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        A LUITA DOS MAPUCHE EM CHILE: DA FORMAÇOM DO ESTADO AO GOVERNO DA UNIDADE POPULAR

        A LUITA DOS MAPUCHE EM CHILE: DA FORMAÇOM DO ESTADO AO GOVERNO DA UNIDADE POPULAR

        19-12-13

        A LUITA DOS MAPUCHE EM CHILE: DA FORMAÇOM DO ESTADO AO GOVERNO DA UNIDADE POPULAR
        2º Texto do grupo de estudos dedicado a luita mapuche 13-12-13.
        Organizado polo Mádia Leva! e o Ateneu Libertário "A Engranaxe"
        .

        OCUPAÇOM MILITAR DO TERRITÓRIO MAPUCHE (1881)

        A ocupaçom militar do território mapuche por parte dos Estados Argentino e Chileno (1881) supujo umha oportunidade para implementar processos de expropriaçom das terras comunais por parte da burguesia colonizadora latifundista. Para tal efecto o Estado Chileno elimina a propriedade comunal mapuche, substituindo-a por títulos de propriedade ou de "merced" que se entregavam a cada chefe da familia ou Lonko. O grupo familiar mapuche recebia entre 35 e 50 hectares e à mesma familia europeia em qualidade de colonos, se lhes entregava entre 350 e 500 hectares, aliás de madeira para construir a morada e bois para os trabalhos de cultivo. Este sistema levou aos grandes proprietários lindantes coas reduçons, à usurpaçom de terras, à compra dolosa, ao engano e ao despojo total das terras mapuche. Em só 10 anos os wincas usurparam 200.000 hectares de terra aos mapuche.

        A partir do ano 1893 em adiante, os governos do estado chileno continuam coa elaboraçom de políticas e leis totalmente lesivas para os interesses das comunidades mapuche, por exemplo a Lei de Colonización Nacional do 18 de janeiro de 1898 estabelece que para poder obter terras era requisito indispensável saber ler e escreber, o que deixava fora à meirande parte das comunidades mapuche, que eram analfabetas. Em resumo, som duas as causas que originam a desapariçom das comunidades indígenas: a usurpaçom levada a cabo polos latifundistas e a transformaçom em propriedade privada das Comunidades Indígenas.

        Ante a impossibilidade de satisfazer as suas mínimas necessidades, milheiros de mapuche virom-se obrigad@s a sair das suas comunidades para se empregar como assalariados nas novas fazendas, trabalhando para outros as terras que foram suas. As suas consequências: a desintegraçom da comunidade e a emigraçom sem retorno. A classe dominante lograra desintegrar a comunidade originária e, ao mesmo tempo, "integrar" aos mapuche no sistema de dominaçom capitalista. No entanto, a discriminaçom, a exploraçom e o sentido de pertença ao "seu mapu", seguiu mantendo umha relativa coesom para seguir luitando pola recuperaçom das suas terras no século XX.

        NOVA ORGANIZAÇOM E LUITA DAS COMUNIDADES MAPUCHE (1910 - 1950)
        A partir dos anos 1910 até 1950 aproximadamente, as comunidades mapuche organizam a sua luita dentro dos marcos legais do Estado Chileno, embora que também se embarcam na luita armada de Ranquil, e participam mesmo na luita parlamentária, sem perder os objectivos finais de luita pola terra e a cultura. Cara os anos de 1910, já passaram 30 anos do último alçamento mapuche. Os velhos Lonkos que com lanças de coligüe e armas de baixo calibre nom se dobregaram ante os "winkas", já morreram. Umha nova geraçom de mapuche aparece na história, como também novas formas de luita. Aparentemente integraram-se à sociedade chilena e luitavam desde dentro da institucionalidade e umha minoria fora dela. No eido institucional destacam a Sociedade Caupolicán, a Federación Araucana e a Unión Araucana. Tinham em comum a missom salvífica de redimir ao "povo mapuche" da opressom étnica à que estavam submetidos, no entanto avogavam polo seu submetimento a instituçons governamentais e/ou eclesiásticas.

