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      COMUNICADO 8M MANIFESTAÇOM DE LUGO

      COMUNICADO 8M MANIFESTAÇOM DE LUGO

      18-03-23

      Comunicado do feminismo de Lugo. 8 de março de 2023

      Há mais de 100 anos que o 8M é a principal data reivindicativa do calendário feminista. Esta longa trajetória actualiza-se em cada lugar do mundo e em diferentes momentos da história como um instrumento da açom e da luita coletiva das mulheres.
      As mulheres formamos parte da luita pola emancipaçom e já resistiamos e construiamos alternativas às muitas formas de dominaçom desde sempre. Juntar às diversas mulheres de todo o mundo em torno a umha data é essencial para construir un sujeito político coletivo que tem raizes e história que colocam a igualdade e a liberdade como eixos da luita.
      Neste 2023 imos ponher o foco na justiça social. Entendemos que falar de feminismo é falar de justiça social, porque propom-se quebrar o sostém do sistema económico desigual planejado polo capitalismo e que deixa às mulheres como cidadás de segundo grado. O feminismo vem a discutir a redistribuiçom do ingresso na nossa sociedade, a necessidade de estabelecer igualdade de oportunidades e questionar a carga das tarefas do cuidado. A via é a construçom de medidas redistributivas e quuestionar a perspetiva de género, pensar no cuidado como um direito reconhecido polo Estado para resolve-lo na comunidade e apartar e desandar a injustiça redistributiva que sufrimos as mulheres, em especial as trabalhadoras, que ao final somos todas.
      A justiça social basea-se na igualdade de oportunidades e nos direitos humanos, mais lá do conceito tradicional de justiça legal. Está baseada na equidade dos serviços básicos que evidentemente tenhem que ser públicos.
      Ano tras ano sofremos recurtes nos serviços públicos. O estado do bem-estar derruba-se pola ansia desmedida de lucro do sistema capitalista e umha economia galega ao serviço do benefício de interesses alheios a Galiza. Como consequência destas últimas crises fica esvaido o papel protetor do estado através do sistema público de serviços sociais, e a importáncia que todos os elementos do sistema dim que lhes dam aos serviços públicos, ve-se negada pola evidência dos feitos.
      Um serviço público que a dia de hoje temos muito minguado é a sanidade. Padecemos um sistema sanitário debilitado até a sua asfixia. Qual é o resultado? Listas de agarda inexplicáveis e injustificáveis numha crise sanitária que levamos anos vivendo e que nestes momentos se atopa numha situaçom dramática. Somos as mulheres as que mais pagamos os recurtes sanitários, como usuárias coa nossa saúde e como trabalhadoras em precário. A situaçom deficitária da atençom primária obriga-nos a assumir umha maior atençom a pessoas dependentes, crianças e doentes em geral. A falha de atençom primária obriga-nos às mulheres a estar sempre pendentes dos cuidados das pessoas doentes e a adicar o nosso tempo dentro e fora da jornada laboral. Sempre ponhendo por diante a atençom às demais pessoas aos nossos próprios autocuidados.
      O mesmo acontece com o sistema educativo: os recurtes no quadro de pessoal, as baixas sem cobrir dum modo imediato, o peche de escolas no rural, o aumento de impartiçom de materias afins em detrimento das especialistas, a desatençom à diversidade e necessidades educativas especiais e um longo etc ? , nom fam mais que minguar um ensino público de qualidade.
      A mesma política raquítica atopamo-la nas praças de geriatria ou na de centros de dia públicos. Esto volve a levar-nos a ser as mulheres as que tenhamos que assumir o cuidado das pessoas usuárias destes centros, e mais umha vez a que o pessoal destes serviços estejam numhas condiçons péssimas, um pessoal que maioritariamente som mulheres.
      Umha ferramenta essencial para que as mulheres nos poidamos sentir seguras é a justiça, mais lamentávelmente a justiça que temos a dia de hoje segue a ser patriarcal. Pese aos investimentos em formaçom que se lhe presupom à judicatura, advogacia, fiscalia ou corpos de segurança, as mulheres volvemos a ser violentadas umha vez e outra vez depois de sofrer violências. Desde o momento em que sinalamos aos nossos agressores nas denúncias de abuso e agressom sexual, quando sinalamos acosso no nosso trabalho, nas denúncias de violência física ou psicológica, questionam-se constantemente a nossa palavra, analisam-se todos e cada um dos fatores externos que puiderom determinar essas agressons, quando nos os há, agás o patriarcado capitalista que mingua todos os poderes, também o judicial.

      Esta injustiça a vivemos em primeira pessoa na cidade de Lugo co caso Carioca, onde centos de mulheres valentes alçarom a voz e narrarom verdadeiras histórias de terror com violência machista extrema, destapando a trama de trata sexual mais grande do estado. Ante isto a Fiscalia atuou mais como defesa dos imputados, garantindo a sua impunidade e a dos delitos brutais cometidos, que como a instituiçom encargada da procura de justiça e reparaçom das vítimas. Por isso hoje estamos a visibilizar o assassinato da justiça neste caso. Esta impunidade manda umha mensagem perigosa: que há vítimas de primeira e de segunda, que vale mais o poder e posiçom dos agressores que as vozes das mulheres e que há violências machistas que se seguem normalizando e justificando incluso desde o âmbito judicial. Esta nom é a justiça que queremos nem merecemos, cremos na necessidade de esigir e construir umha outra justiça, feminista, sem impunidade e que escoite às mulheres, sem revitimizaçom e garante da sua reparaçom e dos seus direitos.

      Um outro âmbito no que devemos ponher o foco das nossas reivindicaçons é o âmbito laboralonde ainda temos que lamentar que haja mulheres que nom podem aceder ao mercado laboral por ter que assumir as tarefas domésticas e de cuidados no fogar. Quando conseguem trabalhar por conta alheia, muitas, vem-se atrapadas em empregos mal remunerados, de péssima qualidade, sem proteçom social laboral, e todo isso afeta negativamente aos seus ingressos atuais e futuros. Todo isso somado à já inaceitável fenda salarial que segue a existir entre mulheres e homes.
      O pior é que as crises e a austeridade, os recurtes, som a escusa de certas políticas, para dizer que nom nos podemos permitir as políticas de igualdade. É como dizer que para que funcione a economia, as mulheres temos que sofrer desigualdade ou ter menos direitos económicos que os homes.
      Quando umha mulher tem que traballar anos a jornada parcial para poder conciliar coa sua vida pessoal e familiar, poder ser mai e trabalhar, o qual é um direito fundamental, condenam-se a umha pobreza estrutural a longo praço.
      Os recurtes nos serviços públicos seguem afetando mais às mulheres. As mulheres seguem sendo as que mais sofrem a pobreza e mais se som mais. Na Galiza, as mulheres som reserva de mao de obra mais qualificada que se desaproveita porque segue a ser o mais comum que, nos postos de poder, nas gerências, nas tomas de decisons, as percentagens mais elevadas, som homes.
      Porque é mais importante gastar numha rotonda mais que em infantários ou assistência a maiores que sabemos que se nom se fam, terám que assumir essas tarefas as mulheres?
      Por todas estas questons e por muitas mais, temos que esigir às políticas, que se ocupem de nós. Com serviços públicos de qualidade. Com serviços públicos feministas.

      Escrito ?s 12:13:00 nas castegorias: album
      por SCMadiaLeva   , 1165 palavras, 58 views     Chuza!

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