Categorias: Atividades, Monumento a Ricardo Carvalho Calero

28/junho/2011: Comemorando na Crunha o 1600 aniversário do Reino da Galiza

A Fundaçom Meendinho valoriza muito, neste ano de 2011, o impulsionamento de todo o tipo de atividades que lembrem que estamos no 1600 aniversário do nascimento do Gallaeciorum regnum lá no ano 411, na cidade de Braga – capital histórica da Galiza –.

A Galiza foi o Primeiro reino que se constituiu como tal dentro das fronteiras do Império Romano e já com o seu primeiro rei Hermerico teve moeda com o nome de reino da Galiza.

Além de outras questões, esse reino e as suas estruturas, – como com grande genialidade e intuição souberam pôr de relevo tanto Benito Viceto como Manuel Murguia no século XIX, nos primórdios do galeguismo moderno –, foi o forno onde se cozeu o pão da nossa nacionalidade, que dizer, foi ali onde foi gerado Portugal e também a atual Galiza, que está sob domínio espanhol. Sem esse reino o presente seria muito diferente.

Ontem, dia 28 de junho de 2011, teve lugar mais um ato dos que vimos realizando, para os quais contamos com o apoio da As. Galega de Historiadores e, neste caso, a vontade amiga da A.C. Alexandre Bóveda da Crunha.

O Palestrante foi Xoan Bernardez Vilar, historiador, académico da RAG e associado da AGAL , quem leva publicado já mais de trinta livros, abrangendo tanto a divulgação histórica como os romances de temática histórica, de muito sucesso popular, como se percebe polas suas múltiplas reedições. Também teve uma pequena intervenção sobre este mesmo assunto do reino da Galiza o presidente da Meendinho, estando os dous acompanhados e apresentados polo Presidente da A.C. Alexandre Bóveda, Roberto Catoira.

Há às vezes nas pessoas uma doença terrível, que é o Alzheimer, que faz que os doentes vão perdendo a memória. As pessoas sem memória acabam sendo seres que vegetam, mas que não têm futuro e o seu passado lá fica esvaído nas trevas. Há povos a que neles se incute o vírus, neste caso os priões, geradores do Alzheimer social, doença terrível para os povos que a padecem, e que só se combate e se cura com memória, abelência social e esclarecimento, e nisso é que quer trabalhar incansável a F. Meendinho, como a melhor maneira de inserir a Galiza no espaço da Lusofonia a que pertence.

No ano 2000, Aquisgrão (Aachen em Alemão), junto com outras cidades europeias, foi cidade europeia da Cultura, e isto foi assim por se cumprirem o 1200 anos da proclamação de Carlos Magno como o imperador do Sacro Império Romano-Germânico. Por toda a Alemanha, e por outros países também, havia atos, palestras, programas nos meios, trabalhos nas universidades sobre esse feito e a sua importância histórica na configuração da moderna Europa e da Alemanha, e a importância do seu legado.

Sabei, amigos e amigas, que a importância disso era muito menor para a Alemanha que o Reino da Galiza para nós. Mas aqui os priões instalados no governo, nas instituições, na ignorância interesseira e espanholista que impera nas nossas universidades, faz que passem tão importantes feitos em bicos dos pés e no silêncio que ecoa ignominioso.
Em Portugal deveria ser outra cousa, mas há o problema esquisito de não entenderem certas elites provincianas que a Galiza histórica, sendo tal, já era verdadeiro Portugal, o que faz que também estes assuntos não tenham o relevo que corresponde.

Porquê foi tão importante o reino da Galiza para a Galiza e Portugal? Reparai neste primeiro e fulcral feito:
A sua criação foi recebida pelos galaico-romanos como uma benção, sim, como isso. Idácio de Chaves, um galaico-romano coevo, bem que no-lo conta, e não como uma desgraça. Os suevos trazem alegria ao povo, libertaram as pessoas da escravidão das dívidas e do fisco imperial, permitiram agromar por todo o lado muita iniciativa criadora.

Que era o que se deu para que isso fosse assim?

