Categoria: URBANISMO DE PONTA

03-07-2009

NORTE, URBANISMO DE PONTA, POLÍTICA À PORTUGUESA, VÍCIO AUTOMÓVEL, ÁUDIO

Atualizações 2/7/09

* É sempre um prazer ouvir Álvaro Domingues, homem literato, que fala com propriedade. Quando fala sobre o Porto e o Norte, então, é um prazer superior.


* Não é título do ano mas anda lá perto:

Santana quer novo túnel em Lisboa e pede “ajuda” a Deus para a vitória



No Público.

E vou mesmo votar em branco nas legislativas - Santana vai concorrer coligado com o MPT.



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 01:22:06

20-06-2009

URBANISMO DE PONTA, POLÍTICA À PORTUGUESA, GRANDE PORTO, METRO, BRAGA - VALE DO AVE

Atualizações 19/6/09

* Mais sobre a 'Linha de São Mamede' (Matosinhos - São João). Não é que me desagrade o traçado. O que estranho é que não haja qualquer coordenação com o projeto da CP, que também calcorreará aqueles terrenos.

Metro vai partir da praia e chega em túnel ao S. João

Linha por S. Mamede criará mais nove estações no concelho

A terceira linha do metro de Matosinhos, que passará por S. Mamede de Infesta, parte da praia à superfície e chega enterrada ao Hospital de S. João (Porto). A ligação aproveita o corredor da Linha Azul e cria mais nove estações no concelho.

O metro atracará, pela primeira vez, na frente de mar com uma estação na Avenida da República, a poucos passos da praia de Matosinhos. Essa mudança obriga a deslocar a estátua de Passos Manuel e mexe com o trajecto das restantes ligações ao município. O término da actual Linha Azul e da futura ligação a S. Mamede de Infesta e ao Hospital de S. João no Porto passará a ser na praia de Matosinhos. A plataforma do Senhor de Matosinhos será o término da linha do Campo Alegre.

Essa alteração visa anular a curva existente na Linha Azul no cruzamento da Brito Capelo com a Avenida da República. A Câmara matosinhense reivindica o enterramento do metro no troço pedonal daquela rua, antes do cruzamento com a avenida. Daí rumaria a S. Bento (Porto). Essa solução, defendida pelo presidente Guilherme Pinto, evitaria constrangimentos no trânsito de viaturas e no acesso a garagens e a estabelecimentos comerciais, provocados pela circulação das composições à superfície em Brito Capelo: "Não há razão para que este constrangimento urbanístico não seja abordado de outra forma", entende o autarca. A hipótese está a ser estudada pela Metro.

Quem vier do Senhor de Matosinhos e tiver a Senhora da Hora ou a Trindade por destino, terá de fazer um transbordo no troço pedonal da Rua de Brito Capelo. Essa mudança só ocorrerá após a entrada em operação da linha Ocidental entre Porto e Matosinhos, prevista para 2014. Só dois anos mais tarde, as composições da terceira linha entre os dois concelhos começarão a circular.

Além da nova estação na praia de Matosinhos, o traçado contempla a reformulação da plataforma da Fonte de Cuco e a execução de mais sete estações. O novo troço tem seis quilómetros e metade é à superfície. "Esta linha é decisiva, pois permitirá que milhares de utentes que hoje vão ao centro do Porto passem a seguir, directamente, para o Hospital de S. João e para o pólo universitário. Serve não só os matosinhenses, mas também pessoas da Maia, da Póvoa, de Vila do Conde e da Trofa", sublinha Guilherme Pinto.

O autarca não tem dúvidas de que a nova ligação se justifica, até porque servirá zonas densamente povoadas do concelho. As composições enterrarão na Avenida de Xanana Gusmão (embora a estação na avenida ainda seja à superfície) e voltam a ver a luz do dia junto ao ISCAP - Instituto Superior de Contabilidade e Administração do Porto, onde será edificado um parque de estacionamento. Enterra de novo em direcção ao Hospital de S. João.

Assim, contam-se quatro estações subterrâneas: uma na Rua de Elaine Sanceau, à porta da igreja de Padrão da Légua; a da Pedra Verde, na Rua de 5 de Outubro próximo do cruzamento com a Avenida do Conde; a de S. Mamede de Infesta, que fica por baixo da igreja de S. Mamede (a área envolvente ao templo será recuperada); a do Hospital de S. João. Esta plataforma será rasgada na fronteira de Matosinhos com o Porto, em frente à unidade hospitalar.

Já a estação de Fonte do Cuco, sofrerá uma intervenção de vulto. A plataforma - que serve as linhas Vermelha, Verde e Violeta - será deslocada. Ficará por baixo de um viaduto a construir paralela à travessia rodoviária existente na Avenida de Vasco da Gama (conhecido por viaduto do Londres). A estação ficará no novo viaduto, com um elevador de acesso à Avenida Fabril do Norte.



No JN.



(grande)


* Em Braga, continua a promiscuidade extrema entre obra pública e ciclos eleitorais:

Túnel da avenida abre com candidatura de Mesquita



No JN.



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 02:14:57

03-06-2009

CARTAZ, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, GRANDE PORTO

Atualizações 2/6/09

* O que eu acho em relação ao PDM de Gaia é. É. Sei lá. Não sei o que achar de tanta trapalhada junta:

Novo PDM aprovado com atraso de cinco anos
PS e CDU dizem que o plano discrimina o interior do concelho epermite mais construção no litoral

O novo Plano Director Municipal de Gaia não resolverá as assimetrias do concelho. É, pelo menos, a convicção do PS e da CDU, certos de que o documento discrimina o interior e permite mais construção no litoral e no centro urbano.

Esta é uma das principais críticas da Oposição ao plano, aprovado ontem de manhã pelo Executivo com a abstenção dos socialistas e o voto contra da CDU. O presidente Luís Filipe Menezes reconheceu esse pecado, mas considera que o Plano Director Municipal (PDM) é "bom" e "pragmático", procurando adaptar-se à realidade de desenvolvimento do concelho. O socialista Barbosa Ribeiro até dá nota positiva ao capítulo da mobilidade e nem está preocupado com o facto de 70% do solo de Gaia ser urbanizável. Lamenta é que a maioria dos terrenos que compõem os 30% não urbanizáveis fique nas freguesias do interior do concelho.

"É muito restritivo em relação à construção no interior do concelho, agravando a sua desertificação, mas, em contrapartida, apresenta-se muito permissivo no núcleo urbano e na frente de mar", indicou o autarca, enunciando que grande parte das 922 participações, feitas na discussão pública do PDM, veio de freguesias do interior Nascente e Sul.

Também o vereador da CDU João Tiago Silva condena esse "crescimento dual" e vai mais longe, considerando que o PDM "não serve o Município". Luís Filipe Menezes explicou que o aumento do solo urbano no interior foi travado por "organismos tutelares". Entenderam não ser necessário aumentar a área urbana quando a capacidade actual não foi esgotada.

