Horror Vacui -2

Substituo internet por telefonemas. A preocupação pela língua pelos absolutos, e estes, por sua vez, pela política. Tudo para não enfrentar-me ao meu silêncio. Tudo para não achar-me onde estou. Falo, falo e falo, quando não escrevo, escrevo e escrevo. Esta entrada do diário é um contrassentido. Espero que o pensamento acabe por mudar meus actos, por isso insisto neles. Mas as escadas do amor têm um degrau partido: não se pode ascender sem dar um salto. E eu vou ter que dar vários, está visto. Assim que tchau! Se alguém perguntar, que saí (pela janela).

Horros Vacui

Acordo outra vez desacougado, na metade da noite. Não sei como dizer que não tenho palavras. Sei bem o que tenho que fazer. Também sei o que não tenho que fazer. Mas não sei não fazer. Mas não sei não pensar. Mas não sei não dizer. Assusta-me o vazio. Assusta-me ainda mais o meu medo ao vazio.

O que se planta

- O amor - disse eu há tempo - é como Deus. Sou eu que o construo para ser maior do que eu.

Negava o amor a escala humana. Verbalizar é um risco: o que se planta é sempre o que se colhe.

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