        A luita, fora dos lujosos parlamentos, continuou durante o primeiro terço do S. XX. No ano do centenário, 1910, alçarom-se em Loncoche. Tra-lo assassinato do lonko Manquepán, ao ano seguinte rebelarom-se nesta zona, fundando a Mutual Mapuche. No 1912 produciu-se em Osorno a matança de Forrahue, onde forom massacrados o lonko Railef e outros vinte. Em 1913, mais de 3.000 mapuche desfilarom por Temuco, indignad@s polo assassinato do lonko Juan Manuel Painemal. Em 1914, enfrontarom-se aos winkas por desalojarem ao lonko Ramilén e meses depois dez reduçons de Allipén, Cunco e Llaima resistirom aos esbirros da concesom LLaima de Silva- Rivas. Em 1916, os huilliches repelerom em Frutillar ao colono Eduardo Wincler polo intento de despojo das terras de Juan Pailahueque; o conflito armado rematou cum desenlace judicial insólito: Pailahueque foi declarado culpável... depois de ser assassinado.

        Pola sua banda, o Estado, no seu afám de capitalizar cada palmo de terreo mapuche, lançou umha campanha de asimilaçom cultural forçosa que tinha um duplo objectivo, a saber: adapta-los a um novo sistema de governo -democracia liberal burguesa- e a um novo contexto produtivo -emigraçom às fábricas da cidade-. As pontas da lança forom as missons religiosas, interessadas em "extinguir o paganismo" e os "maus costumes", como o colectivismo destes "atrassados indios". A tais fins de aculturizaçom servirom os frades capuchinos e os anglicanos coa Misión Araucana e a Unión Araucana, esta última dependente da igreja católica.

        A REBELIOM DE RANQUIL (JUNHO, 1934)
        Em 1886 o colono Martín Bunster fai-se coa possessom das terras do alto Bio-Bio, criando o fundo Guayali de 60.000 hectares, lindante coa reduçom indígena de Ralco e Trapa-Trapa. O senhor Bunster fixo-se forte na zona e estabeleceu as suas próprias leis como amo e senhor do alto Bio-Bio. Os Pewenche ocupavan essas terras desde o ano 1.000 a.C., pero para o legislador chileno os Pewenche nom eram pessoas nem sujeitos ante a lei. Em torno aos anos 1932, existiam no alto Bio-Bio, desde Trapa-Trapa a Lonquimay, nom menos de 800 familias, crioulos e Pewenche sem terra. O governo de Carlos Ibáñez viu-se obrigado polas circunstáncias a instar, tanto aos Bunsters e aso Puelma -outra familia latifundista-, a entregar cada um deles 4.000 hectares de terra ocupada para ser colonizada entre os inquilinos que moravam em ambos os dous fundos, mais estes entregarom as terras mais pedregosas e improdutivas.
        A crise mundial dos anos 1930 e a crise da salitre no norte, gerou em Chile umha
        grave situaçom económica na que os mais pobres sufrirom as maiores consequências. A luita de classes agudizara-se na montanha a raiz dos despedimentos massivos de crioulos e Pewenche que fazia o senhor Bunster nas suas fazendas do alto Bio-Bio. Os patrons nom pagavan com dinheiro senom que com fichas para obter alimentos que também escasseavam. O sindicato agrícola de Lonquimay nom tivo outro caminho que responder coa luita armada ao bandoleirismo patronal do val de Lonquimay. Em junho de 1934, levantarom-se em armas para esigir os seus direitos à terra e à dignidade humana. Ranquil foi afogada em sangue e lume: mais de 400 pessoas entre chilenos e mapuche forom assassinadas, e outros deverom escapar ao Puelmapu.

        A "REPÚBLICA INDÍGENA" (1932)

        O 2 de janeiro de 1932 produciu-se um acontecimento inédito na nossa história: a proclamaçom da "República Indígena". Os seus promotores forom a Sociedade Caupolicán, a Asociación de Aboriges de Kkilapán, as Sociedades Malalche e Lautaro. O objectivo da República Indígena foi impulsionar a recuperaçom das terras e, sobre todo, "que o povo mapuche se governe a sim mesmo e que o seu progresso e cultura sejam criados por ela mesma"; imediata devoluçom dos terreos usurpados e o ditame dumha nova lei consultando ao povo mapuche; escolas nas próprias comunidades, com mestres mapuche e relacionar o "movimento social indígena co movimento obreiro e camponês". Co golpe militar contra a "República Socialista" em junho de 1932, este histórico projecto mapuche nom puido levar-se adiante a causa da repressom desatada por militares que governarom até a vitória de Arturo Alessandri nas eleçons de dezembro de 1932.

