Categoria: MÁ IMPRENSA

22-03-2009

LÍNGUA, IMAGENS, MÁ IMPRENSA

Atualizações 21/3/09

* Parece-me natural que o Público trabalhe com jornais espanhóis, partilhando notícias quando se trata de assuntos ibéricos. Por vezes compreendo a necessidade de utilizarem os grandes diários de Madrid como fonte para certas notícias da atualidade espanhola; já não percebo quando se cita o El País para notícias internacionais que nada têm a ver com o Estado espanhol.

Agora isto. Bem, leiam:

No programa de Jay Leno, o presidente norte-americano falou também de temas sérios, como a situação económica dos EUA e o escândalo dos prémios na seguradora AIG, mas alternou-os com as primeiras impressões sobre o avião presidencial Air Force One: "Pessoalmente, acho que é guay (hispânico para cool)", atirou.

(negrito meu)

Não basta terem usado uma notícia em castelhano como base para algo acontecido nos EUA. Fizeram mais - não conseguiram perceber que, para além de ser invulgar em Barack Obama a utilização de calão 'hispânico', ele de facto não disse que o avião era 'guay' mas sim que era 'cool'; a tradução de 'guay' (palavra castelhana) para português não é 'cool' (palavra inglesa) mas sim 'fixe' (palavra portuguesa); não tenho a certeza que na América Latina se utilize a palavra 'guay', usada amiúde no Estado espanhol; e o 'hispânico' não é uma língua mas sim o 'castelhano' (ou 'espanhol').

Sei bem que a secção Pessoas do Público não será exatamente de jornalismo, mas este não é um caso de mau jornalismo, mas antes de atraso mental. Entristece-me um jornal assim.


*

O secretário de política linguística da Generalitat da Catalunha, Bernat Joan, explicou o caso da oficialidade do ocitano que, apesar de ser uma língua falada só ao norte do Principado catalám, é oficial em todo o território.

E porque não a oficialidade em todo o território do Estado espanhol das línguas co-oficiais, juntando-lhe o asturiano, o aragonês e ocitano?





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BLOGADO ÀS 01:23:40

06-02-2009

GAMANÇOS, BICICLETAS, FERROVIÁRIO, IMPRENSA, MÁ IMPRENSA, TRÁS-OS-MONTES

Atualizações 5/2/09

*Sugestões da M:

Alterações do Código da Estrada para o aumento da segurança no uso da bicicleta (texto riquíssimo de conteúdo e competência - aconselho a todos a leitura);

Petição ao Presidente da República - O direito dos ciclistas em Portugal e a necessidade de revisão do Código da Estrada


* Linha do Tua:

Estudo ambiental da barragem do Tua prevê alternativa rodoviária e contradiz Governo

A secretária de Estado garantiu que o comboio não acabaria no vale do Tua. Não é isso que a EDP propõe:a linha será submersa. Em troca haverá um museu

A Horas após o último acidente na Linha do Tua, no passado dia 22 de Agosto, a secretária de Estado dos Transportes e Mobilidade, Ana Paula Vitorino, garantiu que aquele troço ferroviário iria continuar, mal fossem repostas as condições de segurança. Nem mesmo a construção da futura barragem do Tua acabaria com o comboio naquele vale, pois o promotor da obra, a EDP, "teria que encontrar uma alternativa ferroviária", assegurou a governante.

Mas o Estudo de Impacte Ambiental (EIA) do futuro Empreendimento Hidroeléctrico de Foz-Tua (EHFT), actualmente em fase de consulta pública, apenas prevê uma alternativa rodoviária à submersão da linha ferroviária actual. Para compensar o fim do comboio, a EDP propõe a construção de um pequeno museu (ver caixa).

Qualquer uma das três cotas da barragem que estão em estudo leva ao fim do traçado actual da Linha do Tua. Com o nível de armazenamento pleno (NPA) de 195 metros, o mais alto e também o mais rentável para a EDP, a linha será submersa em 31 quilómetros, com as águas a alagarem nove apeadeiros. Para um NPA de 180 metros, desaparecem 23 quilómetros de linha e sete apeadeiros. A cota mais baixa, 170 metros, inundará 16 quilómetros de linha e quatro apeadeiros. Como alternativa para o fim da linha, a EDP propõe um serviço rodoviário baseado em autocarros e em viaturas de pequena dimensão para as localidades mais isoladas a funcionar entre a estação do Tua e a última estação ferroviária não submersa - à cota máxima, será a do Cachão, a 13 quilómetros de Mirandela.

Mesmo antes de a albufeira começar a encher, a linha terá que ser cortada entre a estação do Tua, onde entronca na Linha do Douro, e o apeadeiro de Tralhariz, para a realização dos estudos e trabalhos geológicos e geotécnicos necessários à elaboração do projecto.

Neste cenário, e como a linha se encontra encerrada até que sejam realizados todos os estudos e trabalhos de reparação da actual plataforma, cujas más condições contribuíram para o último descarrilamento, não é de excluir que as ligações ferroviárias entre o Douro e o vale do Tua não voltem a ser retomadas.