"Fez-se um enorme esforço e deu-se um grande salto no interior. 35% do investimento público em Gaia foi concentrado em seis freguesias onde só vive 12% da população", destacou. A dificuldade em desafectar áreas de reserva ecológica e agrícola no interior do concelho para afectá-las a solo urbano foi confirmada pelo director municipal do Urbanismo, Mota e Silva, lembrando, ainda, os obstáculos burocráticos. O PDM beneficiou de um conjunto de planos de urbanização e de pormenor em elaboração que tinha esbarrado na "teia burocrática da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte. Chegámos a ter 23 planos à espera de parecer. Decidimos abandonar esse trabalho e integrá-los no PDM", acrescentou Mota e Silva.

A burocracia serve, também, de justificação para o atraso na revisão do plano que, segundo a Oposição, deveria estar pronto há cinco anos. A CDU assinala que, apesar da demora, o PSD/PP "impediu a participação de outras forças partidárias" na elaboração do documento e critica que a falta de empenhamento na resolução do problema das habitações clandestinas na serra do Pilar.

Luís Filipe Menezes devolveu a crítica à CDU. "A escarpa da serra do Pilar, a jusante da ponte do Infante, é reserva ecológica nacional pura e dura. Para alterá-la, é preciso mudar as directivas comunitárias. Mas a CDU acha que, para ganhar uns votitos, vale tudo", acusou. O autarca destacou, porém, que o actual PDM permitirá a legalização da maioria dos núcleos de construção clandestina existentes no Município.



No JN. E votam os eleitores nestas pessoas, e estas pessoas acham que sabem o que estão a fazer. Deus, como estão errados.


* Prémio Pessoa para Arménio Vieira. Cabe-me dizer, parabéns, caro autor desconhecido.



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 09:25:12

02-06-2009

ACORDO ORTOGRÁFICO, FERROVIÁRIO, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, MULHERES, ALTA VELOCIDADE ELEVADA

Atualizações 1/6/09

* Um hino ao Planeamento Urbano Português (em maiúsculas, pois é nome de bicho raro):

Cidade Nova fantasma

Urbanizações construídas na década de 80 escondem centenas de lojas devolutas

O cenário passa despercebido a quem atravessa a vila de Valença. No interior dos grandes prédios da Cidade Nova há centenas de lojas devolutas, por estrear, degradadas, com vidros e chão partidos, "pixadas" e até incendiadas.

São edifícios que, na década de 80, nasceram a um ritmo alucinante no encalço do "el dorado" que a vocação comercial demonstrada por aquela vila de fronteira prometia. "Valença teve um crescimento desmesurado e um pouco anárquico. Pensou-se que a vila, pela apetência comercial que tem, tudo albergaria, no entanto, o crescimento tem de ser harmonioso, progressivo, por áreas geográficas…Tudo seria muito bonito se, de cada vez que colocasse-mos em plena utilização um centro comercial, avançassemos para outro, mas o problema foi que num curto espaço de tempo cresceram dez centros comerciais e nenhum deles ficou em plena utilização", comentou Joaquim Covas, vereador na Câmara de Valença e presidente da União Empresarial do Vale do Minho (UEVM), justificando: "Na década de 80 tudo se construía, tudo se vendia".

(...)



No JN.


* Parece quase uma notícia inventada por mim. Depois de passar alguns meses denuciando a falta de planeamento estratégico da CP, que prefere flutuar ao sabor das manias e desmandos do Governo, eis que a realidade vem dar-me razão. Juro que preferia que não fosse o caso, que na realidade a CP fosse uma empresa a sério e que eu não passasse de uma pessoa alheada da realidade e com princípios de esquizofrenia. Mas afinal não:

CP condenada a pagar 20 mil € a 'emprateleirado'

Assédio moral foi provado no caso de um técnico que passou nove anos sem ter o que fazer

(...)

Em 1992, era Chefe do Serviço de Estudos Estratégicos da CP. Até então, diz o tribunal, era reconhecido como um "técnico de altíssima craveira intelectual", mas isso não impediu a CP de o manter "apenas nominalmente" ao serviço, já que, a partir daí, não "recebeu qualquer ordem, instrução, orientação ou directiva. Por isso, viveu num "estado permanente de desgosto, ansiedade, frustração e revolta".



No JN. Sugestão do Nuno.


* Sempre à frente, esses espanhóis:

Ferrovias: Espanha vai acabar com "bitola ibérica"

O Ministério do Fomento, em Espanha, encomendou um estudo para acabar com quase 12 mil quilómetros de via férrea com especificação da designada "bitola ibérica", também utilizada em Portugal.

Segundo o jornal El Economista, o estudo (incluído no Plan Español de Infraestructuras y Transporte) deverá estar pronto até final do ano. A alteração da infra-estrutura deverá representar investimentos estimados num mínimo de 5 000 milhões de euros.

A ideia do governo do país vizinho visa acabar de vez com o uso da bitola ibérica (distância entre carris), que actualmente mede 1 668 milímetros, subsituindo-a pela europeia (1 435 mm), de modo a homologar a rede ferroviária pela bitola internacional.

A alteração perspectivada não afectará os 1 563 quilómetros rede de alta velocidade, já construída pela bitola internacional.



No Díário Digital, via Vítor Silva.


* A minha Lista de Prémios, Concursos e Bolsas Literários já tem as ligações a funcionar (basta carregar em cada título). Nuno, obrigadinho pelo jeito.


* Mais um camarada a juntar-se ao pleito:

(...)

Francisco José Viegas, nosso cronista de segunda a sexta-feira na secção de Cultura & Espectáculos, inaugura na sua intervenção de amanhã a nova grafia conforme ao Acordo Ortográfico.

(...)



No CM, via blogtailors.


* Opção B! Opção B! Opção B!

(sugestão da M)


* Uma mulher: Catarina Wallenstein





tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 02:18:56

30-04-2009

PORTURARIDADE, IMAGENS, ACORDO ORTOGRÁFICO, FERROVIÁRIO, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, ENTRE-DOURO-E-MINHO

Atualizações 29/4/09

*

De fato, este meu ato refere-se à não aceitação deste pato com vista a assassinar a Língua Portuguesa. Por isso ... por não aceitar este pato ... também não vou aceitar ir a esse almoço para comer um arroz de pato ...
A esta ora está úmido lá fora ... por isso, de fato lá terei de vestir um fato ... (sic)

Continua a desinformação. 'Pacto' não muda, 'húmido', 'hora' e 'facto' idem. A única palavra que irá mudar é 'acto', que passa a 'ato'. Quem escreve estas barbaridades? Servirão para enganar quem, as velhinhas das aldeias?