        A CORPORAÇOM ARAUCANA (1938 -1952)
        A partir de 1938 em diante, a Sociedade Caupolicán transformou-se na Corporaçom Araucana com don Venancio Coñoepán como dirigente.
        A sua estratégia era luitar dentro do sistema político, jurídico e social do Estado chileno. Em 1944, Venancio Coñoepán foi candidato a deputado por terceira vez, co apoio de Alianza Popular Liberadora, um movimento ibanhista que lhe permitiu ganhar um posto no parlamento. Em 1949, Coñoepán é novamente candidato a deputado, mas esta vez na listagem dos conservadores, levantando o mesmo programa da Corporaçom Araucana, que entre outras cousas formulava:
        1.- Reforma à lei indígena # 4.111 de 1931
        2.- Criaçom dumha Corporaçom de Asuntos Indígenas
        3.- Deter a divisom das comunidades aplicando a lei # 8.736 do 28 de janeiro de 1947.
        4.- Criaçom dum Instituto Indígena para desenvolver a educaçom e a cultura
        5.- Criaçom de bolsas e facilidades para os estudantes mapuche.
        Detrás desta inciativa política estava o pensamento ideológico dum "movimento indigenista" que nom logrou resolver os problemas de fundo da comunidade mapuche. Os deputados mapuche nom eram mais que burócratas que viviam graças ao exercício caricaturesco da confrontaçom conservadora, como o demostra o feito de que Manuel Aburto Panguilef votasse a favor da Lei de División de Comunidades. O ano 1957 foi o ano da hecatombe e da derruba total da ideologia indigenista parlamentária sustentada durante 40 anos.

        REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS
        MANUEL GAVILÁN, VICTOR (2011): La Nación Mapuche. Puelmapu ka Gulumapu. Edit Ñuke Mapuförlaget.

        NOVO ESPERTAR NO GULUMAPU 1960-1970
        Desde os anos 1960 em diante, da-se em Chile um pulo nas organizaçons populares, particularmente dos camponeses pobres, trabalhadores, estudantes, povoadores e mapuche. Nestas mobilizaçons, a tendência era romper os métodos tradicionais de luita que, até aquela altura, os distintos sectores impulsionaram.
        Em maio de 1961 criou-se, em Santiago, a Federaçom Nacional de Camponeses e Indígenas de Chile que, entre outras reivindicaçons indicadas, levantarom exigências por
        1. Luitar por umha verdadeira reforma agrária
        2. Criaçom dumha nova lei indígena
        3. Oposiçom à política de divisom das comunidades
        4. Apoio às tomas e recuperaçom de terras mapuche
        A Federaçom levou adiante, durante dous anos, um processo de mobilizaçom permanente nos campos do sul de Chile. Por primeira vez as acçons desenvolvidas polos mapuche filiados à Federaçom forom apoiadas também pola CUT (Central Única de Trabalhadores) e polos partidos políticos que conformavam o FRAP (Frente de Acción Popular), basicamente, o partido comunista e o partidos socialista de Chile.

        As comunidades começam a romper a legalidade e a resolver os problemas da terra através das ocupaçons de terra; como forom os casos do fundo Huape em Cañete, e outras ocupaçons no Imperial, Trovolhue, Victoria, e Panguipulli. Porém, a mais significativa foi a ocupaçom de Pangal, ao sul da cidade de Lebu, na provincia de Arauco.

