AUTHOR: Pega no Livro TITLE: A pega voou para um novo habitat BASENAME: a-pega-voo-para-http-peganolivro-wordpress-com DATE: Wed, 11 Jul 2012 09:32:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

CONVIDAMOS-TE A ENTRAR NO SEU TERRITÓRIO:


http://peganolivro.wordpress.com/

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Microbios e outros paquidermos BASENAME: microbios-e-outros-paquidermos DATE: Tue, 05 Jun 2012 17:59:07 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Leituras TAGS: ----- BODY:

Orixinalidade premeditada, máis ben forzada, para "épater le bourgeois". Surrealismo á carta. Modernidade forzada.

Se comparamos esta forma de escribir coas Artes Plásticas sería coma unha manda de obxectos, sen relación aparente entre si, ciscados nunha sala núa de calquera outro obxecto para así destacaren estes en por si. Xuntos alí por pura casualidade.

Guiños constantes ao mundo cultural do aquí e do agora: isto, evidentemente, non é malo.
A sensación que me queda é que, aínda recoñecendo que alguén o ten que facer primeiro, resulta que me parece que calquera o podería facer: está claro que o autor do libro adiantouse. O que quero dicir é que non ten ningunha dificultade, polo menos aparente, fiar uns capítulos con outros, se é que se poden chamar así.

Non sería un libro que eu recomendase, non me aporta nada.

Comentario: Lendo lendas.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Cecília, de Henrique Pousão BASENAME: cecilia-de-henrique-pousao DATE: Thu, 10 May 2012 16:20:14 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

No passado 25 de abril, TUGA-LUGO-LENDO juntou-se para "ler" pintura portuguesa da segunda metade do século XIX e primeira do XX. RAMIRO ÁLVAREZ leu-lhe este texto à Cecília do Henrique Pousão, conseguindo que ela desistisse da própria leitura e pousasse o olhar na malta ali congregada. Obrigados, Ramiro.

Liguei o computador, à procura de um quadro de autor português do século dezanove e, pronto, o meu olhar deu no olhar da menina que me mirava com essa tranquilidade sossegada, como se se me oferecesse para ajudar-me na tarefa.

O quadro, de Henrique Pousão (1859-1884) representa uma rapariga, vestida à napolitana, orando junto a um pilar da igreja de Santo António dos Portugueses.

O primeiro que me chamou a atenção foram as texturas da pintura: o mármore das paredes, a madeira da cadeira, o tecido das teias, e a simbologia da coluna sólida, firme e duradoura.

E o olhar da menina.

Procurei o nome do quadro. Esperava algo como ?menina orante? ou ?napolitana com vestido de festa?, por isso fiquei surpreendido com o nome: ?Cecília?. Não era uma simples pintura, a menina era alguém real.

Li a biografia do Henrique Pousão e soube da sua arte, da sua curta vida de vinte e cinco anos, das suas viagens à França e a Itália. Mas o que eu procurava era a ração daquele olhar tranquilo de Cecília, o porquê do nome personalizado do quadro, a relação de modelo e pintor.

Mas na Internet não havia explicações; apenas o quadro uma e outra vez; uma e outra vez o olhar tranquilo ao pé da coluna sólida, firme e duradoira. E decidi buscar na própria pintura, interrogar à Cecília por se ela me revelava qualquer coisa.

E olhei no olhar que me olhava.

E entrei na igreja de Santo António dos Portugueses um dia de festa. Uma igreja, sem dúvida, italiana. A menina lia no seu breviário, alheia ao rebuliço da gente, encostada na sua coluna sólida, firme e duradoira. O pintor achegou-se até ela e mirou-a desde todos os ângulos, estudando a sua face, a sua postura.

- Ó menina, olha para mim que quero fazer o teu retrato.

E a menina, surpreendida, levantou os olhos para o pintor que pegou na caneta e, rapidamente, começou a traçar riscas no papel.

O pintor trabalhava e a menina olhava o pintor trabalhar. O olhar de surpresa tornou-se olhar confiado, com uma pitada de picardia.

- Ó pintor, bem sei o que tu procuras que eu também tenho vinte e três anos e os teus mesmos desejos... Mas não sou menina de brincadeiras e o amor que te ofereço é como esta coluna, sólido, firme e duradoiro.

O pintor imortalizou a menina com os seus pincéis e a menina deu-lhe alma ao quadro com os seus sentimentos.

Henrique Pousão morreu em Portugal dois anos mais tarde, de vinte e cinco anos. Cecília ficou para sempre neste quadro vivo, no museu nacional de Soares dos Reis, no Porto, a olhar a quem a olhe para contar-lhe do seu amor sólido, firme e duradoiro...

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Tuga-Lugo-Lendo BASENAME: tuga-lugo-lendo DATE: Sat, 28 Apr 2012 11:34:48 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Tuga-Lugo-Lendo (EOI de Lugo) CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Tuga-Lugo-Lendo foi criado em outubro do ano 2009, por iniciativa do departamento de português da EOI de Lugo. A maior parte dos membros dos clube são alunos e ex-alunos da escola, mas as portas estão abertas para qualquer pessoa que queira participar.

Lemos em português, quatro ou cinco livros por ano. Tentamos sempre que haja um equilíbrio entre a literatura portuguesa, brasileira e dos países africanos com o português como língua oficial. Também fazemos o possível para contar com a visita de, polo menos, um autor por ano.

No primeiro ano de andamento do nosso clube tivemos três reuniões, mas o número de sessões foi aumentando, a atualmente realizamos uma por mês.

Já fizemos as seguintes leituras:

1. Jesusalém (Mia Couto)
2. Contos do Barroso (José Dias Baptista)
3. O Alienista (Machado de Assis)
4. As sereias do Mindelo (Manuel Jorge Marmelo)
5. O Planalto e a Estepe (Pepetela)
6. Rio Homem (André Gago)
7. Capitães da Areia (Jorge Amado)
8. Contos Galegos (Paulo Soriano)
9. O Mandarim (Eça de Queirós)
10. A primeira Aldeia Global (Martin Page)
11. Antologia do Conto Brasileiro Contemporâneo (VVAA)
12. Quantas Madrugadas tem a noite / Bom dia, Camaradas / Os da minha rua / Avodezanove e o segredo do soviético / A bicicleta que tinhas bigodes (Ondjaki)

José Dias Baptista, Manuel Jorge Marmelo e André Gago estiveram na nossa escola. O clube deslocou-se até à Eira da Joana, na Ulhoa, para apresentar o livro Contos Galegos num ambiente inspirador para o género fantástico e dos contos de terror.