O pequeno grupo de germanos suevos que chegaram a essa província romana da Gallaecia com outras gentes germanas e não germanas, num totum revolutum, frente ao comportamento de outros povos, como por exemplo os visigodos, os saxões ou os lombardos, misturaram-se desseguida com o povo que os acolheu, adotaram a religião da maioria e deixaram a deles, integraram os galaico-romanos na suas empresas e governação, impulsionaram novos modos de governança.

Os inventos dos concílios, – conselhos do povo com todos os estamentos –, não nasceram nem em Toledo nem em Milão, nasceram na Galiza – Braga –, igual que depois mais tarde na Galiza nasceriam as modernas cortes, que se estenderam depois pola Europa.
Organizaram o território no Parrochiale Suevum ou Divisio Teodomiri, que ainda corresponde à nossa organização natural, muito bem continuada nessas maravilhosas estruturas administrativas de Portugal, que são as freguesias.
Nesse reino da Galiza criou-se um modelo de língua no latim proto-galaico que viria dar no nosso português moderno expandido pelos quatro cantos do mundo. Poucos povos podem proclamar tanto sucesso histórico.
O arco de ferradura não é árabe, é galego; a igreja de Santa Comba de Bande e a sua gémea de Viseu, não são visigóticas, são criações originais do nosso povo.

Esse reino estabeleceu uns limites fronteiriços do território bastante estáveis, que vão ser o cerne da nossa nacionalidade, e que depois, na reconquista frente ao muçulmano, foram expandidos.
Lembremo-los: no leste os rios Águeda, Douro e Órbigo eram a raia; no nordeste, sempre em dura e constante luta, fundaram Ovetum (Oviedo) como forte de defesa, e deram ao rio que fazia de fronteira o nome do território externo que marcavam, rio Hispania, que hoje leva o nome de Espanha e fica um pouco a leste de Gijom; no sul a fronteira estava no Tejo e na linha que de este nos leva ao promontório de Peniche.

Deixaram-nos inúmeros nomes na nossa toponímia, que respondem não a uma imposição e sim à alegria da sua aceitação pelo nosso povo; povo que popularmente e até muito recentemente usava os nomes germânicos de maneira dominante, como contraste com os nomes das elites espanholas dominadoras, que os usavam latinos ou judeus.

Poderíamos estar indefinidamente falando das marcas que nos deixaram, algumas na vida do dia-a-dia, da broa (pão em germânico) ao lardo (toucinho em germânico), mas sabei que depois de quase douscentos anos de existência consolidada como importante reino da cristandade, não desapareceram. Isso é completamente falso.

Na Ibéria visigótica a Galiza foi sempre um reino distinto e inconfundível com a Espanha, que permaneceu e continuou distinto na sua governação. Estão aí as atas todas dos concílios de Toledo – esses, copiados do modelo galaico – para o demostrar; e estão as fontes históricas para nos indicar que mais de um rei godo, antes de o ser em Toledo foi-o na Galiza, como por exemplo Witiza, e que na Galiza sempre havia a figura duma personagem com a condição real.

Chegou a invasão muçulmana e a Galiza safou-se da dominação. Salvou-se com um penhor, uma coima que não teve longa duração. As dioceses da Galiza, com a própria Braga, são as únicas dioceses peninsulares que tiveram continuidade no tempo e nunca ficaram vagas.
Frente ao muçulmano, é a Galiza, o poder que o vai enfrentar. Só a Galiza aparece nos textos muçulmanos e dos demais reinos cristãos da Europa, francos, lombardos, anglo-saxões, normandos...

Castela-Espanha nasceu como uma força separatista1, frente à Galiza, e triunfou afirmando-se contra a Galiza e negando-a. O submetimento da parte norte da Galiza e os instrumentos nacionalizadores da escola e das suas instituições espanholas socializaram os priões da desmemória do nosso ser. Só o conhecimento consciente e o desvendar os feitos, pode fazer-nos livres e seguros de nós próprios.
Além disso, o sucesso dessa parte fulcral da Galiza, que é Portugal, graças ao maravilhoso milagre da sua separação e nascimento como Estado diferenciado2, fez que a nossa língua e cultura seja um referente internacional, o qual, como dizemos na Meendinho, é ouro nas nossas sacolas e faltriqueiras.... não deixemos que nos roubem, abramos todos e todas bem os olhos.

