Velho, a ver se ele se queixa.

Ih! Arquiteto. Arquiteto fazem tudo igual, é bota caixote e bai’buscar. Há o Cinza Vieira, e vão todos atrás. Mas deixem o senhor proprietário desenhar a sua casinha e o que sai é um pouco isto, mais vigota menos vigota: um cubo branco (casa) com fenestrações retangulares (janelas) e um chapéu triangular encarnado (telhado). Sem saber para onde é o norte ou qual a inclinação do terreno (qual terreno!?!?). As paredes têm a espessura do tijolo que se arranjar e passados vinte anos a casa já é velha e, por isso, naturalmente fria.


* Aparentemente sou a única pessoa no mundo civilizado que nunca escutou a seguinte palavra: gambiarra. Para quem não sabe, uma gambiarra é uma espécie de. Não. Não, esqueçam. Eu não sei e todos mais sabem-no. E, se não sabem, uma solução simples. Uma ponte alta ou um frasco de comprimidos avulsos. É fácil. Esqueçam a vergonha de admitir tal coisa em público.


* N tenho ideia!o q achas q é?
N faco ideia. Q é feito d ti?
Arrisco festa c gambas
é uma coisa improvisada. mas nao, n sabia

É um convite para um jantar com um amigo!!!Pode ser no sabado??? A proposito essa coisa é uma lanterna; ).
É uma especie de candeeiro que tem um gancho numa ponta e q pode pendurar-se no tecto.É muito usado nas oficinas de mecanica.Prende-se no capot e alumia o motor.So vi o sms agora.Espero ter ido a tempo e ter sido util.*
É qd se usa 1 técnica alternativa p solucionar 1 problema.é um improviso
É uma lanterna
É uma espécie de lanterna portatil à moda antiga. acho.pk?
Lanterna daquelas de pendurar… Acho eu!
tem que ver com novos processos e improvisaçao.
E uma extensao de fio eléctrico. Pode ter lampada na extremidade.
Ora bem, uma gambiarra é uma lâmpada com um fio/extensão (ou vice-versa), para alumiar. na minha terra é isso. porque perguntas?
Para mim é um daqueles cabos eléctrico com uma lampada dentro de uma estrutura de ferro tipo lanterna. mas acho q verdadeira e tecnicamente é uma fiada de luzinhas, tipo as vulg luzes do pinheirinho
Luzes de teatro, um feixe de luz. É?
É tipo uma lanterna mas c lampada das grands d casa. Dp tem protecao de arame a toda a volta.
Sei.. Tu não?
Uma luz transportavel normalmente protegida por uma gaiola, muito usada pelos mecanicos…
É uma lampada ligada a uma extensao…
Uma lanterna. Estä na minha recolha d celorices.
Sim, uma especie de lanterna. Ta tudo?
Sei. e uma lampada

BLOGADO ÀS 01:40:26

03-12-2008

INSTANTÂNEOS, FOTOS, OBSESSÕES, LÍNGUA, GALIZA, IMAGENS, BICICLETAS, MULHERES

Actualizações 2/12/08

* Abba, Dancing Queen




Chicoteiem-me, ridicularizem-me, etc. Os primeiros vinte segundos são écstasi.


* Proto-Abba?

Via Constant Siege.


* Assinem aqui esta petição, um pouco provocatória mas totalmente justificável, para equiparar as bicicletas aos carros elétricos como veículos não poluentes e, assim, beneficiar "de uma dedução à colecta no IRS de 30% dos custos de aquisição".

Via Menos Um Carro.


* Sessão Inaugural da Academia Galega da Língua Portuguesa


* É pena o castrapo, mas é a terra da pergunta total.




* É mesmo verdade. Olivença é portuguesa.