Como pelo nosso clube passaram muitas pessoas em momentos diferentes, é difícil fazer uma votação dos livros mais bem sucedidos. O Planalto e a Estepe e os Capitães da Areia foram porventura os mais consensuais: Apostas certas para clubes de leitura.

No 25 de abril deste ano (2012) dedicamos uma sessão à pintura portuguesa naturalista, modernista e de vanguarda. ?Lemos? quadros de Amadeo de Souza Cardoso, Almada Negreiros e Luís Pousão, entre outros.

O nosso contacto é lugolendo@gmail.com

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Dia de escrita em Lendo lendas BASENAME: dia-de-escrita-en-lendo-lendas DATE: Thu, 26 Apr 2012 18:19:36 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Atividades TAGS: ----- BODY:

Olá mamai !! já levo um mês aquí , no teu país natal, e estou encantada!

Antontem parece ser que houve uma ?ciclogénese explosiva?, mas aqui não explora nada, tens uma terra bem tranquilinha. Choveu muito, isso sim, mas bem me disseste que isso era natural aqui na Galiza.

Este mês fum de visita a Mugardos, a recolher as bases do concurso de escrita, envío-che uma foto e que não che dê morrinha.

Ontem, no clube Lendo lendas, tivemos a primeira juntança de narradores e foi um pequeno acto ideal, foi como ir ao teatro. O teatro de Xan Palomo ?eu guiso-o, eu como-o?. Levamos os quatro contos inventados e lemos en voz alta cadanseu relato mentres o resto escutava. Quatro histórias diferentes, quatro estilos diferentes, mas tudos bem feitucos. Já sei o que estas a pensar, minha mãe: ?essa modestia, filha ...?.

Agora estamos matinando de criar alguma obra colectiva, pode ser mesmo tipo Brockhoff:
http://en.wikipedia.org/wiki/Stefan_Brockhoff

e pouco máis, marcho a pensar na seguinte história
bikos da tua Mafalda
P.E: alegrei-me muito ao recebir a tua carta, sentim-me menos longe.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Clube de Leitura Paco Martín, Bretonha BASENAME: o-clube-paco-martin-de-bretonha DATE: Tue, 17 Apr 2012 18:18:12 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Bretonha CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Aló polo 26 de decembro do 2011 nace o clube de lectura de Bretoña, fruto da semente que a Pega trouxo no bico, e non secou nin lle fixo falta abono, pois seguimos adiante, iso sí, paseniñamente, como se cociña un bon xantar.

Empezamos só con xente do propio pobo, invitamos a quen queira a que se una a este magnífico proxecto, sexan de onde sexan, e según nos van coñecendo vaisenos unindo xente, entre eles, o alcalde, e tamén o escritor Paco Martín, que na sua honra puxémoslle de nome ao clube: Clube de Lectura Paco Martín. É un clube formado por xente moi diversa, tanto en idade como en ideas e isto fai que as xuntanzas sexan interesantes e divertidas.

O primeiro libro que escollemos é O club da calceta, de María Rimóndez, e que aínda estamos lendo (xa dixen que aquí vaise amodiño) e entre outras actividades programadas, temos a intención de remata-lo cunha visita de María e o visionado da película. Tamén hai algún membro do clube que está calcetando.

A próxima obra aínda non a decidimos, pero polo medio meteremos algún conto do libro ?O Conto Brasileiro Comtemporâneo?, un novo reto para o noso clube.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Afinal, será que Deus é brasileiro? Comentário do João Facal aos Quinze Brasis de Fernando Bonassi BASENAME: afinal-sera-que-deus-e-brasileiro DATE: Sun, 15 Apr 2012 11:26:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Leituras CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Comentário do João Lopes Facal aos Quinze Brasis de Fernando Bonassi (Antologia do Conto Brasileiro Contemporâneo)

Bom, eu concordo em que contos, propriamente, não são. De facto, os 15 textos pertencem ao género, tão estimulante, do pranto pelos males da pátria e a desgraça de ter nascido no lugar errado.

Atribui-se a Cánovas del Castillo ? pessoa esperta na matéria ? a afirmação de que: " Son españoles... los que no pueden ser otra cosa ". Concordo. Contudo, não podia faltar o génio saudoso português para melhorar a marca, neste caso a voz do meu amado poeta António Nobre: ?... Amigos, que desgraça nascer em Portugal!?

Bom, o caso é que nos países novos, onde o futuro é mais longo que o passado e os livros de história não importunam as criancinhas com proclamas heróicas, costumam levar melhor a afortunada desgraça de ter nascido. Lembramos agora que o mais grande poeta norteamericano, talvez, Walt Whitman, cantava-se a si mesmo e ao seu país com a maior alegria: ?Tenho trinta e seis anos. A minha saúde é perfeita e com o meu alento puro começo a cantar hoje??
Brasil? bom Brasil não é ainda Norteamérica mas a verdade é que a tristeza da favela foi sempre menos triste que a do barraco do tio Tom. O samba afinal é para bailar enquanto o blues apenas para cantar a saudade.
O caso é que o Bonassi arrenega no seu Brasil em 15 capítulos do ritmo tropical, de qualquer celebração do futuro e parece mesmo que o que pretende é contradizer a afirmação do presidente Lula: ?Eu digo sempre que depois da descoberta da Petrobras está ficando provado que Deus é brasileiro?. Tem-no merecido, Pelé ou Machado de Assis estão muito acima de Petrobras sem que a estátua do Pão de Açúcar se tenha comovido.

Bom, Bonassi opina contra. Quinze são os argumentos do Bonassi, todos eles convincentes se acreditamos na sua experiência de primeira mão. Para começar, adota Bonassi a voz de um poeta brasileiro para lembrar-nos que nascer é muito comprido e custa habituar-se. Ele demonstra-o, não foi capaz ainda.
Naturalmente renuncio a resumir os aforismos, ou sentenças, ou chicotaços do tal Bonassi ? romancista, contista, cineasta e roterista: São Paulo, 1962 ? porque não é possível reduzir o que é já mínimo. É questão de lógica.

Não renuncio, contudo, a chegar a compreender plenamente alguma das histórias que de tão concentradas parecem reclamar mesmo um golinho de água como os uísques de alta graduação. Talvez alguém poda chegar a explicarmos, talvez o Bonassi mesmo se for certo que afinal Deus é brasileiro e gosta de se dar a conhecer.

