Categoria: POLÍTICA À PORTUGUESA

03-07-2009

NORTE, URBANISMO DE PONTA, POLÍTICA À PORTUGUESA, VÍCIO AUTOMÓVEL, ÁUDIO

Atualizações 2/7/09

* É sempre um prazer ouvir Álvaro Domingues, homem literato, que fala com propriedade. Quando fala sobre o Porto e o Norte, então, é um prazer superior.


* Não é título do ano mas anda lá perto:

Santana quer novo túnel em Lisboa e pede “ajuda” a Deus para a vitória



No Público.

E vou mesmo votar em branco nas legislativas - Santana vai concorrer coligado com o MPT.



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BLOGADO ÀS 01:22:06

20-06-2009

URBANISMO DE PONTA, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO, METRO, BRAGA - VALE DO AVE

Atualizações 19/6/09

* Mais sobre a 'Linha de São Mamede' (Matosinhos - São João). Não é que me desagrade o traçado. O que estranho é que não haja qualquer coordenação com o projeto da CP, que também calcorreará aqueles terrenos.

Metro vai partir da praia e chega em túnel ao S. João

Linha por S. Mamede criará mais nove estações no concelho

A terceira linha do metro de Matosinhos, que passará por S. Mamede de Infesta, parte da praia à superfície e chega enterrada ao Hospital de S. João (Porto). A ligação aproveita o corredor da Linha Azul e cria mais nove estações no concelho.

O metro atracará, pela primeira vez, na frente de mar com uma estação na Avenida da República, a poucos passos da praia de Matosinhos. Essa mudança obriga a deslocar a estátua de Passos Manuel e mexe com o trajecto das restantes ligações ao município. O término da actual Linha Azul e da futura ligação a S. Mamede de Infesta e ao Hospital de S. João no Porto passará a ser na praia de Matosinhos. A plataforma do Senhor de Matosinhos será o término da linha do Campo Alegre.

Essa alteração visa anular a curva existente na Linha Azul no cruzamento da Brito Capelo com a Avenida da República. A Câmara matosinhense reivindica o enterramento do metro no troço pedonal daquela rua, antes do cruzamento com a avenida. Daí rumaria a S. Bento (Porto). Essa solução, defendida pelo presidente Guilherme Pinto, evitaria constrangimentos no trânsito de viaturas e no acesso a garagens e a estabelecimentos comerciais, provocados pela circulação das composições à superfície em Brito Capelo: "Não há razão para que este constrangimento urbanístico não seja abordado de outra forma", entende o autarca. A hipótese está a ser estudada pela Metro.

Quem vier do Senhor de Matosinhos e tiver a Senhora da Hora ou a Trindade por destino, terá de fazer um transbordo no troço pedonal da Rua de Brito Capelo. Essa mudança só ocorrerá após a entrada em operação da linha Ocidental entre Porto e Matosinhos, prevista para 2014. Só dois anos mais tarde, as composições da terceira linha entre os dois concelhos começarão a circular.

Além da nova estação na praia de Matosinhos, o traçado contempla a reformulação da plataforma da Fonte de Cuco e a execução de mais sete estações. O novo troço tem seis quilómetros e metade é à superfície. "Esta linha é decisiva, pois permitirá que milhares de utentes que hoje vão ao centro do Porto passem a seguir, directamente, para o Hospital de S. João e para o pólo universitário. Serve não só os matosinhenses, mas também pessoas da Maia, da Póvoa, de Vila do Conde e da Trofa", sublinha Guilherme Pinto.

O autarca não tem dúvidas de que a nova ligação se justifica, até porque servirá zonas densamente povoadas do concelho. As composições enterrarão na Avenida de Xanana Gusmão (embora a estação na avenida ainda seja à superfície) e voltam a ver a luz do dia junto ao ISCAP - Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, onde será edificado um parque de estacionamento. Enterra de novo em direcção ao Hospital de S. João.

Assim, contam-se quatro estações subterrâneas: uma na Rua de Elaine Sanceau, à porta da igreja de Padrão da Légua; a da Pedra Verde, na Rua de 5 de Outubro próximo do cruzamento com a Avenida do Conde; a de S. Mamede de Infesta, que fica por baixo da igreja de S. Mamede (a área envolvente ao templo será recuperada); a do Hospital de S. João. Esta plataforma será rasgada na fronteira de Matosinhos com o Porto, em frente à unidade hospitalar.

Já a estação de Fonte do Cuco, sofrerá uma intervenção de vulto. A plataforma - que serve as linhas Vermelha, Verde e Violeta - será deslocada. Ficará por baixo de um viaduto a construir paralela à travessia rodoviária existente na Avenida de Vasco da Gama (conhecido por viaduto do Londres). A estação ficará no novo viaduto, com um elevador de acesso à Avenida Fabril do Norte.



No JN.



(grande)


* Em Braga, continua a promiscuidade extrema entre obra pública e ciclos eleitorais:

Túnel da avenida abre com candidatura de Mesquita



No JN.



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BLOGADO ÀS 02:14:57

12-05-2009

LÍNGUA, CARTAZ, GALIZA, IMAGENS, REGIONALIZAÇÃO, NORTE, CENTRALISMO, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 11/5/09

* Finalmente o bom senso:

Empresa de energia apadrinhada por Sócrates e Pinho perde certificação

A empresa Energie, da Póvoa de Varzim, perdeu a certificação de produtora de equipamentos solares térmicos, apurou o PÚBLICO. O laboratório alemão que tinha certificado os seus produtos retirou-lhe essa classificação, no final da semana passada.



No Público.


* José Sócrates:

Há uma questão que está a preocupar muita gente no Porto e no Norte: o que vai acontecer ao aeroporto? Ficará na dependência nacional, na ANA, ou terá autonomia administrativa?

É preciso para o país que haja uma gestão conjunta das diferentes infra-estruturas aeroportuárias, sobre isso não tenho a mínima dúvida e remeto todos aqueles que têm opinião diversa para um estudo feito pela ANA que é muito explícito relativamente a esse ponto.



No JN, via ACdP.


Há três premissas básicas, que convém nunca esquecer:

-o potencial de passageiros do aeroporto Sá Carneiro é infinitamente superior ao de qualquer aeroporto construído à volta de Lisboa;

-os aeroportos não 'têm' de ser geridos em rede - a gestão em rede tem de ser feito pelas transportadoras aéreas;

-só um país muito pequeno (como o Luxemburgo) pode pensar na ideia de aeroporto nacional.

Assim sendo, o que se percebe de todas estas movimentações políticas é de que o Governo acha que a ANA só conseguirá uma privatização favorável se esta incluir todos os aeroportos que gere neste momento. E que o aeroporto de Alcochete só fará sentido, na sua megalomania descabida, se tiver os aeroportos de Faro e do Porto abaixo de si na hierarquia, a alimentá-lo. Remeter o jornalista para um 'estudo feito pela ANA' é como remeter o jornalista para a 'opinião da ANA'. E o interesse da ANA é óbvio.


