Passei os olhos pelas wikis sobre democracia e não encontrei o que me interessava. Queria uma definição da “salvaguarda da diferença” na sociedade, mas a minha paciência não chegou para tanto. Isto porque defendo uma sociedade em que a diferença seja protegida (o que é ligeiramente diferente da ideia de alguns conservadores que acham que esta sociedade estimula grupos com comportamentos “divergentes”, como homossexuais ou artistas). A partir do momento que assumimos que diferentes somos todos, e “normal” é apenas a parte dos nossos comportamentos mais partilhada por todos, percebe-se que a sociedade que salvaguarda a diferença protege-nos afinal a todos.
Tanta introdução para tão pequena estória. Descia eu a Sacra Família pelo habitual sentido proibido quando um mui respeitável condutor acelerou à vista de uma família que atravessava a rua. Visão não de todo invulgar, concordo. São as ruas de Portugal. A família correu e tudo acabou em bem. Ao ver-me a mim, amedrontadamente encostado aos carros à minha esquerda, com as mãos emocionalmente aferradas ao volante da Gazelle e a revolta à solta, decidiu tentar mais uma “simulação de atropelamento”, método tão usual em prisões geridas por estado-unidenses. É certo que não me atropelou (simulou corretamente o atropelamento), mas manteve-me indignado por largas semanas.
Já te disse que andar de bicicleta é perigoso, repetiu o meu previdente pai. Sei bem que é perigoso. Afinal, respirar é perigoso. Se não o fizermos com método e afinco, morremos. E a frase do meu pai, apesar de recorrente, sobreviveu. Ora, vivemos (sobrevivemos) numa sociedade movida a automóvel, qual gasóleo não combustível. As alternativas praticáveis (pé, bicicleta, transporte público) medram à sombra do carro, até que algum dia possam assumir-se como maioritárias e hegemónicas, como nunca deveriam ter deixado de ser. Os problemas que estes modos de mobilidade enfrentam são os usuais: passeios estreitos para os peões (não é que concorde com a ideia de “passeio”, mas não é para já essa crónica), falta de lugar na via pública para a bicicleta, falta de investimento e de planeamento estratégico nos transportes públicos. Estes são, grosso modo, os obstáculos que cada um destes meios de locomoção tem de enfrentar. É claro que a loucura não tem lugar neste inventário.
Especificamente na ciclo-mobilidade, há uma vintena de fatores que desmobilizam qualquer utilizador de bicicletas a fazê-lo no dia-a-dia, como a pavimentação não adequada, falta de preparação dos condutores de automóveis, falta de adequação do desenho urbano às bicicletas, etc. A loucura dos condutores, não.
Isto é como dizer que não se pode praticar natação porque o nosso treinador pode querer afogar-nos intencionalmente. As ruas são nossas, são a nossa polis. Tomemo-las.
BLOGADO ÀS 16:40:46
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É o que dá adiar textos e projetos – passado tempo suficiente, e se a ideia é boa, aparece sempre alguém a fazê-lo por nós. A minha sorte, neste caso, foi ter sido Rui Tavares a voltar ao tema.

BLOGADO ÀS 14:03:10
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Sendo pública a minha apetência por listas (sim, Alice, eu sei), resolvi deitar uma vista de olhos na lista do Guardian dos 1000 romances a ler antes de morrer. À primeira vista percebe-se a incompetência de quem fez a lista - os nomes e os títulos das obras estão mal transcritos, todos os títulos estão em inglês excetuando alguns (!) em francês. Parece coisa trapalhona, pouco típica de tão renomado jornal inglês.
O erro mais óbvio é a clara anglofilia da lista. Óbvia até para o leitor mais distraído. Mas para um leitor maluquinho como eu, havia necessidade de certeza matemática. E então contei. E, estando seguro que errei em alguns deles, contei 832 livros de autores anglófonos. Em mil, dá 83,2%. Mesmo não conhecendo os autores todos, pelo menos 80% dos livros foram escritos em inglês.