João Lopes Facal, Compostela, 2012

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: O CONTO BRASILEIRO CONTEMPORÂNEO: AVALIAÇÃO E RESUMO DOS CONTOS BASENAME: o-conto-brasileiro-contemporaneo-avaliacao-do-clube-de-ex-alunos-de-compostela DATE: Mon, 09 Apr 2012 15:23:16 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

VALORAÇÕES MÉDIAS ATRIBUÍDAS PELOS MEMBROS DO CLUBE DE ANTIGOS ALUNOS EOI ? COMPOSTELA

Cada um dos contos foi classificado entre 0 e 10. Na lista a seguir apenas constam os 7 contos com melhor aceitação

1
Nº de conto: 18 (Varandas da Eva)
Média: 9
Desvio: 0,9

2
Número de conto: 12 (A peste de Janice)
Média: 8,6
Desvio: 0,8

3
Número de conto: 1 (Circo Rubião)
Média: 7,8
Desvio: 0,4

4
Número de conto: 17 (O herdeiro)
Média: 7,2
Desvio: 0,7

5
Número de conto: 19 (Mentira de amor)
Média: 7,2
Desvio: 0,7

6
Número de conto: 8 (Quinze cenas do descobrimento de brasis)
Média: 7,2
Desvio: 2,8

7
Número de conto: 2 (Condições do tempo)
Média: 7
Desvio: 1,1

O parâmetro desvio padrão indica a maior ou menor dispersão das diferentes qualificações por parte dos membros do clube. Por exemplo, o conto número 1 (Circo Rubião) teve quase unanimidade nas valorações, todas elas muito próximas da média de 7,8 mas o número 8 (15 cenas do descobimento dos Brasis) gostou muito pouco a alguns e foi muito bem acolhido por outros.

Como pode ver-se, o conto mais valorado foi o número 18: VARANDAS DA EVA
Seguido a pouca distância do número 12: A PESTE DE JANICE
O quadro de honra completa-se com o terceiro, o nº 1: CIRCO RUBIÃO

Não vou dizer qual foi a lanterna vermelha. Apenas assinalarei que nenhum chumbou.

Índice (Titulo/Autor/Sinopse)

1. Circo Rubião/Adriana Lisboa/Camila, menina de 10 anos de uma família que não liga para ela, e mesmo a maltrata, vê passar desde a janela os anunciantes de um circo que acabou de chegar à cidade. Ela gostava de unir-se à troupe.

2. Condições do tempo/Adriana Lunardi/Ele retorna à casa do seu namorado a quem abandonou anos há. Nesse dia parece haver uma festa nessa casa e ninguém liga para ele, como se não o reconhecessem.

3. Felicidade/André Sant?Ana/O mundo frívolo dos actores e, sobretudo, das actrizes de telenovelas; o culto ao corpo, ao dinheiro, ao suceso?

4. Quatro movimentos progressivos do calor/Bernardo Carvalho/Quatro mini relatos sobre loucura-calor: 1) Um acredita que a mulher que informa do tempo na TV fala só para ele em clave; 2) Um botânico descobre que as plantas falam quando a temperatura sobe; 3) Uma estudante Lapónia foge para o Sara na procura de calor; 4) Num incêndio um bombeiro penetra nas labaredas no encalço de umas vozes que crê ouvir.

5. Distâncias/Carola Saavedra/Ânsia de amor por uma mulher quiçá inexistente, acaso sonhada.

6. Fantasia-Improvisso/Cíntia Moscovich/Ela conhece um pianista cego e namora com ele.

7. O adotado/Cristovão Tezza/Depois de muitos anos de afastamento, é avisado de que a mãe adotiva está a morrer e vai lá para ocupar-se dela.

8. 15 cenas do descobrimento de Brasis/Fernando Bonassi/Outro tantos comentários que aludem de maneira irónica e críptica a diferentes acontecimentos da história e a sociedade brasileira.

9. Liberdade/Ferrez/Ex-presidiário sai da cadeia mas a mulher fugiu da casa.

10. Penalidade máxima/Flávio Carneiro/O centro-avante coloca a bola na marca do pênalti. O resultado desse jogo vai ser decisivo para o time, para a cidade e para a vida do próprio jogador.

11. Mar/Joâo Anzanello Carrascoza/O pai que lembra aquele filho que levou o mar.

12. A peste de Janice/Luís Augusto Fischer/Janice é filha de uma serviçal da escola de freiras. Sofre com o despreço das companheiras.

13. Sete epitáfios para uma dama branca/Marçal Aquino/Um operário da barragem tem um caso com a mulher do engenheiro. Quando aquela for construída vai ficar alagada uma aldeia de índios.

14. Conto culinário/Maria Esther Maciel/A editora de uma revista de culinária encarrega a Zenóbia um conto sobre tal assunto. Então ocorrem-se-lhe diferentes ideias que vai rejeitando uma após outra.

15. A hora extrema/Mário Araújo/Um menino que quer estar acordado na meia-noite em que ele pensa acontecem prodígios.

16. O homem da paria/Michel Laub/A mulher revê a sua vida inteira do momento em que ela conheceu Sérgio na praia.

17. O herdeiro/Michel Sanches Neto/Voltou para o enterramento do seu pai, um ?coronel? despiedado.

18. Varandas da Eva/Milton Hatoum/Uma malta de adolescentes aspira a entrar num prostíbulo luxuoso. Quando alcançam a idade o tio do protagonista os convida e este conhece uma garota e fica apaixonado.

19. Mentira de amor/Ronaldo Correia de Brito/Delmira e as filhas não saem da sua morada. Tinha morrido outra filha e já não havia motivo para mais alegrias no mundo. Apenas sai o pai e marido para o trabalho e outras coisas.

20. Desalento/Tatiana Salem Levy/O dia depois da morte do filho. A ausência dele na casa.

21. Linha férrea/Tércia Montenegro/O pai adotivo ficou paralítico e ele tem que cuidá-lo. É ciente de que quando o pai morrer, ele vai herdar um monte de dinheiro.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Pontuação das leituras feitas. BASENAME: pontuacao-das-leituras-feitas DATE: Mon, 09 Apr 2012 10:37:47 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Leituras CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Biblioteca Ánxel Casal TAGS: ----- BODY:

Desde o Clube de leitura da Ánxel Casal acrescentamos aqui os títulos que lemos este ano com a pontuação feita sobre 10 que lhe demos a cada um deles:

A chuva pasmada, de Mia Couto. 6,9.
O testamento do Sr.Napumoceno, de Germano Almeida. 6,8.
Contos da Montanha, de Miguel Torga. 8,6.
Manhã Submersa, de Vergílio Ferreira. 6,2.
Quem me dera ser onda, de Manuel Rui. 6,5.
Materna doçura, de Possidónio Cachapa. 5.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: O homem da praia ? Michel Laub (Antologia do Conto Brasileiro Contemporâneo) BASENAME: o-homem-da-praia-michel-laub DATE: Wed, 04 Apr 2012 22:18:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Imaginem-se a si próprias a descer a escadas do tempo. Desde uma idade de madurez ? se é que tal idade é alguma vez alcançada-, por volta dos 40 anos -diz a narradora-, até a adolescência perdida ?para quem consiga sair dela, se calhar lamentavelmente-, chegando ter apenas 14 anos.