* Uma mulher: Nurgül Yesilçay

BLOGADO ÀS 00:11:55

02-12-2008

GAMANÇOS, PORTURARIDADE, LÍNGUA, VÍDEOS, GALIZA, IMPRENSA, PLANEAMENTO MACADAME

Atualizações 1/11/08

* Já pouco me lembrava mas ainda não tinha mostrado por aqui este episódio de desinformação do Cuidado com a língua, programita habitualmente anódino mas de confiança. É tática antiga: quando acreditas verdadeiramente em alguma coisa procuras realçar as diferenças e de alguma maneira esquecer as semelhanças. Sei-o bem, porque é também tática normal para mim. Se mais alguém achar o programa desinformativo, não hesitem, escrevam: cuidadocomalingua@ateaofimdomundo.com.



* Digo e reafirmo: quando Os Verdes se desassociarem do PCP, eu talvez considere o voto neles. Na CDU, lamento, não voto.

O Partido Ecologista Os Verdes, apesar de realizar uma acção ecologista cada vez mais activa, a sua contribuição no plano político e institucional, que se alarga muito para além da CDU, capaz de atrair e envolver sectores progressistas e democráticos da sociedade é sistematicamente silenciado nos meios de comunicação social.

Jerónimo de Sousa, via Arrastão.


*

Via Arrastão.


*

Somos campeões mundiais em extensão e crescimento da rede de auto-estradas desde 1990. Mesmo sem as novas concessões, Portugal já está entre os países que mais investiram e que têm maior número de km por habitante e área. Mas os dados da União Europeia e OCDE mostram que se investe pouco em manutenção

Do DN, através do Menos Um Carro.

BLOGADO ÀS 00:39:14

27-11-2008

RECORRÊNCIAS, GALIZA

Actualizações 27/11/08

* Numa notícia do Público de hoje referiam-se a Gordon Brown como o 'primeiro-ministro inglês', assim como já antes falaram do 'parlamento inglês'. Para começar, Gordon Brown é o primeiro-ministro do Reino Unido. E nem sequer é inglês. É escocês, portanto o erro também não viria daí. Existem parlamentos na Escócia e no País de Gales, mas não em Inglaterra nem na Irlanda do Norte.

Extrapolando um pouco a questão, é já natural para o ouvido português ouvir falar de 'escoceses' ou 'irlandeses', mas menos de 'galeses'. Existe, por regra, a tendência para confundir o Reino Unido com a Inglaterra, e os seus habitantes com os ingleses. Apesar de tudo, entre eles é claro: eu sou inglês, tu escocês, ele galês, mas somos todos britânicos. Em Espanha criou-se, propositadamente, um equívoco que mesmo em Portugal há resistência em reconhecer. O Estado chama-se Espanha, e devido ao sistema de poder que vigora lá desde os Reis Católicos, instalou-se a confusão entre 'nação' e 'estado'. Um galego até pode ser 'galego' mas ao fim do dia é sempre 'espanhol'. Um habitante de Madrid é 'espanhol' quando acorda e quando vai dormir. E é esse equívoco, orquestrado desde há séculos, que vai apagando os nacionalismos.

* Ao menos na Gronelândia parece haver mais democracia.

* O Público já desmentiu que os quiosques dos Aliados tivessem a mão de Siza. Há donos de quiosques a serem operados às hérnias (por terem de se agachar ao entrar neles, porque a porta é muito baixa) e havia já quem atirasse a culpa aos eternos culpados dos males do país, os arquitetos. Quem faz este tipo de acusações, ao contrário dos jornalistas do Público, nunca volta atrás.

BLOGADO ÀS 15:45:29

12-11-2008

RECORRÊNCIAS, GAMANÇOS, LÍNGUA, GALIZA

Ricardo Carvalho Calero

O galego ou é galego-português ou é galego-espanhol

BLOGADO ÀS 19:42:40

21-10-2008

GAMANÇOS, LÍNGUA, GALIZA

Artur Alonso Novelhe, O Orgulho de Ser Galego

E ainda há quem pense que ser galeguista é defender Miño contra Minho. Absurdo, mas o homem é o único animal que tropeça mil vezes na mesma pedra.


O resto no PGL.

