A propósito da história do monge e a velha
A propósito da história do monge e a velha

Há muito tempo houve uma velha que sustentou um monge ermitão durante vinte anos, e encarregara uma menina de dezasseis para lhe levar as comidas. Um dia, a velha deu instruções à jovem de abraçar o monge e perguntar-lhe 'Como te sentes agora mesmo?'. A menina fez como lhe foi dito e a resposta do monge foi 'Sou uma velha árvore murcha numa falésia frígida no dia mais frio do inverno'. Quando a jovem voltou e repetiu as palavras do monge à velha, esta exclamou 'Tenho estado a alimentar este estúpido durante vinte anos!'. Depois expulsou o monge e pôs lume à ermita.

A velha senhora tinha um coração tão grande
que honrou o monge com uma menina com que fazer casal.
Esta noite, se houvesse uma beleza que me abraçasse,
a minha rama de velho salgueiro murcho atiraria um novo rebento!

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Wild Ways, White Pine Press, 2003, USA. Ilustração: Jan Zaremba. O título é meu.

(Ikkyu Sojun)

Elogio de Kannon como vendedeira de peixe
Elogio de Kannon como vendedeira de peixe

Faces rosadas, cabelo embranquecido, cheia de compaixão e amor.
Perdido num jogo de amor, contemplo a sua beleza.
Os seus mil olhos de grande piedade veem tudo, e tudo é para ela redenção.
Esta deusa bem poderia ser a mulher de um pescador, ao pé do mar ou do rio, cantando a salvação.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Wild Ways, White Pine Press, 2003, USA.

(Ikkyu Sojun)

"Com uma jovem beleza..."
"Com uma jovem beleza..."

Com uma jovem beleza, exercitando o jogo do amor fundo;
sentamo-nos no pavilhão, a menina do prazer e este monge Zen.
Extasiado pelos beijos e os abraços,
não me parece nada que vá arder no inferno.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Wild Ways, White Pine Press, 2003, USA. O título é meu. Ilustração de Kitagawa Utamaro.

(Ikkyu Sojun)

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