Imaginem-se que são ensaboadas na banheira ?ensaboados, tanto faz- pelo namorado, o par com quem se partilha a vida no presente. E que ao ritmo suave do roce macio dos sabonetes ?de coração e morango?, um diálogo conciso, parco e intrigante, traz ciumes desse passado ao que regressas degrau a degrau, entre mentres os dedos dele naufragam no teu corpo à procura do "lugar certo".

Então ?fechas os olhos? e paras o tempo, para que também o leitor encontre a emoção daqueles momentos longínquos nos que não parecia passar-se nada e todo se passou.

Beijinhos.
Antom

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Arrancou o clube de leitura "Lendo lendas" BASENAME: arrancou-o-clube-de-leitura-lendo-lendas DATE: Fri, 30 Mar 2012 16:05:12 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Clube Lendo Lendas CATEGORY: Descrição CATEGORY: Contato TAGS: ----- BODY:


Praza da Algalia de abaixo 7, Compostela, 28 de maio de 2012

Olá mamai, espero que esteais bem, eu também estou muito bem.

Desculpa se te escrevo com faltas de ortografia, mas bem sabes que só levo no novo centro de ensino da Galiza um mês e ainda não conheço bem a tua língua. Agora boto de menos que não tivesses tempo para ensinar-ma alá na Argentina.

Hoje tivemos a primeira reunião do clube literário ?Lendo lendas?, e foi uma experiência agradável. Juntamo-nos oito companheiras e fizemos o plano de actuação para os próximos meses.

Estivemos a falar duma dúzia de livros e ao final escolhemos dous, ?Microbios e outros paquidermos? de Fernando Díaz Catroverde, um paisano galego teu, para abril e maio, e ?Inês de Portugal? de João Aguiar, que deixaremos para a juntança de julho.
Tu me contaras com saudade que no teu país sempre chovia, porém desde que cheguei não caiu nem uma pinga, de feito regressei a casa andando e fazia uma noite clara e estupenda para dar um passeio.

No grupo atopei-me com duas companheiras mais que queriam escrever e decidimos apresentar-nos ao certame literário de relato curto de Mugardos, assim que combinamos para o día 25 de abril com intenção de ir com um relatinho escrito e poder termos um inter-cambio de críticas. Aquí a gente e-te muito engraçada pois mesmo alguns dos que não querem escrever vão ajudar na leitura crítica dos relatos.

Deixo-te por hoje, um biquinho da tua filha que te quere, já te escreverei de novo depois da seguinte reunião.

Tchauzinho, Mafalda.
clubelendolendas@gmail.com

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: PRÓXIMA REUNIÃO DO CLUBE DE LEITURA DE ANTIGOS ALUNOS DE PORTUGUÊS BASENAME: proxima-reuniao-do-clube-de-leitura-de-antigos-alunos-de-portugues DATE: Sat, 10 Mar 2012 09:40:10 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Fica marcada para o dia 23 de Março, sexta-feira, às 20 horas no vestíbulo da EOI (Escola Oficial de Idiomas) de Compostela.

Dali iremos à sala de aulas que a direcção do centro nos tenha atribuído para celebrar o nosso encontro.

Quem quiser aderir ao nosso clube, só tem que apresentar-se lá e imediatamente será integrado nele sem ter que pagar nem um tostão como quota de entrada.

Animem-se! Nós gostamos de crescer.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Poema de Añjela Duval BASENAME: poema-de-anjela-duval DATE: Thu, 08 Mar 2012 06:23:52 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Atelié de leitura TAGS: ----- BODY:

O Jaime deixou-nos este poema da poeta bretoa AÑJELA DUVAL, traduzido para galego-português e no original.

Os mil rostos do meu país.

Há tantas Bretanhas quanto bretões
Cada um deles leva a sua Bretanha
A sua Bretanha de bolso.
Oh Bretanha , a minha terra! Cadaquém canta
Do folclorista até o nacionalista
Sim, há inúmeras Bretanhas
É inútil tentar contá-las
Para ele, Bretanha são os santuários
Para outro, a musica do Binioù
Folklore ligeiro e danças
Outro admira as grandiosas pedras de Carnac
A mesa pétrea dos Sete Santos ,o menir de Pergat.
Para ela, as cofias de laços
E os coletes bordados.
Para outra a louça de Kemper
Para este artista é a mobília esculpida
Para este mestre são os livros, os registos;
Os símbolos nacionais
-¡¡papel da Bretanha¡¡-
Para o poeta ,os carreiros estreitos e mestos, o brejo
A torga, a dourada gesta.
As fragas cantoras, o estrondo do mar
O economista repara no nível das represas
As fabricas,os barcos de pesca
As couve-flores e .....os morangos¡¡¡.
E a Bretanha dos druidas?
A dos políticos?

A minha Bretanha não é para levar só no bolso.
A minha Bretanha é uma e toda ela.
A minha Bretanha é terra, céu e mar.
A minha Bretanha é alma , corpo , espírito.
É o coração da minha gente.
São os heróis de ontem,
Os heróis de hoje,
E mais os heróis de amanhã.
Imortal Bretanha¡¡

AÑJELA DUVAL.

Tradução de Caesoric.

