
Os monarcas podem reinar, mas que nom lhe chamem a isso Democracia. Porque há umha definiçom de Democracia, e nom é compatível com este sistema operativo de monarquia parlamentária (parlamentira?)

Está Ponferrada inçada (imagino que como muitas outras cidades e vilas da Galiza) de cartazes anunciando festas de "Halloween". Mas, quem organiza essas festas?: bares, pubs, cafetarias, cervejarias, discotescas, tascas, furanchos,... Halloween, que se calhar dentro de cento cinqüenta ou douscentos anos é já considerada umha festa "tradicional" ou "histórica", pertencente ao património imaterial de quen ande por estes lares na altura, Halloween, digo, é umha das festas mais comerciais que se "celebram" hoje em dia no nosso país; Ou, se calhar, a festa mais comercial, muito por diante doutras. Marcas de cerveja a fazer promoçons, marcas de whiskei a fazer mais promoçom, todo tipo de negócios subindo-se ao carro do ócio com a excusa do halloween.
A maior parte dos cartazes som practicamente iguais. Eu, até figem algum no trabalho, por encargo. E é que é isso o que pedem. Umha "imagem de halloween", di quem encarrega o cartaz. Porque no seu imaginário, e no nosso imaginário colectivo, nom nos enganemos, umha "imagem de halloween" e umha imagem do halloween ianqui. Porque os ianquis, a indústria ianqui do espectáculo, do entremento, da cultura, é a maior produtora de imaginário colectivo na nossa sociedade. E o resultado é esse: uniformidade. As nossas cidades cheias de cartazes com cabazas ianquis, com tipografia Blood Cyrillic, e anuncinado festas onde a grande protagonista é a cerveja ou o whiskie que promociona essa festa.
Mas as cousas podem ser doutro modo.

Atopei um apartamento novo, barato, amplo, com bons vizinhos e vizinhas, onde poder trabalhar com os meus quadros, ou o que sejam.
Nom é que vaia deixar esta casa, cá! O que se passa é que o apartamento permite-me seguir trabalhando naquelas cousas com um pouco de orde, e podo ter os quadros na parede, e nom por aí arrombados de qualquer modo tras das portas.

Tal vez
um homem novo
um ser humano novo
Um Ser Humano
onde ser
também significa estar
onde humano
também significa vivo
Tal vez
só umha nova forma
de nom seguir renunciando
de nom seguir claudicando
de nom seguir aceitando
placidamente
as derrotas

Estes som os últimos dias
Sabemos que vai chover
Vai chover
Novamente vai chover
E pode que seja mais umha derrota
Umha outra derrota
que somar
ao nosso curriculum colectivo
Tam necessária
e imprescindível
como as anteriores
Tam distinta
e diferente
como as anteriores
Mas estes som os últimos dias
e vai chover
Sabemos novamente
que vai chover
e que estes som
precisamos que sejam
os últimos dias

Todo é terrivelmente complicado
Mas nom há que se preocupar
com isso
Também o certo é
que
tudo é terrivelmente simples
Igual que distinguir o abalo e o devalo
Igual que ver chover
Igual que pensarmos
que existir é
lembrar distáncias
e falar silêncios
Nom existe mais que
o caminho
O que vives é a viagem
Estou confuso
e nom escuito mais
que o silêncio iluminando
esta noite
cheia de palavras molhadas
Essas luzes que
me rodeam é o lume
da terra
Arder
é a palavra
que procuras

Agora que o capitalismo vem de descobrir que a forma de aumentar a riqueza dos mais ricos é tam simples como roubar (tirar-lhe o dinheiro ao conjunto da populaçom para apropriar-se dele e reparti-lo entre os mais ricos), vem a OCDE e nos di que aumenta a brecha que separa às pessoas ricas das pobres.
O que diminue é a que separa os vivos dos mortos.

"desde este humilde cuarto
de obreiro
prométoche o fin da tiranía
porque nas mans levo o traballo
e na fronte a memoria colectiva
e se algún día dis que eu mentín
direi que nom, que fun vencido"
Rafa Villar
Recupero este poema de Rafa Villar, do seu livro "O devalo do mar", editado em Junho de 1994 (já choveu...), porque me parece muito apropriado como banda sonora poética para falarmos de derrotas e conversos, da chamada "industria dos direitos de autor" e da redistribuiçom da cultura.
Devo começar reconhecendo que som membro de CEDRO, a entidade de gestom dos direitos de autor no ámbito editorial. Figem-me membro desta entidade practicamente ao mesmo tempo que me fazia membro da AELG, a associaçom que reune aos e às escritoras em língua galega. De facto, entregarom-me juntos os formulários para associar-me, ainda que ser membro dumha entidade nom obriga, nem obrigava, a ser membro da outra. Como membro de CEDRO, puidem aproveitar algumhas das suas ajudas para, entre outras cousas, comprar as gafas que agora levo postas todo o dia, todos os dias, também mentres escrevo isto.
Mas o certo é que cada vez tenho mais diferências com a sua actividade e com os seus posicionamentos. Pode ser porque CEDRO tem radicalizado as suas posturas no que se refire ao tema dos direitos de autor (principalmente, e quase exclusivamente) económicos; ou pode ser porque eu tenho avançado nas minhas posiçons de defesa da ideia da cultura para todas/todos, o combate ao copyright e a promoçom da redistribuiçom da cultura. Em qualquer caso, cada vez que algumha das suas revistas chega à minha casa, os seus artigos parecem-me cada vez mais polémicos, mais escandalosos, mais ofensivos (quer-se dizer, que me ofendem).

Acertei com o post anterior. Parece que o nosso admirado Jacques cotiza à alça.
A notícia tem um certo aquel de vergonha alheia, escándalo e bochorno. Mas aí está.
Eu, Ne me quitte pas, de sempre, umha das melhores.
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