[O Sítio de Suso Sanmartin]

      No Caminho Português a Santiago de Compostela existe um lugar chamado Angueira de Suso.

      Segundo o dicionário e-Estraviz da língua galego-portuguesa “angueira” é “o quefazer, cuidados e negócios que cada pessoa tem”. “Angueiras” som “trabalhos, cargas sofrimentos”. Por sua parte “suso”, do latim susu, quer dizer “acima, atrás”.

      Angueira de Suso é o sítio de Suso Sanmartin na rede. Aqui colocará o susodito as suas angueiras presentes, passadas e futuras.

      Obrigado pola visita.

      susosanmartin@gmail.com


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Arquivos para: Fevereiro 2007

Lembrança do Fórum da Língua

José Ramom Pichel e Suso Sanmartin no acto de abertura do Fórum da Língua. Compostela, 28 de Fevereiro de 2004 (Foto: Teresa Díaz)

Convocado polo Movimento Defesa da Língua (MDL) em 28 de Fevereiro de 2004 (sábado) e na Faculdade de Filologia da Universidade de Santiago de Compostela (USC) celebrou-se o primeiro Fórum da Língua.

Os meus amigos e as minhas amigas do MDL convidaram-me a proferir o discurso de abertura, cousa que figem encantado e também, porque não dizê-lo, um bocado ressacoso.

Para celebrarmos o terceiro aniversário daquele irrepetível (?) evento a seguir publicamos em Angueira de Suso o texto ao que, tal dia como hoje há três anos, demos leitura no Salão de Graus da Faculdade de Filologia compostelana:

SÃO-CHE COUSAS DA VIDA (DE BRIAN), POR CASTELAO!

[Com peruca e óculos escuros] “Perdoade que me apresente assim mas, como estamos no Entrudo...”

Pido perdão também polo meu galego (português ou galego-português) embora não seja eu o único culpável da minha incompetência lingüística e esta tenha muito a ver com a minha condição de galego.

Perdoade também se digo algum pecado. Por favor, não me crucifiquedes por isso.

Embora a organização do “Fórum da Língua” tenha pensado em mim para falar neste acto de abertura porque, entre outros muitos méritos que viram em mim (e que eu não acabo de ver tão claros) tenho o de ser sócio do MDL, vou falar a título pessoal e não no seu nome.

Confio na vossa indulgência e espero não ter de pagar com a cruz a ousadia de ter aceitado o amável convite (que sincera e publicamente agraceço) do pessoal do MDL.

Fago trinta e três (33) anos em dous mil e quatro (2004) e falta pouco mais de um mês para a Semana Santa, porém não tenho vocação de mártir e não gostaria de acabar crucificado como lhe aconteceu ao meu xará Jesús Cristo e também ao seu contemporâneo e vizinho (portal com portal) Brian de Nazaré.

“É como n’A Vida de Brian’!”. Quantas vezes não teremos dito e ouvido esta frase! E é que, muitas vezes, a tragicômica realidade do luso-reintegracionismo (e outros movimentos minoritários como o nosso) supera a ficção do clássico dos Monty Python. “A Vida de Brian” é como a vida mesma!

E falando nos clássicos qualquer ocasião é boa também para citar a denominada “Bíblia” do galeguismo. Ainda que, para sermos mais exactos, haveria que chamar-lhe “Antigo Testamento” porque Castelao (profeta n’A Nossa Terra) morreu deixando escritos apenas sete capítulos do Segundo Tomo (que viria sendo o “Novo Testamento” galeguista) do “Sempre em Galiza”.

Da afirmação de que “Estamos fartos de saber que o povo galego fala um idioma de seu, filho do latim, irmão do castelhano e pai do português” (“Sempre em Galiza”. Livro I, Capítulo IV) provavelmente o único em que todas e todos os aqui presentes concordaremos com Castelao é em que o nosso idioma é filho do latim.

E se a língua em que hoje falamos é filha do latim e não irmã do bretão, o galês ou o gaélico...*

* e aqui quero fazer um inciso e dizer que coincido totalmente com a opinião recentemente exprimida na sua coluna d’A Nossa Terra polo meu xará Suso de Toro (não de Nazaré desta volta) em que “enquanto cidadãos cultos e livres há que ser celtistas e reintegracionistas”.

... [se a língua em que hoje falamos é filha do latim], dizia, é porque (como reconhecia o camarada Rogers, da Frente Popular da Judéia, n’A Vida de Brian) em matéria de impérios o romano era o número um. Sabiam como se impor.