*

Bloco de Esquerda quer mais-valias urbanísticas a reverter para o Estado como forma de evitar corrupção

O BE vai apresentar, ainda nesta sessão legislativa, um projecto de lei em que propõe que as mais-valias urbanísticas decorrentes de um acto administrativo passem a reverter a 100 por cento para o Estado. Os bloquistas defendem que assim se evitaria a especulação imobiliária. Esta é uma de quatro propostas de combate à corrupção apresentadas ontem no encerramento das jornadas parlamentares, que decorreram em Braga.
"Grande parte da corrupção em Portugal nasce da especulação imobiliária", considera Francisco Louçã. "Há terrenos que aquando da classificação como terreno rural valiam dez, mas quando passaram a ser urbanizáveis, passaram a valer um milhão", ilustra o dirigente. A proposta do BE propõe fazer reverter essa diferença de valorização para a posse pública, sem prejuízo para os proprietários do valor do terreno anterior à alteração.

(...)

No Público.


*

Cidadãos saem em defesa do solo agrícola do país

Portugal já não é rico em solos férteis, mas uma recente legislação veio retirar a garantia de que os que existem serão preservados. É esta a principal crítica – e preocupação – de um grupo de cidadãos que pôs a circular na Net uma petição em defesa da Reserva Agrícola Nacional (RAN).

No final do mês passado, foram aprovadas alterações ao regime da RAN que, segundo os subscritores, não melhoraram a lei anterior, antes a alteraram por completo. Por isso, apelam a que os deputados da Assembleia da República introduzam alterações que permitam que os solos sejam salvaguardados para a produção de alimentos.

A petição foi posta a circular na segunda-feira em www.peticao.com.pt/reserva-agricola-nacional e já conta com cerca de 450 assinaturas, entre as quais a do arquitecto Gonçalo Ribeiro Telles, um dos ideólogos das reservas agrícolas e ecológicas nacionais.

Também no Público.


*

Comboios frequentes cruzam São João da Madeira em 2011

A reconversão em estação do apeadeiro de Arrifana, em Santa Maria da Feira, a construção de uma nova estação em Orreiro e de dois apeadeiros junto ao Museu da Chapelaria e na zona de Fundo de Vila, em São João da Madeira, são as obras previstas para que o município são-joanense tenha comboios frequentes, a circular de 20 em 20 minutos, a partir de 2011. A aquisição de três composições para o reforço das circulações diárias na Linha do Vouga em cinco paragens, do limite norte ao extremo sul de São João da Madeira, também faz parte dos planos. O concurso público para a elaboração do estudo prévio do projecto de execução desse sistema de comboios frequentes no troço entre Arrifana e Orreiro foi publicado no Diário da República na última segunda-feira. O valor base do concurso é de 330 mil euros e o prazo de execução de 150 dias.

A abertura do concurso surge em sequência da assinatura de um protocolo oficializado a 23 de Novembro de 2008, dia em que se comemorou o centenário da entrada em funcionamento da Linha do Vale do Vouga, entre a Rede Ferroviária Nacional (Refer), CP - Caminhos-de-ferro Portugueses, e as câmaras de São João da Madeira, Santa Maria da Feira e Oliveira de Azeméis. A instalação do sistema de comboios frequentes, que atravessará o município, representa um investimento total de 9,4 milhões de euros. Uma quantia que será suportada por fundos comunitários e pelos orçamentos da Refer, CP e Câmara de São João da Madeira.

"Este poderá vir a ser um primeiro passo para uma futura ligação da nossa ferrovia à rede do Metro do Porto", admitia Castro Almeida, presidente da autarquia são-joanense, antes da assinatura do protocolo. A Refer assume a elaboração dos projectos de intervenção na ferrovia respeitantes à requalificação do troço e a Câmara de São João da Madeira fica responsável pelos projectos de integração funcional.

Idem, no Público.

É triste ver as Câmaras a obrigadas a resolver problemas que competem à Administração Central. A Linha do Vouga, no seu percurso na Região Norte, atravessa quatro concelhos (Espinho, Santa Maria da Feira, São João da Madeira e Oliveira de Azeméis) que concregam mais de 250.000 almas. A via está degradada, tem curvas e passagens de nível (muitas sem guarda) a mais e uma velocidade comercial muito baixa. Acresce o facto de ainda não ter tido direito à passagem da bitola métrica para a ibérica, o que a torna uma linha de brinquedo, sem ligações à rede. E como as obras em Espinho não comtemplaram esta via, a nova estação subterrânea encontra-se a 500 metros da estação Espinho-Vouga.

O metro parece-me ideia despropositada. Uma linha de suburbanos a fazer ligação à Linha do Norte em Espinho, e a substituição da superestrutura / eletrificação / migração para a bitola ibérica com travessas polivalentes / correção de traçado / eliminação das passagens de nível, isso sim já me parecia indicado.




tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 02:20:33

20-04-2009

PROJETOS, IMAGENS, TERRA, FERROVIÁRIO, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, GRANDE PORTO

Atualizações 19/4/09

* Ermesinde tem mais de metade dos habitantes do concelho. A sede deste concelho é, estranhamente, em Valongo. A sede de concelho quis, nos últimos anos, justificar a condição de sede aumentando injustificadamente a sua área urbana, como que tentando equilibrar artificialmente o jogo de forças. Uma das áreas de expansão foi do lado norte da A4, que quando foi construída passava ao lado do principal núcleo urbano e agora foi envolvida pelo referido núcleo. Tão injustificada e megalómana é esta expansão que foi construída uma biblioteca a norte da A4 sem que existisse mais construção para aqueles lados. Conta a lenda que tiveram de inventar uma carreira de autocarros só para essa biblioteca. Agora isto:

Câmara unida contra alargamento da A4

A Câmara de Valongo está unida contra a proposta da Brisa de alargamento da A4, no troço entre Ermesinde e Campo. Além de ter "um impacto urbanístico inaceitável", a obra obrigará a demolir construções.

A Câmara de Valongo quer que a Brisa pague a sua incúria urbanística. Só pode ser piada.



*

este blog apoia o May Day Porto 2009


*
(clicar para ver em grande)

Uma primeira imagem da minha investigação, feita sobre imagens e informação disponíveis na rede. Como já referi antes, quando comecei a fazer estes diagramas acabara de encerrar a Linha do Tua; entretanto foram encerradas as Linhas do Tâmega e do Corgo, o Ramal da Figueira da Foz e a ligação entre Covilhã e a Guarda. Excetuando a Linha do Tua, ainda com destino incerto, todas as outras foram encerradas para modernização, bem-vinda aliás. Espera-se que volte a continuidade na Linha da Beira Baixa (e não o que existia antes do fecho, tendo os passageiros vindos de Castelo Branco de trocar de comboio na Covilhã para seguir para a Guarda), e que pela primeira vez possam existir comboios diretos entre Vila Real e o Porto e entre Amarante e o Porto, substituindo a bitola métrica pela bitola ibérica (com travessas polivalentes).

