[O Sítio de Suso Sanmartin]

      No Caminho Português a Santiago de Compostela existe um lugar chamado Angueira de Suso.

      Segundo o dicionário e-Estraviz da língua galego-portuguesa “angueira” é “o quefazer, cuidados e negócios que cada pessoa tem”. “Angueiras” som “trabalhos, cargas sofrimentos”. Por sua parte “suso”, do latim susu, quer dizer “acima, atrás”.

      Angueira de Suso é o sítio de Suso Sanmartin na rede. Aqui colocará o susodito as suas angueiras presentes, passadas e futuras.

      Obrigado pola visita.

      susosanmartin@gmail.com


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Arquivos para: Julho 2006

O Apóstolo, o "feio" e o "guapo"
tourino presidente

El-Rei nomea Tourinho delegado régio na oferenda do Apóstolo Santiago e Torito guapo, encantado da vida, aceita dizendo: "Yo no haré un feo a la Corona, a Santiago y a Galicia".

[+...] Carta-protesto de Fernando Martínez Randulfe, Presidente de EsCULcA (Observatório para a Defesa dos Direitos e Liberdades) a Emilio Pérez Touriño, Presidente da Junta de Galiza.

Escrito em 21-07-2006, na categoria: VÁRIOS
‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (IV)
bar suso teis vigo

O amigo João Lombardeiro enviou-me na passada quinta-feira, 13 de Julho, esta foto do "imprescindível" Bar Suso (Sanjurjo Badia, 177), de Teis, mítico bairro viguês do que o meu amigo é vizinho federado. Muitíssimo obrigado, carão!

Ao parecer há por aí mais ‘susoditos’ estabelecimentos comerciais dos que aparecem no guia QDQ. Nom, se já mo parecia a mim!

+ Anteriores ‘susoditas’ entregas:

‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (I)
Calzados Suso e Suso’s Peluqueria (Santiago de Compostela)

‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (II)
Peluqueria Suso e Electricidad Suso S.L. (Santiago de Compostela)

‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (III)
Suso Zinea e Poliuretanos Suso (Vigo)

Escrito em 18-07-2006, na categoria: SUSODITOS EST. COMERCIAIS, Hotelaria Suso
No 106º Aniversário de Manoel-António
homenagem a manoel antonio
Homenagem a Manoel-António no 160º aniversário do seu nascimento.

Hoje, 12 de Julho de 2006, Manoel-António Péres Sánches, o poeta do Navy Bar, fai 106 anos. Dizemos “fai” e nom “faria” e dizemos bem porque, a nom ser que se demostre o contrário, Manoel-António (M-A) nom morreu, nem em Assados (Rianxo) em 1930 (como se reza na sua falsificada certidom de óbito) vítima da tuberculose, nem dez anos depois na França, em 1940 (como afirma Xesús González Gómez, sob o pseudónimo de Ramón Posada, em Ucronia) vítima dos nazistas. M-A está vivo, como Elvis Presley.

Assim o afirmava a Coordenadora Cidadã Cachimbo Pola Paz em 28 de Janeiro de 2000 no septuagésimo aniversário da suposta morte do poeta, e assim o afirmamos nós hoje, no centésimo sexto aniversário do seu nascimento.

Tal dia como hoje, há exactamente seis anos (no centenário do nascimento do autor de De Catro a Catro), para além de uma interessante reportagem de Miguel López Calzada intitulada Encol da obra pantasma de Manoel Antonio: Alén(da) (em que o seu autor, engraçado, se referia a um servidor como “o debuxante, caricaturista e tamén estudioso do poeta de Rianxo”) Vieiros.com publicava o manitesto Basta Já! em que Cachimbo Pola Paz denunciava um sequestro, o de M-A, que naquela altura durava já a bagatela de 44 anos.

No passado 15 de Abril completaram-se 50 anos do que sem dúvida é já o sequestro mais longo de todos os tempos. Dos seus quatro perpetradores (Domingo García-Sabell "O Bibliótafo", Raimundo García Domínguez "Borobó", Máximo Rodríguez Buján "Máximo Sar" e Roxélio Pérez González "Roxerius") apenas “Máximo Sar” permanece com vida...

