cinco minutos
só
tensão nos pés que alastra
à respiração
respiração de aço
em corpo de veludo
totalmente acordado
o mar no estômago constrói as pontes
só
cinco minutos
só
depois o mundo
no princípio é a ignorância um vácuo a fome de ser
depois a separação do tudo a consolidar a existência dalguma coisa a buscar outra
a seguir é o corpo-mente já separado da existência num espaço-tempo
a que logo nascem olhos ouvidos nariz língua pele e consciência
onde chega o contacto com o ser que ficou de fora e se reflecte na mente
que as classifica segundo goste ou não goste ou simplesmente ignore
e em consequência deseja interagir com elas
apega-se ou rejeita criando a mentira da duração no tempo
de um fragmento do tudo que foi trazido a ser sentido e portanto à impermanência
e o desejo frustrado dá lugar ao sofrimento que ofusca a consciência
e cria a ignorância um vácuo a fome de ser e portanto
a separação do ser em relação ao tudo que quer ser uno e busca
ser buscador aqui e agora criado pela própria busca
e tem consciência de si próprio porque tem sentidos e sabe
que os sentidos lhe dão notícia daquilo que busca
e às vezes gosta ou não gosta daquilo que lhe dizem
e quer ficar com isso ou fugir-lhe a pensar mesmo
que poderão manter-se porque quer que se mantenham
mas as coisas não respondem ao que quer e por isso
nasce a dor que lhe apaga a vista e volta de novo a não saber
que foi separado por uma existência não completa
que se buscava a si própria e nessa busca condicionou o ser-se
que originou a consciência sobre o próprio corpo aqui e agora
e aguça os sentidos ao ganhar a consciência dos sentidos
que claramente trazem uma impressão do mundo
e vê as sensações que se colam à impressão e apesar delas
mantém-se neutro sem lhe fugir nem agarrá-las
deixando apenas que durem a duração no tempo
sentindo a dor sabendo a dor e quem padece renascerá de novo
na própria existência iluminada do tempo unificado
Às vezes o medo ao fracasso. Às vezes
o medo ao sucesso.
Sempre
a vertigem do salto
para o outro lado de um próprio.
Às vezes um monstro que atormenta.
Às vezes um espelho que te chama estúpido.
Sempre
o medo.
Saltá-lo é
fitá-lo nos olhos
e esperar que se esboroe.
Às vezes desaparece mesmo. Às vezes
persiste em perseguir-te.
Mas sempre
mede.
O medo.
no início é tudo tenso nos nervos da madeira
depois é tudo mar contra uma rocha
alçada ao pé do umbigo
rangem as ramas quando o vento sopra
e oscila a árvore
mas despregamos pulmões
retesando a espinha
que indica o azimute do universo
e navegamos o intestino
sobre a barca das pernas
até voltarmos a porto inadvertidamente
na corrente de sangue o meu nariz procura
o lugar natural do seu alento
nervos de formigueiro a percorrer as pernas
e uma força inconsciente a me arquear os braços
que respiro pra fora inadvertidamente
tudo longe daqui onde o silêncio
se faz por baixo do umbigo
aqui
é tudo
e o vento espana a palavra
em que se inscreve o mundo circundante
em cima do travesseiro enrolado
o rabo a esvarar molezas
equilibra o castelo de cálices
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o corpo
enrolado também luta
pela expansão das costas que mal podem
procurar o equilíbrio e a vertigem
de respirar para o abismo
as brasas no interior do vento
apagou-as a tensão da madeira
na solidez da veta mais escura
borboletava a dor
contida
da moleza do umbigo
essência de ar lateja ainda
no ventre do sino
contendo as vozes do metal fundido
ómega
om
sineta
e corpo saranam gachamin
no coração do medo
as pernas como um arco
insuflaram tensão nos pulmões e no estômago
apesar da pedra digestiva
o vento foi fazendo-se narina e a barriga
comprimiu-se com o balanço para diante
do ponto de equilíbrio
o ar respirou-se no meu corpo
pregado ao zafu
como uma seta que caiu da lua