Nota: A.C. Alexandre Bóveda proximamente disponibilizará o vídeo na sua página web.

-É muito boa, ao respeito, a obra de Eduardo Menendez-Valdes Golpe “Separatismo y Unidad” ed. Galaxia 1970.
- http://www.pglingua.org/images/stories/pdfs/2010/230210_alexandrebanhos.pdf

Escrito em 29-06-2011, na categoria: Monumento a Ricardo Carvalho Calero
MANIFESTO 2011 dia das letras

MANIFESTO
para toda a sociedade galega, no dia das letras 2011:

GALEGAS E GALEGOS: ENVEREDEMOS O CAMINHO CERTO

A fala da Galiza, o português de Portugal, os português dos distintos estados lusófonos, formam um único diassistema internacional, conhecido entre nós
popularmente como galego e internacionalmente como português”
Ricardo Carvalho Calero

1- A Língua da Galiza é uma criação original coletiva do nosso povo, que nos faz ser o que somos ao nela vivermos socialmente como tais, pois por cima de qualquer outra cousa ela representa o espírito da nossa alma coletiva como povo diferenciado e original.

2- Portugal esse cerne da velha Galiza, estendeu a nossa língua polo mundo, fazendo dela uma das mais importantes línguas internacionais. A língua da Galiza é, nas palavras tradicionais do galeguismo, extensa e útil.

3- O povo galego na sua língua extensa e útil está e é no mundo, porém sem ela ficará morto.

4- Denunciamos que sob a pretensa normalização da língua da Galiza, sempre inacabada, as autoridades espanholas apresentam a língua nacional carente de qualquer sentido de utilidade e expurgada da sua dignidade e da sua condição de ser uma das línguas europeias de maior difusão internacional, usada em todos os continentes, que com a variedade própria das línguas internacionais é falada por centos de milhões de pessoas no mundo.

5- Enquanto se reforça continuamente o fator da utilidade e a correspondente necessidade da língua castelhana; para a língua da Galiza, o galegoportuguês ou português da Galiza as políticas reduzem-no, a um sentimento carente de utilidade e necessidade, o que a faz perceber como uma escolha na intimidade privada e sentimental, despida do que é a realidade das línguas: Uma criação coletiva que se vive socialmente e como tal é necessária e útil.

6- Na Língua da Galiza cria-se, edita-se, publica-se, como o que é, uma das línguas internacionais do mundo. Denunciamos com o amparo das leis europeias -repetidamente violadas polas autoridades espanholas- ante o nosso povo, os povos do mundo e de jeito especial os da lusofonia que compartimos- que a recepção dos meios portugueses de todo tipo, especialmente as televisões segue absolutamente banido da Galiza ao norte do rio Minho, sob as práticas mais corruptas, falsas e vergonhosas.

7- Lembramos, que neste ano de 2011 cumpre-se o 1600 aniversário do nascimento -nas suas palavras- Gallaeciorum Regnum, que com o centro na velha e histórica capital da Galiza –Braga- foi o fermento para o povo galego como tal ser gerado, tanto no que respeita a Portugal, como à Galiza do estado espanhol, que acabou usufruindo esse nome -.

8- Os assinantes, queremos lembrar a todo o nosso povo, que a Galiza foi um reino livre com as suas pegadas na história do mundo e da velha Europa, pleno de sucesso, e que como tal viveu até que a terrível guerra de 15 anos (chamada naquela altura de doma e castração) a seguir a batalha de Toro de 1486, nos submeteu a Castela. Pensamos que é momento de tornarmos à rota certa e relacionarmo-nos com os nossos vizinhos sob os princípios do respeito e da fraternidade solidária.

9- Neste ano, centésimo do nosso grande homem das letras Ernesto Guerra da Cal, queremos destacar a sua figura que tem que ser um farol do agir polo caminho certo e seguro o nosso povo, compartindo esse farol com o do seu bom amigo o também professor Ricardo Carvalho Calero, ante cujo monumento nos achamos.