        PANGAL ? SARA DE LEBU ? 1961
        Conheciamos Sara de Lebu pola antiga missom jesuíta e mais tarde polos Capuchinos. Nesta zona de Sara de Lebu, atopa-se a chamada Ilha de Pangal, terras originariamente dos mapuche. Porén, o 24 de janeiro de 1962, o senhor Carlos larroulet, proprietário do fundo Colhue, afirmava que a ilha era da sua propriedade. Os mapuche reclamavam que essas terras lhes pertencia. ?Se o senhor Larroulet está disposto a pelejar atopará-se com nós?, afirmava umha lamgen chamada María Puen.
        "Arredor de 1961, eu tinha 15 anos de idade e era estudante no liceu de Lebu. O sindicato mineiro de Lebu apoiou a luita dos mapuche de Pangal. Lembro ter ajudado a recolher alimentos para os nossos irmaos de luita. Dom Juan Antipil Llevilao contou-lhe com todo detalhe à minha mae o desenvolvimento dessa luita, e ela fixo-me chegar essa informaçom a Canadá em 1981. Quer dizer, 20 anos depois dos acontecimentos.
        Os mapuche da zona organizarom-se e lograrom agrupar a cinco comunidades. Pangue, Trauco, PitraCui-Cui, Ranquilco e Ruca Raqui. Escolherom umha diretiva formada por: Gumercindo Quirilao Quirilao, Juan Esteban Huenchuñir, Juan Bautista Lemo, Pedro Llevilao e José Necul Aniñir.
        Esse dia 12 de dezembro de 1961, os mapuche de Pangal, apoiados polos seus irmaos colindantes, tomarom a Ilha, arriando as bandeiras chilenas, tocando Kultrún e Trutuca, e construindo pequenas rucas para passar a noite.
        Aquela mesma tarde, aparesceu o senhor Laroulet acompanhado polos carabineiros de Cañete, os Alamos e Lebu, ao mando do tenente Abel Galleguillos de Araya. Chegarom sem animos de parlamentar, pois começavam a esmelandrar todo; paus e pancadas por todos os lados. Umha e outra vez retiravam as bandeiras. Mas María Puen Nahuelpan volvia po-las nos seus sítios.
        Quando a força policial começou a dar-lhes patadas aos nenos e às mulheres mais velhas, aparescerom três mulheres novas armadas com longos colgues, como as antigas lanças, começarom a dar paus aos carabineiros até o tenente Galleguillos pedir tregua e retirarem-se para volver ao dia seguinte con mais reforços."
        Essas lamgens hoje em dia, Laura Aniñir Necul, Juana Quian e María Puen tenhem 65 e 70 de idade respectivamente (ano 2000). Todas elas gozavam do respeito da sua gente nas suas próprias comunidades. O tenente Abel Galleguillos Araya meresce estudo aparte, já que tem um historial repressivo que culminou na Calama, presidindo um Conselho de Guerra, em outubro de 1973, co grau de coronel de Carabineiros. Mais tarde chegou a ser membro da DINA (Dirección de Inteligencia Nacional, organismo repressivo da ditadura pinochetista) e prefecto de Carabineiros do Loa. A jornalista Patricia Verdugo, no seu livro Os Zarpazos do puma, documenta muito bem a sua participaçom nos factos da Calama e a visita do general Sergio Arellano Stark e do seu tristemente célebre, Caravana da Morte.
        A peleja que durou umha semana, nom deixou mortos. O saldo, porém, foi de polo menos 80 mapuche feridos e carabineiros con boas tundas. Eles, para se despedir, queimarom todas as rucas fabricadas de palha e totora.
        A ocupaçom de Pnagal produciou-se durante o governo de Jorge Alessandri Rodriguez. Os mesmos dirigentes reconhecerom que tiveram muita ajuda e solidariedade. Chegarom o dia seguinte da ocupaçom o senhor Luís Corvalán Lepe, o deputado Sntos Leoncio Medel, o dirigente socialista Fermín Fierro Luengo e Pascal Melita do partido comunista.
        A situaçom de Pangal prolongou-se durante seis meses e a solidariedade chegou ao terceiro dia com alimentos, cobertores e material de construçom dos mineiros de Lebu, Lota, Coronel, colico sul e PilPilco. Também se mobilizarom apoiando Pangal, os mapuche de Huentelolen, Paicaví, Punotro, e Elicura, os quais figerom chegar os seus alimentos e os seus representantes.
        Os mapuche ganharom essa batalha e, em 1962, ficarom morando na Ilha cinco familias: Pedro Curin, Juan Llanca e Romulado Pinchuleo de Pangue; Juan Antipil de Ruca Raqui e José Quintriqueo de Trauco. Em total 48 pessoas: homes, mulheres e nenos.
        Em agosto de 1963, a Dirección de Asuntos Indígenas pediu à CORA (Corporación da Reforma Agraria) que os fundos Sara, as anexas #1 e #3, Pangue, Ranquilco, Ruca Raqui, anexos #1 e #2, Yeneco, Colhue e Catriboli, e mais as reduçons de Pangue, Trauco, PitraCui-Cui, Ranquilco e Ruca Raqui fossem parceladas e entregadas aos mapuche da area.
        Os esforços de Quirilao, Huenchuñir, Lemo, Llevila, Necul, dos irmaos Aniñir, das mulheres e da solidariedade nom forom em vam. Don Juan Antipil mandou-me umha nota para o Canadá e nela dicia: Peñi Víctor: ?Figemos umha heroica luita em Pangal reconquistando a terra. Nós os mapuche opujemos resistência. As mulheres forom fundamentais, porque colhiam as rendas dos cavalos dos carabineiros e as curtavam com coitelos: 160 familias de Pangal demos a peleja pola reforma agrária nesta zona e ganhamos a terra?. Feyti Tati, Peucallen. Quando venha, esperamo-lo?

