às vezes penso isto

    • Aquilo que sou não é derrota nem fracasso daquele que creio que sou. (20-02-2014)
    • Os esqueletos não têm sexo, mas na mesma fazem amor quando nós fazemos. (20-10-2012)
    • Salvação é uma palavra gorda e avelhentada. (23-09-2012)
    • Comemos com a fome dos nossos avós. /  Estudamos com a vontade de aprender / dos nossos pais. Será... (19-07-2012)
    • A realidade é a memória da existência (26-05-2012)
    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)

powered by b2evolution
Haikai

Hei de ir lá ter hoje.
É amanhã que as ameixeiras
espalham as flores.

**********

Canta um rouxinol
que me traz de volta ao dia.
A manhã fulgura.

**********

Tenho um só desejo:
sob a flor da cerejeira
dormir uma noite.

**********

A aldeia no monte.
E totalmente a engolem
as rãs que coaxam.

**********

Primeira garoa
do outono. Que deliciosa
montanha sem nome!

**********

Passou o ladrão
e esqueceu roubar essa
lua da janela

**********

Agulhas de pino
atrás da porta fechada.
Sinto-me tão só...

**********

Estão a chamar-me,
voltando de noite a casa,
os gansos selvagens

**********

É o meu corpo velho
como este bambu enterrado
na neve fria.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA.

(Ryôkan)

A lua de outono

A lua sai em todas as estações, é verdade,
mas é claro que é melhor em outono.
Em outono as montanhas parecem maiores e a água corre mais clara.
Um disco brilhante atravessa flotando o céu infinito,
e não há sentido de luz e escuridão
porque tudo é permeado pela sua presença.
O céu ilimitado por cima, o frescor do outono na minha cara,
pego no meu bastão e passeio cá e lá pelas colinas.
Nem um pontinho da poeria do mundo à minha volta,
só os luminosos brilhos do luar.
Tenho a esperança que outros também estejam a desfrutar da lua desta noite,
e que ilumine todo o tipo de pessoas.
Outono após outono, a lua vem e vai-se
porque ela é eterna para o desfrute dos homens.
Os sermões de Buda, os ensinamentos de Êno,
certeza que aconteceram sob o mesmo tipo de lua.
Contemplo-a durante toda a noite,
enquanto o riacho se assenta e se poisam as gotas brancas de orvalho,
Que caminhante se deleitará mais tempo com a luz da lua?
A casa de quem será que beba mais raios da sua luz?

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA.

(Ryôkan)

Montanha Fria

À noite, no fundo das montanhas,
sento-me em zazen.
Os assuntos dos homens nunca chegam aqui:
tudo é tranquilo e vazio,
e o incenso já foi engolido pela noite sem fim.
O meu kesa tornou-se uma tela de orvalho.
Incapaz de dormir, saio a caminhar entre as árvores -
subitamente, por cima do pico mais alto, aparece a lua cheia.

------------

Na minha hermita, um volume dos Poemas da Montanha Fria -
é melhor do que qualquer sutra.
Copio os seus versos e penduro-os á volta
saboreando cada um, uma e outra vez.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu.

(Ryôkan)

1 2 >>