Li há algum tempo uma antologia de poetas lusófonos com escritos relacionados com jazz. O autor, consciente das suas deficiências, avisou que, sendo português, tinha menos contacto com a poesia brasileira, e por isso os brasileiros estavam muito menos representados.
Vejamos. Fosse esta uma lista com apenas autores anglófonos e nem haveria lugar para discussão. Ou havendo da parte do Guardian a indicação de "como todos os nossos críticos literários são anglófonos, é natural que a nossa lista seja distorcida". Mas não existe qualquer indicação semelhante. Nada.
Das duas uma. Ou é gente muito estúpida, ou assumem que o resto do mundo é estúpido. Uma lista dos 1000 romances alguma vez escritos, em que 83% deles são em inglês e 0,5% são em português? É muito mau para ser verdade. Lá se foi a credibilidade do Guardian.
tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com
BLOGADO ÀS 00:21:03
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* Projetos PIN e Áreas Protegidas:
Sem mais tardança
Espero que não andem distraídos a ponto de não terem visto que o desportivo Record adoptou as regras (todas?) do Acordo Ortográfico de 1990. Fica uma amostra: a capa revela que já não temos selecção, mas seleção. É caso para dizer que vai correr menos tinta a propósito do futebol. E mais: «Em direto na Sport TV.» E ainda: o leitor ganha um cupão para um «filme de ação».

BLOGADO ÀS 00:10:46
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* Quando um blogue ou um programa de televisão ou de rádio sediado em Lisboa refere temas locais, nunca deixa de ter caráter nacional por o fazer. Quando qualquer outro blogue ou o que for não sediado em Lx fala de temas locais, este é regional até ao osso. Porque é que a marginal ribeirinha de Lx há de ser tema de programa de televisão? É um tema nacional? Á, pois. A RTP é em Lx. Por momentos, esqueci-me.
* Eu sabia! Eu sabia! Frase do ano de 2008, segundo o Arrastão:

BLOGADO ÀS 00:50:50
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Mais uma intrusão do espanhol, esta um pouco mais difícil de extrair. Em bom português dizemos o sangue, enquanto que por lá se diz la sangre. Assim, quando algo corre (ligeiramente) mal, ficamos ensanguentados. Normal, não? Então porque é que dizemos sangrento, se a palavra da qual deriva é sangue? A verdade é que sangrento é um castelhanismo, que substituiu nas falas populares o portuguesíssimo sanguento.
O mesmo acontece com sangria e sangrar, mas nenhuma destas tem uma alternativa mais portuguesa.
Curioso. No google, se fizerem a busca por sanguento ele sugere-vos sangrento.
BLOGADO ÀS 12:12:37
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Quando se quiserem referir a uma elevação de terreno, rocha ou fraga, podem utilizar a portuguesíssima pena. A palavra de uso mais comum, penha, é um castelhanismo que de facto não fazia cá falta. Em Guimarães o monte chama-se da Penha, mas em Sintra o Palácio manteve-se da Pena.
BLOGADO ÀS 17:02:55
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* Na adolescência, Avelino Ferreira Torres corria os cem metros em 6.4 segundos.
* Uma no cravo, outra na ferradura: VL8 terá ciclovia e rotundas em vez de semáforos.
* O Bolhão tem um projeto feito há anos que cheguem: o de Joaquim Massena, pago com dinheiros públicos. Uma boa notícia: a reabilitação do Bolhão não prevê parque de estacionamento.
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Quercus e Geota deram parecer desfavorável ao estudo de impacte ambiental da Terceira Travessia do Tejo (TTT), cujo processo de consulta pública terminou esta terça-feira. A componente rodoviária motivou o chumbo.
Mais aqui.
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Algarve: pinhal já está a ser abatido para construir duas mil camas junto à praia Verde
Na ecosfera.
* Um pouco de humor para animar este outono friorento: Auto-estrada 4 é resposta à crise económica e social. Depois de vinte e tal anos a construir auto-estradas, faltam apenas mais alguns milhares de quilómetros para atingir o desenvolvimento.