Escrito em 10-05-2011, na categoria: Monumento a Ricardo Carvalho Calero
O dia 30 de Outubro às 11:00 h inauguramos o monumentoa Carvalho Calero

O DIA 30 INAUGURAMOS O MONUMENTO AO PROFESSOR RICARDO CARVALHO CALERO

A Carvalho Calero, a quem o Parlamento da Galiza no 1996 declarou filho predilecto por unanimidade; neste ano do seu centésimo e vigésimo do passamento, nom se queria valorizar a sua pessoa, memória e obra, e tal afirmaçom resulta lógica, pois nunca se dera tal unanimidade de petições, para fazermos do ano 2010 o ano Carvalho Calero, de quem além da importância da sua obra, foi o primeiro catedrático de galegoportuguês da nossa universidade.

Desde a Fundaçom Meendinho, uma entidade declarada de interesse galego, impulsionamos todo um processo para que neste ano 2010, fosse o professor devidamente homenageado, e tivesse um monumento digno, um monumento a colocar no lugar da Galiza -Alameda de Compostela- onde o vam olhar e desfrutar 1.500.000 pessoas ao ano.

Eis o lugar exato em que finalmente vai o monumento a Carvalho Calero
http://maps.google.com/maps?f=d&source=s_d&saddr=42.876749,-8.546804&daddr=&hl=pt-PT&geocode=&mra=mift&mrsp=0&sz=20&sll=42.876619,-8.546813&sspn=0.00061,0.00142&ie=UTF8&ll=42.876751,-8.546834&spn=0.00061,0.00142&t=h&z=20

Muito gostaríamos contar no ato de inauguraçom do monumento coa presença de todo o mundo, de gentes de todas as ideias e desde a Fundaçom Meendinho a todos e todas convidamos, pois D. Ricardo Carvalho Calero nom é de ninguém, é um património de coerência, de entrega e de generosidade ao serviço da Galiza.

O acto da inauguraçom do belíssimo monumento, vai ter lugar o dia 30 de Outubro -centésimo exato do nascimento do professor e nonagésimo da saída da Revista Nós- E será às 11:00 h com começo pontual.

O acto vai ser gravado a vídeo.

PROGRAMA DO ACTO

-Apresentaçom do acto:

A cargo da professora Margarida Martins, da F. Meendinho

-Intervençom Universidades galegas:

Reitor da U. de Compostela doutor Juan Casares Long,

-pendente de confirmar os reitores da Universidade de Vigo -doutor Salustiano Mato, e da Corunha -doutor José Mª Barja

-Intervençom da AGLP

Presidente da AGLP e professor da U. Vigo, doutor José Martinho Montero Santalha

-Intervençom da ASPGP

Presidente da ASPGP e professor da U. Vigo, José Paz Rodriguez

.Intervençom da AGAL

Presidente da AGAL, professor Valentim Rodrigues Fagim

-Intervenção da CIG

Secretario Geral da CIG, D. Suso Seixo

Intervenção da família

Mª Victória Carvalho Calero Ramos doutora professora da U. De Vigo

Margarita Carballo Ramos

Intervenção do Concelho de Compostela

Sem determinar a pessoa neste momento

Intervenção Presidente F. Meendinho dando as graças aos presentes

Presidente da Fundaçom Meendinho, Alexandre Banhos Campo

TODAS AS INTERVENÇOES SERAM BREVES, já que às 12:00 h. deveria rematar o acto

Descobrimento do belíssimo monumento que vai acrescer o património de todos os galegos e galegas

Encerramento do ato com o Hino galego

Escrito em 28-10-2010, na categoria: Monumento a Ricardo Carvalho Calero
Formaçom

É vontade da Fundação disponibilizar por qualquer meio, materiais que ajudem à superior formação do povo galego

para começarmos nada melhor que sabermos de onde vem o nome da Fundação:

Ele vem do autor da formosa cantiga de amigo "Sedia-m'eu na ermida de Sam Simiom" assinada por Meendinho.