* Há quem ache que só podem existir ciclovias se se mantiverem os privilégios dos automóveis. Eu, obviamente, penso o exato contrário - as ruas já estão entregues aos carros, porquê insistir nisso?

Ciclovia em Alvalade abre acesa polémica

O presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, em Lisboa, considera o projecto "uma aberração". O vereador Sá Fernandes diz que o caso ainda está a ser estudado. E os utilizadores de bicicletas criticam a Junta.

Em causa está um troço de uma pista ciclável projectada para atravessar a Rua de Entrecampos e a Avenida Frei Miguel Contreiras. Esta ciclovia faz parte do plano da Câmara Municipal de Lisboa para uma rede de pistas cicláveis que deverá atingir os 25 quilómetros de extensão até ao final do ano.

Armando Dias Estácio, presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, emitiu um comunicado e um abaixo-assinado num tom bastante crítico contra o projecto. Sucintamente, a Junta de Alvalade considera "um absurdo" a construção de uma pista ciclável na Rua de Entrecampos. A diminuição de estacionamento automóvel é o argumento apresentado.



No JN.


*


Dia 17 de Maio em Compostela:

Por todo isto este 17 de maio queremos fazer saber que:

1. É umha falácia que exista umha imposiçom do galego. A imposiçom do castelhano nom tem discussom desde o momento em que é a única língua que todos os cidadãos e cidadãs do estado espanhol têm a obriga de conhecer segundo a constituiçom espanhola.

2. Reclamamos, para enfrentar esta situaçom, a aboliçom do sistema legal que subordina o galego ao castelhano, a aboliçom do supremacismo castelhano que procura a limpeza do galego e exigimos a implementaçom de autênticas políticas de normalizaçom lingüística ao serviço da nossa sociedade.

3. Consideramos hipócrita a negaçom do conflito lingüístico existente na sociedade galega, causado por umha legislaçom de inspiraçom perversa, que condiciona e impede o desenvolvimento de umha verdadeira normalizaçom lingüística. Exigimos, aliás, que instituições teoricamente concebidas para o estudo e potenciamento da língua (RAG e ILG) se pronunciem sobre tal conflito, saindo de um silêncio que colabora na subordinaçom do galego e na manutençom do supremacismo castelhano.

4. Afirmamos que a normalizaçom lingüística é um direito colectivo inalienável, constituindo a necessária coesom social de cada povo em torno à língua própria. O monolingüismo social é o complemento natural ao polilingüismo individual e à diversidade lingüística crescente das sociedades actuais. Negamos a reduçom do galego a um fenómeno meramente individual pois, como qualquer língua viva, é umha realidade social cujo sentido e utilidade reside no seu uso na Galiza como língua comum a todos e todas e para o relacionamento internacional.

5. Toda a instituiçom social, como os meios de comunicaçom, ensino, administraçom e quaisquer serviços públicos, deve contribuir, portanto, à eliminaçom dos preconceitos e discriminações contra a nossa identidade lingüística e cultural e promover a normalizaçom lingüística. Denunciamos especialmente a pretensom de continuar discriminando o galego no ensino infantil e pré-escolar, encorajando o auto-ódio e a galegofobia.

6. Consideramos que, frente ao recrudescimento do discurso refractário ao galego na vida pública, a política lingüística nos últimos quatro anos se tem caracterizado polo continuísmo com a era fraguista. E que com a chegada do novo governo à Junta da Galiza se aproximam tempos de retrocesso e de concessom aos sectores mais espanholistas.

7. A nossa aposta é reintegracionista, pois consideramos que o único futuro do galego passa por integrar-se no mundo da Lusofonia que permitirá a sua sobrevivência, ajudará ao seu prestígio e, sobretudo, fará com que os utentes tenham um universo de possibilidades de relações humanas, comerciais e culturais ao seu dispor.

8. Fazemos parte do movimento social de base que trabalha diariamente ao longo de muitos anos para a dignificaçom da língua e da cultura galegas e que nom somos um movimento que fique à espera de que governos ou instituições venham a lançar leis que salvem ou embarguem o futuro da língua.

9. O sistema cultural galego, com todos os seus produtos, é um sistema cultural dependente do sistema cultural espanhol e tem como conseqüência que todos os produtos que chegam a nós tenham que ter passado anteriormente um filtro. A nossa cultura nunca conseguirá falar em pé de igualdade com culturas doutros lugares estando baixo este jugo, pois nom poderá ter presença própria, senom através da espanhola.

10. Denunciamos a discriminaçom e silenciamento da tradiçom cultural galeguista do reintegracionismo, e reclamamos o justo reconhecimento social de umha das principais figuras culturais do século xx galego, cujo legado continua vivo: Ricardo Carvalho Calero, para quem reclamamos o Dia das Letras no ano 2010, ano em que se cumprem 100 anos do seu nascimento e 20 anos do seu finamento.





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BLOGADO ÀS 02:01:18

01-05-2009

PORTURARIDADE, PROJETOS, IMAGENS, FERROVIÁRIO, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO

Atualizações 30/4/09

* É verdade que a densidade populacional do Reino Unido é duas vezes maior que a de Portugal, mas nada justifica tamanha discrepância:

(clicar para aumentar)
(foi a partir de uma imagem semelhante à da direita que fiz a imagem da esquerda; a escala é a mesma)


* Expliquem-me qual o sentido disto. Seria razoável que uma freguesia do concelho do Porto quisesse ser 'cidade'? Então porque haveria uma freguesia de Matosinhos querer ser cidade?

PCP, PSD e PS querem que Senhora da Hora seja cidade

Comunistas apresentaram projecto-lei, socialistas e sociais-democratas também

No Público.


* Ainda não recuperei inteiramente do pasmo da descoberta. Na Póvoa, para quem não conhece, existia uma frondosa avenida chamada Mouzinho de Albuquerque, castigada pelo progresso com o corte das árvores e com o decréscimo de qualidade urbanística. Perdeu as árvores e o passeio central mas ganhou passeios laterais amplos. Perdeu em afetividade mas ganhou em usabilidade. Os passeios laterais são contínuos, apenas com interrupções na estrada nacional e nos extremos da avenida. Estando nós em Portugal, isso levanta um problema cuja solução ainda não deslindei - tirando acesso a garagens, todo o sítio por onde passa um carro é via de circulação, e ainda ninguém me provou o contrário.