E igual que Cachimbo pola Paz (paipa en forma de interrogaçom) fazia há seis anos hoje nós nos perguntamos: QUEM SABELL ONDE?

A Borobó, o sequestrador arrependido, in memoriam.
Escrito em 12-07-2006, na categoria: TERRORISMO CULTURAL (TC):, Cachimbo Pola Paz
‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (III)
suso zinea e poliuretanos suso

Ante-ontem, sábado 8 de Julho, convocados por esse encantador casal formado pola Elvi e mais o Ra, dêmos um pulinho até Vigo. A agenda de actividades lúdico-festivas apresentava-se bastante completita: Festa de Aniversário da Elvi mais inauguraçom de exposiçom da aniversariante em La Casa de Arriba e concerto de The Homens mais sessom de Zarpaelamor Dilleis em La Fábrica de Chocolate. Nom vou dizer mais nada ao respeito, para mais info remito-me ao blog do pavochungo em lanevera61.

Mas como nom tudo vai ser festa aproveitamos a viagem para fotografar, antes da mesma, os dous ‘susoditos’ estabelecimentos comerciais que, segundo o guia QDQ, havia na cidade olívica: Suso-Zinea e Poliuretanos Suso.

E dizemos “havia” e nom “há” porque assemelha que infelizmente ao menos um deles, a distribuidora de cinema e vídeo Suso-Zinea, fechou definitivamente as suas portas.

Pois é. No número 10 da viguesa Rua Caracas (o plural nom é majestático, que me acompanhava o meu caro amigo Post Scriptum) encontramos que o rés-do-chão estava em aluguel e mais um bilhete mecanoscrito que dizia o seguinte:

“S U S O – Z I N E A”
= = = = = = = = = =
DEJEN LA CORRESPONDENCIA, DEBAJO DE LA PUERTA
DURANTE UNOS DIAS PASAREMOS A RECOJER [sic]

Afligidos polo encerramento do negócio (o conto sempre é triste, e mais se se trata do negócio dum tocaio) encaminhamos os nossos passos cara a Rua Couto Santo Honorato (também nas imediações da Praça de Espanha ou dos cavalos), a ver se alí havia mais sorte.

Embora a porta estava fechada e a persiana baixada (era sábado à tarde) assemelha que Poliuretanos Suso continua aberto. Que assim seja por muitos anos!

+ ‘susoditas’ entregas anteriores:

‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (I)
Calzados Suso e Suso’s Peluqueria (Santiago de Compostela).

‘susoditos’ estabelecimentos comerciais (II)
Peluqueria Suso e Electricidad Suso S.L. (Santiago de Compostela).

Diálogos e recordações*
ingresso concerto caetano ao vivo em vigo

Em 2 de Julho de 2003, é dizer, tal dia como hoje há três anos, Caetano Veloso ofereceu um memorável concerto no Auditório de Castrelos de Vigo. Cinco dias mais tarde, em 7 de Julho, São Firmino, a minha crônica do concerto aparecia publicada n'O Portal Galego da Língua.

Alguém, que não fui eu, teve a amabilidade de publicar-ma num par de sítios mais: no Fórum conjunto Burla Negra-Nunca Mais e no Centro de Mídia Independente (CMI) Brasil (por duplicado).

No terceiro aniversário da que, por enquanto, é a última visita do cantor bahiano à Galiza, e para celebrarmos o seu primeiro mês de vida pública, publicámos em Angueira de Suso a crônica daquele inesquecível concerto.

Fale com ela, coa Galiza, em português (Crônica do Concerto de Caetano em Castrelos)

Suso Sanmartin.- Antes de mais quero advertir que isto não é uma crítica (para a que um analfabeto musical como o que isto subscreve não está qualificado) do concerto que o Caetano Veloso ofereceu no Auditório de Castrelos, em Vigo, a passada Quarta-feira, 2 de Julho de 2003, encetando o IV Festival Latino Internacional Para Vigo me Voy.