* Apesar dos erros constantes, apesar do lisboacentrismo, apesar do hype, apressadamente imediatista, apesar do plágio não declarado: finalmente, o ípsilon está online.
* Uma mulher: Rose McGowan

BLOGADO ÀS 01:04:28
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* Primeira irritação: Miguel Sousa Tavares. Claro que alguém de quem se diz ter feito carreira sendo ‘politicamente incorreto’ (e disso se orgulha), é tudo menos isso. A partir de certa altura, o ‘politicamente incorreto’ deixa de ser desalinhado (se é que alguma vez o foi, no caso de MST) e passa a ser reacionário. E chato. Imagino muitos dos leitores a reverem-se naquela ideia do rapaz que luta contra um poder eternamente maior do que ele e com armas consideravelmente menores, mas com uma considerável bravura. O ato em si é sempre por todos louvado, mas nunca ninguém espera que David vença o gigante.
MST, que nunca prima pela coerência (mas antes por um refinado contrário, uma espécie de incoerência militante e muito, muito arrogante), passeia-se pelos nossos jornais com colunas de página inteira e erros que, no seu caso, duram anos. Para MST as gravuras do Vale do Côa nunca foram paleolíticas, e não interessa o que dizem os especialistas (à semelhança do Stephen Colbert, que dizia, sobre Bush, 'eu sei que me vão dizer que é mentira. que viram em livros. não me interessa o que dizem os livros.'), MST estará sempre na mó de cima. Ninguém detém tamanho protagonismo para o contradizer, e ninguém escreve livros e articula em vários jornais e ainda vai à televisão.
Quanto às leis (caducas, irreais), eles chama-as quando vê o litoral alentejano, e chora as suas lágrimas muito particulares por verificar a impunidade de quem lá constrói, ou de quem é corrupto e enriquece com isso. Quando essas leis são violadas, MST acha mal. Como todas as leis, essas também zelam pelo interesse de todos nós. Assim como leis rodoviárias ou de saúde pública. Mas, no caso dessas, existe primeiro o 'interesse MST' e só depois o interesse comum. MST fica escandalizado quando vê esses injustiçados condutores que são multados por apenas estacionarem o carro sobre o passeio, ou que são multados apenas por conduzirem em excesso de velocidade. E, ele próprio, fica chateadinho (íssimo) por não poder fumar onde quer.
Um de cada vez, então. Não se pode estacionar sobre os passeios porque os passeios são para os peões. Foram criados para isso. Não se pode andar mais rápido que o permitido por questões de segurança rodoviária, ruído e poluição. E não se pode fumar em recintos fechados para proteger a saúde de quem não fuma. Claro que qualquer uma destas leis idiotas não serve a MST, e por isso ele contesta-as vivamente. Mas se a lei que lhe garante uma vista incólume em Vila Nova de Milfontes é desrespeitada, MST é o primeiro a inchar o peito e a vociferar que 'está mal'. Eu sei o que 'está mal'. É Miguel Sousa Tavares.
* Segunda irritação: Laurinda Alves. Não posso discorrer no que me irrita nela porque, sinceramente, gasto pouco ou nenhum do meu escasso tempo a ler o que escreve. Mas sei das suas colunas no Público e da sua responsabilidade em coisas como a X. E basta-me. Sempre me pareceu daquelas entusiastas das 'ideias positivas', que mistura na mesma crónica a mão de uma velhinha que ela segurou enquanto ela lhe contava da pensão que não chegava, e no parágrafo seguinte espanta-nos com o espanto que sentiu com a cena final do último filme do Bertolluci. Tinha razões seguras para não gostar dela.