Mil dremm va Bro
 
Ken lies a Vreizh hag a Vreizhad !
Da bep Breizhad e Vreizh !
? E Vreizh godell ?
O Breizh va Bro ! a gan pep hini
Eus ar folklorour d?ar Broadelour?
            Ya diniver eo Breizh :
Aner klask ar gont.
Da hemañ Breizh zo an Nevedoù
D?egile eo son ar binioù
Folkloraj skañv ha pardonioù,
D?unan all mein-meur Karnag
Taol-vaen ar Seizh Sant, maen-hir ar Pergad,
Da houmañ ar c?hoefoù dantelezh
hag ar jiletennoù voulouz brodet,
D?eben priaj Kemper
D?an arzour-mañ an arrebeuri kizellet
D?ar c?helenner-mañ : al Levrioù,
ar pladennoù, an arouezioù broadel :
ar Vreizh paper !
D?ar Barzh : an Hentoù don, al lannegi,
            ar brugeier, ar balan alaouret, ar c?hoadoù o kanañ, ar mor o krozal.
D?an arboellour, ar c?hleuzioù rasket,
            al labouradegoù, ar bagoù-pesketa,
            ar c?haol-fleur hag ar sivi.
Ha Breizh an Drouized ??
Ha Breizh ar Bolitikerien ! ! !
Va Breizh din-me zo unan hag anterin
Va Breizh din-me n?eo ket ur Vreizh godell.
Va Breizh zo Ene, Korf, Spered ha
Kalon va gouenn
Va Breizh zo Mor, Douar, ha Neñv
Va Breizh zo Harozed dec?h
Harozed hiziv
                        Harozed warc?hoazh
Breizh divarvel !?
 
5 a viz Here 1969, Pardon Itron Varia Rozera

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Curiosidades do Carlos BASENAME: curiosidades-do-carlos DATE: Sun, 04 Mar 2012 08:13:33 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ex-Alunos da EOI de Santiago CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Atividades TAGS: ----- BODY:

1.- Como todos sabem, se alguém espirra na nossa presença, devemos, se formos bem educados, dizer: Jesús! (em espanhol católico) ou Salud! (em espanhol ateu). Como diziam os galegos do rural quando ainda não chegara a contaminação linguística? Alguém sabe? Hoje imitam ao espanhol ou traduzem dele: Xesús! Saúde!
Em português católico têm outra expressão: Santinho! Alguém a tem ouvido a este lado do Minho?

Santinho: Expressão que se dirige a alguém que acabou de espirrar para lhe desejar saúde (Dicionário Priberam ON-LINE)

Já agora, alguém colocou uma dúvida no ciber-dúvidas: se a que espirra é mulher, deve dizer-se: Santinha!?

2.- Todos conhecem a versão portuguesa do Happy Birthday, mas não há tantas pessoas que saibam que a homenageada deve cantar uma resposta de agradecimento àqueles que vieram dar-lhe os parabéns de praxe:

Parabéns a você
Nesta data querida
Muitas felicidades
Muitos anos de vida

Hoje é dia de festa
Cantam as nossas almas
Para a amiga???..
Uma salva de palmas

RESPOSTA:

Obrigado meus amigos
Do fundo do coração
Por me terem cantado
Esta linda canção

Este estrambote foi-me comunicado pela professora Dra. Maria do Carmo Pinheiro Mendes do Instituto de Línguas e Ciências Humanas da Universidade do Minho. Ela disse que apenas as crianças a levavam à prática mas, não é verdade que só crianças celebram aniversários? (eu odeio essa data: lembra-me os muitos anos que já fiz).

Carlos Campoi-Vasques da 1ª promoção do curso de português na EOI de Compostela

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Brancos Estúpidos, Michael Moore, Temas e Debates, 301 páginas. BASENAME: brancos-estupidos-michael-moore-temas-e-debates-301-paginas DATE: Tue, 28 Feb 2012 19:41:24 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

As pessoas que gostam de livros de geo-política e de ler autores como Chomsky, Petras, Ramonet ou Taibo, por citar apenas alguns nomes, vão achar não pouco de diferente na focagem e no estilo de Moore. Quem tenha visionado o documentário Bowling for Colombine, o mesmo trabalho que lhe valeu um Óscar, saberá de que estou a falar. A temática central é violência e o uso das armas nos EUA. No documentário não faltam dados abundantes com que tecer os fios argumentais mas há mais do que isso. Há também factos, mas temos também um humor corrosivo, pronto a ressumar no momento adequado e sem banalizar a história que se está a narrar. Inesquecível quando se introduz nas casas de cidadãos e cidadãs do Canadá para confirmar que, certeza, as suas moradas não estavam fechadas a sete chaves como nos EUA.

Brancos estúpidos patenteia este estilo mas num formato de página impressa. O alvo é o governo Bush da altura embora não deixe de lado o seu antecessor no cargo, Clinton, e, em geral os democratas de que afinal tiramos a conclusão de não serem uma alternativa lá muita alternativa. Em palavras do autor: Bill Clinton foi um dos melhores presidentes republicanos que tivemos; uma lista imensa de dados evidenciam a sentença.

Porém, a estrela é o Bush. O primeiro capítulo evidencia o golpe de estado que o colocou na presidência da primeira potência do mundo através de práticas como remover do recenseamento milhares de votantes negros e hispanos ou aceitar votos de militares chegados fora de prazo. Sobeja insinuar por quem costumam votar os uns e os outros. A seguir, centra-se no presidente e a sua ação de governo nos seus primeiros meses de mandado com uma comprida listagem de medidas anti-sociais que se poderiam utilizar nas aulas dos nossos liceus para exemplificar o que é Direita com maiúsculas (a maioria dos nossos escolares abandonam a educação obrigatória desconhecendo o que a direita e a esquerda é).

No tema racial é talvez onde desenvolva uma ironia demasiado alargada que o leva a certo paroxismo quando afirma, por exemplo, que só brancos foram responsáveis das grandes asneiras e que haveria que dar emprego só a negros e negras. Porém, alguns dos conselhos que dá aos condutores negros para evitar serem parados pela polícia são mesmo bacanas: ?coloque uma boneca insuflável branca no lugar do passageiro (...) Os polícias vão pensar provavelmente que você é o motorista e vão-no deixar em paz?

São muitos os temas que enfrenta Moore como a ecologia, as relações homens-mulheres (quase todos os presidentes e vice-presidentes dos EUA foram homens, brancos e cristãos), a religião ou as prisões, mas sempre neste esquema de corrosão, enxurrada de dados e propostas de ação para reverter aspetos concretos da realidade que na verdade podem ser alterados desde que a cidadania não olhe para outro lado. Neste ponto, a cidadania americana e a galega não sejam talvez lá tão diferentes.