Mas, embora reconheçamos a supremacia do Império Romano não devemos menosprezar o que na nossa história o veu suceder, o Império Espanhol, dizendo como Castelao que são “uns imperialistas fracassados”. Não convém rir muito nem muito alto (não esqueçamos que Castelao também era humorista) porque quem ri último é ri melhor e o processo de Normalização Lingüística da língua do Império, por rasca que ele seja, na Galiza avança imparável.

E se, como Castelao também di no citado trecho do “Sempre em Galiza”, galego e castelhano são irmãos, então são como Caim e Abel. (E não fai falta dizer qual dos dous é o fratricida).

Mas o fratricídio e o cainismo não se dão apenas entre idiomas irmãos. Isso acontece nas melhores famílias, em famílias como a nossa.

Com efeito, enquanto a nova Romanização Lingüística avança as/os filhas/os de Breogam envolvemo-nos em luitas fratricidas, em guerras civís (que, como todo o mundo sabe, são as piores porque são entre irmãos) e tudo porque se há alguém que odiemos mais que aos próprios romanos essa é a Mesa pola Normalización Lingüística (dissidentes!), e mais a Asociación Sócio-Pedagóxica Galega (dissidentes!), e mais a Associaçom Galega da Língua (dissidentes!), e mais a Associação de Amizade Galiza-Portugal (dissidentes!), e mais as Irmandades da Fala de Galiza e Portugal (dissidentes!), e mais o Movimento Defensa da Língua (dissidentes!)

Ah, não, o MDL somos nós! (Foi um “lapsus linguae”).

Divide e vencerás. Um clássico, mais um. Não sei se este “Fórum da Língua” servirá para que (como desejam as maravilhosas pessoas que nos convocaram aqui hoje) encontremos o nosso “mínimo comum múltiplo” ou se, polo contrário e como n’A Vida de Brian, prevalecerá o “máximo comum divisor”.

Mas sejamos optimistas. Sejamos ludo-reintegracionistas.

E para começarmos com bom pé nada melhor que começar polo final. Portanto, como na última cena do filme “A Vida de Brian”, olhemos o lado bom da vida e (fazendo por uma vez algo tod*s junt*s) cantemos:


“Always look on the bright side of life!”
(assobio)
“Always look on the bright side of life!”
(assobio)
“Always look on the bright side of life!”
assobio)

Escrito em 28-02-2007, na categoria: LA QUESTIONE DELLA LINGUA (degli coglioni)
melòmans. com tu

"Melòmans. com tu". Tempos Novos Nº 117 (FEV 2007) pág. 7.

Como anunciado publicamos aqui hoje a nossa ilustraçom para os Dias Soltos do Bieito Iglesias publicada no último número da revista Tempos Novos.

Trata-se dumha paródia do audaz cartaz protagonizado polo Carod que Esquerra Republicana (Som com som, som com tu) tirou para a campanha eleitoral das eleições ao Parlament de Catalunya celebradas no 1º de Novembro de 2006.

A potente imagem roviriana veu-me à mente quando lim um dos Dias Soltos que, em 25 de Janeiro, o jornalista Iago Martínez me enviou por correio electrónico para a sua ilustraçom:

LE PLAT PAYS
Pairan horrísonas gavotas no anaco de ceo visible desde a miña xanela e a invernía poucas oportunidades lle dá ao contento. Finou Madeleine, unha ex-amante de Jacques Brel, probablemente morreu tamén Marieke (un idilio de mocidade do cantor belga), el propio sobrevive somente nos discos, na acordanza dos admiradores e desde logo na voz deste melómano after-shave (canto ao aviar a barba). Por cima hai que apandar coas consecuencias dos crimes de tarados que pensan que a liberdade nacional, social ou individual se conquista vitimando inmigrantes ecuatorianos fillos de nais descalzas.

[IGLESIAS, Bieito. Dias Soltos, Tempos Novos Nº 117 (FEV 2007), págs. 6-7]

Desenhei a caricatura do Bieito Iglesias (a terceira que fago do autor d'O mellor francés de Barcelona) na noite do 29 de Janeiro, segunda-feira, e no dia a seguir, terça-feira 30, à tarde, enviei para Tempos Novos a ilustraçom terminada.

Para dar-lhe um maior tom melomaniático ocorreu-me cruzar o nome do escritor ourensano com o do polêmico encenador catalám Calixto Bieito.