No fim de semana passado fui a Lisboa para uma conferência de V. S. Naipaul (continuo sem perceber como se pronuncia). Lá, na Gulbenkian, juntaram-se muitas das caras conhecidas da movida lisboeta. António Barreto e a sua Filomena, Marçal Grilo e mesmo Eduardo Lourenço (na cidade por uma conferência sobre Pessoa). E Laurinda Alves. Confesso que a mulher, e isto mesmo que não a conhecesse, me irritou logo. Insistia em furar a fila dos autógrafos para as fotos mais constrangedoras do escritor (que, dentro da sua timidez estudada, mostrava já alguma irritação com a fotógrafa amadora com a câmara perigosamente perto do seu nariz). Quase chegando a minha vez, Laurinda, a graciosa, furou definitivamente a fila para, com a câmara em cima de Naipaul lhe fazer uma muito simpática e inesperada entrevista. Naipaul, que se poupa ao normal comedimento dos famosos portugueses, respondeu rapidamente a uma das perguntas e despachou-a com um expedito 'that's enough for you'.
* Terceira e última irritação: Luís Pedro Nunes, diretor do Inimigo Público. No às vezes porreiro Eixo do Mal, LPN afirmava que ele, inefável defensor da correção, era uma pessoa irrepreensivelmente pontual. Irrepreeensivelmente. E continuava dizendo que achava uma tremenda falta de respeito quem desrespeitava assim uma tão básica regra de comportamento social. Concordo. O muito português 'chego às oito' é sempre, e isso é óbvio, pela hora dos Açores. Mas outra das regras que prezo é a de deixar falar quem fala e falar na nossa vez. Interromper ou tentar falar ao mesmo tempo é incrivelmente rude. Mas LPN, e também Clara Ferreira Alves, permitem-se discordar. Falando sobre nós.
BLOGADO ÀS 18:12:26
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* Numa notícia do Público de hoje referiam-se a Gordon Brown como o 'primeiro-ministro inglês', assim como já antes falaram do 'parlamento inglês'. Para começar, Gordon Brown é o primeiro-ministro do Reino Unido. E nem sequer é inglês. É escocês, portanto o erro também não viria daí. Existem parlamentos na Escócia e no País de Gales, mas não em Inglaterra nem na Irlanda do Norte.
Extrapolando um pouco a questão, é já natural para o ouvido português ouvir falar de 'escoceses' ou 'irlandeses', mas menos de 'galeses'. Existe, por regra, a tendência para confundir o Reino Unido com a Inglaterra, e os seus habitantes com os ingleses. Apesar de tudo, entre eles é claro: eu sou inglês, tu escocês, ele galês, mas somos todos britânicos. Em Espanha criou-se, propositadamente, um equívoco que mesmo em Portugal há resistência em reconhecer. O Estado chama-se Espanha, e devido ao sistema de poder que vigora lá desde os Reis Católicos, instalou-se a confusão entre 'nação' e 'estado'. Um galego até pode ser 'galego' mas ao fim do dia é sempre 'espanhol'. Um habitante de Madrid é 'espanhol' quando acorda e quando vai dormir. E é esse equívoco, orquestrado desde há séculos, que vai apagando os nacionalismos.
* Ao menos na Gronelândia parece haver mais democracia.
* O Público já desmentiu que os quiosques dos Aliados tivessem a mão de Siza. Há donos de quiosques a serem operados às hérnias (por terem de se agachar ao entrar neles, porque a porta é muito baixa) e havia já quem atirasse a culpa aos eternos culpados dos males do país, os arquitetos. Quem faz este tipo de acusações, ao contrário dos jornalistas do Público, nunca volta atrás.
BLOGADO ÀS 15:45:29
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Não acredito que alguém queira, verdadeiramente, como destino ideal, passar a vida em casa a escrever livros. Mas, se me fosse dado a escolher, este seria um destino belo.
BLOGADO ÀS 12:48:48
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Quando o Presidente da Ordem dos Arquitetos fala do urbanismo em Portugal sem sair do concelho de Lisboa, percebemos que algo está muito, muito mal neste país.
BLOGADO ÀS 13:06:07
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BLOGADO ÀS 20:02:18
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O galego ou é galego-português ou é galego-espanhol
BLOGADO ÀS 19:42:40
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Estas declarações da inominável Sarah Palin (ainda não vi o filme pornô, mas quero muito) fazem-me lembrar outras situações de pessoas que nos agridem com a sua incultura, a sua estupidez, a sua iliteracia. Como se eu fosse culpado de usar a minha cabeça para pensar.