As fotos foram tiradas no cruzamento entre uma rua secundária e a avenida. Este não é um sinal como aqueles belgas, que significa que os automóveis têm de circular a velocidade de passo (- 10 qm/h), dando prioridade aos peões. Não é simplesmente porque tal ideia não existe no código da estrada português. Assim sendo, o que significa o sinal?



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BLOGADO ÀS 04:10:28

24-04-2009

PORTURARIDADE, FERROVIÁRIO, POLÍTICA À PORTUGUESA, ENTRE-DOURO-E-MINHO, METRO

Atualizações 23/4/09

* Os Verdes descobriram a pólvora:

O partido Ecologista «Os Verdes» (PEV) denunciou, esta quarta-feira, a existência de um documento, com quase três anos, que alegadamente obriga a EDP a construir uma alternativa ferroviária à linha do Tua, caso seja construída a barragem de Foz Tua, diz a Lusa.(...)

«Observando-se este cenário (de submersão da linha do Tua) recai na responsabilidade do promotor desta obra o desvio da linha de caminho-de-ferro para outro espaço de canal ferroviário albergando todos os custos daí inerentes», continuou, lendo o parecer da REFER.

(...)




* A minha próxima tentativa de provar que o mundo não é redondo, que a CP é uma merda e que eu sou uma pessoa muito estúpida:




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BLOGADO ÀS 02:39:27

02-04-2009

FERROVIÁRIO, NORTE, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA, MULHERES

Atualizações 1/4/09

* Dois textos importantíssimos (o primeiro é um desenvolvimento do segundo) para perceber melhor a desadequação das leis portuguesa de planeamento a um desenvolvimente urbano sustentável e justo. Urbanismo e corrupção: as mais-valias e o desenvolvimento urbano:

(...)
Mais tarde a França mudou de política com a adopção de políticas liberais caracterizadas pela desregulamentação e pelo abandono das políticas intervencionistas de produção fundiária. No entanto o objectivo continuava a ser o mesmo: criar condições para reforçar a disponibilização dos solos necessários para a construção das habitações. A ideia forte era a de que numa situação de procura constante o aumento da oferta faria baixar os preços. Este conjunto de políticas no caso francês prolongou-se com alguns matizes até ao início do ano de 1986, que corresponde ao momento que diversos autores identificam com o início do crescimento da bolha imobiliária em França. O aparecimento da bolha do imobiliário, com os preços a duplicarem em poucos anos e com o incumprimento das famílias a disparar, foi a prova cabal de que as políticas liberalizantes adoptadas se tinham revelado equívocas e contraproducentes. Os defensores do postulado «desregulamentação – aumento da oferta – baixa do preço» foram confrontados com o facto, não previsto, de que a oferta real de solos não aumentou, pelo que o efeito benéfico sobre o preço não se verificou, antes pelo contrário. Faltou-lhes distinguir entre oferta potencial e oferta real.

Entre os países que optaram por reter as mais-valias e que mantêm a fidelidade a esse modelo salienta-se a Holanda, que procede à municipalização total da produção do solo urbano, e a Suécia, que socializa as mais-valias através da declaração da utilidade pública do solo. No caso holandês a municipalização traduz-se na possibilidade de o município poder expropriar todo o solo necessário ao desenvolvimento urbano após a aprovação de um plano urbanístico, sendo o valor pago a título de indemnização o valor do uso existente. A Holanda é consensualmente reconhecido como o único país em que o valor de mercado dos terrenos rústicos não contém qualquer parcela especulativa, mesmo se localizados junto ao perímetro urbano de uma cidade.

(...)

Sem a segmentação do mercado de solos e sem o controlo das mais-valias pela Administração não há forma de impedir a pressão urbana sobre os terrenos rústicos e mesmo sobre os solos integrantes das zonas de parques e reservas. Se existissem dúvidas sobre esta matéria aí está a nossa realidade a dissipá-las. A construção fora dos perímetros urbanos não pode ser uma prerrogativa do uso urbano. Só os que vivem da agricultura e da floresta devem poder construir as suas habitações fora dos perímetros urbanos. O uso urbano deve ser confinado aos perímetros urbanos e aí o Sistema de Planeamento deve garantir uma resposta qualificada para todas as necessidades e não apenas para as de maior poder aquisitivo. A protecção dos usos agrícolas e florestais da pressão urbana é uma condição sine qua non para garantir um adequado ordenamento do território.

Em Portugal, esta questão é completamente omissa no sistema de planeamento urbanístico. A nossa singularidade é feita destas omissões e traduz-se na adopção de um modelo perequativo em que se assume que as mais-valias são integralmente apropriadas pelos particulares e se opta por tributar as mais-valias urbanísticas em sede de IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas) e de IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares), associando-as a ganhos de capital. Estamos perante uma confusão entre lucros de uma actividade normal de promoção imobiliária e ganhos resultantes exclusivamente de decisões da Administração, a qual é reveladora de que, por via dos Planos Municipais de Ordenamento do Território e de declarações de interesse público, a Administração Pública gera mais-valias simples que o mercado reconhece, mas permite que sejam os privados a capturá-las na sua totalidade, revelando-se incapaz de as recuperar em favor da comunidade.

(...)

É no contexto da actuação dos agentes permissivos das mudanças de uso que são compreensíveis dois tipos de actuação diferentes mas, afinal, complementares:

1) Em primeiro lugar, a actuação dos autarcas abrangidos pelos chamados «investimentos estruturantes». Tomam a peito a sua função de agentes permissivos e clamam alto e bom som que o desenvolvimento, seja lá isso o que for, pode estar em causa se os processos não avançarem.

(...)

Este comportamento dos autarcas verifica-se apesar de o processo de urbanização ser claramente deficitário, sobretudo se pensarmos a médio e a longo prazo. Isto significa que estes processos de urbanização, tal como são geridos em Portugal, são em grande parte financiado com os impostos de todos os contribuintes. Contudo, o processo de urbanização permite, pontualmente, um conjunto de receitas que funcionam muitas vezes como balões de oxigénio para as debilitadas tesourarias municipais. Refiro-me sobretudo ao momento do pagamento das Taxas Municipais de Urbanização que, em função da dimensão das urbanizações, podem corresponder a receitas com indiscutível peso face às restantes receitas correntes mas que, face à captura pelos privados das mais-valias simples são uma pequeníssima parte dos valores em jogo. Claro que, face aos pesados encargos que a urbanização acarreta a longo prazo para os municípios, ela se transforma num ónus para as gerações futuras e para todos os cidadãos.

2) Em segundo lugar, a actuação dos ministérios, em particular do Ambiente e da Economia, que emitem declarações de interesse público para determinado tipo de operações, permitindo a ultrapassagem das regras do urbanismo.

(...)



e Mais-valias: quem as gera e quem as captura? Agentes e comportamentos, ambos de José Carlos Guinote:

(...)

