às vezes penso isto

    • Aquilo que sou não é derrota nem fracasso daquele que creio que sou. (20-02-2014)
    • Os esqueletos não têm sexo, mas na mesma fazem amor quando nós fazemos. (20-10-2012)
    • Salvação é uma palavra gorda e avelhentada. (23-09-2012)
    • Comemos com a fome dos nossos avós. /  Estudamos com a vontade de aprender / dos nossos pais. Será... (19-07-2012)
    • A realidade é a memória da existência (26-05-2012)
    • Decir ‘amor’ es fácil, pero expresarlo… (19-05-2012)
    • É difícil seguir a natureza, mas continuá-la é inevitável. (10-05-2012)
    • A verdadeira compreensão é uma expressão (11-04-2012)
    • Esta euforia não me pertence (18-03-2012)
    • nem o amor nem deus nem a beleza: nada que eu crie é maior que eu próprio (11-03-2012)

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Cardos

Contra a língua de borracha das vacas e as mãos lavradoras dos homens
os cardos espicaçam o ar do verão
ou crepitam ao abrirem-se sob a pressão azul-escura.

Cada um deles um rebento vingativo
de ressurreição, um molho colhido
de armas estilhaçadas e gelo islandês atirado para cima

da sombra soterrada de um viking apodrecido.
São como o cabelo pálido ou o som gutural dos dialectos.
Cada um deles maneja uma pena de sangue.

Depois crescem a se tornar cinzentos, como os homens.
Ceifados, é uma batalha. Os seus filhos aparecem
rijos e armados, voltando para lutar no mesmo campo.

Original em Wodwo, Faber & Faber, 2006. ISBN. 9780571097142

(Ted Hughes)

O Urso

No grande, espalmado, olho dormido da montanha
O urso é o brilho na pupila
Pronto para acordar
E focar num instante.

O urso está a fitar
Começando a acabar
Com fita de ossos de pessoas
No seu sonho.

O urso está a escavar
No seu sonho
Através do Muro do universo
Com um fémur de homem.

O urso é um poço
Demasiado fundo para brilhar
Em que o teu grito
Está a ser digerido.

O urso é um rio
Em que as pessoas que se chegam para beber
Se veem a si próprias mortas.

O urso dorme
Num reino de muros
Numa aranheira de rios.

Ele é o piloto da barca
Para a terra da morte

O seu preço é tudo.

Original em Wodwo, Faber & Faber, 2006. ISBN. 9780571097142

(Ted Hughes)

wodwo

O que sou eu? A meter o focinho aqui, movendo as folhas
a seguir uma leve mancha no ar até à beira do rio
Entro na água. Quem sou eu para partir
o fio cristalino da água a olhar para cima vejo o leito
do rio sobre mim de cima para baixo muito claramente
O que é que faço pairando no ar? Porquê será que acho
esta rã tão interessante enquanto inspecciono o seu mais secreto
interior e o faço meu? Será que estas ervas daninhas
me conhecem e nomeiam umas às outras ter-me-ão
visto com antecedência será que tenho lugar no seu mundo? Pareço
separado do chão e sem raízes mas deixado cair
casualmente do nada não tenho fios
que me atem a nada posso ir a qualquer parte
Parece que me foi dada a liberdade
deste lugar o que serei portanto? E colectar
cascas de árvores desta estampa podre produz-me
prazer nenhum e é inútil então porque é que o faço
meu e fazendo-o já coincidi de forma tão estranha
Mas como devo ser chamado sou o primeiro
tenho um dono que forma tenho que
forma tenho por acaso sou grande se for
até ao fim deste caminho passasse essas árvores e passasse essas árvores
até ficar cansado isso é tocar numa parede minha
de momento se eu me sento em quietude igual que tudo
para de olhar para mim suponho que sou o centro exacto
mas está tudo isto o que é que é raízes
raízes raízes raízes e aqui está a água
outra vez muito estranha mas continuarei a olhar

Original em Wodwo, Faber & Faber, 2006. ISBN. 9780571097142

(Ted Hughes)

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