às vezes penso isto

    • Aquilo que sou não é derrota nem fracasso daquele que creio que sou. (20-02-2014)
    • Os esqueletos não têm sexo, mas na mesma fazem amor quando nós fazemos. (20-10-2012)
    • Salvação é uma palavra gorda e avelhentada. (23-09-2012)
    • Comemos com a fome dos nossos avós. /  Estudamos com a vontade de aprender / dos nossos pais. Será... (19-07-2012)
    • A realidade é a memória da existência (26-05-2012)
    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)

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A minha velha tigela de madeira

Este tesouro foi descoberto numa moita de bambu -
lavei a tigela numa nascente e depois consertei-a.
Depois do zazen da manhã, tomo nela os meus purés;
à noite, serve-me a sopa guenmai.
Partida, gasta, roída pelo tempo e deformada,
mesmo assim ainda é um bem prezado!

Ao meu novo recipiente

A partir de agora
nem sequer serás molestada
por um pontinho de terra.
Noite e dia ao meu cuidado,
já nunca estarás só!

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA.

(Ryôkan)

Sete romãs de presente

Dividi-las,
apartá-las,
parti-las:
comer, comer comer -
não deixar que saiam da minha boca!

Duas cartas-poema

O tempo está bom
e tenho muitas visitas
mas pouca comida.
Tens algum umeboshi
que não queiras?

Cresceu o frio
e o pirilampo
já não brilha.
Será que uma alma cândida
me trará água doirada?

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA.

(Ryôkan)

Um presente de umeboshis e batatas

Depois de procurar lenha nas montanhas
voltei à minha cabana
e encontrei umeboshis e batatas
que alguém deixou por baixo da janela.
As umeboshis embrulhadas em papel,
as batatas em folhas verdes
e um pedaço de papel com o nome de quem mo ofereceu.
No fundo das montanhas a comida não sabe a nada —
é sobretudo nabos e legumes —
assim que logo cozinhei o presente com molho de soja e sal:
enchi o meu estômago normalmente vazio
com três tigelas grandes.
Se o meu amigo poeta tivesse deixado algo de vinho de arroz
tinha sido um verdadeiro banquete.
Saboreei mais ou menos um quinto do presente, reservei o resto,
e, a dar palmadas à barriga cheia, voltei aos meus afazeres.
O Dia da Iluminação do Buda é daqui a seis dias
e ainda não sabia o que oferecer.
Mas agora tornei-me rico
e Buda vai deleitar-se com umeboshis e delicioso puré de batata.

Tradução do inglês a partir do trabalho de John Stevens. Dewdrops on a Lotus Leaf - Zen Poems of Ryôkan, Shambala, 1993, USA. O título é meu.

(Ryôkan)

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