Para se perceber os valores que estão em jogo nesta questão das mais-valias simples associadas às mudanças de uso do solo rústico para urbano refira-se um pequeno exemplo. Uma propriedade rústica com 500 hectares pode ser adquirida em Portugal por um valor da ordem dos 7,5 milhões de euros. Caso seja autorizada a mudança de uso, bastará a urbanização – é disso que se trata na generalidade dos casos – de dois por cento da sua área, com um índice de construção de 0,5 para que sejam autorizados 50.000 metros quadrados de área de construção. Esta autorização corresponde, por exemplo, á possibilidade de construção de 140 moradias com 500 metros quadrados de área por lote e com 357 m2 de área de construção máxima permitida. Numa situação como esta o proprietário pode transmitir imediatamente a propriedade – sem realizar qualquer obra – apenas em consequência dos direitos de construção concedidos pela administração, por um valor de 21 milhões de euros (admitindo um valor de venda de 150.000 € por lote, um valor baixo para as condições actuais do Mercado sobretudo para lotes com as características referidas e em localizações próximas do litoral). Estamos perante uma mais valia de 13,5 milhões de euros resultado apenas de uma decisão da Administração e capturadas, na sua totalidade, pelos particulares. Claro que se a área a urbanizar fosse de 10% da propriedade existente – um valor muitas vezes ultrapassado - as mais valias subiriam para valores da ordem dos 97,5 milhões de euros. Nalguns casos no Litoral Alentejano a área urbanizada ocupa cerca de 20% da propriedade rústica. É o caso do empreendimento da Herdade do Pinheirinho, no concelho de Grândola, com uma área total de 800 hectares e com a área urbanizada a ascender aos 150 hectares.

(...)




* Linha do Tâmega:

Perante os populares que acorreram à Câmara Municipal para a ouvir pessoalmente, Ana Paula Vitorino anunciou 14, 2 milhões de euros para recuperar o troço da linha do Tâmega de 12 quilómetros que foi encerrado no dia 25 de Março devido à falta de condições de segurança. As obras de beneficiação da via entre a estação de Livração (linha do Douro) e Amarante implicam que esteja encerrada durante dois anos.

(JN)

"Temos que pôr uma linha capaz, segura e que quando reabrir deve ser uma linha com melhor serviço e melhor coordenação com os comboios que vão para o Porto e ainda com comboios mais confortáveis", assegurou Ana Paula Vitorino.

(Público)

linha do Corgo:

A Linha Ferroviária do Corgo deverá reabrir em Setembro de 2010, após obras de beneficiação de 27,3 milhões de euros, anunciou hoje a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, em Vila Real.

(...)

A REFER irá investir nesta linha cerca de 27,3 milhões de euros, sendo que 26,9 dizem respeito à substituição integral dos materiais da super-estrutura de via como carris, travessas, balastro, fixações, e em intervenções de nível geotécnico como vertentes, muros, taludes e drenagens.

Cerca de 420 mil euros serão investidos na supressão e reclassificação de seis passagens de nível.

(...)

(SIC)


linha do Douro:

Ana Paula Vitorino (...) referindo ainda que será aberto, dentro de 15 dias, um concurso público para a electrificação da linha do Douro entre Caíde e Marco de Canaveses.

(JN)


e linha do Tua:

(...)

Em relação à linha do Tua, Ana Paula Vitorino reafirmou que aguarda a decisão sobre a construção de uma barragem junto à foz do rio Tua. Mas se esta não avançar, a via poderá vir a ser sujeita a uma intervenção semelhante às linhas do Corgo e Tâmega. "Nunca serão questões orçamentais a pôr em causa investimentos necessários para a sua segurança", frisou a secretária de Estado.

(JN)


* Uma mulher: Ana Malhoa




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BLOGADO ÀS 11:33:31

25-03-2009

FOTOS, LÍNGUA, GALIZA, VIAGENS, IMAGENS, TERRA, FERROVIÁRIO, NORTE, POLÍTICA À PORTUGUESA, PORTUGAL ESPERTO, PÓVOA-VILA, GRANDE PORTO

Atualizações 24/3/09

*

Movimento cívico defende região autónoma

O Movimento Alternativo do Nordeste (MAN) promete defender "com unhas e dentes" a criação da Região de Trás-os-Montes e Alto Douro com autonomia igual à da Região Autónoma da Madeira e até defende a criação de uma zona franca na Região.

Este é um movimento completo - para além de pugnar por questões regionais, não deixa de se relacionar com as grandes questões nacionais (senão mesmo da humanidade):

Outra das causas que este movimento abraçou foi a da taxa dos contadores da água. O MAN organizou uma petição, com 1190 assinaturas, que já enviou ao Provedor de Justiça, onde denuncia que a taxa de disponibilidade de caudal cobrada aos munícipes é "uma forma camuflada de cobrança ilegal com o recurso à esperteza saloia para obter receitas ilícitas, pela utilização dos contadores da água", refere a petição que está em fase de análise pelo Provedor.




*

Um homem que circulava esta quart-afeira de manhã numa bicicleta, na Estrada Nacional 378, na Venda Nova, concelho de Sesimbra, teve morte imediata após ter sido atropelado por um automóvel e ter caído em plena via.

Não queria soar a maluquinho das bicicletas, mas um agente da autoridade não pode expressar a sua opinião sobre os casos em mão. É a lei.

Filipe, de cerca de 60 anos, terá tentado desviar-se dos buracos existentes na berma da estrada e acabou por se desequilibrar e cair. O veículo que seguia na sua traseira, no sentido Sesimbra/Fogueteiro, não conseguiu travar e atropelou-o.

Segundo as autoridades policiais, esta é a explicação mais plausível para o acidente. "A pessoa iria a circular na via e ao desviar-se de uns buracos, desequilibrou-se e caiu na estrada. A viatura que seguia atrás não teve tempo de reacção", adiantou, ao JN, fonte da GNR, que identificou a condutora do automóvel, prosseguindo agora as investigações para que o caso transite para tribunal.

Se assim dita a lei, porquê isto? É assim que se fazem inquéritos em Portugal? Pergunta-se à pessoa que sobreviveu a um acidente a sua versão do que aconteceu e fecha-se o inquérito? Ou apenas se decreta, a priori, a culpabilidade do ciclista (ou a natural previsibilidade do acidente)?


* A Associação Galega da Língua Portuguesa chegou ao Mário Soares - será que ele reparou?




* Eis uma ótima notícia: em Lisboa, Metro cresce mais dois quilómetros em Agosto. A Linha Vermelha, que acabava na Alameda (Linha Verde), vai continuar até São Sebastião (Linha Azul), passando pelo Saldanha (Linha Amarela). Digam o que disserem, a rede lisboeta é fraquinha. Tem poucas interligações entre as várias linhas e deixa uma parte importante do território por cobrir. É bom ver que andam a corrigir isso.