Meendinho foi um jogral medieval, de quem nos chegou apenas uma única, mas extraordinária, cantiga de amigo, cujo cenário é a ermida de São Simão, na Ria de Vigo. Apesar da qualidade desta cantiga, uma das mais notáveis de toda a poesia lírica galego-portuguesa, sua identidade e a sua biografia são ainda quase totalmente desconhecidas.

Achava-me eu na ermida de São Simão
E cercarom-me as ondas, que grandes são:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Estando na ermida ante o altar,
Cercarom-me as ondas grandes do mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

E cercarom-me as ondas, que grandes são,
Não hei barqueiro nem remador:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

E cercarom-me as ondas do alto mar,
Não hei barqueiro, nem sei remar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Não hei barqueiro nem remador
Morrerei eu formosa no mar maior:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

Não hei barqueiro, nem sei remar,
Morrerei eu formosa no alto mar:
Eu aguardando o meu amigo,
Eu aguardando o meu amigo! E virá?

O texto tal e como ele foi escrito há quase 800 anos

Sedia-m'eu (achava-me) na ermida de Sam Simiom
e cercarom-mi as ondas, que grandes som:
eu atendend'o (atender é um galicismo por influência provençal por aguardar/esperar) meu amigo
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

Estando na ermida ant'o altar,
cercarom-mi as ondas grandes do mar:
eu atendend'o meu amigo.
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

E cercarom-mi as ondas, que grandes som,
nom heii barqueiro, nem remador:
eu atendend'o meu amigo.
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

E cercarom-mi as ondas do alto mar,
nom heii barqueiro, nem sei remar:
eu atendend'o meu amigo.
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

Nom heii barqueiro, nem remador,
morrerei eu fremosa no mar maior (mar bravo):
eu atendend'o meu amigo.
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

Nom heii barqueiro, nem sei remar,
morrerei eu fremosa no alto mar (mar bravo):
eu atendend'o meu amigo.
eu atendend'o meu amigo. E verrá?

O poema está recolhido no códice da Biblioteca Nacional de Lisboa e no códice da Biblioteca Vaticana, de lírica medieval.

Escrito em 06-01-2010, na categoria: Atividades
O teu contributo e imprescindivel para o monumento a RICARDO CARVALHO CALERO

UM MONUMENTO PARA D. RICARDO CARVALHO CALERO

O ano 2010 é o ano do centésimo do nascimento de Carvalho Calero e o vigésimo do seu passamento. Foram muitas as instituições e pessoas que aguardavam o ano 2010 como o ano institucional Carvalho Calero. O tentar silencia-lo é um acto cúmplice gerador da desmemoria.

A Fundaçom Meendinho tem aberto um processo para erigir-lhe um monumento em Santiago de Compostela que perpetue a sua memória. Participam dezessete escultores da Galiza e Portugal.

http://pglingua.org/index.php?option=com_content&view=article&id=1425:fundacom-meendinho-promove-a-construcom-de-um-monumento-dedicado-a-carvalho-calero&catid=28:carvalho-2010&Itemid=84

Para o financiamento deste projecto de subscripçom popular, é necessária a aportaçom de todas aquelas pessoas conscientes, comprometidas coa nossa cultura e defensoras dum idioma que traspassou as nossas fronteiras e que pode encontrar no âmbito da sua língua internacional, o espaço para a defesa dos seus interesses tal e como afirmava o professor Ricardo Carvalho Calero, e que sabem do valor formativo e exemplar que este tipo de ações supõem

Sem o contributos como o seu seria-nos impossível levarmos a cabo o projecto.

A tal fim ingresse na conta da F. Meendinho em indicando o seu nome e bi para o certificado Caixanova 2080 0132 15 0040021179
IBAN ES25 2080 0132 1500 4002 1179

Da sua achega enviar-se-á o correspondente certificado por desagravarem fiscalmente um 25 % de conformidade a Lei estatal do Mecenato, e uma memória final onde se informará dos ingressos e como estes foram investidos.

Assinado: O Presidente, Alexandre Banhos.

Breve apontamento sobre a figura de D. Ricardo Carvalho Calero (Ferrol, 30-10-1910 - Compostela, 25-03-1990).