Criei este diagrama para mostrar as incongruências / deficiências da rede. Principalmente a falta de continuidade entre certas ligações. Nas linhas de via estreita (Vouga, Tua, Tâmega e Corgo) a impossibilidade era técnica; no resto das linhas, era apenas por preguiça mental da CP. Ou pura incompetência. Existem, no entanto, distorções: apenas está representada continuidade nos troços Valença-Galiza, Guarda-Vilar Formoso-Espanha e Abrantes-Marvão-Espanha pela existência de um comboio internacional por dia (Porto-Vigo, Sud-Expresso e Lusitânia Comboio Hotel) em cada um destes troços. Ignorando estes, a continuidade é inexistente.


tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 01:12:32

02-04-2009

FERROVIÁRIO, NORTE, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA, MULHERES

Atualizações 1/4/09

* Dois textos importantíssimos (o primeiro é um desenvolvimento do segundo) para perceber melhor a desadequação das leis portuguesa de planeamento a um desenvolvimente urbano sustentável e justo. Urbanismo e corrupção: as mais-valias e o desenvolvimento urbano:

(...)
Mais tarde a França mudou de política com a adopção de políticas liberais caracterizadas pela desregulamentação e pelo abandono das políticas intervencionistas de produção fundiária. No entanto o objectivo continuava a ser o mesmo: criar condições para reforçar a disponibilização dos solos necessários para a construção das habitações. A ideia forte era a de que numa situação de procura constante o aumento da oferta faria baixar os preços. Este conjunto de políticas no caso francês prolongou-se com alguns matizes até ao início do ano de 1986, que corresponde ao momento que diversos autores identificam com o início do crescimento da bolha imobiliária em França. O aparecimento da bolha do imobiliário, com os preços a duplicarem em poucos anos e com o incumprimento das famílias a disparar, foi a prova cabal de que as políticas liberalizantes adoptadas se tinham revelado equívocas e contraproducentes. Os defensores do postulado «desregulamentação – aumento da oferta – baixa do preço» foram confrontados com o facto, não previsto, de que a oferta real de solos não aumentou, pelo que o efeito benéfico sobre o preço não se verificou, antes pelo contrário. Faltou-lhes distinguir entre oferta potencial e oferta real.

Entre os países que optaram por reter as mais-valias e que mantêm a fidelidade a esse modelo salienta-se a Holanda, que procede à municipalização total da produção do solo urbano, e a Suécia, que socializa as mais-valias através da declaração da utilidade pública do solo. No caso holandês a municipalização traduz-se na possibilidade de o município poder expropriar todo o solo necessário ao desenvolvimento urbano após a aprovação de um plano urbanístico, sendo o valor pago a título de indemnização o valor do uso existente. A Holanda é consensualmente reconhecido como o único país em que o valor de mercado dos terrenos rústicos não contém qualquer parcela especulativa, mesmo se localizados junto ao perímetro urbano de uma cidade.

(...)

Sem a segmentação do mercado de solos e sem o controlo das mais-valias pela Administração não há forma de impedir a pressão urbana sobre os terrenos rústicos e mesmo sobre os solos integrantes das zonas de parques e reservas. Se existissem dúvidas sobre esta matéria aí está a nossa realidade a dissipá-las. A construção fora dos perímetros urbanos não pode ser uma prerrogativa do uso urbano. Só os que vivem da agricultura e da floresta devem poder construir as suas habitações fora dos perímetros urbanos. O uso urbano deve ser confinado aos perímetros urbanos e aí o Sistema de Planeamento deve garantir uma resposta qualificada para todas as necessidades e não apenas para as de maior poder aquisitivo. A protecção dos usos agrícolas e florestais da pressão urbana é uma condição sine qua non para garantir um adequado ordenamento do território.

Em Portugal, esta questão é completamente omissa no sistema de planeamento urbanístico. A nossa singularidade é feita destas omissões e traduz-se na adopção de um modelo perequativo em que se assume que as mais-valias são integralmente apropriadas pelos particulares e se opta por tributar as mais-valias urbanísticas em sede de IRC (imposto sobre o rendimento das pessoas colectivas) e de IRS (imposto sobre o rendimento das pessoas singulares), associando-as a ganhos de capital. Estamos perante uma confusão entre lucros de uma actividade normal de promoção imobiliária e ganhos resultantes exclusivamente de decisões da Administração, a qual é reveladora de que, por via dos Planos Municipais de Ordenamento do Território e de declarações de interesse público, a Administração Pública gera mais-valias simples que o mercado reconhece, mas permite que sejam os privados a capturá-las na sua totalidade, revelando-se incapaz de as recuperar em favor da comunidade.

(...)

É no contexto da actuação dos agentes permissivos das mudanças de uso que são compreensíveis dois tipos de actuação diferentes mas, afinal, complementares:

1) Em primeiro lugar, a actuação dos autarcas abrangidos pelos chamados «investimentos estruturantes». Tomam a peito a sua função de agentes permissivos e clamam alto e bom som que o desenvolvimento, seja lá isso o que for, pode estar em causa se os processos não avançarem.

(...)

Este comportamento dos autarcas verifica-se apesar de o processo de urbanização ser claramente deficitário, sobretudo se pensarmos a médio e a longo prazo. Isto significa que estes processos de urbanização, tal como são geridos em Portugal, são em grande parte financiado com os impostos de todos os contribuintes. Contudo, o processo de urbanização permite, pontualmente, um conjunto de receitas que funcionam muitas vezes como balões de oxigénio para as debilitadas tesourarias municipais. Refiro-me sobretudo ao momento do pagamento das Taxas Municipais de Urbanização que, em função da dimensão das urbanizações, podem corresponder a receitas com indiscutível peso face às restantes receitas correntes mas que, face à captura pelos privados das mais-valias simples são uma pequeníssima parte dos valores em jogo. Claro que, face aos pesados encargos que a urbanização acarreta a longo prazo para os municípios, ela se transforma num ónus para as gerações futuras e para todos os cidadãos.

2) Em segundo lugar, a actuação dos ministérios, em particular do Ambiente e da Economia, que emitem declarações de interesse público para determinado tipo de operações, permitindo a ultrapassagem das regras do urbanismo.

(...)



e Mais-valias: quem as gera e quem as captura? Agentes e comportamentos, ambos de José Carlos Guinote:

(...)