A construção de uma nova via ferroviária teria um custo incomportável e apenas a autarquia de Mirandela está verdadeiramente empenhada na manutenção da linha. Além de que a elevação da cota da linha inviabilizaria qualquer ligação com a Linha do Douro. Resumindo: o comboio só deverá continuará a apitar no vale do Tua se a barragem não avançar.

Os argumentos a favor da construção do EHFT enquadram-se na estratégia energética do Governo.

Como é sublinhado no EIA, a barragem "contribui, de forma directa, para a produção de energia limpa através de um recurso renovável e, de forma indirecta, (...) para a utilização da potência eólica instalada, ao mesmo tempo que presta um importante serviço para aumentar a segurança de abastecimento energético e para reduzir a emissão de gases". Para a EDP, é uma barragem fundamental, porque pode tirar partido da cascata de barragens que possui a jusante e rentabilizar ainda mais os parques eólicos que possui no Marão.

O custo principal é a destruição de uma das mais belas linhas ferroviárias nacionais, que, pela beleza do percurso e pelo gigantismo técnico da sua construção, teria sido possível candidatar, em devido tempo, a património mundial. Outros impactes negativos, caso prevaleça a cota máxima, serão, por exemplo, a submersão de perto de 100 hectares de vinha, que incluem a Quinta da Brunheda e a Quinta da Azenha das Três Rodas, a perda das captações de água de Sobreira e Barcel e a destruição das Caldas de Carlão e respectivos anexos, de dois edifícios em São Lourenço, um em Barcel e mais 56 edifícios. Será também submersa a ponte da Ribeira de Milhais e cortadas algumas ligações rodoviárias entre as estradas municipais. No EIA, é reconhecido que ocorrerão "impactes muitos negativos ao nível da agricultura e agro-indústria, com repercussões também muito negativas ao nível do emprego e dos movimentos e estrutura da população". "Isto porque", pode ler-se, "serão alagadas áreas onde a actividade vitivinícola é responsável pela presença de uma comunidade jovem, por exemplo nas freguesias de Candedo, Pinhal do Norte e Pereiros".

A opção pela cota mais baixa permitirá salvar a Quinta da Brunheda e também as Caldas de Carlão, no concelho de Alijó. Já as Termas de São Lourenço não serão afectadas, podendo mesmo beneficiar da barragem.



* Sobre aulas de karaté para idosos, o jornalista da RTP refere que, "numa altura como esta", é coisa que dá jeito.

O que quer dizer ele com isto? Existe uma vaga de crime violento? Portugal é um país violento?

Nem uma coisa nem outra. Nem Portugal é um país inseguro nem se tornou mais inseguro nos últimos tempos. É com este tipo de mau jornalismo que as mães não deixam os putos brincar na rua, que os velhotes não saem de casa à noite, que põe todagente a achar que, na realidade, Portugal é mesmo um país violento.

Não sei em que estado dos EUA (Califórnia?), mas num determinado período de tempo o crime reduziu-se 20%, mas a exposição mediática do crime aumentou 200%. Consequência: enquanto o crime diminuia, as pessoas ganhavam medo.


* O patrocínio que ainda não tenho (mas mataria para garantir):





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BLOGADO ÀS 01:27:54

09-01-2009

GAMANÇOS, FOTOS, VÍDEOS, IMAGENS, FILMES, IMPRENSA, MÁ IMPRENSA

Atualizações 8/1/09

*




* Estou contente por ver que o Manuel Jorge Marmelo não largou a blogosfera. Eu é que andei distraído.


* Sugestão de M:

Joe the Plumber é agora repórter de guerra em Israel



Entretanto, o Público não aprende. Na mesma notícia, isto:

Claro que depois da aclamação vem sempre o declínio, e Joe acabou descredibilizado. Descobriu-se, entre outras coisas, que não era bem canalizador, que não se chamava bem Joe e que fugia aos impostos.

Ainda não perceberam que Joe é um diminutivo. De tanto repetirem, o povo começa a acreditar.


* Uma mulher: Hafsia Herzi

BLOGADO ÀS 02:42:00

27-10-2008

MÁ IMPRENSA

Emília Caetano, Posturas - Anedotas e gafes (na Visão)

Diga-se, num parêntesis, que, afinal, Joe, o canalizador, não é independente, não tem licença para exercer a profissão, deve dinheiro ao Estado e nem sequer se chama Joe. Samuel Joseph Wurzelbacher, 34 anos, é republicano e tem de pagar duas hipotecas de quase 824 euros mensais, cada uma.

(negrito meu)

Ai Deus Jesus nos salve do jornalismo português. Joe, como qualquer idiota chapado percebe, é o diminutivo de Joseph. E o pior de tudo isto é que já ouvi esta antes. Pelos vistos, as asneiradas reproduzem-se nas orelhas dos jornalistas portugueses como os piolhos nos cabelos badalhocos.

E adoro a ironia de, no meio de um artigo sobre gafes, a jornalista comete a maior das gafes - reproduzir gafes de outros.

O artigo até tinha mais gafes, mas já chega por hoje. Boa noite, mundo.

BLOGADO ÀS 23:52:23
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