Na quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007, recebim na minha morada o último número da revista Tempos. Fiquei surpreendido ao comprovar o como a palavra "melòmans" aparecia em cor amarela. Nom é que eu nom a enviasse assim mas esperava que, como habitual, a minha ilustraçom saisse publicada em escala de cinzento. Se o chego a saber dou cor também à toalha!

Escrito em 22-02-2007, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, Tempos Novos, CARICATURA
"Suso Peluquería" (Ginzo de Límia)

Publicamos hoje, segunda-feira, as fotografias de um susodito estabelecimento comercial que por acaso descobrimos ontem, Domingo de Entruido, en Ginzo de Límia (repare-se no cartaz colado na porta do local).

Suso Peluquería, cabeleireiro sito na céntrica Praça João XXIII da vila limiã, nom se topa ainda nas Páginas Amarelas nem no guia QDQ. Por isso presumimos que deve levar pouco tempo aberto. De Angueira de Suso desejamos muita sorte ao nosso tocaio no seu empreendimento empresarial. E QUE VIVA O ENTRUIDO!!!

Escrito em 19-02-2007, na categoria: SUSODITOS EST. COMERCIAIS, Cabeleireiros Suso
EL PIS

Como todas e todos bem sabedes, desde o passado 22 de Novembro de 2006 podemos topar nos quiosques galegos umha ediçom galega do jornal madrileno El País que trouxo como grande novidade a possibilidade de lermos em castelhano escritoras galegas e escritores galegos que, até a data e para Galiza, sempre escreveram em galego.

EL PIS

A minha paródia escatológica da cabeceira do El País já e velha. Deve datar de 1993-94 pois aparece identificando a porta da casa de banho numha fotografia realizada no corredor do andar que naquele ano acadêmico compartilhava com outros três estudantes galegos em Salamanca. Mas, na altura, era a piada pola piada, nom havia na paródia mais intençom do que essa nem podia imaginar eu que treze-catorze anos depois viria tê-la.

Com efeito, na sexta-feira 24 de Novembro de 2006 (é dizer, no terceiro dia de existência da Edición Galicia do El País), durante a performance audiovisual de Marc Leclair & Gabriel Coutu-Dumont (radiado encerramento do Video Heroes) no auditório do CGAC, o meu cérebro fijo umha urológica associaçom entre aquela velha ideia e aqueloutra célebre frase atribuida a Castelao: EL PIS - Edición Galicia / "mejam por nós e temos que dizer que chove"*.

Feliz ideia, pensei no momento, mas enseguida me dim conta de que havia nela algo que nom funcionava. A imprensa madrilena, com efeito, meja por nós. Mas é que a imprensa galega leva 125 anos fazendo-o e nós tam contentes! Esta evidência, unida ao afecto que sinto por muit*s d*s colaboracionistas, tirou-me o ânimo de plasmar e publicar aquela ideia que, vai para três meses, tivera no CGAC. Até hoje.

Eureka!

Ante-ontem quinta-feira, 15 de Fevereiro de 2007, recebim o último número de Tempos Novos. Para além de umha ilustraçom minha (que proximamente publicaremos e comentaremos aqui) o número 117 da revista Tempos traz várias referências à polêmica das/dos escritoras/es do país galego publicando as suas opiniões em castelhano na ediçom galega do El País. Na Obertura o meu tocaio de Toro explica a sua controversa decissom (Entre Escila e Caribdis, pág. 3) e nas páginas de humor gráfico que ele mesmo coordena (¡Guau, guau!, págs. 64-65) o meu colega Pepe Carreiro fai-lhe dizer a um cam: "Agora, grazas á edición galega de "El País" podemos ler os nosos escritores en español".

Estas leituras figeram-me retomar a ideia e ontem, sexta-feira 16 de Fevereiro, num momento de inspiraçom, conseguim dar-lhe à mesma a última volta de porca: a frase atribuida a Castelao deveria aparecer parcialmente traduzida ao castelhano ("mejam por nós e temos que dizer "que llueve"") ou, melhor ainda, traduzida de tudo ("nos mean encima y tenemos que decir que llueve").

Com a ideia definitivamente clara pugem-me maos à obra... et voilá!

* Em vao procurei entre as Cousas da Vida (6 volumes) e as Cousas da Vida no Faro de Vigo a devandita frase atribuida a Castelao. Terá o Ernesto Vázquez Souza, o Íker Ximenes do galeguismo, ou algum/algumha das/dos minhas/meus cultíssimas/os leitoras/es, algumha pista sobre a sua procedência? Será bem agradecida qualquer informaçom ;)

Escrito em 17-02-2007, na categoria: VÁRIOS
"Suso Moda" (Sam Genjo)

“Suso Moda” (Rua Luís Vidal Rocha, 6. Sam Genjo).