        A FEDERAÇOM LUÍS EMILIO RECABARRE. 1969
        Em 1969, durante o governo de dom Eduardo Frei Montalva, nasce a Federaçom de Trabalhadores Agrícolas e Mapuche, que agrupava aos camponeses e mapuche das provincias de Arauco e Cautín. Esta federaçom reivindicou como plataforma de luita:
        1. Ampliar a Reforma Agraria que impulsionava a Democracia Cristiana
        2. A formaçom de Asentamentos mapuche
        3. A derogaçom da Lei #14511 de don Jorge Alessandri Rodríguez
        4. Defesa da cultura do povo mapuche.
        O primeiro presidente de esta Federaçom foi Rosendo Huenumán, militante do Partido Comunista, que por sua vez, mais tarde em Marzo de 1973, fora eligido deputado da princia de Caiutín.

        O MOVIMENTO INDIGENA. 1965
        O 11 de maio de 1965, nasceu em Temuco o Movimento Indígena de Chile, cujos membros se declaravam como umha organizaçom alheia às posiçons políticas ou religiosas daquela altura. Luitavam por:
        1. Apoiar a Reforma Agraria impulsionada polo partido Demócrata Cristiano
        2. Criaçom de mais escolas para os mapuche
        3. Créditos e Insumos
        4. Becas para estudantes mapuche
        O seu presidente foi Juan Huichalaf Antina. Ao ano seguinte, 1966, esta organizaçom dividiu-se e Hichalaf criou umha nova organizaçom chamada Federación Araucana O Toqui, também de curta duraçom.
        O movimento indígena de Chile continuou desenvolvendo-se e mais tarde vencelhou-se ao FRAP e à CUT, como também à Federaçom Camponesa e Indígena. Depois da partida de Huichalaf foi eligido presdiente Armando Melillan Curilef, e em Outubro do mesmo ano 1966 a nova diretiva ficou estabelecida definitivamente.

        A CONFEDERAÇOM DE SOCIEDADES MAPUCHE
        Esta organizaçom nasceu o 2 de setembro de 1969, os seus dirigente lograrom reunir distintas tendências arredor do tema central da época, que era a nova lei Indígena. Chegarom a ter, em novembro de 1970, nom menos de 45 associaçons mapuche. Reivindicavam:
        1. Modificaçom da Lei 14511
        2. Oposiçom à divisom das comunidades
        3. Luitavam por planos educacionais para a mocidade
        4. Créditos e ajuda técnica
        5. Vivenda e salubridade nas comunidades
        Esta organizaçom, como já se dixo ao começo, logrou mostrar que a unidade é possível se se mantém o respeito polas diferenças. Por aqueles anos 1969, eu era o presidente do Fogar Universtario de Temuco. Lá morava Ramón Antipán e vários peñis que se identificavam coa Confederaçom. As diferenças iam desde os militantes comunistas até o partido demócrata cristiano. Guillermo Leñan e Ramón Antipán identificavam-se co PCR. Eles forom parte do movimento Neuaiñ Mapu que impulsionava as ocupacións e movimentos de marcos.
        O professor Martín Alonqueo elaborou umha proposta global que a Confederaçom fixo sua. Tratava-se da criaçom dumha Corporaçom do Desenvolvimento Mapuche, que foi o tema central de todos os encontros do ano 1970.
        O anteprojecto da lei sobre a Corporaçom de Desenvolvimento Mapuche foi o tema central do Segundo Congresso Nacional de Organizaçons mapuche realizado em Temuco, em dezembro de 1970. Por primeira vez depois de muitos anos reuniam-se todas as organizaçons do povo mapuche para entregar o seu contributo ao que seria a futura lei indígena.
        Em 1971, o presidente Salvador Allende promulgou a nova lei que fora elaborada e discutida polas distintas instáncias organizativas do povo mapuche daquela altura. Polo momento histórico no que se promulgou a nova lei, esta organizaçom meresce ser estudada e conhecida con mais detalhe. É de esperar que algum estudoso recolha este desafio.
        Depois de 1975, tanto Ramón Antipán, como o autor deste livro atopamo-nos muitas vezes trabalhando juntos no Canadá, pola democracia do povo de Chile e polas diferentes reivindicaçons do nosso povo mapuche. Ramón desde o ano 2000 até o 2003 foi o vice-presidente da Federaçom Provincial de Trabalhadores da Provincia de Albera, em Canadá.

