za

Este balão do corpo tem um furo.
Foge-lhe o ar,
não há pressão que chegue
para insuflar-me em força esta consciência.
Andam as cordas bambas. Não seguram
velas os mastros.
Nem a promessa chega de um avanço,
nem o desejo habita de um recuo.
Apenas nevoeiro em torno ao pau.

intra

Abri-te as pernas
como um livro
que me escreve.

acordar

soaram todos os despertadores
naquela hora em que disseste as palavras
-Distância! A distância!
e a ponta do alfinete
que separa o mundo do mundo
veio espetar-se no cérebro acordado
e inçar de dores as palavras ditas
como uma verdade atordoada

iluminaram-se espaços esquecidos
e só havia pó a pairar no espaço aberto
do quarto em que deixáramos a rocha
dura do coração

feita agora em areia
que apanharemos juntos neste balde
para fazer um castelo em que vivermos

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