A sua etapa universitária ficou marcada pola sua incorporaçom ao Seminário de Estudos Galegos (S.E.G). Foi cofundador do Partido Galeguista em 1931, e juntamente com Luís Tobio autor do primeiro Anteprojecto de Estatuto de Autonomia da Galiza.

A 28 de Junho de 1936, no Plebiscito do Estatuto de Autonomia da Galiza, aprova-se por mais de 2/3 do eleitorado. Porém, poucos dias depois produze-se a sublevaçom militar. A sediçom surpreendeu Carvalho em Madrid e de imediato incorpora-se como miliciano ao exército republicano, participando na defensa de Madrid, sendo depois elevado a Oficial.

Em 1939, é julgado e condenado à cadeia perpétua, (por ser oficial do exército, e separatista, -do Partido Galeguista-). No ano 41, regressa a Ferrol em liberdade controlada, dedicando-se ao ensino privado.

Nos anos de posguerra o labor literário vai ser muito intenso, é a primeira pessoa que depois da guerra publica em galego, escreve três obras dramáticas: A Sombra de Orfeo, A Árbore e Farsa das Zocas. Os romances A Gente da Barreira e Os Señores da Pena. A seguir as crónicas do mundo da sua infáncia: O Lar de Clara, As Pitas baixo a Chuva, Os Tumbos... Tamém começam as colaborações no jornal «La Noche» sob pseudónimo.

Participa na fundaçom da Editorial Galáxia em 1950 e nesse ano deslocará-se para trabalhar em Lugo, onde exercerá como professor e director do Colégio Fingoi.

Em 1964-65 incorpora-se como professor interino de Língua e Literatura Galegas na Universidade de Compostela. Em 1966 aparece a primeira ediçom da sua Gramática elemental del gallego común. Em 1971, publica: A Sombra de Orfeu, Farsa das Zocas, A Árbore e Auto do Prisioneiro.

Em 1972 consegue por concurso a primeira Cátedra de galego-português na Universidade de Compostela facto fundamental para a dignificaçom da nossa língua e cultura e para formarem-se profissionais, e saem do prelo Sobre língua e literatura galega (1971); Estudos Rosalianos: aspectos da vida e obra de Rosalia de Castro (1979), e Libros e Autores Galegos I (1979).

Em 1979 preside a plural Comissom Lingüística da Junta Pré-Autonómica, que elabora umhas Normas Ortográficas do Idioma, conhecidas como de mínimos. As normas nom faziam mais do que seguir a linha que formava parte da tradiçom galeguista desde as origens, e do que proclamava a linguística internacional. O chamado Decreto impositivo (1983) ("Decreto Filgueira") anula as anteriores normas do consenso e impom umha linha que consagram, a satelizaçom ao romance ibérico central.

Em 1980, abandona a docência, mais a sua actividade criativa multiplica-se, cultivando todos os géneros: poesia, romance, teatro, ensaio,... A partir deste ano recolhe em livros a maior parte da sua produçom como crítico: Problemas da Língua Galega (1981); Livros e Autores Galegos II (1982); Da Fala e da Escrita (1983); Letras Galegas (1984); Escritos sobre Castelao (1989); Estudos e Ensaios sobre Literatura Galega (1989); Do Galego e da Galiza (1990). Continua a sua produçom poética: Pretérito Imperfeito (1980); Futuro Condicional (1982); Cantigas de Amigo e Outros Poemas (1986); Reticências... (1990). Revisa e reedita toda a obra dramática e narrativa: Teatro Completo (1982); A Gente da Barreira e Outras Histórias (1982), Narrativa. Em 1987 publica Scórpio, um dos melhores romances da Galiza. Foi membro da «RAG», «Academia das Ciências de Lisboa», e de honra da «AGAL»

Em Compostela, onde morava, falecia a 25 de Março de 90. Concluía «umha vida densa e austera, dedicada a trabalhar pola Galiza e a sua cultura». A nós ficou-nos a sua obra e o seu exemplo de permanente coerência.

Escrito em 06-01-2010, na categoria: Atividades

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