        AS IDEAS REVOLUCIONÁRIAS À COMUNIDADE MAPUCHE
        Em 1965 nasce em Chile o Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR). O seu trabalho de massas nos povoadores, camponeses pobres e mapuche gerou um potencial revolucionário naqueles sectores sociais que foram postergados por anos, na estrategia política dos partidos da esquerda tradicional de Chile. Pola sua parte, na mesma época nasce o Partido MAPU (Movimento de Acçom Popular Unitária), o PCR (Partido Comunista Revolucionário), a JRR (Juventude Radical Revolucionária), os Cristiaos polo Socialismo. Aparescerom os sectores revolucionários do Partido Socialista de Chile e também sectores revolucionários do próprio Partido Comunista de Chile. Naquela altura começa a gestar-se umha nova esquerda em Chile; a esquerda revolucionária, que levou as suas ideas à comunidade mapuche.
        O MIR foi, provávelmente, o sector revolucionário que maior desenvolvimento tivo entre os mapuche. Esta organizaçom política originára-se em Temuco, em outubro de 1965, com nom mais de dez integrantes. Um ano mais tarde, em 1966, o número de membros aumenta a 50 militantes. Em setembro de 1967 cria-se um Comité Regional dirigido por Roberto Moreno, Miguel Cabrera (Paine) e Marcelo Salinas entre outros. Mias adiante forom chamados a essa direcçom, Gustavo Marín (Jose Peralta), ambrosio Badilla (Flaco Ariel) e Víctor Gavilán (Camilo Tokicura. Arredor dos anos 1970, os miristas alcançam a cifra de 400 militantes em Cautín. Criaram um Secretariado Regional no interior do seu Comité Regional. As bases e comités locais do MIR tinham sede em Temuco, Lautaro, Cunco, Imperial e Villarica. Em 1971, integrarom-se as princias de Malleco e Bio-Bio à mesma direcçom regional de Cautíns.

        O MIR definirá umha política agrária para o período particular que vivia a sociedade chilena. No caso dos mapuche o problema da terra, dos insumos, dos créditos, e a saude e a moradia eram as reivindicaçons principais do seu programa. Por outro lado definiram que a acçom directa das massas poderia devolver a terra usurpada aos mapuche. Conheciam a história de Sara de Lebu em Pangal baixo, mais antes decidirom irem-se directamente à comunidade mapuche e apreender da realidade; o mesmo figerom os militanes do MAPU e os do Partido Comunista Revolucionário, os quais já tinham militantes mapuche nas suas fileiras. Os aspeitos da diversidade e os direitos sociais, culturais e políticos do povo mapuche, nunca estiverom presentes em nengum programa dos partidos da esquerda chilena naquela altura. O MIR e os sectores revolucionários procuravam força social revolucionária para os seus objectivos políticos. Outros partidos da esquerda tradicional procuravam clientela eleitoral.
        [O texto continua co relato da implementaçom dumha nova estratégia revolucionária consistente em mover os marcos dos fundos. Estas acçons eram dirigidas, na altura, principalmente polo MIR, em colaborçom com outras organizaçons.
        OS MOVIMENTOS DE MARCO DE CAUTÍN 1970-1973
        OS MOVIMENTOS DE MARCO ESPERADOS ? JULHO DE 1970
        LONCOCHE: MOVIMENTOS DE MARCO DO FUNDO MARIA HELENA 31 DE AGOSTO DE 1970]
        AO MOVIMENTO CAMPONÊS REVOLUCIONÁRIO (MCR). CAUTÍN, SETEMBRO DE 1970.
        O MIR lograra adquirir umha significativa experiência no seu trabalho co movimento social camponês e particularmente cos camponeses. A experiência de Mañío Manzanal, os movimentos de marcos de Lautro, Loncoche e Cunco, levarom a este movimento a criaçom dum ?instrumento organizativo aglutinados? denominado MCR. A idea nasceu no interior do Comité Regional do MIR e o seu congresso de fundaçom realizou-se em setembro de 1970 na cidade de Temuco.
        A criaçom do movimento foi totalmente clandestino, e o seu lema era Terra ou Morte! Ninguem nos curtará o passo!
        SEGUNDO CONGRESO DO MOVIMENTO CAMPONÊS REVOLUCIONÁRIO. FEVEREIRO DE 1971
        O segundo congresso nom foi clandestino e nele estiverom presentes jornalistas e, mesmo, cineastas que filmarom o encontro. A tabela reivindicativa era a seguinte:
        1. Expropriaçom de todos os fundos con mais de 40 hectares de rego básico
        2. Expropriaçom de animais e maquinárias junto coa terra
        3. Nom ao pagamento da terra expropriada
        4. Apoio creditício aos medianos proprietários
        5. Eleiçom democrática dos Conselhos Comunais Camponeses
        6. Umha nova lei da Reforma Agrária de carácter revolucionário