BLOGADO ÀS 16:32:31
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Em troca de correspondência com os STCP, fui cosendo a minha opinião sobre a atual rede de elétricos e (possíveis) desenvolvimentos futuros. Na primeira imagem encontra-se a rede atual: a vermelho a linha 1 (Cantareira – Infante), a azul a linha 18 (Massarelos – Carmo) e a amarelo a linha 22 (Carmo – Guindais). A esquizofrenia desta rede é evidente. Se quiser fazer uma viagem mais comprida, digamos, entre a Batalha e o Castelo da Foz, teria de apanhar 3 (!) elétricos. Ou se apenas quero seguir até Massarelos, teria de conjugar 2 elétricos com frequências de meia hora.
O que sugeri à STCP, numa revolução de serviços mínimos (e que, como não contestaram, eu assumo que concordaram) era, de modo a rentabilizar a estrutura existente, e já que não existem entraves técnicos a impedi-lo, transformar as linhas 22 e 18 numa só linha, a começar nos Guindais (Batalha) e a acabar em Massarelos (marginal). Uma ideia simples, com a qual até o próprio guarda-freios concorda.
Pensando um pouco mais à frente, e sabendo que a rua de Mouzinho da Silveira ainda não foi renovada, outra pequena evolução poderia ser feita com a introdução dos carris e catenária nesta via (o que já foi falado antes), fazendo-se a ligação em São Bento à nova linha proposta.
São ideias simples e básicas. Apenas um início para a criação de uma rede de elétricos que, juntamente com os autocarros, poderiam servir como uma rede de segundo nível de transportes públicos no Grande Porto (a rede de primeiro nível será obviamente constituída pelo metro e pelos suburbanos).
Entretanto existe já uma linha que põe em prática parte do que refiro aqui, a Porto Tram City Tour, infelizmente apenas para turistas ou pessoas extremamente ricas (bilhete válido por 24 horas, mas custando 15 euros).
BLOGADO ÀS 00:00:53
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Ou muito me engano ou o que se passa é o seguinte: os contribuintes emprestam o seu dinheiro aos bancos sem cobrar nada, e depois os bancos emprestam o mesmo dinheiro aos contribuintes, mas cobrando simpáticas taxas de juro. A troco de apenas algum dinheiro, os bancos emprestam-nos o nosso próprio dinheiro para que possamos fazer com ele o que quisermos. A nobreza desta atitude dos bancos deve ser sublinhada.
BLOGADO ÀS 11:06:15
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A respeito do acordo ortográfico, às vezes observa-se uma confusão entre ortografia e outros aspectos da língua, nomeadamente pronúncia, morfo-sintaxe e léxico. Acha que as posições contrárias a respeito do Acordo Ortográfico nascem da ignorância ou da má vontade?
Nalguns casos eu creio que nasce da ignorância e noutros casos nasce de uma má vontade criada pela ignorância. A verdade é que eu até posso compreender, de um ponto de vista emotivo, estas reações por que a ortografia é um aspecto da língua que está muito ligado ao nosso corpo. Nós escrevemos com a mão e isso cria uma espécie de ligação indireta entre a língua e o corpo; mudar a ortografia para muita gente é, um pouco, como mudar o corpo.
Se a pessoa não tiver a noção de que a ortografia tem muito de convencional e, sobretudo, se não tem perspetiva histórica do que foi a mudança da ortografia ao longo dos séculos, acho que – e eu respeito isso, mudar a ortografia é mudar ela mesma, e de aí resulta uma tremenda confusão entre o código da escrita, que é muito convencional, e a identidade cultural, linguística etc.
E isso que para algumas pessoas é uma confusão para muitas outras é uma atitude emocional que eu posso compreender, sobretudo quando as pessoas não se lembram de que ao longo dos séculos a ortografia foi mudando e as pessoas foram ajustando o seu corpo à ortografia.
