
Há muitos anos, já muitos muitíssimos anos, os meus tios, o irmao da minha mae e a sua mulher, chegarom à nossa casa da Corunha com um presente inesquecível: um gira-discos. Um mala compacta, com giradiscos, cassete e rádio, e dous alta-vozes, que se convertirom no centro da casa, e com os quais pudemos escuitar música durante muitos anos, até que as cousas melhorárom economicamente na minha família (e isso foi depois de vários e vários anos), e pudemos mercar um outro aparato (que ainda é o que há na casa familiar), já entom com leitor de CD`s.
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Junto com esse gira-discos, vinham nom poucos discos, de diversos estilos, épocas e gostos. Vinilos grandes, LP's, e vinilos pequenos, dos de 45 r.p.m., singles. Entre todos esses discos, que ainda conservamos, alguns de membros de Voces Ceives, vários dos Beatles, dous ou três de Serrat, música anglosaxona diversa, Os Brincos, Massiel,... e diversa música latinoamericana. Entre estes últimos, umha ediçom soviética (os meus tios viajavam muito), de Victor Jara.
Eu tardei muito em saber-lhe o nome a este cantantes, mas foi um dos discos que mais se podia escuitar na nossa casa. A questom é que como estava todo em russo, na capa em vez de Victor Jara vinha escrito umnha cousa estranha que se podia ler mais ou menos como "Buktop Xapa". Assim que para mim foi durante muito tempo (eu teria 7 ou 8 anos como muito), Buktop Xapa.
Hoje, ao escuitar na rádio que a justiça chilena decidiu reabrir a investigaçom polo seu assassinato a maos dos fascistas pinochetistas, lembrei-me disto que venho de contar.
As suas cançons fam parte da minha memória. Da memória de milheiros de pessoas, que ainda cremos na luita pola utopia, nom por impossível, mas por necessária.
Desde este humilde blog de operário, esta pequena homenagem.