Tive sorte mas também alguma astúcia. Como não tinha lugar marcado, vim sentado no chão até Frankfurt. Logo que todos saíram, sentei-me num lugar que não tinha marcação. Ao meu lado tinha acabado de sentar-se um gajo num lugar com marcação, que intui ter sido feita por ele. Pouco depois chegou a senhora que tinha feito a marcação, e pediu-lhe para sair. Ele também não tinha, como eu, marcação, e fez a burrice de sentar num lugar reservado. A estupidez dele foi a minha sorte.
BLOGADO ÀS 00:05:56
|
Há mulheres aqui com formas tão generosas que dá vontade de perguntar, “isso é tudo teu ou é emprestado?”. Como aquela gótica que já olhou várias vezes para trás. Está a ler Flaubert, aquele autor que, toda a gente sabe, só se lê para ter estilo.
Devia era procurar mulher por aqui, e não em Portugal, onde elas são “pequeninas como as sardinhas”. Aqui os meus desejos de monumentalidade seriam totalmente realizados. Oh well, tenho uma sardinha querida à minha espera em Portugal. Assim espero eu.
E continua a olhar para trás, através do seu cabelo longo e negro.
Passei o dia a passear por München. Visitei, um pouco apressado, o Deutsche Museum (acho que apenas o fiz por a senhora da recepção ser portuguesa), um amontoado de coisas que não me interessavam. Acabei por descobrir lá no meio um moliceiro, com as suas cómicas tiras na proa e na popa. Antes do quim ainda consegui descobrir a exposição de fotografia de Thomas Hoepcker. Adorei-a, do princípio ao fim. Também lá descobri fotos portuguesas, de Trás-os-Montes. A cena do casamento podia ser perfeitamente a do casamento dos meus avós, apesar de ser muitos anos depois.
Estou farto de acumular planos para quando chegar a Portugal. São sempre os mesmos desejos: trabalhar ainda mais, ter mais tempo livre, mas não me vejo a escrever muito nos próximos tempos. Se perder o emprego actual, sim. Aí paro para escrever.
BLOGADO ÀS 00:46:51
|
Os ‘placards’ da estação de Genéve aproximam-se bastante da definição de pragmatismo, que é aproveitar da melhor maneira o que se tem. Estes ‘placards’ são os clássicos ‘placards’ giratórios. Os destinos vão surgindo rodando, como os antigos ‘placards’ dos aeroportos. Isto, apesar de a Suíça ser dos países mais ricos do mundo.
Quando cheguei à estação de Genéve senti algum medo, pois tinham controlo alfandegário. Tinha a ideia de que na Suíça não é necessário passaporte, mas via todos mostrarem o passaporte. E eu com o meu BI português. Afinal apenas olharam rapidamente e mandaram-me seguir. Boa!
Sinto que ainda não escrevi o suficiente sobre La Tourette. O sentimento que se experimenta neste edifício não é o normal. Não nos sentimos no interior de um edifício, mas sentimos que fazemos parte duma entidade, tal é a intensidade da máquina de habitar. A rigidez e repetição das células, a diferenciação formal e conjuntural entre a área de habitação e as comuns, tornam a experiência da permanência atípica. A simplicidade dos acabamentos contribui para esta sensação – o que sobressai acaba por ser o todo. E saber que todo o desenho do edifício se rege por regras matemáticas torna-o uma obra de ciência, antes de ser uma obra de arte. Em termos planimétricos o edifício é todo ortogonal, exceptuando dois lugares: a recepção e a cripta. A cripta, como lembrava o texto nas paredes, é também o único sítio onde edifício acompanha o terreno, sendo o espaço dividido por socalcos.
Já percebi porque todos fumam aqui. É a carruagem dos fumadores. Eu devo mesmo ser burro.
IR'05 é a transcrição do diário escrito durante uma viagem de comboio através da Europa entre Novembro e Dezembro de 2005. todas as entradas aqui
BLOGADO ÀS 01:42:55
|
Ok, acabei de perceber que a imagem anterior não impressiona. Assim sendo, Gomes em versão Napoleão (Bonaparte) na noite dos Óscares. Já impressiona?
BLOGADO ÀS 01:47:52
|

Não sei que ideia darei aos outros. Chego sozinho aos cafés. Sozinho a festas de anos. Chego de bicicleta. Sozinho.
Só para dizer que estou disponível. Mais para ser amado do que para amar. Com o tempo, talvez os dois.
BLOGADO ÀS 00:15:01
|
O valter (que aproveito para reforçar, é o maior) tem este singelo apelo no blogue dele. Quer alguém que o faça esquecer o frio destes dias. Eu faço o mesmo apelo. A internet é anónima, mas as intenções não o são. Assume-te!, dorme comigo.

não quero ser puta não quero ser freira - viver é o que está a dar
BLOGADO ÀS 05:23:55
|

BLOGADO ÀS 23:44:44
|

BLOGADO ÀS 01:56:28
|