Valentim R. Fagim, presidente da Agal e professor de português.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Materna doçura, de Possidónio Cachapa BASENAME: materna-docura-de-possidonio-cachapa DATE: Tue, 28 Feb 2012 19:38:00 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

"Sacha G. não chegou a rei da pornografia aos vinte anos, como se costuma dizer. Pelo contrário: tinha mais de trinta, um casamento arruinado e muitas dívidas, quando teve a ideia de se dedicar à Pornografia Maternal [...] Logo, quando lhe apareceu esta ideia de filmar homens, a rodar nus, à volta do corpo lânguido e acolhedor das mães, não viu nisso nada de estranho. Afinal fora o que ele fizera nos trinta anos da sua existência: girar à volta do seio materno. Pareceu-lhe ser apenas a consagração do mais interdito dos interditos ou, se preferirem, a mais natural das coisas proibidas"

É assim que começa Materna Doçura, primeiro romance de Possidónio Cachapa.

Contra o que poda parecer não se trata de um livro sobre o incesto e sim sobre os vazios que provocam as mães quando desaparecem antes do previsto. E é por isto que Sacha G. fica no romance a preencher vazios, em especial com o Professor, uma personagem que se viu na obriga de adotar uma outra mãe, de tipo táctil, na criada preta Muganga apesar de ter uma mãe viva.

Não se trata de um livro denso, a exigir sacrifícios de qualquer tipo; polo contrário, é desses livros que alcançam a unanimidade entre as pessoas que o leem e que não nos larga logo que estamos presos entre as suas páginas. É desses livros que apontam ao coração e acertam em cheio e é por isso que namora a leitoras/es diversas/os porque no pano de fundo movimentam-se emoções universais.

É igualmente curiosa a sua concretização já que chegou ao seu fim mercê a uma bolsa estatal. O autor apresentara apenas os primeiros capítulos e foi selecionado entre mais de trezentos participantes. Talvez os membros do júri ficaram tão enlevados como ficamos nós e é por isso que o alentaram a finalizar aquela história que na altura era apenas um acervo de boas ideias o que nem sempre promete um desenlace feliz.

Materna Doçura é uma sucessão de pequenas histórias que nos alimentam, histórias que se enredam umas com as outras através de casualidades que por vezes atentam contra a verosimilhança mas nem nos importamos com isso, já que o nosso coração está entregue até chegarmos a um final o bastante aberto onde a nossa imaginação transita à vontade.

Valentim Rodrigues Fagim, presidente da AGAL e professor de português.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: CONTOS DA MONTANHA (Miguel Torga) BASENAME: contos-da-montanha-miguel-torga DATE: Tue, 28 Feb 2012 19:32:41 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Livros CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Miguel Torga (São Martinho de Anta, Trás-os-Montes 1907 ? Coimbra 1995) publica esta coletânea de contos em 1941.

?Ao nos adentrarmos pela paisagem humana das aldeias transmontanas, encontramos em cada esquina os rostos descritos no universo de Torga. Quantas lendas e costumes não nos conta essa gente que a narrativa de Torga registrou. São personagens inseridas no ambiente rústico e pobre das aldeias. São personagens natos nas dificuldades do frio cortante das montanhas e passam pela vida com a visão irônica de todo o meio do qual emanam as tradições, as crenças, o trabalho, a religião.? virtualiaomanifesto.blogspot.com

Impressões pessoais após a leitura

Comentário geral:

Há, de contínuo, uma tensão narrativa arrebatadora que desfecha, conto por conto, numa grande comoção. Cunha prosa intensa, poética e alegórica, através das personagens que constroi, vai describindo as paixões humanas mais ancestrais, fondas e institivas, e por isso mais auténticas e intemporais que são, com certeza, as nossas proprias paixões: o medo de cá e do além-mundo, o refugio na fê, a resignação, a complacença, a admiração, o amor, os ciumes, os remorsos, o odio, a vinganza... a vontade de suicídio.

Os contos são, de facto, independentes mas complementares: no conjunto fazem um mostruário dos modos de vida e das paisagens rústicas ?geográficas, econômicas, culturais... dum passado que podemos pensar longínquo e que, aliás, podem ainda perdurar -e acho que perduram- embora seja remanescente daqueloutros tempos, não assim tão distantes.

Um contributo lingüistico notável são os refrãos e provérbios que de feqüência coloca em dicas ou exclamcões das personagens, ou mesmo do narrador -não sei se populares ou de ideia própria do autor-.

Em pormenor:

A Maria Lionça
A espera expectante do Pedro pelo pai retornado e a conseguinete decepção, lembrou-me ?O pai do Miguelinho? de Castelao. E a espera pelos correios que nunca chegam, lembrou-me ?Mamasunción? de Chano Piñeiro.

O cavaquinho
Acho que não foi assim bem resolvido, pois não percibi qualquer situação no relatório que ligue com a tragédia final, embora a imaginação me faça pensar que a única hipótese para o pai conseguir o cavaquinho fosse o roubo.

O filho
Encontrei conotações ambientalistas: a beleça e a grandeça do simples, do viver em harmonia com a natureza.

Maio moço
Acho que há uma crítica social á colectividade humana geral por não valorizarmos aquilo que não vem precedido duma posição elevada, dum prestígio, duma façanha.

Em destaque:

Solidão
?Não há falência maior que a de imitar o passado, mesmo que seja o nosso? (do próprio texto)

O lugar de sacristão
Gostei especialmente deste conto porque o autor não é assim tão directo como nos outros relatos. O jogo sicológico é mais sutil:
i) Uma intuição juvenil premonitória que paira no ar e mesmo o proprio protagonista não acerta a conhecer.
ii) O desencontro amoroso que desvenda para ele e para nós leitores o preságio.
iii) A mortificação de lhe assistir nos ritos tirados dum outro amor, que veio substituir o que a ele foi negado.
iv) E um final restaurador duma xustiza íntima e inconfesável.

Este post foi feito por Antom Labranha.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Leituras que levamos feito até o de agora! BASENAME: leituras-que-levamos-feito-ate-o-de-agora DATE: Tue, 28 Feb 2012 19:22:38 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Leituras CATEGORY: Ex-Alunos da EOI de Santiago TAGS: ----- BODY:

As leituras que foram feitas pelos membros do clube de leitura de ex-alunos da EOI de Compostela a partir da sua fundação em Outubro de 2009, foram:

1. Amor de Perdição Camilo Castelo Branco
2. Contos Eça de Queirós
3. Mundo Fechado Agustina Bessa-Luís
4. Viver todos os Dias cansa Pedro Paixão
5. A Casa-Comboio Raquel Ochoa
6. A Montanha de Água Lilás Pepetela
7. Meu Pé de Laranja-Lima José Mauro de Vasconcelos
8. Alma Manuel Alegre
9. O Conto Brasileiro Contemporâneo(Antologia) Carmem Vilharino e Luís Ruffato (Ed.)