* Em Ponte de Lima discute-se a chegada da Velocidade Elevada - terão direito a estação? Era bem.


* Sugestão do Nuno:

Especialistas de energia denunciam "embuste" na visita de Sócrates e Pinho à Energie

A visita de José Sócrates e de Manuel Pinho às instalações da Energie para assinalar a segunda fase de expansão da fábrica que produz o que designa por "painéis solares termodinâmicos" está a desencadear uma série de protestos por parte dos principais responsáveis pela investigação e indústria solar no país.

"É uma empresa que assenta a sua propaganda num embuste", denuncia Eduardo Oliveira Fernandes, ex-secretário de Estado da Energia e académico que desenhou a política energética do actual Governo, no que é acompanhado por Nuno Ribeiro da Silva, presidente da Endesa Portugal e presidente da Sociedade Portuguesa de Energia Solar (SPES), e por Manuel Collares Pereira, considerado um dos principais especialistas em energia solar no país, ex-investigador do INETI e responsável pela empresa fabricante de painéis solares térmicos Ao Sol. Os três especialistas clamam que o produto da Energie, fabricado na Póvoa de Varzim, é "publicidade enganosa" - mostram tratar-se de uma bomba de calor accionada a electricidade com apoio secundário em energia solar e não de um painel solar térmico - e atribuem o incentivo político do primeiro-ministro e do ministro da Economia, com a visita efectuada, a uma possível ausência de apoio técnico adequado pelos respectivos gabinetes.




* Os tram-train avançam em Coimbra (via Transportes em Revista):

Sistema de Mobilidade do Mondego

Foi hoje enviado para publicação no Diário da República e no Jornal Oficial da União Europeia o anúncio do concurso público relativo à Empreitada de Reabilitação das Infra-estruturas do Troço Miranda do Corvo/Serpins, do Ramal da Lousã, primeira empreitada da 1.ª Fase do Sistema de Mobilidade do Mondego (SMM).




* Em Matosinhos, continua a limpeza da costa:

Forçados a demolir habitações onde vivem há décadas




* Comboios: Governo encerra Linha do Corgo por razões de segurança (sugestão do Nuno)


* O melhor programa de sempre versando Prevenção Rodoviária:



A mensagem é de que, se virem o Toy, não entrem no carro com ele ou, então, fujam da frente.


* Hoje, quarta-feira, 25 de Março de 2009, exploro as debilidades do sistema ferroviário português (acompanhar minuto a minuto):




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BLOGADO ÀS 00:26:24

20-03-2009

LÍNGUA, GALIZA, REGIONALIZAÇÃO, ACORDO ORTOGRÁFICO, IMPRENSA, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO

Atualizações 19/3/09

* O Rui Tavares ilustrou em crónica do Público o que publicou no blogue ontem, e teve o condão de, falando da desigualdade, abarcar temas como a regionalização, o Norte e a situação no Estado Espanhol. Cada vez mais, Rui Tavares é o meu herói pessoal.

O erro está em pensar que igualdade é homogeneidade, quando são coisas muito diferentes. Não por acaso, a obsessão com a homogeneidade é de direita (se pensarmos bem, é herdeira da obsessão religiosa com a pureza) e a obsessão com a igualdade é de esquerda. A direita preocupa-se menos com a desigualdade desde que o país seja homogéneo. O conservadorismo nacional é anti-regionalização, anti-imigração e anti-direitos dos gays (bom dia, Dra. Manuela Ferreira Leite) mas não perde o sono com a desigualdade. O projecto oposto não tem problemas em viver num país heterogéneo; o que nos interessa é dar a mesma dignidade a cada uma das partes que o constituem.

Em suma, eu diria que foi o quando a Espanha viu que é um país plural que começou a tornar-se um país mais igual. Mas que sei eu? Perguntem a Felipe González. O que ele respondeu numa entrevista recente foi que o segredo do crescimento da Espanha está em assumir a sua pluralidade interna: “Se há trinta anos atrás me dissessem que a Galiza viria a ser uma economia dinâmica na globalização, eu daria uma gargalhada”. Com o nosso desigual Norte a cair no atraso, é uma gargalhada amarga para nós.




*

Aos 30 anos, o "Correio da Manhã" começa nos próximos dias a adaptação do jornal ao novo Acordo Ortográfico, anunciou o director do título, Octávio Ribeiro, na edição de hoje.

Parece óbvia ainda a ignorância em relação ao Acordo:

"A nova ortografia só se estenderá a todos os textos do jornal, respectiva primeira página e manchete, "caro Leitor", quando já ninguém estranhar a palavra 'facto' escrita sem cê", refere Octávio Ribeiro.

Segundo o AO, 'fa(c)to' é uma palavra de dupla grafia, o que significa que se grafa como se quiser. E se na fonia preponderante em Portugal se lê o 'c', se bem que subtilmente, deve grafar-se 'facto', como eu faço há já algum tempo. O que é um facto.

No Público, via Blogtailors.


* 32 mil euros por bilhetes de La Féria:

A Câmara do Porto adquiriu bilhetes no valor de 32,5 mil euros para o musical "Alice no País das Maravilhas" de La Féria. O montante foi deduzido nos 5% da receita de bilheteira que a Autarquia tem direito. O PS critica discriminação.

No passado, a aquisição de ingressos nos espectáculos de companhias teatrais da cidade era uma forma da Autarquia apoiar esse trabalho. "A compra de bilhetes era uma maneira da Câmara do Porto ajudar as companhias no momento de concretização dos espectáculos. E distribuía esses bilhetes pelas escolas. Com Rui Rio, deixou de fazê-lo", especifica Carla Miranda, convencida de que o problema fundamental não reside nessa aquisição, mas na inexistência de critérios na gestão do Pelouro da Cultura.

"Rui Rio disse que as companhias eram subsídiodependentes", quando a única ajuda municipal era a compra de ingressos, argumenta: "Esses termos não servem para o senhor La Féria. Não é igual para todos. O facto de não existirem regras conduz a estes actos discricionários".



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BLOGADO ÀS 01:15:35

08-03-2009

PORTURARIDADE, IMAGENS, FERROVIÁRIO, POLÍTICA À PORTUGUESA, PÓVOA-VILA, GRANDE PORTO

Atualizações 7/3/09

* Página incrível, criada por um português que mora em Londres que vale a pena seguir: Visual Complexity.

Prometo ver todos os 658 projetos. Incluindo esta apetitosa categoria, redes de transportes. Iami.


