às vezes penso isto

    • Os esqueletos não têm sexo, mas na mesma fazem amor quando nós fazemos. (20-10-2012)
    • Salvação é uma palavra gorda e avelhentada. (23-09-2012)
    • Comemos com a fome dos nossos avós. /  Estudamos com a vontade de aprender / dos nossos pais. Será... (19-07-2012)
    • A realidade é a memória da existência (26-05-2012)
    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)
    • Apartar a vista da verdade nunca é bonito (09-03-2012)

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Dois poemas para o meu amigo Bôsai

Pois é, sou realmente um asno
que mora entre árvores e plantas.
Não me perguntem sobre as ilusões e a iluminação -
este velhote só gosta de sorrir para si próprio.
Vagueio pelos riachos com as minhas pernas ossudas,
e levo comigo uma sacola no bom tempo da primavera.
Essa é a minha vida,
e o mundo nada me deve.

A beleza chiante deste mundo nada me diz -
os meus amigos mais próximos são as montanhas e o rios,
as nuvens engolem a minha sombra segundo vou passando.
Quando me sento nos penhascos, os pássaros pairam sobre a cabeça.
Calçando chinelos de palha para a neve, visito aldeias frias.
Vai tão fundo quanto puderes na vida,
e poderás esquecer-te até das flores.

* * * * * *

Um trilho solitário entre dez mil árvores,
um vale nevoento entre mil cimeiras.
Ainda não é outono, mas as folhas já estão a cair.
Por enquanto não chove, mas na mesma as rochas escurecem-se.
Com o meu cesto, procuro cogumelos;
com o meu balde, vou procurar água pura da nascente.
Se não te perderes de propósito,
nunca vais chegar tão longe.

Subo ao Corredor da Grande Compaixão
e olho para as nuvens e o nevoeiro.
Árvores antigas estiram-se para o céu,
e a brisa fresca fala de dez mil gerações.
Por baixo, a Nascente do Rei Dragão -
tão pura que podes ver o seu princípio.
Às pessoas que passam, grito
'Venham! Venham ver-se refletidos na água!'.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. Ilustração de Kameda Bôsai no livro de pintura literária Kyochusai - (Montanhas do Coração)

(Ryôkan)

Morada

Se alguém perguntar
pela minha morada
eu respondo:
'A beira Este
da Via Láctea'.

Como uma nuvem flutuante
atada a nada
tão só me deixo ir
abandonando-me
ao capricho do vento.

------

Esfarrapada e despedaçada, esfarrapada e despedaçada,
esfarrapada e despedaçada é a minha vida.
Alimento? Recolho-o da beira da estrada.
O mato e os arbustos ultrapassaram em muito o meu chapéu.
Muitas vezes eu e a lua sentamo-nos juntos durante toda a noite,
e mais de uma vez deixei-me perdido sobre as flores selvagens, esquecendo voltar a casa.
Não espanta que tenha deixado a vida em sociedade.
Como poderia um monge tão louco viver num templo?

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu

(Ryôkan)

Lar

Quando era jovem deixei de lado os meus estudos
e aspirei a ser um santo.
Vivendo na austeridade, como monge mendicante,
vagueei por muitos lugares durante muitas primaveras.
Finalmente voltei a casa para me assentar sob um pico penhascoso.
Vivo em paz numa cabana de palha,
com os pássaros como toda música.
As nuvens são os meus melhores vizinhos.
Por baixo, uma pequena nascente em que refresco corpo e mente;
por cima, elevados pinheiros e carvalhos, que me fornecem sombra e palha.
Livre, tão livre, dia após dia -
não quero ir-me nunca!

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu

(Ryôkan)

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