Isto é apenas uma crônica pessoal e em chave “lingüística” para o Portal Galego da Língua dum reintegracionista convicto (variedade tropicalista), não-filólogo e acérrimo fã galego (da Galiza) do cantor baiano. Para já o autor agradece o envio de comentários das pessoas que, como ele, assistiram ao concerto. Obrigado.
[+...]

Ao igual que o ano passado no mesmo local fizera o seu íntimo amigo Gilberto Gil –aquele preto que você gosta , (Dona Canô, falou) quando ainda não era Ministro da Cultura da República Federativa do Brasil- Caetano Veloso empregou apenas o português para dirigir-se ao público galego.

Havia entre a “reintegratada” um certo temor de que o C.V. preferisse usar para isso o castelhano, temor fundado no fato do Caetano ser um bom conhecedor da Espanha (onde afirma sentir-se como se estivesse no Brasil, embora num Brasil melhor do que é”) e do espanhol e a Galiza ser, por enquanto, Espanha.

Caetano inclui em todos os seus discos alguma peça em castelhano e tem gravado integramente nessa língua um álbum, “Fina estampa”, no que se inclui o tema “Cucurrucucú paloma” cuja interpretação no último filme do diretor castelhano-manchego Pedro Almodóvar -a quem o une uma relação de amizade-, “Hable con ella”, fizo-lhe alcançar a popularidade entre o grande público do Estado Espanhol, a Galiza incluída.

Mas os nossos temores dissiparam-se quase por completo quando pudemos ler na manhã do mesmo dia do concerto a resposta que o Caetano dava à última pergunta que o jornalista lhe formulava na entrevista datada no Porto que, em castelhano, publicava “La Voz de Galicia”: El público gallego entiende muy bien el portugués.

Depois de interpretar seguidas uma boa quantidade de canções (o que contribuiu a aumentar o suspense sobre qual seria a língua que o cantor elegeria finalmente para dirigir-se ao seu público) o Caetano disse em português, mais ou menos, que esta é a segunda vez, se não for a terceira,que atuo na Galiza. As outras vezes atuei na Corunha (a reação do público viguês ao Caetano pronunciar o nome da eterna rival não poderia ser qualificada de “vaia” mas de “grito de arrepio”) e não sei se devo fazer como naquela ocasião e falar em português....

Com berros e aplausos a gente assentiu e, a partir dai, o C.V. não deixou de dar mostras de sentir-se a vontade na Galiza por este motivo: posso falar português, que delícia; posso falar português, venho da Bahia, que é o local com a maior concentração de galegos do Brasil...tou em casa! (tou a citar de memória, se alguma pessoa que isto leia puder enviar como comentário a transcrição literal das palavras que o C.V. pronunciou, agradeceria imenso).

O delírio já chegou quando Caetano disse, depois de interpretar, em inglês, “Star Dust” e imediatamente antes de acometer a interpretação, em castelhano, de “Cururrucucú paloma” (C.C.C.P.) e o “Lamento borincano”, algo assim como: Tou tão a vontade por poder falar português que até posso cantar em línguas estrangeiras.

Do mesmo jeito que o ano passado fizera a Assembléia da Língua (A.L.) remitindo uma “carta aberta” a Daniela Mercury e Gilberto Gil na que, com motivo dos seus concertos na Galiza, informava estas pessoas vindas do Brasil da realidade sócio-lingüística do país, o Movimento Defesa da Língua dirigiu-se por escrito e em parecidos termos a Caetano Veloso nos dias prévios a o seu concerto.

A diferença do seu amigo mais próximo, Gilberto Gil, Caetano não deu notificação de recepção da carta do M.D.L. acima do palco, mas não por isso a euforia entre as fileiras luso-reintegracionistas era menor: O tio tem que estar flipando, exclamou um sudoroso Germám, de “NH”. Efetivamente o Caetano parecia gratamente surpreendido de que boa parte dum público oficialmente não-lusófono soubesse de cor e cantasse a coro as suas letras. Mais um sucesso do “ludo-reintegracionismo”? Quiçá. Mas sobretudo -e apesar da sua simplicidade- um grandioso espetáculo.

