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    Revista A Malha Nº 1

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        SOBERANIA ALIMENTAR E SOBERANIA NACIONAL.

        SOBERANIA ALIMENTAR E SOBERANIA NACIONAL.

        09-12-10

        Reproducimos a seguir o texto de Olalha Barro, um artigo elaborado para Causa Galiza pola militante do Sindicato Labrego Galego e companheira da nossa Sociedade.

        Em 1996, a Via Campesina propôm na Cimeira Mundial sobre a Alimentaçom realizada em Roma o princípio de soberania alimentar como alternativa às políticas ultraliberais que tratavam a agricultura como mercadoria. Trata-se do ?direito dos povos a consumir alimentos nutritivos e culturalmente apropriados, acessíveis, producidos de forma sustentável e ecológica, e o seu direito a decidir o seu próprio sistema alimentar e produtivo?. Artigo para Causa Galiza de Olalha Barro do Sindicato Labrego Galego.

        SOBERANIA ALIMENTAR, SOBERANIA NACIONAL

        O extermínio da sociedade rural galega, acelerada na última etapa do capitalismo, significa a reduçom da nossa Soberania Alimentar, num contexto de Soberania Nacional inexistente. No entanto, Galiza fai parte da minoria global privilegiada e nom padece problemas de abastecimento de alimentos para a sua populaçom, mas nom por isso desfruta de Soberania Alimentar. A capacidade para decidirmos os alimentos que producimos e consumimos é cada vez menor, porque o nosso rural esmorece; porque estamos a dessertizar a nossa terra, rios e mar e porque dependemos do sistema industrial. Ao mesmo tempo, somos fonte de erosión da Soberanía Alimentar doutros povos.

        Garantirmos a soberania alimentar passa por produzir em consonância com as características climáticas do território, priorizar a produçom e o comércio local e a cultura de subsistência (este principio está fortemente ligado ao necessario decrescimento); passa por resgatar a cultura labrega nas suas dimensons de diversidade e respeito à natureza; passa também por visibilizar o trabalho das mulheres na produçom, preparaçom e distribuiçom dos alimentos deixando para trás a divisom sexual do trabalho e recolocar a sustentabilidade da vida humana como centro da economia e das atividades das pessoas.

        A principal norma internacional sobre o Direito à Alimentaçom está contida no artigo 11 da Convençom Internacional sobre os Direitos Económicos, Sociais e Culturais. Segundo ela, os povos devemos ter acesso permanente à alimentaçom adequada, de forma quantitativa e qualitativa, garantindo a saúde física e mental das pessoas e das comunidades, além dumha vida digna. Os Estados tenhem a obrigaçom de ?garantir, proteger e respeitar o direito à alimentaçom?.

        A Soberania Alimentar é um novo quadro político, umha proposta dos movimentos sociais, no mundo inteiro para direcionar a produçom de alimentos e a agricultura, um novo rumo para o discurso sobre os problemas, incluidos outros problemas políticos que também estám relacionados. A Soberania Nacional nunca seria tal se nom temos capacidade para podermos decidir algo tam básico como é a nossa própria alimentaçom.

        Actualmente uns 30 conglomerados transnacionais controlam toda a produçom e o comércio agrícola mundial (Monsanto, Ciba, Novartis e Schering som algumhas delas). O pior é que em todos os paises do mundo os alimentos chegam aos supermercados cada vez mais envenenados polo elevado uso de agrotóxicos provocando doenças, alterando a biodiversidade e contaminando enormemente. Isso acontece porque as empresas transnacionais padronizam os alimentos para ganhar em escala e lucros. A comida nom pode ser padronizada, umha vez que faz parte da nossa cultura e dos nossos hábitos.

        O actual sistema alimentar tem vários problemas como a alta dependência tecnológica à que estám submetidas as produtoras ou a irracionalidade do transporte da produçom. A Soberania Alimentar implica a independência total dos povos para produzirem o que a sua populaçom necessita consumir, sem dependerem de sementes producidas por transnacionais e dos pacotes tecnológicos para a agricultura que som viáveis apenas em grandes cultivos. Graças à Soberania Alimentar também se deixa de depender do irracional transporte de alimentos.

        A Sobernia Alimentar necessariamente tem que ser inserida junto aos significados mais amplos e estruturais das contradiçons sociais vigentes, portanto nom pode ser resumida ao mundo rural, mas é no universo de relaçons sociais de trabalho e produçom que alcançam a dimensom da luita de classes e dos enfrentamentos decorrentes das acçons protagonizadas polos movimentos sociais.

        A Soberania Alimentar implica umha autonomia de produçom nacional, sem que seja necessário a importaçom de sementes ou qualquer outro tipo de produto. A diversidade de sementes beneficia a autonomia local e permite abastacer dumha variedade de produtos para ser consumidos por toda a sociedade. Sem se impor a produçom de alimentos cultural e ambientalmente impróprios da nossa terra. Permite a reduçom do alto consumo energético que supom o transporte de insumos entre regions distantes, irracional e desnecessário.

        A Soberania Alimentar é a melhor alternativa para o actual modelo de produçom de alimentos. Esta luita incorpora muitos temas: a reforma agraria, o control territorial, os mercados locais, a biodiversidade, a autonomia política, a saúde e muitos outros que tenhem umha grande importância nas nossas vidas. Para além disto, possibilita que se unam labregas dos paises enriquecidos e dos empobrecidos, umha distinçom artificial promovida por muitos interesses corporativistas. Sob este guardachuvas entramos as labregas, as sem terra, as pescadoras tradicionais, as pastoras, os povos indígenas e os povos asovalhados.

        Porque temos direito a decidir que alimentos producir e consumir

        Escrito ?s 12:15:40 nas castegorias: actividades
        por SCMadiaLeva   , 822 palavras, 876 views     Chuza!

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        1 comentário

        Comentário de: Píntega [Visitante]
        Píntega

        As modificações no agro, mesmo as conversões a modelos mais sustentáveis (pensemos a nível duma exploração familiar) precisam dum suporte económico para a transição. O fluxo de dinheiro procede dos empréstimos bancários. Os bancos das zonas rurais não jogam apenas com manter à gente endividada, mas também com o passibilidade de gestionar dívida para segundo que cousas. Não é difícil pensar que os representantes de poderosas companhias (de sementes, de adubos, de fitossanitários, de tecnologias de produção e de instalações), beneficiários últimos dos empréstimos, podem influir e actuar em conivência com os delegados bancários que operam a nível local-comarcal, e podem condicionar que o empréstimo seja libertado para segundo que actividades. O suporte para a reconversão cara a modelos de exploração do que não saem beneficiados não contará com o seu apoio.
        Mesmo obtendo os empréstimos, este pode constituir um importante factor de afogo.

        Ante isto, uma perguntinha, que alternativas para quebrar este círculo considera a soberania alimentar, aplicáveis de maneira efectiva e realista no território galego?

        12-12-10 @ 14:07
          madialeva.gz@gmail.com
          Rua Serra de Ancares 18
          Horário
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