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NÓS PARIMOS. NÓS DECIDIMOS?

NÓS PARIMOS. NÓS DECIDIMOS?

28-07-11

Da companheira Patricia Vázquez .Publicado no Nº2 da revista do centro social. Novembro 2010

Mais umha vez, a figura branca achega-se a ela, enfunda a mao numha luva transparente e, sem mediar palavra pom-se a rebuscar entre as suas coxas. Os dedos resgam a pele. Doe. Diria-se que a figura branca esta-lhe a remeger nas entranhas. Reprime a queixa para que nom a mandem calar. Sente que tem no ventre umha bomba a ponto de estourar, que sobe, sobe até a gorxa. Tenta nom perder a calma. Nom quere que lhe rifem como à mulher que antes saloucava ao seu carom. A figura branca inicia o que semelha um ritual mágico, tocando cos dedos o borde do útero ( qué estrano pensar agora que é seu, o útero, seu e desconhecido!) e espéta-lhe: “Só tes cinco centimetros. O que ainda che queda...”
Assim começava Teresa Moure seu livro A palavra das Filhas de Eva. Relato que desgraciadamente resultará familiar para muitas de nós. As prácticas relacionadas cos nascimentos na nossa cultura actual som o claro reflexo de como estamos a afastar-nos cada vez mais das nossas raízes femininas mais primitivas. As mulheres chegamos a crer que nom sabemos como ter bebes. O simples feito provoca temor, inspira medo, aterroriza-nos e buscamos ajuda dos “expertos” para face-lo bem. Ingressamos em ambentes esterilizados, estranos, longe do nosso fogar e dos nossos seres queridos, co fim de deitar-nos cos pés erguidos para que um técnico estraiga o bebe do nosso corpo. Convencerom-nos de que se o fazemos doutro jeito, poremos em perigo às filhas que traemos ao mundo, que as mancaremos e apareceremos como umhas irresponsáveis. Polo que, submissas, aceitamos os conselhos do Médico Todopoderoso . Imos ao hospital para sentir-nos mais seguras , para ingerir “drogas” que nos ajudarám a facelo melhor, para que ao “desgarrar” nom contaminemos as nossas filhas. Mas... onde está o animal que há em nós?, Que foi do nosso instinto natural?, Como é que nascerom os bebes durante todos estes milénios, antes que inventassemos os hospitais e que os homes se ocupassem dos partos?

Parir é um evento biológico que nom require dumha sistemática intervençom. O nascimento de um filho responde a umha profunda necessidade vital, e o parto é um feito absolutamente genital e sexual. Polo tanto, o parto nom é umha simples situaçom médica, de enfermidade e risco, senom que tem a ver coa vida, o prazer, a alegria, a esperança e as emoçons intensas.
Cada vez mais mulheres se animam a ter um parto na casa, movidas por essa necessidade de sentir o controlo e a responsabilidade activa sobre o seu corpo; de recobrar o seu espaço próprio , se calhar o mais importante e transcendente da sua vida; elegindo parir em liberdade.
Ter um parto natural e humanizado é possível, se lhe devolvemos á mulher a segurança perdida, preparándo-a para um nascimento num lugar que ela escolha e que lhe de seguridade, rodeando-a dum ambente cálido, acompanhada polas pessoas que formam o seu núcleo de amor e amizade e deixando-a assumir a tarefa de acordo coas suas crenças e necessidades. O proceso do trabalho de parto e nascimento é diferente em cada mulher e cada bebe, é diferente nos aspeitos tanto físicos como emocionais, diferente no seu desenvolvemento temporal. É necessário respeitar o tempo que cada mulher e cada bebe precisa para parir e nascer.
Existem paises como Holanda onde o 40% dos nascimentos acontecem na casa. Neste senso muitas mulheres reivindicam partos de forma natural, bem nas denominadas “casas de partos” ou nos própios domicilios das grávidas. Holanda demostra que um parto sem violência é totalmente seguro e incluso mais seguro que um parto hospitalário.Neste pais defendem a convicçom de que a mulher está capacitada para parir polas suas próprias forças. Ademáis considera a gravidez e o parto como processos sans e nom como enfermidades. A mulher nom perde a autonomia sobre o seu corpo durante o parto, já que confia neste processo natural. Desde pequenas sabem que dar a luz é algo que doe, mas que tambem é fermoso e impactante ao mesmo tempo. Aceita-se a dôr como algo próprio do parto, mas essa dôr tem umha funçom e ( ao contrário que outras) nom é sinal de que algo vai mal.; senom que advirte que o bebe está de caminho e todo vai bem.
A experiência de traer umha filha ao mundo na intimidade do próprio fogar, sem presa, respeitando os ritos de cada fase do parto, na postura que cada mulher considere máis cómoda repercute num índice menor de complicaçons pos-natais e sobretudo, numha maior satisfacçom das mulheres.
É umha constante em todas as espécies mamíferas que a parturenta precisa dumha atmósfera de intimidade e recolhemento, de seguridade física e emocional, que lhe permita entrar nesse estado de consciência especial própria do parto. Quando este estado de intimidade é curtado, quando umha fémia mamífera se sinte ameaçada, ou incluso obvervada, o parto interrumpe-se: as hormonas do estrés inibem às hormonas do parto. Até a própia OMS ( Organizaçom Mundial da Saude) recomenda umha qualidade de atençom baseada no protagonismo da mulher e na sua fisiologia co mínimo grao de medicalizaçom possível.
Na Galiza cada vez som mais as mulheres que se animam a ter partos em casa. Temos matronas que atendem partos domiciliários, mas também é certo que som poucas e existe certo ar de clandestinidade. Hoje em dia o parto na casa segue sendo tabú e muitas matronas que trabalham nos hospitais sentem a pressom do sistema médico e o repúdio social que pode supor se existisse qualquer complicaçom.
É preciso recuperar e revalorizar a figura das matronas, mulheres que ao longo da nossa história se ocuparom de atender os partos sem presença de ginecólogos, nem médicos. Também há que compartilhar a sabedoria desta experiência entre as maes, tanto a gravidez e o parto como o post-parto. Este apoio pode ser fundamental para tomar consciência e poder escolher como queres viver a tua maternidade.

Nós decidimos como parir.

Para mais informaçom
www.elpartoesnuestro.es/opartoenoso
www.agarimar.agal-gz.org
– MICHEL ODENT. O bebe é um mamífero.
– CASILDA RODRIGAÑEZ. Pariremos com prazer.
A repressom do desejo materno.

Escrito às 12:56:29 nas castegorias: actividades
por SCMadiaLeva Email , 1018 palavras, 640 leituras   Portuguese (PT)   Chuza!

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