A próxima reunião do clube vai ser no mês de Março, em data ainda sem determinar. Nela comentar-se-á este último livro e fixar-se-á a leitura seguinte.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Quem somos? BASENAME: quem-somos-2 DATE: Tue, 28 Feb 2012 19:16:50 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Descrição CATEGORY: Ex-Alunos da EOI de Santiago TAGS: ----- BODY:

Os alunos da primeira promoção de português da EOI de Compostela, quando acabaram o curso, decidiram criar um clube de leitura para continuarem a sua aprendizagem de português. Em Outubro de 2009 celebraram a sua primeira reunião e hoje permanecem no clube 12 pessoas que se reúnem 4 vezes ao ano para comentar a leitura de um livro e propor o titulo do trimestre a seguir.

O livro a ler deve ser necessariamente escrito originariamente em português, é dizer, não utilizamos obras escritas originariamente noutras línguas e traduzidas depois ao português, pois o nosso objectivo não é apenas conhecer o idioma, mas também a cultura e os costumes de Portugal, Brasil, Angola, Moçambique e os restantes países da lusofonia.

O nosso clube é aberto. Já se incorporaram nele duas pessoas que não estiveram connosco na Escola mas que gostam de ler Português. Se qualquer um ao ler isto, quer integrar-se no nosso clube, só tem que acudir à próxima reunião que faremos e que anunciaremos neste mesmo blogue com suficiente antelação.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: assobiador que passou por aqui BASENAME: title-464 DATE: Sat, 11 Feb 2012 00:02:49 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: Atividades TAGS: ----- BODY:

Já que o Joseph, alma deste re/canto da leitura, me anima a pôr algo sobre a recente visita do Ondjaki, farei caso por reverência àquele e darei apenas um apontamento por amizade deste ?e por respeito ao pessoal todo, que anda na aventura de ler livros. Para variar, farei apenas glosas por fora deles, e porque às vezes também daí se instiga o gosto por tal.

Digo logo, e em primeiro lugar, que a visita deste rapaz ?que já vai sendo menos? nem é a primeira, porque já nos visitou quase em menino, nem será de certeza a última, porque estou seguro que continuará a vir quando velho. O Ndalu de Almeida (esse o seu nome real) tomou-nos carinho sobre o terreno com 26 anos, e eis no recorte da foto de cima a sua cara assombrada. Tenho outras ainda mais simpáticas e menos urbanas, dessa altura e de muitas outras durante anos em que mutuamente nos frequentamos, mas essa primeira altura foi especialmente ternurenta, e o do carinho (recíproco) é algo mais que uma metáfora: na época ele já tinha editado nada menos que os livros de poemas Actu Sanguíneu e Há Prendisajens com o Xão, o romance Bom dia Camaradas, os contos Momentos de Aqui, e a novela O Assobiador, e foi esta última que serviu de desculpa para um lançamento improvisado na Palavra Perduda, e foi nessa noite de discoteca compostelana que o carinho deixou de ser metáfora ?no que respeita ao rapaz e às moças que tinham estado na livraria! Lógico que as alunas das Letras se entusiasmassem com o jovem exótico com cara de menino, um recém licenciado em Sociologia que até tinha feito teatro amador, que já se tinha interessado por pintura, mas que era já autor de vários livros acima de dignos. E O Assobiador continua a ser, quanto a mim, uma das pérolas raras.

Nesse mesmo ano da sua primeira visita inscreveu-se no Mestrado em Cinema da Columbia University, ainda que pouco resistiu em New York. O do cinema levou o jovem a participar posteriormente na escrita da série angolana Sede de Viver, em documentários como Oxalá cresçam Pitangas, ou a trabalhar como assistente do Tabajara Ruas, e filmar quarenta dias no Rio Grande do Sul. Acabou por fixar-se no Brasil, sim, e hoje tem até nome com eco amplo naqueles lados, mas passou na Galiza várias vezes, chegou a forçar os pais em trânsito por Portugal a vir aqui, participou no Festival de Poesia do Condado, falou-nos no JL e, claro, tivemos cumplicidades de última fila, noitada em todas as Correntes d'Escritas em que nos encontramos, e na Bahia, e no Porto, conspirantes de projetos mais prolongados ?que ainda um dia podem e até deviam acontecer.

Em Julho de 2005 partilhamos em Compostela vários dias de cozinha intensiva acompanhados por Ruffato, Adriana Lisboa, Possidónio, Peixoto e Luís Cardoso, Cadaval a reforçar o lado galego. O menino que tinha nascido 2 anos depois da independência, que cresceu nessa Angola com a proximidade das últimas guerras, que foi estudar em Lisboa com 16 anos, que seguiu aí a universidade, que aí tomou contato com a cultura portuguesa, certo, mas também ?e surpreendido na descoberta? com outras comunidades africanas, como a de caboverdianos, santomenses, moçambicanos, acrescentou à sua consciência a descoberta e a amizade da galega para o diálogo da língua portuguesa, desde o primeiro dia, desde aquele primeiro encontro na Póvoa, desde aquela primeira visita a esta terra que a foto de cima comemora. E já nunca largou.

Do texto que nos deixou no mencionado Julho de 2005 (e recolhe as Actas do VIII Congresso Internacional da Associação Internacional de Lusitanistas, v. II, pp. 1905-1907), chamado "NA PLURALIDADE DAS LÍNGUAS", vou deixar-vos um par de breves recortes para fechar:

"Ao longo do tempo, das leituras e das escritas, vai-se descobrindo a importância da alteração dos sentidos para buscar o modo propício de chegar ao que se quer dizer. Experimentando outros ecos do mesmo rio, buscando águas que já choveram e outras que estão por chegar. É nessa permissividade de conteúdos literários que o escritor cria e ganha uma alternância ao hábito dos sentidos. Julgo que não há criatividade sem alternância de sentires e a permissão dessa alternância.
(...)
Oxalá saibamos manter, por muitas mais gerações, o essencial destas culturas plurais, acompanhando a modernidade sem nunca ferir a tradição; oxalá saibamos trilhar, como os nossos mais-velhos, a senda de contornar o tempo, fintando os anos em sorriso de aceitação, mas sobretudo, manejando as palavras, as correntes e os desvios, para celebrar este quintal que, dividindo, nos une: a Língua Portuguesa, com as suas árvores, os seus frutos e os seus desertos promissores.
Oxalá."