BLOGADO ÀS 02:09:04

14-10-2008

RECORRÊNCIAS, GAMANÇOS, LÍNGUA, GALIZA

Carlos Reis

A respeito do acordo ortográfico, às vezes observa-se uma confusão entre ortografia e outros aspectos da língua, nomeadamente pronúncia, morfo-sintaxe e léxico. Acha que as posições contrárias a respeito do Acordo Ortográfico nascem da ignorância ou da má vontade?

Nalguns casos eu creio que nasce da ignorância e noutros casos nasce de uma má vontade criada pela ignorância. A verdade é que eu até posso compreender, de um ponto de vista emotivo, estas reações por que a ortografia é um aspecto da língua que está muito ligado ao nosso corpo. Nós escrevemos com a mão e isso cria uma espécie de ligação indireta entre a língua e o corpo; mudar a ortografia para muita gente é, um pouco, como mudar o corpo.

Se a pessoa não tiver a noção de que a ortografia tem muito de convencional e, sobretudo, se não tem perspetiva histórica do que foi a mudança da ortografia ao longo dos séculos, acho que – e eu respeito isso, mudar a ortografia é mudar ela mesma, e de aí resulta uma tremenda confusão entre o código da escrita, que é muito convencional, e a identidade cultural, linguística etc.

E isso que para algumas pessoas é uma confusão para muitas outras é uma atitude emocional que eu posso compreender, sobretudo quando as pessoas não se lembram de que ao longo dos séculos a ortografia foi mudando e as pessoas foram ajustando o seu corpo à ortografia.

E um pouco como – todos nós temos esta memória, há vinte anos escrevíamos em computadores grandes, com teclados grandes, há trinta anos escrevíamos com uma caneta, hoje escrevemos em computadores pequenos e o nosso corpo foi-se adaptando a isso e com a ortografia vai acontecer a mesma coisa.

Entrevistado no PGL.

BLOGADO ÀS 14:02:49

13-10-2008

GAMANÇOS, LÍNGUA, GALIZA

Fernando Venâncio, O Galego Pasteurizado

O romance Inxalá, de Carlos Quiroga, saiu em 2006 na prestigiosa editora galega Laiovento, grafado na Norma Agal. Narra as peripécias da vida dum médico galego que tem de abandonar Portugal, onde trabalhou, e se refugia na Abissínia, onde recorda o amor, talvez para sempre perdido, duma portuguesa. O livro lê-se como um policial, como uma obra de cultura, e está magnificamente escrito. Carlos Quiroga (Periferias, O regresso a arder) é um exímio prosador.

Em 2008, a obra teve edição portuguesa, na Quid Novi, de Lisboa. Com um título mais longo, chama-se aí Inxalá. Espero por ti na Abissínia. É uma edição bonita, com uma sobrecapa primorosa.

Confesso uma intensa curiosidade, ao saber da existência dessa edição portuguesa. Que nela se mantivesse a Norma Agal parecia-me impensável. Mas, perguntava-me, que sucederia com o léxico exclusivo galego e, sobretudo, com a sintaxe em que um galego se exprime? Teriam sido, esses, conservados? Fui, pois, ver. Já o cólofon decentemente nos informa: «Revisão linguística para o português: Maria do Rosário Pedreira». Ao fim de quinze, vinte páginas, sabe-se o que essa «revisão» implica. A obra foi profundamente «revista». Digamos tudo: foi reescrita.


Nas edições portuguesas, que respeitam peculiaridades brasileiras, angolanas, timorenses, as galegas acabam implacavelmente trucidadas.


O resto aqui. Segundo Venâncio, todo o léxico e morfologia galegos foram substituídos por equivalentes portugueses, e mesmo "passagens inteiras acabam reescritas". Isto aconteceu com um livro do Carlos Quiroga, que escreve em grafia portuguesa e é professor de literatura portuguesa. Uma mensagem para Maria do Rosário Pedreira, editora da Quidnovi: eu não leio o Jorge Amado para que ele me soe português. Da mesma maneira que não leio o Quiroga para que não soe galego. Porque ele é galego e soa como tal quando escreve.

BLOGADO ÀS 23:00:09

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