Bàrbara e tal...

Penso agora que o caso era não pensar e dou tudo por bom. Porque foi para bem, afinal de contas. Foi assim, e eu reconstruo, ou tento:

Chego a Alacant em Setembro, passo o mês aqui e ao retomar as aulas (já em Outubro), Bárbara está no grupo de segundo ano. Tento fazer aulas descontraídas, vou tomar umas imperiais com os alunos ao sair, procuro dar-me bem com eles, resultar o mais próximo possível. Tento dar uma certa sensação de indisciplina, o que me resulta bastante fácil, na verdade. A ideia é fazer aulas participativas, e para isso permito um certo desordem. Não demasiado, creio. Nesse clima, aliás, posso deixar mais ou menos à vista as minhas tendências políticas. Não que as diga directamente (bom, nalguma ocasião sim), mas sobretudo à hora de vestir os meus t-shirts reivindicativos, os únicos que tenho. Em mais de uma ocasião deixo ver a minha simpatia pela língua valenciana. Bárbara, pelos vistos, gosta disso. Boa coisa. Estou à vontade com ela e isso ajuda-me a dar aulas.

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E sem pensar...

O pensamento é uma doença da alma. Disse-o Alberto Caeiro, se mal não lembro. O budismo zen, sem tê-lo feito explícito (acho) parte de uma base muito similar: o pensamento como doença seria algo assim como a conciência deslocada do aqui e agora. N'A Esmorga o protagonista falava também do pensamento como uma doença, creio lembrar, ou tinha uma doença a que chamava sabiamente pensamento. É-vos o que há. Levo vários dias sem assomar-me a esta janela para escrever e não é por acaso: não tenho muitos pensamentos. 'Tá um tempo magnífico cá embaixo e eu estou melhor que nunca. Barbaramente, se me alguém me entende. Não deu para pensar, mas passaram coisas, ou precisamente por isso.

Voar

Tomo assento. Coloco os dispositivos de segurança. A máquina começa a mover-se. Por enquanto vamos bem, subindo a um ritmo lento e parece que não se passa nada, se bem que uma sensação de vertigem comece aos poucos a tomar posse de mim, antecipando o que se achega. Estamos no ponto mais alto e de repente tudo muda: o mundo move-se, começa a dar voltas à velocidade do raio, as pernas esticam-se sós com a força centrífuga, e grito e grito e rio e volto a gritar. São apenas uns segundos, mas bem intensos. Ao pouco tempo estou no ponto de partida, saio de Tizona e vou para a Ave Fénix.

Com efeito: ontem fui a Terra Mítica, esse parque de atracações que há em Benidorm, a apenas trinta quilómetros de Alacant. Uma festa. O mais impressionante, à parte as atracções, foi a mensagem de texto que recebi estando lá: "Bloquéate el móvil que me has llamado dos veces y veo que te lo estás pasando en grande." Era uma mensagem de Bárbara, aluna minha, que me tinha telefonado para me convidar a ir a Valência este fim-de-semana. Flipou. Não sei por que me dá que amanhã me vai tocar aguentar uns quantos comentários simpáticos, durante concerto de Lluis Llach, ou na manife de 25 de Abril, ou talvez antes. Enfim... toca... e até vou gostar.

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