O Ondjaki é dos que a nossa voz entendem, sim. E como ele há mais nomes, alguns já mencionados, outros ainda por vir, alguns mais militantes na causa, outros menos ainda, que mais dá. Oxalá saibamos manter, com a ajuda dos livros desses nomes, os nossos próprios nomes, já que a nós especialmente cabe o peso de eles continuarem inteligíveis ?nomes e livros? na nossa língua. Oxalá.

c q

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Podes nos contatar! BASENAME: podes-nos-contatar DATE: Wed, 01 Feb 2012 16:34:38 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Contato CATEGORY: Clube Anna Politkovskaya TAGS: ----- BODY:

Se queres formar parte do clube só tes que enviar um correio electrónico a grupodeleitura@sapo.pt especificando o teu nome e que tes interesse em participar no grupo de leitura ou simplesmente vai à seguinte reunião e apresenta-te. É bem fácil! As nossas reuniões são as primeiras quartas-feiras de cada mês às 20:30 horas na Gentalha do Pichel. Mas tudo pode mudar, assim que visitade este blogue de vez em quando ou perguntade no balcão do local para ver se temos novidades e saber qual é a leitura do mês.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Quem somos? BASENAME: quem-somos-1 DATE: Wed, 01 Feb 2012 16:32:27 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Descrição CATEGORY: Clube Anna Politkovskaya TAGS: ----- BODY:

Este é o blogue do clube de leitura da biblioteca Anna Politkovskaya, parte da Gentalha do Pichel, centro social de Santiago de Compostela (Rua Santa Clara 21).

O nosso blogue é http://clubedeleitura.wordpress.com, onde nos podeis seguir.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Encontro com o Ondjaki BASENAME: encontro-com-o-ondjaki DATE: Tue, 31 Jan 2012 09:02:53 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Pega no livro CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Esta quinta-feira, dia 2, está em Compostela o escritor angolano Ondjaki.

A AGAL e a Rede de Bibliotecas de Galicia organizam um encontro com ele na Biblioteca Ánxel Casal. Para falar da sua obra, da Angola e da nossa língua.

Não percam! É uma boa oportunidade para descobrir a África, a sua literatura e conversar com um dos seus escritores.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Contato BASENAME: contato DATE: Sat, 28 Jan 2012 13:05:46 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Contacta-nos! CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Se tiveres qualquer dúvida ou sugestão, não duvides em nos contatar aqui: peganolivro@gmail.com.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Guia de Clubes de Leitura BASENAME: guia-de-clubes-de-leitura DATE: Sat, 28 Jan 2012 12:38:23 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Guia CATEGORY: TAGS: ----- BODY:

Guia.pdf

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Ler em português. BASENAME: ler-em-portugues DATE: Sat, 28 Jan 2012 12:11:02 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Ler em português CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Pega no livro propõe-se naturalizar a leitura em português na Galiza. Pedimos aos clubes membros da rede a leitura de uma obra em português por ano. O conto brasileiro contemporâneo foi o título escolhido para o 2012.

Os galegos lemos em português sem grande esforço. Poucos, porém, desfrutamos hoje em dia desta grande vantagem cultural, dada a escassa difusão dos livros escritos em português nas bibliotecas e livrarias da Galiza.

A leitura em português:

Abeira-nos das literaturas e culturas de outros povos lusófonos: portugueses, brasileiros, africanos de países com o português como língua oficial, timorenses, goenses, macaenses, comunidades de emigrantes espalhadas polo mundo. Também nos permite conhecer a obra de autores galegos e galegas que escolheram escrever o seu galego com a ortografia internacional do português: Raquel Miragaia, Séchu Sende, Carlos Quiroga, etc.

Alarga os horizontes da leitura em galego, ao permitir o acesso a um mundo editorial mui amplo, com títulos de todos os géneros imagináveis: banda desenhada, autoajuda, manuais técnicos, etc. Muitos galego-falantes habituais recorrem sistematicamente ao castelhano na leitura, ou somente leem em galego quando são obrigados na escola. Ao mostrar que o galego também nos abre as portas do português, damos folgos à confiança dos falantes na própria língua.

Afiança a riqueza do próprio galego que falamos e escrevemos. A familiaridade com o português aprecia-se na escrita de muitos dos grandes vultos da literatura galega: Castelão, Otero Pedraio, Mendes Ferrim, etc. A fim de contas, o português é o filho do galego que migrou a Portugal e ao Brasil, onde a língua gozou de um prestígio e uma normalidade que não tivo na própria Galiza.

Alevanta o desejo de aprender a própria língua portuguesa, contribuindo assim para a capacitação profissional. O português é cada vez mais útil enquanto língua de trabalho, dada a importância económica do Brasil e a a proximidade de Portugal. Em muitos casos, a leitura é a faísca que prende o lume de uma paixão duradoura e frutífera.

Pega no livro promove também a leitura noutras línguas, pois quantas mais conheçamos, melhor.

Algumas pessoas relacionam o amor pola língua com o isolamento e a vontade de olhar somente para o próprio. Nós, ao contrário, entendemos que sem cuidado pola raiz não pode haver crescimento nem abertura. A dignificação da língua própria predispõe-nos a abraçar também as dos outros.

O nosso blogue convida a falar de livros escritos em qualquer língua, usando a nossa própria como veicular, em qualquer uma das suas ortografias. Também fornecemos no guia ligações para páginas web com recursos noutros idiomas.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: Aderir à rede. BASENAME: aderir-a-rede DATE: Sat, 28 Jan 2012 12:09:44 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Aderir à rede CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

O único requisito para aderir à rede é incluir a leitura de um livro em português por ano na programação do clube. O livro é escolhido entre todos os clubes.

O livro que escolhemos para 2012 é a antologia O Conto Brasileiro Contemporâneo, editada por Carme Villarino e Luiz Ruffato na Laiovento.

Depois de preencher uma ficha muito simples, teu clube constará no nosso blogue.

Escreve um correio eletrónico a peganolivro@gmail.com.

----- -------- AUTHOR: Pega no Livro TITLE: A rede. BASENAME: a-rede-1 DATE: Sat, 28 Jan 2012 12:08:45 +0000 STATUS: publish PRIMARY CATEGORY: Rede de clubes de leitura CATEGORY: Pega no livro TAGS: ----- BODY:

Pega no Livro
É uma rede de mútuo apoio.
Que promove a leitura em qualquer língua.
E prioritariamente a leitura em português.

A rede
É integrada por clubes de leitura.
Que realizam um Encontro Anual
Divulgam as suas atividades neste blogue.
E convidam à criação de novos clubes.

O único requisito
Para fazer parte da rede
É ler um livro em português por ano
Eleito em assembleia de leitores.

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