E um pouco como – todos nós temos esta memória, há vinte anos escrevíamos em computadores grandes, com teclados grandes, há trinta anos escrevíamos com uma caneta, hoje escrevemos em computadores pequenos e o nosso corpo foi-se adaptando a isso e com a ortografia vai acontecer a mesma coisa.
Entrevistado no PGL.
BLOGADO ÀS 14:02:49
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Acho fantástico como as ideias feitas que achava mortos, enterrados, debaixo da terra, etc. continuam vivos na internet. Eu que, inocentemente, achava que este era um meio novo, percebo (dolorosamente) que ainda há quem não perceba o arcaísmo do seu pensamento. Como pessoas que ficam espantadas e indignadas por me dirigir a elas por tu em correio eletrónico. Tipo, o que estávamos a discutir até era sério, mas trataste-me por tu (você???) e a conversa fica por aqui.
BLOGADO ÀS 02:51:03
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Ai, a consciência dilacera-me. Vou tentar ser o mais lógico possível e evitar confusões. A ‘linha do Campo Alegre’ ligaria São Bento a Matosinhos Sul. Tem um custo previsto de 319 milhões de euros. Andará subterrânea entre São Bento e o Hotel Ipanema e à superfície entre este e a estação Matosinhos Sul (excepto no Parque da Cidade, onde existirá um viaduto). A ‘linha da Boavista’, explicando no sentido inverso, repete o percurso de superfície entre Matosinhos Sul e em viaduto sobre o Parque da Cidade, sobe a Avenida da Boavista até à Rotunda, onde acaba. O curso estimado é de 90 milhões de euros, em parte gasto na reformulação das ruas adjacentes. Esta é a linha da Boavista de que se fala e que estava anteriormente planeada. Entretanto surgiu o estudo da FEUP que sugeria a existência de uma ‘linha circular’, e carruagens vindas do Senhor de Matosinhos poderiam subir a Avenida da Boavista e continuar em túnel até São Bento e depois até Campanhã. Entretanto, esta ‘linha circular’ teria um ramal (a linha da Boavista seria outro) que constituiria a segunda linha para Gaia e, assim cobriria a zona do Campo Alegre e as Universidades. Depois cruzava o rio numa ponte nova, no plano original, ou sobre a ponte da Arrábida, no estudo da FEUP.
Na necessidade de fazer uma comparação direta, temos a linha São Bento - Campo Alegre - Matosinhos Sul, que custaria 319 milhões; entretanto São Bento - Boavista - Matosinhos Sul tem o custo estimado de 90 milhões de euros + o troço subterrâneo, que obviamente o iria encarecer muito mais. Ainda assim, parece-me que custaria bastante menos que 229 milhões (319 - 90 milhões).
Acho que agora esclareci (também para mim) toda e qualquer incoerência do meu texto anterior. Ufa. Já posso ir dormir.
BLOGADO ÀS 04:02:04
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"Em termos globais, a procura é mais ou menos a mesma, em termos de custos é claramente mais cara e comporta uma série de soluções técnicas muito mais complexas."
No estudo comparativo, recorda-se que o plano da FEUP precisava de um investimento de 1,49 milhões de euros, enquanto o plano actual necessita de 1,7 milhões (sem contar com os custos de uma nova ponte sobre o Douro, viadutos nas linhas para Gondomar e para Laborim e os "trabalhos especiais associados à ligação pelo Campo Alegre"). Os custos de construção por quilómetro da proposta da FEUP também seriam inferiores.
(...) reiterou Paulo Pinho, que continua a preferir a linha da Boavista à ligação pelo Campo Alegre. Esta é, segundo Paulo Pinho, uma solução mais cara, mais complexa e que não tira partido das virtualidades de um metro de superfície, porque tem de ser enterrada em alguns troços.
No JN.
Um dos primeiros equívocos que percebi nesta discussão entre a linha da Boavista e a linha do Campo Alegre é a ideia de que a linha do Campo Alegre é em grande parte subterrânea, e por isso melhor. Bem, uma linha subterrânea é mais cara, mexe com o subsolo (furando na zona onde passa o metro mexe com muita coisa) e é uma linha menos acessível para todos. Ok, os veículos circulam mais rapidamente. Mas também é só isso.