Para se perceber os valores que estão em jogo nesta questão das mais-valias simples associadas às mudanças de uso do solo rústico para urbano refira-se um pequeno exemplo. Uma propriedade rústica com 500 hectares pode ser adquirida em Portugal por um valor da ordem dos 7,5 milhões de euros. Caso seja autorizada a mudança de uso, bastará a urbanização – é disso que se trata na generalidade dos casos – de dois por cento da sua área, com um índice de construção de 0,5 para que sejam autorizados 50.000 metros quadrados de área de construção. Esta autorização corresponde, por exemplo, á possibilidade de construção de 140 moradias com 500 metros quadrados de área por lote e com 357 m2 de área de construção máxima permitida. Numa situação como esta o proprietário pode transmitir imediatamente a propriedade – sem realizar qualquer obra – apenas em consequência dos direitos de construção concedidos pela administração, por um valor de 21 milhões de euros (admitindo um valor de venda de 150.000 € por lote, um valor baixo para as condições actuais do Mercado sobretudo para lotes com as características referidas e em localizações próximas do litoral). Estamos perante uma mais valia de 13,5 milhões de euros resultado apenas de uma decisão da Administração e capturadas, na sua totalidade, pelos particulares. Claro que se a área a urbanizar fosse de 10% da propriedade existente – um valor muitas vezes ultrapassado - as mais valias subiriam para valores da ordem dos 97,5 milhões de euros. Nalguns casos no Litoral Alentejano a área urbanizada ocupa cerca de 20% da propriedade rústica. É o caso do empreendimento da Herdade do Pinheirinho, no concelho de Grândola, com uma área total de 800 hectares e com a área urbanizada a ascender aos 150 hectares.

(...)




* Linha do Tâmega:

Perante os populares que acorreram à Câmara Municipal para a ouvir pessoalmente, Ana Paula Vitorino anunciou 14, 2 milhões de euros para recuperar o troço da linha do Tâmega de 12 quilómetros que foi encerrado no dia 25 de Março devido à falta de condições de segurança. As obras de beneficiação da via entre a estação de Livração (linha do Douro) e Amarante implicam que esteja encerrada durante dois anos.

(JN)

"Temos que pôr uma linha capaz, segura e que quando reabrir deve ser uma linha com melhor serviço e melhor coordenação com os comboios que vão para o Porto e ainda com comboios mais confortáveis", assegurou Ana Paula Vitorino.

(Público)

linha do Corgo:

A Linha Ferroviária do Corgo deverá reabrir em Setembro de 2010, após obras de beneficiação de 27,3 milhões de euros, anunciou hoje a secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, em Vila Real.

(...)

A REFER irá investir nesta linha cerca de 27,3 milhões de euros, sendo que 26,9 dizem respeito à substituição integral dos materiais da super-estrutura de via como carris, travessas, balastro, fixações, e em intervenções de nível geotécnico como vertentes, muros, taludes e drenagens.

Cerca de 420 mil euros serão investidos na supressão e reclassificação de seis passagens de nível.

(...)

(SIC)


linha do Douro:

Ana Paula Vitorino (...) referindo ainda que será aberto, dentro de 15 dias, um concurso público para a electrificação da linha do Douro entre Caíde e Marco de Canaveses.

(JN)


e linha do Tua:

(...)

Em relação à linha do Tua, Ana Paula Vitorino reafirmou que aguarda a decisão sobre a construção de uma barragem junto à foz do rio Tua. Mas se esta não avançar, a via poderá vir a ser sujeita a uma intervenção semelhante às linhas do Corgo e Tâmega. "Nunca serão questões orçamentais a pôr em causa investimentos necessários para a sua segurança", frisou a secretária de Estado.

(JN)


* Uma mulher: Ana Malhoa




tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 11:33:31

10-03-2009

GAMANÇOS, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PORTUGAL ESPERTO

Atualizações 9/3/09

* Manuel Jorge Marmelo:

Pouco católico

Uma menina brasileira de nove anos (exacto:nove anos) deu entrada num hospital com dores de barriga. Ao examiná-la, os médicos descobriram que estava grávida por ter sido violada pelo padrasto e que corria risco de vida. Interromperam a gravidez com o consentimento da mãe - motivos não faltavam, mas bastaria ter invocado o mais elementar bom senso. O arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, resolveu, porém, excomungar toda a equipa médica que participou na intervenção e a mãe da criança. O violador, porém, ficará impune (aos olhos do tal deus, pelo menos). Talvez o senhor arcebispo ainda lhe possa garantir um lugarzinho no céu.


* Belisquem-me para ver se eu acredito. Em Portugal, uma câmara não quer uma estrada para proteger uma futura ecopista? A notícia deve estar mal:

O presidente da Câmara de Santa Comba Dão, João Lourenço, ameaça avançar com uma providência cautelar em tribunal, para impedir que a empresa Estradas de Portugal avance com o traçado do futuro Itinerário Complementar 12 numa zona onde a autarquia tem projectada a construção de uma ecopista.





tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 02:14:27

18-02-2009

PORTURARIDADE, FERROVIÁRIO, NORTE, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, GRANDE PORTO

Atualizações (a mais) 17/2/09

* No Seixal, aquicultura:

O projecto de piscicultura autorizado em 2006 para 17,3 hectares do Sapal de Corroios já está a avançar no terreno. O Grupo Flamingo, defensor do ambiente, avisa que será destruído o principal ecossistema do concelho do Seixal.

"Enquanto temos pisciculturas no Sado a serem vendidas e a falir, não se percebe porque se destrói esta zona sensível", adverte o ambientalista Paulo Gomes, frisando que o despacho do secretário de Estado do Ambiente, datado de 2003, que exigia a reposição do sapal no seu estado natural, nunca foi cumprido.

"É talvez das únicas áreas do concelho a preservar. Estamos a falar de 1% do concelho. É um ecossistema importante", enaltece Paulo Gomes, lembrando que a associação está apenas contra a localização do projecto - que chegou a ser embargado em 2001 - e não contra a piscicultura.

Os ambientalistas acusam ainda a empresa Viveilis - Viveiros de Peixe, Lda., a quem foi cedida uma licença de exploração por dez anos, de ter construído uma barragem que irá secar e destruir o coberto vegetal, um facto que é desmentido pela empresa.

"O viveiro estava arrombado e nós tivemos de o fechar, porque de outra forma não funciona. Agora estamos a recuperar os muros para poder trabalhar. Não estamos a destruir o coberto vegetal e não vamos fazer mais construções", assegurou, ao JN, Francisco Pinto, da Viveilis, que prevê arrancar com a produção em Abril.

Com o intuito de desenvolver um habitat natural, a empresa apresentou recentemente um novo projecto, que inclui a criação de dois charcos para patos, um tanque de pousio e um observatório de aves para a população. "Metade do tanque, por exemplo, vai ser vedado para o caso de as aves querem nidificar e o resto fica para pousarem", descreve Francisco Pinto.



* Como os condutores de automóvel se adoram (mas não suportam estar parados no trânsito lado a lado), alguns já andam de metro e de autocarro:

Fuga ao trânsito na Baixa encheu metropolitano

O corte de trânsito no Terreiro do Paço e na Avenida Ribeira das Naus, em Lisboa, não mergulhou a cidade no caos, como esperavam os pessimistas. O trânsito fluiu, mas também houve mais pessoas a recorrer ao metro.