* O metro pára mais (e demora o mesmo):

As estações de Portas Fronhas, da Varziela e de Mindelo passam a receber veículos «Expresso»

Entra em vigor no dia 16 de Março (segunda-feira) o novo serviço da Linha Vermelha do Metro do Porto, que liga a Póvoa de Varzim ao Porto.

Até chegar o tram-train, um serviço diferente. Nas estações expresso passa a haver metro de 15 em 15 minutos, nas outras de 30 em 30. É ver se funciona. Os expressos deixam de continuar para o Dragão, fazendo término na Trindade, o que é claramente um passo atrás. É ver. É preciso ver.


* Finalmente, o Marco volta ao caminho certo:
(no Arrastão)



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BLOGADO ÀS 01:57:32

06-03-2009

POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO

Atualizações 5/3/09

* Política em direto - o Bloco permite sugestões ao seu programa eleitoral.

(sugestão do Nuno)


* Ainda bem que o Rui Rio mudou a gestão do Rivoli, senão demoraríamos mais a perceber a grandiosidade do seu génio:

Mas mais fantástico é sabermos que os 3 milhões de euros dos dois fins-de-semana gastos com carros são superiores ao que a CMP gastava para que o Rivoli funcionasse todo o ano, apresentando mais de 300 espectáculos por ano (nos quais se incluíam os tais de 30 espectadores e, também, o Fantasporto, a Maria João Pires, Sérgio Godinho, etc, etc, que, obviamente, tinham casas lotadas).





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BLOGADO ÀS 00:33:47

26-02-2009

LÍNGUA, GALIZA, POLÍTICA À PORTUGUESA, PÓVOA-VILA

Atualizações 26/2/09

* Póvoa de Varzim sem lei:

O presidente da Junta de Freguesia de Argivai, Póvoa de Varzim, terá ameaçado com "três tiros" os deputados da União Eleitoral de Argivai, na última Assembleia de Freguesia. O incidente podia ter terminado pior, não fosse o público presente ter conseguido segurar o autarca Adolfo Ribeiro.

Em resposta, explicou, ao JN, Domingos Silva, "o presidente da Junta disse, aos gritos: "Vocês são uns calhaus com dois olhos. Se tivesse aqui a 'p….' dava-vos três tiros a todos".

Isto de chamarem 'autarca' ao homem é abuso.


* No ciberdúvidas, perguntas e mais perguntas e respostas sobre o galego.


* Na Galiza, e tudo no domínio do presunto (presumível, isto é), um rapaz, Jácobo Pinheiro, matou um casal homossexual por temer ser violado. Um dos homossexuais teria aproximado-se de Jácobo, nu, Jácobo não foi na cantiga, e o homossexual terá ido buscar uma faca. Jacobo tirou-lhe a faca e matou-o com 35 facadas. De seguida Jácobo terá matado o companheiro do referido homossexual, que fugira, com outras 22 facadas. No total, 57 facadas. Passadas algumas horas, depois do banho, Jácobo ateou fogo ao apartamento. Sentença judicial, através de um júri popular? Própria defesa.

Em Lazkao, Euskal Herria, um jovem, depois de uma bomba da ETA ter danificado o seu apartamento, desceu à mais próxima Herriko Taberna (bar ou centro social onde costumam reunir-se os simpatizantes da esquerda abertzale vasca) e atacou-a. Como agora ele encontra problemas em continuar a viver na referida terra, poderá ter de mudar de sítio ou necessitar de proteção policial. Alguns políticos do PP compreendem que o jovem, traumatizado, tenha vandalizado um lugar que não tinha nada a ver com o ocorrido.

A mensagem que perpassa tudo isto é clara: em Espanha, o discurso conservador e espanholista (muito presente nos meios de comunicação) defende que se matem homossexuais e se ataquem lugares com tendências não-espanholistas. A acompanhar.



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BLOGADO ÀS 21:04:41

26-02-2009

POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 25/2/09

*

(obrigado ao Nuno e à Alice pelo apoio logístico)


* Corrupçãozinha:

“Não cometi erro nenhum, por isso hei-de continuar a fazer o que fiz até hoje”, assegurou um Domingos Névoa lesto a perceber o sinal da “Justiça” portuguesa, depois do tribunal o ter condenado a pagar 5 mil euros de multa por ter dado como provado o crime de corrupção activa para acto lícito.



* A Decathlon tem bons preços mas, carambas, são sobreiros, senhor:

Projecto da Decathlon obriga a abate de uma centena de sobreiros

O que as Câmaras não compreendem é que, se forem mais exigentes para com os privados, eles reformulam os projetos e fazem melhor. E se acharem que a Câmara de Setúbal é exigente de mais, a Decathlon constrói num concelho vizinho e dá emprego lá. Somos todos portugueses, não? Algum dia há de acabar esta política das capelinhas.


* Paris, regionalização, reorganização e transportes.


*Merda. Estou no twitter.



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BLOGADO ÀS 00:19:21

20-02-2009

AMIGOS, FERROVIÁRIO, NORTE, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO

Atualizações 19/2/09

*

Nova linha no Tua pode custar tanto como a barragem

Uma nova variante ferroviária pode orçar entre 30 e 300 milhões de euros, segundo vários especialistas

Um estimou em 90 milhões de euros a construção de uma via estreita de 31 quilómetros com travessas de betão e carril de 54 quilos por metro, com sinalização electrónica, contenções geotécnicas, muros de suporte e edifícios para passageiros. Metade desse valor, porém, seria gasto para vencer um desnível de 200 metros entre a estação do Tua e a cota da barragem, o que poderia implicar um sinuoso traçado de oito quilómetros.

Outro falou em 40 milhões de euros, tendo em conta que uma via estreita se adapta bem ao terreno e que a própria EDP terá de fazer vários caminhos de acesso à barragem durante as obras, alguns dos quais poderão ser aproveitados para neles se instalar os carris.

Um terceiro quadro da Refer referiu ao PÚBLICO que uma solução técnica possível para os primeiros quilómetros da variante seria um caminho-de-ferro de cremalheira, no qual os comboios têm uma roda dentada que "agarra" um trilho situado no meio dos carris. Linhas como estas existem há quase 200 anos nos Alpes funcionando sem problemas.
275 a 300 milhões

Um valor bem mais elevado - entre 275 e 300 milhões de euros - é apresentado por Manuel Tão, investigador em Economia de Transportes. Mas neste caso a proposta é mais ousada, pois este especialista sugere uma linha de via larga com parâmetros de velocidade entre os 100 e 120 km/hora que fariam diminuir o tempo de viagem entre Mirandela e o Tua de uma hora e meia para 30 ou 40 minutos. A solução técnica: um túnel helicoidal entre a estação do Tua e a zona planáltica, a partir da qual a linha seguiria até ao Abreiro retomando o traçado actual.