        O CONSELHO COMUNAL CAMPONÊS DE LAUTRA-CAUTÍN. 16 DE JANEIRO DE 1971
        O 21 de dezembro de 1970, o presidente Salvador Allende assinou o decreto lei #481, que criava o Conselho Nacional Camponês, os Conselhos Provinciais e Comunais. O decreto regulamentava a formaçom dos conselhos locais, os quais deviam consituirse com dirigentes dos organismos camponeses legalmente existentes na data, representantes dos asentamentos camponeses criados pola lei de Reforma Agraria do presidente Eduardo Frei Montalva e polos sindicatos camponeses e cooperativas agrícolas.
        O MCR na zona de Lautaro conseguiu gerar umha força social de magnitude entre os Mapuche, que lhes permitiu fazer caso omisso da regulamentaçom legal, chamando a criar o Conselho Comunal por votaçom directa, ampla e domocrática da base camponesa. Em Lautra começarom a desenvolver-se as assembleias populares camponesas, que escolhiam os seus representantes para o Conselho Comunal.
        O 16 de janeiro de 1971 foi criado na cidade de Lautaro, o primeiro Conselho Local Camponês. A assembleia geral tivo lugar na escola pública da localidade. Elisa Traipi, quando estivo no Canadá em 1990 comentou-me: ?eu era moi novinha nessa época, mas ainda lembro as colunas de mapuche e camponeses que desde a Vega Redonda, a rua do Medio, e de todas as partes baixarom a Lautra para apoiar o Conselho. Vinham berrando: ?Allende, Allende, o povo te defende: Luciano, ... Guevara, o povo se prepara!?.
        Poderia dicir-se que, por primeira vez em Chile, os camponeses pobres e os mapuche começavam a criar o seu próprio poder. As bases escolherom once pessoas para ocuparem os carregos do Conselho; a maioria militantes do MECE, ainda que também havia socialistas e do partido MAPU.
        (...)
        O partido comunista e a democracia cristiana condeavam os extremismos do MCR. O 13 de janeiro de 1971, só três dias antes da formaçom do Conselho Comunal Camponês, ambos partidos chamarom a umha concentraçom pública de sindicatos campesoneses para repudiar as ocupaçons de fundos que facia o MCR.
        O GOVERNO DE UNIDADE POPULAR E OS MAPUCHE 1970-73
        Entre os meses de janeiro e março de 1971, o governo da Unidade Popular instalou o Ministerio de Agricultura na cidade de Temuco, Jacqhes Cholchol era o ministro do presidente Salvador Allende. Fora comissionado para tratar de resolver num curto praço a situaçom de pobreza das comunidades mapuche.
        O presidente Allende continou o processo de reforma agraria que iniciara o governo do anterior Eduardo Frei Montalva. A Unidade Popular utilizou a mesma lei agraria da Democracia Cristiana, promulgada en 1967. Mediante esta lei, o novo governo logrou devolver aos Mapuche perto de 30.000 hectares de terra. Contudo, durante o mesmo período da Unidade Popular, os movimentos de marcos conseguirom reconquistar 70.000 hectares de terra usurpada aos mapuche nas provincias de Malleco, Arauco, Cautín, e Valdivia.
        A Unidade Popular implementou un programa especial de educaçom para a mocidade camponesa e mapuche. Entregarom-se bolsas de estudo que custeavam matrículas, materiais de estudo, hospedagem e alimentaçom para os estudantes de ensino médio, técnico e universitário. Em 1971 criarom-se 4.030 bolsas de estudo. Em 1972, estas bolsas aumentarom até 9.656 e mais adiante, em 1973, as bolsas para estudantes camponeses e mapuche chegarom a 10.230.