Um dia depois de fotografar em Porto Novo a boutique do meu tocaio, na manhá do sábado, 29 de Agosto, desloquei-me Sam Genjo com o único propósito de tirar as fotografias dos dous susoditos estabelecimentos comerciais que, segundo o guia QDQ, existiam na Rua Luís Vidal Rocha da capital municipal: Zapatos Suso (Nº 4) e Suso Moda (Nº 6).

Topei o Suso Moda onde o QDQ dizia, no número 6 da Rua Luís Vidal Rocha, mas no número 4 da mesma rua, em vez de topar-me com um outro estabelecimento comercial coma mim chamado, com o que me topei foi com isto. Até logo, Lucas!

ÚLTIMA HORA: Na hora de editar este post, procurando Zapatos Suso nas Páginas Amarelas, acabo de descobrir que em Sam Genjo existe um Suso Zapatos no número 40 da Rua Ramón Cabanillas. Semelha que o meu tocaio sapateiro se mudou de local sem que os do QDQ se inteiraram. Continuaremos a informar.

Escrito em 17-02-2007, na categoria: SUSODITOS EST. COMERCIAIS, Butiques e Sapatarias Suso
“Suso Moda” (Porto Novo)

“Suso Moda” (R. Marina, 1. Porto Novo).

A pouco a pouco vamos publicando em Angueira de Suso as fotografias que, de diferentes estabelecimentos comerciais homónimos nossos, figemos no último verao: Cristalería Suso (Ponte-Vedra), Panadería Suso (Tápia de Casarego), Foto Suso e Pescados Suso (Guitiriz)…

Hoje toca-lhe a vez a Suso Moda, susodito estabelecimento comercial sito em Porto Novo, concelho de Sam Genjo (freguesia de Adina e comarca do Salnês).

As fotos forom feitas na sexta-feira, 28 de Agosto de 2006, pola Teresa e mais por mim. As duas de acima som minhas e dela som as duas de abaixo. O fotógrafo fotografado na fotografia inferior-esquerda som eu. Eu e a minha circunstância ;)

Escrito em 16-02-2007, na categoria: SUSODITOS EST. COMERCIAIS, Butiques e Sapatarias Suso
"dous rollos distintos"

[De Troula Nº 3 (2006), pág. 14]

Publicámos hoje em Angueira de Suso umha charge que realizamos para a sua publicaçom no Nº 28 (de Março de 2003) da revista O Cartafol mas que permaneceu inédita até que no ano passado veu a lume no número 3 da revista De Troula.

Apareceram no devandito número da Revista Mensal da Movida Galega duas criações nossas: a que publicávamos no post anterior (pág. 3) e mais a que a colaçom trazemos hoje (pág. 14).

Desenhei esta charge no dia 11 de Fevereiro de 2003 e nesse mesmo dia enviei-na para o Serviço de Normalizaçom Lingüística (SNL) da Universidade de Santiago de Compostela (USC), organismo responsável pola publicaçom d'O Cartafol.

Nom interessa aqui e agora porquê mas a minha charge nom respondeu ao que as/os amigas/os do SNL esperavam de mim. Assim que dous dias depois, é dizer, tal dia como hoje há quatro anos, realizei e enviei umha segunda ilustraçom que, no mês a seguir, apareceria n'O Cartafol ilustrando o editorial.

Dedicatória

Eu nom lembro mas devim mostrar o desenho que hoje nos ocupa (ou senom contar a piada de palavra) ao meu bom amigo Eugénio Outeiro porque o Eduardo Maragoto (a quem de palavra e por sua vez lha teria contado o amigo Eugénio) ma comentou a mim quando em 16 de Abril (Domingo de Páscoa e Aberri Eguna) regressávamos juntos (a Maria, o Jacobe e mais nós) das nossas férias em Euskal Herria. Comentou-ma a desfazer-se nuns elogios que, a modéstia nom, a memória me impede reproduzir e que, como é lógico e natural, me encheram de satisfacçom.

Foi isso o que me encorajou a enviar às/aos amigas/os da revista De Troula a minha inédita charge com umha petiçom, que ao pé da mesma colocassem a seguinte dedicatória: "A Ugio Outeiro e Edu Maragoto".