Mas isso não interessa aqui. Têm vendido a linha do Campo Alegre como maioritariamente subterrânea. O que não é verdade. A linha será subterrânea apenas entre São Bento e o Ipanema. Entre o Ipanema e Matosinhos Sul ela andará à superfície (e sobre o Parque da Cidade, em viaduto).
Entretanto, a linha da Boavista, que já está parcialmente feita em 2/5 do percurso, tinha um custo previsto de 90 milhões de euros. A linha do Campo Alegre tem um custo previsto de 319 milhões de euros.
Mais uma vez, quem diz que os custos são 'parecidos' anda enganado (ou a querer enganar o pessoal). Já para não falar (mas eu falo, eu falo) do estudo (até agora, o único oficial) que dizia que os volumes de trânsito de passageiros eram equivalentes entre as duas opções, havendo até uma ligeira vantagem para a linha da Boavista, devido ao troço inicial, que atrai mais gente.
Continuo sem perceber como é que a proposta vinda de Lisboa consegue convencer mais pessoas do que a proposta da FEUP (que, se bem se lembram, é ali ao lado do São João), uma das faculdades de Engenharia mais cotadas do Mundo. Tipo, é a FEUP. Hellooooo.
e continuo sem perceber a insistência em criticar Rui Rio pelas obras na Avenida. ouvi uma vez falar de uma rua no Porto que foi furada 4 vezes no mesmo ano. água, gás, eletricidade, tvcabo. o bom planeamento consiste exatamente em evitar situações destas. o que Rui Rio fez foi antecipar a obra junto da Casa da Música e do Parque da Cidade (por motivos eleitoralistas ou não, isso não é importante). porque, acreditem ou não, a Avenida terá algum dia metro. e, assim, a obra já está feita.
BLOGADO ÀS 11:30:31
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Sou presentemente muito pobrezinho. Nunca deixo de ter presente a minha baixa condição financeira. A minha humilde conta bancária é uma presença constante. E sou uma pessoa muito prendada.
Assim, caso alguém se sinta generoso (e dinheiroso) e ache que isso poderá servir para me agradar, aqui está um artigo que me parece muito mas muito bom:

pulseira do Colbert Report. caso desejem encomendar, tenham presente que é necessário ser habitante dos Estados Unidos para o fazer. é fácil, basta pedirem a algum amigo que more lá que vos represente e faça a compra.
BLOGADO ÀS 00:22:30
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Quando atravessou a sala, ela reparou que ele trazia um sobretudo vestido e um cachecol de lã em volta do pescoço e metia no bolso uma das mãos, porque na casa nunca se usava aquecimento. A tia achava que não eram saudáveis as variações de temperatura, era a mudança do calor para o frio que constipava. Era preferível por isso aguentar sempre o frio, ficava a gente mais rija, como ela mesma, que nunca adoecera toda a vida.
BLOGADO ÀS 17:20:12
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Gostaria de pensar que não sou o único a aborrecer-me com isto, mas até agora parece-me que sim.
Vamos por partes. Tanto o Lucho como o Lisandro estão no Porto desde 2005 (esta é a quarta temporada). O Lucho é até o vice-capitão de equipa, e como o Pedro Emanuel joga pouco este ano, tem sido mesmo o capitão. Ambos jogam muito, marcam golos e por isso têm grande tempo de antena. Como não acompanho muito o futebol, não sei em que língua os jornalistas lhes fazem perguntas. Sei é que, sempre mas sempre, respondem em castelhano. E ninguém liga.
Já a história nos ensinou. Nem o Fernández nem o Camacho aprenderam a falar português, e introduzir umas palavras em português no meio de um discurso em espanhol não é falar português, mister Camacho. Se assim fosse, o Robson falava fluentemente português.