A fuga ao primeiro dia das alterações no trânsito traduziu-se num aumento de utilizadores do metro. Só as estações de Sete Rios e da Praça de Espanha tiveram mais 10% de passageiros. Quanto à Carris - que prometeu um balanço para amanhã - verificou um aumento de velocidade nos corredores BUS. "É fundamental manter a mesma atitude de procurar caminhos alternativos e usar os transportes públicos. Não pensem que afinal dá para passar", alertou António Costa.



* O metro avança para sul:

Metro chega a Vila d'Este em túnel

Ligação com 3,8 quilómetros entre Santo Ovídio e aurbanização concluída em 2013. Interface fica no hospital

O metro chegará a Vila d'Este em túnel dentro de quatro anos. O prolongamento da linha Amarela em Gaia entre a rotunda de Santo Ovídio e aquela urbanização terá 3,82 quilómetros, mas só um terço do traçado será enterrado.



* Em Mirandela decide-se (se o comboio, se a barragem):

A maioria dos deputados municipais de Mirandela (57) votou, esta segunda-feira, favoravelmente a realização de um referendo local sobre a manutenção da linha ferroviária do Tua, ratificando a decisão do executivo da autarquia, há um mês.



* Bom Jesus, Penha e Santa Luzia - favelas dos ricos:

Favela dos ricos vai tornar-se "repulsiva"

Estudo da Universidade do Minho sobre Bom Jesus é demolidor

O crescente "enfavelamento" das urbanizações de luxo na Encosta do Bom Jesus pode tornar o local "repulsivo" e até "conflituoso". Este é o alerta preliminar de um estudo desenvolvido na Universidade do Minho.

A investigação, que junta o geógrafo urbano Miguel Bandeira, o sociólogo Carlos Veiga e a arquitecta Patrícia Veiga, vai estender-se também à Encosta da Penha, em Guimarães, e ao Monte de Santa Luzia, em Viana do Castelo, naquele que pretende ser um contributo para o ordenamento do território, a partir doNoroeste.

Numa primeira fase, foi estudado o fenómeno de Braga naquela que ficou conhecida como a "favela dos ricos", devido à predominância de moradores. As conclusões preliminares são demolidoras.

"Ao aumentar o enfavelamento, começam já a surgir litígios entre os vizinhos. Mais construção significa mais caos e, ao tapar as vistas ou invadir o território do outro, a mais-valia que levou à escolha daquela área desqualifica as expectativas dos primeiros locatários", explica o geógrafo urbano, que acusa ainda a proliferação de vivendas de segunda linha, em banda, que surgem de uma cada vez mais elevada densidade de construção.

"Onde cabe, constrói-se. Tudo isto vai gerar níveis de conflitualidade, tornando-se até repulsivo para os que lá moram", prevê, relembrando que o projecto científico, desenvolvido a partir de 50 inquéritos não tem um objectivo "moralizador", mas pretende ser um alerta académico para os decisores no que toca à deterioração previsível da qualidade de vida na colina, já por si acusada de ter arrasado um dos poucos pulmões da cidade.

A "favela dos ricos", caracterizada pela construção assente em antigas quintas, cujo cadastro de caminhos rurais foi mantido, mostra já os seus efeitos negativos, com a confusão na gestão do tráfego. "Já não circulam por aqui tractores, o desenho das ruas devia ter sido pensado", diz. Há também riscos inerentes a ter em conta, nomeadamente a pavimentação de uma linha de água, que poderá ser "terrível", no caso de um desastre natural.

Os autores referem que a construção naquela área teve custos sociais, para fazer chegar ali acima o saneamento, a luz, o que por si só justificaria um planeamento cuidado. Equação que devia estender-se às preocupações ambientais. Os moradores, maioritariamente na casa dos 50 anos, filhos de uma geração de operários, têm "bons salários", e conseguiram a ascenção social à custa de uma carreira. Conceberam eles próprios as casas (com áreas superiores a 350 m2), "subjugados à imagem e não à eficiência". "Os arquitectos apenas cumpriram o que foi idealizado. Não houve sensibilidade ambiental na concepção. Por exemplo, os jardins de tipo canteiro não compensam a perda da vegetação exuberante da Serra de Espinho", continua.

Para Carlos Veiga, o fenómeno de migração para as colinas, e consequente abandono do centro urbano, promove uma certa "cultura de isolamento". "Não há relações de vizinhança, nem sentido de comunidade. Devido ao capital escolar dos moradores, 80% dos quais são licenciados, podia haver um certo rendimento para a freguesia, mas não se verifica", esclarece.



* Em Matosinhos, novos índices de construção para zonas onde não é suposto construir-se:

Quando for aprovada, a redução do índice de construção de 1 para 0,7 será válida no território urbanizável fora dos planos de Urbanização e de Pormenor ou de zonas ditas "consolidadas" (significa que, onde já existem prédios altos, vão continuar a surgir construções da mesma altura, uma vez que - alegam os serviços camarários -, um imóvel mais pequeno prejudicaria a harmonia dessa zona).

Guilherme Pinto quer redução de 30 por cento, para 0,7, do índice de construção em áreas sem direitos adquiridos

(negrito meu)



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 01:17:56

10-02-2009

GAMANÇOS, FOTOS, TERRA, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 9/2/09

* Na Galiza, o direito de manifestação está dependente da língua falada. Não, não uso de frases feitas ou panfletárias, mas da estrita verdade. Se os polícias reparassem que alguém falava galego, não lhes davam acesso à praça da Quintana, onde se realizava a manifestação da Galicia Bilingüe. Ou então, apenas lhes davam porrada, como se distribuíssem prendas. Vídeos aqui, aqui, aqui e pela rede.


* A verdade é que ia apenas publicar parte da notícia, mas não consigo excluir o que quer que seja de tamanha burrada. O urbanismo em Portugal não é apenas uma atividade estritamente arbitrária - é também uma atividade humorística:

Viaduto novo vai abaixo
Ponte sem saída demolida após oito anos de obras

Com oito anos de construção e dois milhões de euros depois, a Câmara de Vila Franca de Xira vai demolir o viaduto do Forte, uma ponte cuja altura foi mal calculada, não tendo saída de um dos lados por embater numa serra.

A operação irá custar aos cofres do município cerca de 100 mil euros, mas colocará um ponto final numa construção que da polémica nunca conseguiu escapar, desde que começou a ser edificada em 2001. Fonte do município adiantou, ao JN, que "não está ainda definida uma data para o demolição do viaduto, entre o Forte da Casa e a Póvoa de Santa Iria". A Câmara pretende recuperar aquele montante com os licenciamentos urbanísticos que vierem a ser realizados numa das freguesias.

Além de desembocar num morro de terra, onde moram milhares de pessoas, o viaduto entre aquelas freguesias foi embargado pelo então Instituto de Estradas de Portugal, alvo de relatórios do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), surgiu em áreas de redes agrícola e ecológica, merecendo uma providência cautelar por tal e - já em desespero de causa - de forma a solucionar a ausência de uma saída, obrigou à desmatação da encosta da serra, de forma a que fosse criada uma estrada que conduzisse ao cimo da serra.