Manuel Tão, que fez os cálculos com base em projectos ferroviários dos Alpes suíços, diz que, mercê do túnel, os primeiros dez quilómetros custariam 200 milhões de euros, seguindo-se mais 15 quilómetros por um custo de 75 milhões.
Esta proposta não é inocente, admite, pois tem implícita a reconversão do resto da Linha do Tua de via estreita para via larga e o consequente prolongamento de Mirandela até Bragança e daí a Puebla de Sanabria, onde está prevista uma estação do TGV que ligará a Galiza a França, Madrid e Barcelona.
"Como obra pública a realizar numa zona de Objectivo I, seria elegível para financiamento comunitário a fundo perdido em mais de 70 por cento", diz, acrescentando que "pela primeira vez o interior de Trás-os-Montes seria inserido no sistema logístico nacional".

No Público.

Pelo menos um destes especialista é esclarecido. Não se vai (re)construir uma linha num terreno tão difícil apenas por causa da paisagem. Quem sequer considera a hipótese é, por assim dizer, estúpido (ou trabalha na refer). O que impede que a linha atual tenha sucesso?

Primeiro, liga o nada ao muito pouco. Liga o Tua a Mirandela, o que, juntos, dá bastante pouco. Se, por exemplo, ligasse o Porto a Mirandela, já faria mais sentido, o que ainda não é possível por a linha do Douro e a linha do Tua terem bitolas diferentes. A EDP terá de escolher - ou constrói a barragem e uma ligação em ferrovia nova ("o concessionário obriga-se a repor todas as vias de comunicação com as mesmas funcionalidades", diz o caderno de encargos), ou não constrói a barragem e fica tudo como está. Já no Douro aconteceu o mesmo, com a barragem da Valeira. A EDP construiu uma variante (incluindo uma ponte nova). Isto há 30 anos.

Continuando, a linha ganharia toda a validade se fosse reativada a ligação a Bragança. Porto-Bragança em ligação direta. Um sonho? Como exemplifica Manuel Tão, o prolongamento até Puebla de Sanabria tornaria o projeto candidato a fundos europeus até 70% a fundo perdido. Passa-se da solução tarefeira dos "especialistas" da refer para uma ligação que quase se autosustenta e teria todo o sentido.

Ao admitir a possibilidade de construir uma estrada em substituição da via férrea do Tua, a EDP faz uma leitura muito ampla do caderno de encargos quando este diz que "o concessionário obriga-se a repor todas as vias de comunicação com as mesmas funcionalidades".

De resto, foi isso que a empresa fez há 30 anos quando construiu não muito longe do Tua a barragem da Valeira. Nessa altura, a EDP pagou uma variante à Linha do Douro e uma nova ponte na Ferradosa para que o comboio pudesse continuar até ao Pocinho e Barca d'Alva.
Se os critérios de hoje fossem aplicados à época, a Linha do Douro teria ficado submersa pela barragem pouco depois do Pinhão, que seria agora a estação términus.

Até há pouco tempo a posição oficial da Refer sobre a barragem do Tua era a de que não tinha sido informada pela tutela de que parte da linha seria submergida, pelo que prosseguiria com o seu plano de investimentos. Respondendo recentemente ao PÚBLICO, a empresa recuou e limitou-se a dizer que não era oportuno falar sobre este assunto nesta altura. Gilda Sousa, da EDP, admitiu que terá havido contactos "informais" entre aquela empresa e a EDP que contribuíram para que se chegasse ao valor de 150 milhões de custo para a construção da variante.

Mas o PÚBLICO apurou que chegou a haver, a pedido da EDP, uma reunião com a Refer para que esta autorizasse a realização de prospecções geotécnicas na margem esquerda do Tua, que incluem rebentamentos e construção de galerias na zona da via férrea. Contudo, tal não foi ainda efectuado.


Também no Público.

Outra das razões que levou ao afastamento das populações (e dos turistas) desta linha foi a ideia de insegurança, garantida pela incúria da refer ao longo dos últimos anos na manutenção da linha. Espera-se que a morte não morra solteira neste caso.


* Se morasse no Porto, poderia cumprir um sonho antigo - não votar em Rui Rio:

Elisa Ferreira apresenta candidatura ao Porto


* Ando a ponderar com relativa seriedade deixar de ser amigo do Vasco - aparece numa revista (ou livro) por semana. Se deixar de ser amigo dele, deixo de sentir a obrigação de o noticiar. Já agora, parabéns e saudades muitas.


* Os precários do norte têm agora uma página só para eles. Infelizmente.


* Quem disse que Torres Vedras é uma terra atrasada? Até já lá têm censura:

Ministério Público proíbe sátira ao Magalhães no Carnaval de Torres Vedras

O presidente da Câmara Municipal de Torres Vedras, Carlos Miguel, foi surpreendido ao início da tarde com um fax do Ministério Público no qual era dado um prazo à autarquia para retirar o conteúdo sobre o computador Magalhães, que fazia parte do “Monumento”, onde apareciam mulheres nuas. “Achamos que pela primeira vez após o 25 de Abril temos um acto de censura aos conteúdos do Carnaval de Torres”, lamentou o responsável, em declarações à Antena 1.

Via Luís Silva.



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BLOGADO ÀS 00:51:33

12-02-2009

LÍNGUA, GALIZA, ACORDO ORTOGRÁFICO, IMPRENSA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 11/2/09

* Afinal eu tinha razão.


*

Se não houvesse AO nós corríamos o seríssimo risco, não só da pulverização da língua portuguesa, como de aqui a trinta ou quarenta anos sermos, com todo o respeito, os galegos da língua portuguesa.


José Mário Costa, falando sobre o Acordo Ortográfico. Os galegos, já se sabe, ainda são os galegos da língua portuguesa.



* Em Setúbal, o corte de sobreiros tem utilidade pública:

A Associação Nacional de Conservação da Natureza (Quercus) não conseguiu evitar o abate de mais de 1300 sobreiros, que foi autorizado pelo Governo para a construção de uma urbanização em Setúbal. A Quercus avançou com uma providência cautelar, mas as arvóres já tinham sido abatidas.




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BLOGADO ÀS 01:51:29

10-02-2009

GAMANÇOS, FOTOS, TERRA, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 9/2/09

* Na Galiza, o direito de manifestação está dependente da língua falada. Não, não uso de frases feitas ou panfletárias, mas da estrita verdade. Se os polícias reparassem que alguém falava galego, não lhes davam acesso à praça da Quintana, onde se realizava a manifestação da Galicia Bilingüe. Ou então, apenas lhes davam porrada, como se distribuíssem prendas. Vídeos aqui, aqui, aqui e pela rede.


