às vezes penso isto

    • Aquilo que sou não é derrota nem fracasso daquele que creio que sou. (20-02-2014)
    • Os esqueletos não têm sexo, mas na mesma fazem amor quando nós fazemos. (20-10-2012)
    • Salvação é uma palavra gorda e avelhentada. (23-09-2012)
    • Comemos com a fome dos nossos avós. /  Estudamos com a vontade de aprender / dos nossos pais. Será... (19-07-2012)
    • A realidade é a memória da existência (26-05-2012)
    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)

powered by b2evolution free blog software
Uma noite de novembro amargamente fria

Em silêncio, pelas cimeiras solitárias,
contemplo lá fora, com tristeza, o granizo que cai.
O grito dum macaco ecoa pelas colinas escuras,
um riacho frio murmura lá em baixo,
e a luz na janela parece solidamente gelada.
A minha pedra para a tinta também está fria como o gelo.
Hoje não vou dormir, escreverei poemas
aquecendo o pincel com o meu alento.

-------

Uma noite de novembro amargamente fria,
a neve caiu densa e rápida -
primeiro como grãos gordos de sal,
depois como suaves flores de salgueiro.
Os flocos assentaram-se silenciosos sobre o bambu
e empilharam-se agradavelmente nos galhos dos pinos.
Em lugar de me voltar para os velhos textos, a escuridão
faz com que prefira compor os meus próprios versos.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu. Ilustração de Darlene Kaplan

(Ryôkan)

A lua de outono

A lua sai em todas as estações, é verdade,
mas é claro que é melhor em outono.
Em outono as montanhas parecem maiores e a água corre mais clara.
Um disco brilhante atravessa flotando o céu infinito,
e não há sentido de luz e escuridão
porque tudo é permeado pela sua presença.
O céu ilimitado por cima, o frescor do outono na minha cara,
pego no meu bastão e passeio cá e lá pelas colinas.
Nem um pontinho da poeria do mundo à minha volta,
só os luminosos brilhos do luar.
Tenho a esperança que outros também estejam a desfrutar da lua desta noite,
e que ilumine todo o tipo de pessoas.
Outono após outono, a lua vem e vai-se
porque ela é eterna para o desfrute dos homens.
Os sermões de Buda, os ensinamentos de Êno,
certeza que aconteceram sob o mesmo tipo de lua.
Contemplo-a durante toda a noite,
enquanto o riacho se assenta e se poisam as gotas brancas de orvalho,
Que caminhante se deleitará mais tempo com a luz da lua?
A casa de quem será que beba mais raios da sua luz?

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA.

(Ryôkan)

Ao anoitecer do outono

Ao anoitecer
muitas vezes subo
ao pico de Kugami.
Os veados lá em baixo,
oiço as suas vozes
submersas
em montes de folhas de bordo
que descansam imperturbáveis
ao pé da montanha.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu.

(Ryôkan)

<< 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 ... 121 >>