Obra teve sempre apoio técnico

A construção consistiu na contrapartida de um promotor imobiliário, José Maria Duarte Júnior. Em troca o município licenciava as futuras edificações que surgissem na terceira e quarta fases do Forte da Casa [a Norte da freguesia].

Apesar de fiscalizada pela empresa de segurança Geotest, rapidamente se percebeu que não teria qualquer saída, colocando-se a hipótese de abrir uma túnel na colina. O que tornaria instáveis as urbanizações ali localizadas.

Meses depois, as graves falhas técnicas levaram a obra a ser embargada pelo Instituto de Estradas de Portugal (IEP). Construtor e Câmara optaram por rodear o morro, abatendo árvores centenárias inseridas numa área de Reserva Ecológica Nacional (REN).

A decisão criou uma estrada com mais de 15 graus de inclinação [acima do permitido pela legislação] e uma curva acentuada, chocando numa área de servidão do aeroporto de Lisboa.

Ao JN, em 2006, Ramiro Matos, o vereador do Urbanismo garantiu que a colocação de um pavimento anti-derrapante e barreiras sonoras, acompanhadas de mais terraplanagens, resolveria parte dos obstáculos criados. Com uma altura de 50 metros, o viaduto viria ainda a causar uma grave inundação numa habitação existente perto da ribeira que corre por debaixo da infra-estrutura.

O cenário acabou por levar a uma auditoria do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC) - da qual não se conhecem as conclusões - e a queixas do movimento de cidadãos de Vila Franca de Xira, o Xiradania, ao Ministério Público, ao Ministério do Ambiente e à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional , devido à falta de pareceres [ver ao lado declarações do jurista Fernando Neves de Carvalho, rosto do movimento]. Paralelamente, a Câmara declarava o viaduto de Interesse Público Municipal, de forma a desanexar os terrenos de REN.

Segundo a presidente Maria da Luz Rosinha após a demolição "será encontrada outra solução de acesso no âmbito do alvará de urbanização", já previsto pelo Plano Director Municipal. O viaduto que se segue poderá ficar perto do actual mas, desta vez, mais alto.


Aqui uma foto da referida obra. Em baixo, um googlearth da coisa:




* A machadada final na credibilidade linguística do Público: na capa do P2, falavam de um país chamado Portugual.



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 02:20:00

07-02-2009

PORTURARIDADE, FERROVIÁRIO, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, POLÍTICA À PORTUGUESA

Atualizações 6/2/09

* Primeiro dizia que a ligação ferroviária estava prevista no caderno de encargos da EDP. Alguém foi ver e afinal a ligação ferroviária não está prevista no caderno de encargos da EDP. Quando percebeu que falara sem saber,

Secretária de Estado dos Transportes exige da EDP alternativa ferroviária para a Linha do Tua


Seja como for, independentemente do processo, o importante é manter a ligação em ferrovia.


* Gaia é obra:

O Plano Director Municipal de Gaia, que deveria ficar pronto em Maio, corre o risco de ser adiado por mais dois meses. Há alterações, por exemplo, nas áreas de reserva nacional, que poderão obrigar a nova discussão pública.

Durante a sessão, os técnicos da Autarquia revelaram que "perto de 70% das participações de sugestão" para a proposta foram no sentido de existir edificado em área Reserva Ecológica Nacional (REN) e Reserva Agrícola Nacional (RAN). Neste último caso, revelou a equipa ao JN, "foram satisfeitas total ou parcialmente cerca de 50%". No caso da REN, a percentagem ronda os "56%".

Outro destaque da sessão foi a aposta na construção de moradias em Gaia. Neste PDM, "é mais clara essa tendência, sobretudo nas zonas da orla, fora da plataforma cidade", disse, a propósito, Mota e Silva, ao JN. Isto no que toca a moradias unifamiliares. "Este PDM é mais flexível" e, "num momento de crise instituída, acolhemos todos os empreendimentos que tenham qualidade, dentro de algumas limitações que o plano impõe", declarou, antes, respondendo a dúvidas do público.





tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 13:18:56

04-02-2009

GAMANÇOS, PORTURARIDADE, OBSESSÕES, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA

Atualizações 3/2/09

* Público:

A Secção Regional do Norte da Ordem dos Arquitectos, presidida pela arquitecta Teresa Novais, considerou "inaceitável" o concurso para a concepção do projecto do Parque de Ciência e Tecnologia de Vila Real, que prevê a construção de um loteamento com três edifícios, e avisou que ia sancionar disciplinarmente os profissionais que nele apresentem propostas. Em causa estão os prazos definidos para a entrega de propostas - e que é de apenas nove dias - bem como o facto de o júri que as vai avaliar não incluir nenhum arquitecto - há uma arquitecta, mas é apenas suplente.



* Almada Pedonal:

Almada tem finalmente uma zona pedonal, num plano de mobilidade associado ao novo Metro Sul do Tejo que foi jubilado e ganhou prémios. Nós, os moradores do centro de Almada, estamos também muito felizes sobre as mudanças em frente da nossa porta. Depois de algum tempo de inconvenientes durante as obras, a vida agora é totalmente diferente com a criação desta zona pedonal. As compras no comércio local são mais agradáveis, o metro é um transporte rápido, limpo e muito eficiente. Contudo, alguns meses após a inauguração desta zona ainda há coisas que precisam de ser mudadas.

Pessoas que querem andar na zona pedonal, no meio da antiga rua, correm um grande risco de ser atropeladas. Diariamente, circulam pela zona pedonal 4 carreiras de autocarros, táxis, centenas das veículos com autorização especial e cargas e descargas. Estacionam em todo lado, em frente das montras, no passeio. Isto acontece mesmo com a fiscalização da polícia nos dois acessos rodoviários à zona pedonal. Trata-se, provavelmente, da zona pedonal com mais carros no mundo, tolerados pelas autoridades.



* Blogtailors:

Um escritor australiano, detido desde 31 de Agosto em Banguecoque, foi condenado hoje a três anos de prisão por ter insultado a família real tailandesa numa obra publicada em 2005.



* Há que adorar este homem: Jonathan Nossiter, no pessoal e transmissível. Já percebia porquê a mulher boazona - agora percebo um pouco melhor.


* Só queria dizer isto - a Rose magoa-me.



tudo isto e muito mais em coisar.tumblr.com

BLOGADO ÀS 01:22:31

26-01-2009

PORTURARIDADE, BICICLETAS, NORTE, URBANISMO DE PONTA

Atualizações 25/1/09

* No Nós por cá falam dos não-incentivos fiscais às bicicletas. Um tema bonito que merecia ser referido mais vezes.