* A verdade é que ia apenas publicar parte da notícia, mas não consigo excluir o que quer que seja de tamanha burrada. O urbanismo em Portugal não é apenas uma atividade estritamente arbitrária - é também uma atividade humorística:

Viaduto novo vai abaixo
Ponte sem saída demolida após oito anos de obras

Com oito anos de construção e dois milhões de euros depois, a Câmara de Vila Franca de Xira vai demolir o viaduto do Forte, uma ponte cuja altura foi mal calculada, não tendo saída de um dos lados por embater numa serra.

A operação irá custar aos cofres do município cerca de 100 mil euros, mas colocará um ponto final numa construção que da polémica nunca conseguiu escapar, desde que começou a ser edificada em 2001. Fonte do município adiantou, ao JN, que "não está ainda definida uma data para o demolição do viaduto, entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa Iria". A Câmara pretende recuperar aquele montante com os licenciamentos urbanísticos que vierem a ser realizados numa das freguesias.

Além de desembocar num morro de terra, onde moram milhares de pessoas, o viaduto entre aquelas freguesias foi embargado pelo então Instituto de Estradas de Portugal, alvo de relatórios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), surgiu em áreas de redes agrícola e ecológica, merecendo uma providência cautelar por tal e - já em desespero de causa - de forma a solucionar a ausência de uma saída, obrigou à desmatação da encosta da serra, de forma a que fosse criada uma estrada que conduzisse ao cimo da serra.

Obra teve sempre apoio técnico

A construção consistiu na contrapartida de um promotor imobiliário, José Maria Duarte Júnior. Em troca o município licenciava as futuras edificações que surgissem na terceira e quarta fases do Forte da Casa [a Norte da freguesia].

Apesar de fiscalizada pela empresa de segurança Geotest, rapidamente se percebeu que não teria qualquer saída, colocando-se a hipótese de abrir uma túnel na colina. O que tornaria instáveis as urbanizações ali localizadas.

Meses depois, as graves falhas técnicas levaram a obra a ser embargada pelo Instituto de Estradas de Portugal (IEP). Construtor e Câmara optaram por rodear o morro, abatendo árvores centenárias inseridas numa área de Reserva Ecológica Nacional (REN).

A decisão criou uma estrada com mais de 15 graus de inclinação [acima do permitido pela legislação] e uma curva acentuada, chocando numa área de servidão do aeroporto de Lisboa.

Ao JN, em 2006, Ramiro Matos, o vereador do Urbanismo garantiu que a colocação de um pavimento anti-derrapante e barreiras sonoras, acompanhadas de mais terraplanagens, resolveria parte dos obstáculos criados. Com uma altura de 50 metros, o viaduto viria ainda a causar uma grave inundação numa habitação existente perto da ribeira que corre por debaixo da infra-estrutura.

O cenário acabou por levar a uma auditoria do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) - da qual não se conhecem as conclusões - e a queixas do movimento de cidadãos de Vila Franca de Xira, o Xiradania, ao Ministério Público, ao Ministério do Ambiente e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional , devido à falta de pareceres [ver ao lado declarações do jurista Fernando Neves de Carvalho, rosto do movimento]. Paralelamente, a Câmara declarava o viaduto de Interesse Público Municipal, de forma a desanexar os terrenos de REN.

Segundo a presidente Maria da Luz Rosinha após a demolição "será encontrada outra solução de acesso no âmbito do alvará de urbanização", já previsto pelo Plano Director Municipal. O viaduto que se segue poderá ficar perto do actual mas, desta vez, mais alto.


Aqui uma foto da referida obra. Em baixo, um googlearth da coisa:




* A machadada final na credibilidade linguística do Público: na capa do P2, falavam de um país chamado Portugual.



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BLOGADO ÀS 02:20:00

07-02-2009

PORTURARIDADE, FERROVIÁRIO, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 6/2/09

* Primeiro dizia que a ligação ferroviária estava prevista no caderno de encargos da EDP. Alguém foi ver e afinal a ligação ferroviária não está prevista no caderno de encargos da EDP. Quando percebeu que falara sem saber,

Secretária de Estado dos Transportes exige da EDP alternativa ferroviária para a Linha do Tua


Seja como for, independentemente do processo, o importante é manter a ligação em ferrovia.


* Gaia é obra:

O Plano Director Municipal de Gaia, que deveria ficar pronto em Maio, corre o risco de ser adiado por mais dois meses. Há alterações, por exemplo, nas áreas de reserva nacional, que poderão obrigar a nova discussão pública.

Durante a sessão, os técnicos da Autarquia revelaram que "perto de 70% das participações de sugestão" para a proposta foram no sentido de existir edificado em área Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). Neste último caso, revelou a equipa ao JN, "foram satisfeitas total ou parcialmente cerca de 50%". No caso da REN, a percentagem ronda os "56%".

Outro destaque da sessão foi a aposta na construção de moradias em Gaia. Neste PDM, "é mais clara essa tendência, sobretudo nas zonas da orla, fora da plataforma cidade", disse, a propósito, Mota e Silva, ao JN. Isto no que toca a moradias unifamiliares. "Este PDM é mais flexível" e, "num momento de crise instituída, acolhemos todos os empreendimentos que tenham qualidade, dentro de algumas limitações que o plano impõe", declarou, antes, respondendo a dúvidas do público.





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BLOGADO ÀS 13:18:56

03-02-2009

GAMANÇOS, IMPRENSA, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 2/2/09

* Menezes foi à missa anunciar obras:

Ainda a missa não tinha acabado no mosteiro de Pedroso, em Gaia, e já o presidente da Câmara, Luís Filipe Menezes, se apoderava no púlpito prometendo obras no templo, assim como noutras freguesias. E os fiéis aplaudiram, entusiasmados.



* Pedro Sena-Lino:

Ainda temos escrita criativa como cátedra ou como mero curso de 'vamos partilhar coisas lindas'. Deveríamos criar uma escola própria, que resolvesse alguns dos problemas frequentes da nossa literatura, que são a falta de enredo ou o excesso de uma construção frásica com uma herança barroca reumática



* Esther Mucznik (um nome difícil) consegue, num texto sobre isenção, informação fidedigna, imparcialidade e credibilidade nos meios de comunicação social (relativamente ao conflito em Gaza) não falar dos mil e duzentos mortos, dos quais seiscentos e tal civis confirmados. É a "especialista em Médio Oriente" menos isenta, imparcial e credível que conheço.

O que se passou em Gaza não é muito diferente disto: mataste a minha cunhada? Então vou a tua casa e mato a tua mulher, as tuas filhas, as amigas delas, o gato, os vizinhos que te conhecem e os que não te conhecem e as mães e os pais dos vizinhos e etc e no fim da matança percebo que nem sequer estavas em casa. Qualquer coisa assim.



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BLOGADO ÀS 02:02:15
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