Se estes jogadores e treinadores jogassem fora da Península, bem que falavam outra coisa. Olhem o Benítez, o Torres e o Fàbregas. Podem não falar muito bem, mas sempre falam inglês. E se eles fazem o esforço para falar inglês (que para um cidadão do Estado Espanhol, acreditem, é um verdadeiro esforço), o que custa aos outros falarem português? O esforço será certamente bem menor.
pôr um espanhol a falar inglês parece truque de magia. afinal, Rafa Benítez é mesmo mágico.
BLOGADO ÀS 23:20:40
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Parece-me que é sempre de boa educação tratar as coisas pelos nomes. Quando alguém acusa alguém mas não diz quem é, fá-lo porque os tribunais condenam esse tipo de declarações. Ofensa ao bom-nome, qualquer coisa assim. Não se pode fazer acusações na praça pública, para isso existem os tribunais.
No meu caso, não vou fazer especulação. Vou falar de um dos responsáveis por um dos maiores crimes que já se cometeram em Portugal (e que continua a ser perpetrado nestes dias).
No Público de 1 de Agosto Luís Toulson publicou este texto sobre Ernesto Goes. Segundo Toulson, "O engenheiro florestal Ernesto Goes foi o pioneiro em Portugal da cultura da Eucalyptus globulus".
Ou seja, é por causa deste venerável senhor que a nossa flora endógena, aparentemente não fustigada o suficiente pela dispersão indiferenciada de pinheiro bravo desde os tempos de D. Dinis, deixou de existir enquanto tal.
Mas ainda piora. Para além de ter sido um impulsionador do eucalipto, Goes foi ainda responsável pela definição da Estação Ecológica da árvore no território nacional: "uma faixa litoral ocidental que se estende com cerca de 500 quilómetros", onde a árvore se daria melhor e produziria o máximo possível.
Com uma puerilidade tocante, Toulson continua perguntando "Porque não cultivar portanto esta árvore na faixa ecologicamente definida por aquele excelente florestal?" Sim, porque não?, pergunto também eu. Carvalhos, sobreiros? Interessam para quê? Plantas rasteiras, ecossistemas que sobrevivem à sombra da flora endógena? Interessam para quê?, afinal. Se com "a florestação de algo como 50 por cento desta área, poderiam obter-se 27,25 milhões de esteres como produção média anual"?
Claro, a ecologia interessa a ninguém (exceptuando esses ratos subsidiodependentes, vulgos ecologistas, biólogos, etc.). Saiamos para a rua e façamos força para: "legislar já para que em Portugal se cultive única e exclusivamente a Eucalyptus globulus na faixa ecologicamente acima definida e conceder ao distinto florestal Ernesto Goes a comenda da Ordem de Mérito Agrícola, Comercial e Industrial."
Não há prisão onde meter estes senhores?
O deserto verde.
BLOGADO ÀS 11:41:10
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Distâncias médias (em quilómetros) percorridas de bicicleta pelos cidadãos europeus (anualmente):
Holanda _ 1019
Dinamarca _ 958
Bélgica _ 327
Alemanha _ 300
Suécia _ 300
Suomi _ 282
Irlanda _ 228
Itália _ 168
Áustria _ 154
Grécia _ 91
França _87
RU _ 81
Luxemburgo _ 48Portugal _ 5
Espanha _ 24
BLOGADO ÀS 17:12:05
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O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa quer ser isso mesmo e nada mais: um acordo sobre a ortografia e não um acordo sobre o vocabulário, a sintaxe, a pronúncia, a literatura e tudo o resto (que é, indubitavelmente, o mais importante) que constitui uma língua viva e, ainda por cima, uma língua universal como a Língua Portuguesa potencialmente falada em todos os continentes por várias centenas de milhões de seres humanos.
Através daqui.
BLOGADO ÀS 09:49:36
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A maior riqueza que o país tem é a língua e em cima da língua podem-se construir coisas fantásticas. O que o ISCTE está a fazer para o IC é um estudo de fundo para chamar a atenção das empresas. Por exemplo, a indústria nacional dos sapatos não precisa de esconder (através dos nomes das marcas) que é portuguesa, porque o português também vale.
No Público.
BLOGADO ÀS 17:18:20
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