* Bragança aprova primeiro plano de urbanização:

O PU esteve em discussão pública entre Setembro e Outubro, e foi alvo "de muita participação" por parte da população, garantiu Caseiro. Foram feitas 30 propostas de alteração, a maioria delas relacionadas com as plantas de zonamento. Metade foi aceite. O documento permite o alargamento do perímetro urbano de 968 para 1526 hectares, e um aumento de cerca de 300% da área afecta à Estrutura Ecológica Urbana. O potencial de construção futura é de sete mil fogos, mais 46% do que os 15.073 que existem actualmente. Ao todo a área urbana total é de 15,3 Km2, o equivalente a 1,3% da área do município que tem 1173,63 km2. O PU prevê ainda a integração da freguesia de Samil no perímetro urbano da cidade. Este é o primeiro PU da cidade e só foi conseguido 60 anos depois da primeira tentativa de o elaborar.


Nada de novo: duplicação da área urbana e mais 7.000 novos fogos. Quando é que a construção pára? E para quê tanta construção nova numa zona com queda populacional?


* Esta gente pega nos bichos, esteriliza-os e lança-os de novo na rua - não é sadismo, é mesmo civismo.

BLOGADO ÀS 02:20:43

15-01-2009

GAMANÇOS, HUMOR, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA

Atualizações 14/1/09

* Aconteceu de novo: Pedro Mexia, no Governo Sombra, diz que 'Israel é um país democrático constituído de acordo com as Nações Unidas em 1948'. Como se pode chamar de democrático a um país que não reconhece a validade das Nações Unidas, passando por cima das resoluções contra si? E que tem um aliado que faz questão de vetar todas as resoluções contra si? Israel não é um país democrático. Não há democracia com exclusão de partidos árabes, com descriminação entre judeus e não judeus. A democracia é laica - Israel não o é. Também não são democráticos os países à volta de Israel. Mesmo o Líbano me inspira dúvidas. Mas não é por isso que Israel passa a ser uma democracia.


* Luciano Guerra, Reitor do Santuário de Fátima:

Na sua opinião, uma mulher que é agredida pelo marido deve manter o casamento ou divorciar-se?
Depende do grau da agressão.

O que é isso do grau da agressão?
Há o indivíduo que bate na mulher todas as semanas e há o indivíduo que dá um soco na mulher de três em três anos.

Então reformulo a questão: agressões pontuais justificam um divórcio?
Eu, pelo menos, se estivesse na parte da mulher que tivesse um marido que a amava verdadeiramente no resto do tempo, achava que não.



*Ser peão em Lisboa 1, Ser peão em Lisboa 2, Ser peão em Lisboa 3. Através do m1c.

BLOGADO ÀS 00:36:01

14-12-2008

RECORRÊNCIAS, GAMANÇOS, PORTURARIDADE, FOTOS, IMAGENS, BICICLETAS, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA, PLANEAMENTO MACADAME, MULHERES

Atualizações 13/12/08

* Na adolescência, Avelino Ferreira Torres corria os cem metros em 6.4 segundos.


* Uma no cravo, outra na ferradura: VL8 terá ciclovia e rotundas em vez de semáforos.


* O Bolhão tem um projeto feito há anos que cheguem: o de Joaquim Massena, pago com dinheiros públicos. Uma boa notícia: a reabilitação do Bolhão não prevê parque de estacionamento.


*

Quercus e Geota deram parecer desfavorável ao estudo de impacte ambiental da Terceira Travessia do Tejo (TTT), cujo processo de consulta pública terminou esta terça-feira. A componente rodoviária motivou o chumbo.


Mais aqui.


*

Algarve: pinhal já está a ser abatido para construir duas mil camas junto à praia Verde

Na ecosfera.


* Um pouco de humor para animar este outono friorento: Auto-estrada 4 é resposta à crise económica e social. Depois de vinte e tal anos a construir auto-estradas, faltam apenas mais alguns milhares de quilómetros para atingir o desenvolvimento.


* Apesar dos erros constantes, apesar do lisboacentrismo, apesar do hype, apressadamente imediatista, apesar do plágio não declarado: finalmente, o ípsilon está online.


* Uma mulher: Rose McGowan

BLOGADO ÀS 01:04:28

29-11-2008

GAMANÇOS, PORTURARIDADE, HUMOR, IMPRENSA, URBANISMO DE PONTA

E a rotunda desceu dos céus e, na graça da sua magnificiência, trouxe aos habitantes de Jovim a glória eterna e catorze virgens

Moradores junto à Estrada D. Miguel, no Alto da Touta, em Jovim, Gondomar, pedem uma rotunda que trave "o excesso de velocidade dos automobilistas" e a sequência de acidentes. Já entregaram um abaixo-assinado à Câmara.


No JN.

BLOGADO ÀS 12:23:47

05-11-2008

RECORRÊNCIAS, PORTURARIDADE, FOTOS, OBSESSÕES, IMAGENS, TERRA, FERROVIÁRIO, NORTE, URBANISMO DE PONTA, GRANDE PORTO

aperfeiçoamentos

Em troca de correspondência com os STCP, fui cosendo a minha opinião sobre a atual rede de elétricos e (possíveis) desenvolvimentos futuros. Na primeira imagem encontra-se a rede atual: a vermelho a linha 1 (Cantareira – Infante), a azul a linha 18 (Massarelos – Carmo) e a amarelo a linha 22 (Carmo – Guindais). A esquizofrenia desta rede é evidente. Se quiser fazer uma viagem mais comprida, digamos, entre a Batalha e o Castelo da Foz, teria de apanhar 3 (!) elétricos. Ou se apenas quero seguir até Massarelos, teria de conjugar 2 elétricos com frequências de meia hora.

O que sugeri à STCP, numa revolução de serviços mínimos (e que, como não contestaram, eu assumo que concordaram) era, de modo a rentabilizar a estrutura existente, e já que não existem entraves técnicos a impedi-lo, transformar as linhas 22 e 18 numa só linha, a começar nos Guindais (Batalha) e a acabar em Massarelos (marginal). Uma ideia simples, com a qual até o próprio guarda-freios concorda.

Pensando um pouco mais à frente, e sabendo que a rua de Mouzinho da Silveira ainda não foi renovada, outra pequena evolução poderia ser feita com a introdução dos carris e catenária nesta via (o que já foi falado antes), fazendo-se a ligação em São Bento à nova linha proposta.

São ideias simples e básicas. Apenas um início para a criação de uma rede de elétricos que, juntamente com os autocarros, poderiam servir como uma rede de segundo nível de transportes públicos no Grande Porto (a rede de primeiro nível será obviamente constituída pelo metro e pelos suburbanos).

Entretanto existe já uma linha que põe em prática parte do que refiro aqui, a Porto Tram City Tour, infelizmente apenas para turistas ou pessoas extremamente ricas (bilhete válido por 24 horas, mas custando 15 euros).

BLOGADO ÀS 00:00:53
powered by b2evolution free blog software