Como, polos vistos, costuma a fazer, C.V. finalizou o seu concerto interpretando “A Luz de Tieta” (tema central da trilha original, da sua autoria, do filme “Tieta do Agreste”, de Carlos Diegues, baseado no romance homônimo de Jorge Amado). Eeeta, eta, eta, eta, é a Lua é o Sol, é a Luz de Tieta, eta, eta continuamos a repetir como possessos, sem parar, quando C.V. abandonou o palco (se o juiz Garzón nos ouvisse ilegalizava-nos a todos e todas) e não paramos até que regressou a ele para continuar a encantar-nos um bocadinho mais.

O formato do concerto (voz e violão, repertório intimista,...) permitiu que o público em geral (que superlotava o magnífico Auditório de Castrelos) pudesse perceber sem interferências as letras das músicas do Caetano Veloso (aquelas coisas extraordinárias que ele escreve, a dizer do Gilberto Gil). Com certeza para muitas pessoas, nem tão sequer galego-falantes, resultaria surpreendente comprovar na voz do baiano “lo bien que se entiende el gallego”.

Como se de um comentário de texto se tratasse não me resisto a dar, ao final do mesmo, a minha opinião pessoal. Ainda mais pessoal, se couber. Com licença:

Para mim esta era a segunda vez que assistia um show do Caetano Veloso. A primeira foi 6 de Agosto de 2001 na Concha Acústica-Teatro Castro Alves de Salvador, onde me encontrava para iniciar uma visita de um mês a assentamentos do M.S.T. no Estado da Bahia. Aquela foi uma noite mágica e inesquecível: a primeira das três em que se gravou o álbum “Noites do Norte ao vivo”, véspera do LIX aniversário de C.V. e a do passamento do escritor Jorge Amado (do que tivemos conhecimento por boca do próprio C.V. quem, ao regressar ao palco do camarim, onde foi informado do mesmo, dedicou o seu primeiro bis, “o leãozinho” a quem, no Zodíaco, era Leão como ele).

Eu sentim-me enormemente afortunado por poder ver e ouvir o que era e é o meu artista favorito, na sua cidade (embora C.V. nascesse em Santo Amaro da Purificação, Bahia) e numa ocasião tão especial. Mas tenho que confessar a minha tristeza ao pensar em que se C.V. vinha algum dia à Galiza para atuar eu não ia poder voltar a desfrutar do seu concerto do mesmo jeito que naquela oportunidade por culpa da “questione della lingua” (que lhe vamos fazer, somos assim!).

Mas Caetano véu e sentiu-se como em casa. Falou na sua língua -que é a nossa- e a magia voltou a surgir. Não devia ter nada de extraordinário. O normal, o natural, é fazer o que fizo, falar na Galiza na sua própria língua que é a língua própria da Galiza (aliás, a Galiza é o Berço, a mãe de todas as lusofonias), embora a nossa realidade seja tão crua que barbaridades como que o Prefeito da cidade a ignore e despreze podam chegar a parecer-nos normais.

Em Dezembro de 2000 tivera lugar em Santiago de Compostela o encontro multidisciplinar e pan-lusófono “Galego no mundo”, também chamado de “Latim em pó” por um verso da letra duma música do C.V. intitulada “Língua”. Pois bem, a língua da Galiza tem no mundo e em pessoas como Caetano e Gil, depois do seu passo pola nossa Terra, os melhores embaixadores possíveis. Caetano e Gil já o fizeram. Outros (como Marisa Monte, Carlinhos Brown,...) infelizmente não.

Oxalá Sepultura, Chico César, Carlinhos Brown (agora é Carlito Marrón, glubs!),... (artistas brasileiros que nos visitam este verão) tomem exemplo dos co-fundadores do movimento tropicalista e não se esforcem inutilmente por falar em “portuñol” para um público galego desejoso de recebe-los, melhor em galego/português.

* Tomo emprestado o título deste post do título dum formoso texto do próprio Caetano Veloso publicado em 28 de Julho de 1994 na Folha da Bahia e que pode ler-se aqui.

Escrito em 02-07-2006, na categoria: LA QUESTIONE DELLA LINGUA (degli coglioni)