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EU NUNCA ME SENTIM ESPANHOLA.

EU NUNCA ME SENTIM ESPANHOLA.

04-04-12

Penduramos na nossa secçom de opiniom e debate a entrevista realizada a nossa companheira Lola polo Novas da Galiza.

Lola Torrealba, valhecana ativista no centro social Mádia Leva de Lugo. Lola recebe-nos na sua morada de Lugo. Nela, a política materializa-se numha forma de vida: passado, presente e futuro. Umha identidade e umha lógica com que funcionar no dia a dia. Um retrato da Pasionária assinado pola própria Dolores Ibárruri como presente para a sua avó luze na parede a carom dos aparelhos de lavrança castelhanos, as fotografias dos intercámbios com Cuba, ou os cartazes contra a nuclear de Jove. No seu esmerado galego com acento valhecano fala-nos de toda umha vida de implicaçom política, dos triunfos, dos fracassos e da sua percepçom do movimento galego

Vendo a tua morada qualquer diria que a implicaçom política che vém de família…

Vém, sim. Por parte de minha mae, tivem família anarquista, ainda estamos a investigar qual podia ser o cargo de meu avô na CNT. Pola do meu pai, eram comunistas: tinha uns tios avos que estivérom na defesa de Málaga, e meu pai foi militante do PC toda a sua vida, para além de um dos fundadores das CCoo daqueles tempos. Quando era pequena ele levava-me ao Poço do Tio Raimundo, lá em valhecas, onde tinham encontros com o Padre llano. Eu só sabia que esse cura era raro: tinha a fouce e o martelo e umha bandeira do Che no quarto! Foi umha pessoa mui importante para valhecas, era militante comunista e sempre defendeu os pobres ainda que lhe custasse bem caro.

Há já mais de dous meses detivêrom duas companheiras vossas do Mádia Leva, Maria e Antom. Porém, nom é a primeira vez que te enfrentas de perto à repressom, nom?

Nom. Meu pai estivo preso em Burgos três anos por pertencer ao PC, condenaram-no nos anos 60. Conheço bem a repressom: na minha casa sempre me metêrom o de “nom podes falar com ninguém disto”: de portas para fora, meu pai trabalhava em Burgos. lembro umha vez que o fomos ver à prisom minha mae e mais eu, metêrom-nos em quartos separados para interrogarnos sobre umha excursom à França que tinha preparado o PC para várias crianças e que tinha sido interceptada pola polícia. Eu tinha 6 anos; dérom-me um gelado e perguntárom-me com quem ia ir eu à França: “com o meu tio, com o meu tio”, dizia-lhe. Nem gelado nem nada, estávamos bem ensinadas! Tenho bom recordo daqueles anos; os presos do cárcere preparavam coros soviéticos, danças e teatros para que as crianças que íamos de visita o passáramos bem. No ano 67 voltárom prendê-lo uns meses por repartir propaganda de CCOO. Mesmo fora da cadeia, a repressom era umha constante: cada 1º de maio vinham pola casa para arrestá-lo, para além dos registros que faziam ao longo do ano. Quando

marchavam eu sempre olhava debaixo das mesas a ver se deixaram microfones, penso que para mim era como um jogo.

Porém, ainda com estas experiências às costas, o de Antom e Maria resulta-me algo novo. Agora és o que eles querem que sejas, já nom podemos previr de onde vam vir os golpes. Som gente com muitíssima capacidade de trabalho e mui boas ideias; notamos muito a sua falta.

Fala-nos da tua experiência organizativa em Valhecas.

Valhecas é um bairro obreiro, com muito movimento. Como dizemos nós, “Vallekas libre, independiente, y con puerto de mar”. Antes de chegar à Galiza eu militava no PC, até que me sentim desencantada com a sua política, depois num Comité de Solidaridade com América latina, o CoSAl de valhecas. Figemos cousas mui interessantes, como um intercámbio entre as nossas crianças e as da vila cubana de Santo António de Banhos, e quando elas vinhérom aqui, ensinamos-lhes a cara oculta do capitalismo: “e nós que pensávamos que o que nos contavam em Cuba era mentira!”, diziam quando voltavam para as suas casas. depois fundamos o Ateneu de valhecas, um espaço onde reivindicamos temas do bairro, a sanidade, a escola, a memória histórica, etc. Estivem em cousas diferentes, mas na realidade nunca mudei as minhas ideias. os que se movêrom fôrom outros, porque se ficas onde estavas nom sais na foto… É difícil saber que és tu quando os que ontem se deitárom com o braço em alto hoje som chamados democratas!



Quando vés para a Galiza, militas na ANPG. Porque escolhes umha organizaçom nacionalista e nom segues na linha do PC?

Bom, eu vim no ano 76, e daquela já estava desilusionada com o PC. O meu entorno aqui era o nacionalismo, era a gente com quem eu estava à vontade. A verdade é que nunca me custou entender o independentismo: e como com Fidel, ou estás com ele ou contra ele, nom há medias tintas. E se vejo lógica e quero a independência do Saara ou da Palestina, como nom reivindicar a da Terra que me acolheu? Em valhecas tampouco nos sentimos identificadas com o Estado espanhol, e o da “España una, grande y libre” dá-nos tanto arrepio como a vós. Eu nunca me sentim espanhola.

Agora segues associada à órbita do independentismo como ativista no Mádia Leva. Que mudanças percebeche desde o teu primeiro contato com a Galiza?

Eram outros tempos… A gente tinha mais ilusom, tinha claro o que queria construir, nom só aqui. Agora a gente está mais passiva: os partidos som uns traidores, os sindicatos também, que nos resta? Som tempos difíceis, e com o conto da “democracia” abandonou-se a rua. Há muito mais de 5 milhons de desempregadas, onde está essa gente? Somos como judeus no Holocausto, indo a que nos matem sem levantar-nos; aqui, em Valhecas, e em todas partes. O poder está controlando bem o descontentamento geral: somos como umha garrafa de gasosa, abrem-nos quando lhes convém para que perdamos o gás e outro ano mais de passividade. No caso concreto da política galega, penso que também contribuiu a este clima de descrédito a decepçom com o BNG, que eu comparo com o PC porque foi claudicando nas pequenas cousas, até se corromper como os grandes partidos aos quais criticavam. do panorama atual de siglas galego pouco entendo, prefiro manter-me à margem porque penso que todo o mundo, ao seu jeito, tem razom. Eu vou estar com quem reivindique causas justas, e com quem esteja sofrendo na cadeia, sem mais complicaçom. Penso que deveríamos fazer um frente comum centrando-nos em cousas mui básicas, porque, como no ano 36, teremos que ganhar primeiro a guerra para depois fazer a revoluçom. A cousa está mal, ao Capital sobra-lhe gente e nós somos umha espécie em extinçom, mas ao contrário que as baleias, nom estamos protegidas.

Tirado do Novas da Galiza nº 11

Escrito às 12:18:22 nas castegorias: opinióm
por SCMadiaLeva Email , 1112 palavras, 532 leituras   Portuguese (PT)   Chuza!

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