        Durante os anos 1970-72, trabalhei como assistente social para o Departamento de Asuntos Estudantís na Universidade de Concepción, Sede de Los Angeles. Lá puidem comprovar que efectivamente as portas das universidades se abrirom para os filhos dos trabalhadores, camponeses pobres e mapuche de Chile. Criarom-se fogares universitários, bolsas, préstamos universitários, assistência técnica, dental e orientaçom professional.
        O 24 de julho de 1972, o presidente Allende definia a sua política agrária. Nom se expropriariam fundos entre 40 e 60 hectares de rego básico, além disso se garantizava aos proprietários o direito de reserva da terra que poderia ser escolhida antes da expropriaçom. Este mesmo dia 24 de julho, realizava-se em Cautín o Congreso Geral dos Conselhos Comuniais Camponeses, onde forom adoptadas as formulaçons do Conselho Comunal de Lautraro. Nesta altura, o governo da Unidade Popular entrara em sérias discrepáncias co movimento social mapuche da época.
        Em Chile chegarom a se criar 186 Conselhos Comunais, dos quais o 63% organizarom-se de acordo co decreto do governo de Unidade Popular e o 37% de acordo coas formulaçons do MCR, que lograra muita força em Cautín, Malleco, Arauco, e Linares.
        O 15 de setembro de 1972, o presidente Allende promulgou umha nova lei indígena e nomea como director e subdirector de Instituto de desenvolvimento Indígena a Daniel Colompil Quilaqueo e a Javier Huechullan Podestá, respectivamente. A nova Lei surdiu da base mapuche que chegou a ser um valioso instrumento para resolver problemas da terra mapuche. Porém foi de curta duraçom, umha vez que a ditadura militar se encarregou de reducir a cinsas todas estas conquistas sociais.
        Os patrons e os partidos políticos da direita, asustados num primeiro momento, começarom a se organanizarem na defesa dos seus fundos. Os militantes do antigo Partido Nacional apoiarom entusiasticamente a formaçom de paramilitares do Partido Nacional.
        Na eleiçom presidencial do ano 1970, o candidato do PN, senhor Jorge Alessandri Rodríguez obtivo em Lautaro o 40% dos votos, em quanto Salvador Allende apenas obtivo o 22%.
        Segundo a lei eleitoral de 1970, os que nom sabiam ler nem escreber, nom podiam exercer o direito de voto. Só Allende deu esse direito aos analfabetos nas eleiçons parlamentares de 1972, entom a esquerda subiu em Cautín ao 42%, eligindo por primeira vez deputados mapuche dos partidos comunista e socialista.
        Entre os meses de julho e novembro de 1970, só em Lautaro realizaram-se 18 movimentos de marcos e 7 ocupaçons de fundo. Os movimentos de marcos devolveram, aos mapuche, 724 hectares de terra e as ocupaçons de fundo nas que participavam chilenos, mestiços e Mapuche, recuperaram 2.400 hectares.
        Em 1971, o governo de UP expropriou 1378 fundos em todo Chile, e durante o ano 1972, o número de prédios expropriados chegou a 2192 fundos e até o mês de agosto de 1973, expropriaram-se outros 931 fundos, o que dava um total de 4.401 fundos expropriados.
        Os três anos de governo da UP derom ao povo mapuche umha importante cota de bem-estar e esperança, que se esfurmarom da noite para a manhá o 11 de setermbro de 1973

        Escrito ?s 13:59:16 nas castegorias: opinióm
        por SCMadiaLeva   , 4539 palavras, 748 views     Chuza!

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