No sábado 1º de Julho de 2006 recebim na minha antiga morada compostelana dous exemplares no número 3 da revista De Troula. Segundo as/os amigas/os da revista me explicaram um "erro informático" fijo com que os nomes do Ugio e do Edu ficassem ocultos detrás da imagem.

O que há sete meses a informática impediu que a informática o permita hoje. Com todo o carinho e gratidom tenho o maior prazer em dedicar esta charge aos meus grandes amigos Eduardo Maragoto e Eugénio Outeiro. Eles, e agora vós também, já sabedes porquê :)

Escrito em 13-02-2007, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, De Troula
Este vai-se e aquel vai-se...

Inteiro-me polo meu amigo Post Scriptum, pessoa bem informada onde as haja e afervoado caetanista coma mim, de que o Caetano Veloso tem novo disco no mercado () e que nele inclui umha música (Porquê?) na qual repete, inúmeras vezes e com sotaque português, a frase Estou-me a vir.

O cantor baiano explicou asssim ao jornal Extra (SÁB, 16-SET-06) o emprego da expressom portuguesa:

“Acho bonita a maneira como, lingüisticamente, os portugueses resolveram a questão (do orgasmo). No Brasil, usamos o verbo gozar, como na França. Mas é como se estivesse acabando alguma coisa. Estou-me a vir é reflexivo, ou seja, fala de si próprio. E ainda dá uma idéia de continuidade”.

Com efeito, "vir-se" é para os portugueses o que para os espanhois é "irse", é dizer, ejacular, expulsar o sémen. Mesma direcçom, sentido contrário. Onde um brazuca diria "estou gozando" (que é gerúndio) um tuga diria "estou-me a vir" (infinitivo gerundial).

"Me voy" diria um espanhol, e um galego, pola perniciosa influência da língua deste, diria "vou-me" ou que "me vou".

Seja como for, este apontamento (muitíssimo obrigado, caro P.S.!) dá-me o pretexto que precisava para publicar em Angueira de Suso umha velha charge, a que ilustra este post, cuja publicaçom tinha pendente desde havia algum tempo e que com antecedência já publicara em papel em três revistas diferentes:

Eis Nº 8 (1993), pág. 11
Xó! Nº 37 (Dezembro 1999), pág. 4
De Troula Nº 3 (2006), pág. 3

Nela pugem em boca dos amantes uns conhecidos versos rosalianos que, nas suas bocas e graças as interferências lingüísticas do castelhano sobre o galego, cobram um sentido completamente diferente. Ele, meio desculpando-se, di-lhe a ela "Adiós, adiós que me vou". Ela, resignada perante a efemeridade do acto amoroso, soluça, salouca: "Éste vaise i aquél vaise / e todos, todos se van".

"Adiós, adiós, que me vou" é um verso de Adiós, ríos; adiós fontes, décimo quinto poema de Cantares Gallegos, obra de Rosalia de Castro publicada o 17 de Maio de 1863.

"Éste vaise i aquel vaise / e todos, todos se van" som, por sua parte, dous versos de As viudas dos vivos e as viudas dos mortos, poema de Follas Novas, poemário rosaliano de 1880.

"Follas Novas"!!?? Devido à "perniciosa influência" do castelhano, de que falava antes, devo esclarecer que aqui "follas" é o plural de "folha" (órgao apendicular, de forma variada, geralmente plano e de cor verde que se desenvolve no caule e nos ramos das plantas e geralmente constituída por bainha, pecíolo e limbo) e nom a segunda pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "follar" (foder, copular);)

Escrito em 08-02-2007, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, De Troula, Xó!
Lapaman, O Homem Lapa

Lapaman, O Homem Lapa. H2Oil (Colectivo Chapapote, 2003), pág. 50.

Las rías reciben dosis de veneno
El fuel alcanza de nuevo arenales de Baiona, Nigrán, Vigo, Cangas y Bueu

REDACCIÓN. VIGO/BAIONA/CANGAS

El fuel procedente del Prestige ha vuelto a envenenar la Ría de Vigo y la entrada de la de Pontevedra. Galletas de hasta veinticinco centímetros y pequeñas bolas de hidrocarburo se han extendido en las últimas horas por diversos arenales de Baiona, Nigrán, Vigo, Cangas y Bueu (...).

También la playa de Lapamán(Bueu) se ensució ayer del fuel procedente del Prestige.

FARO DE VIGO. Quarta-feira, 5 de Fevereiro de 2003, pág.23.

Em 5 de Fevereiro de 2003, é dizer, tal dia como hoje há já quatro anos, o Faro de Vigo informava da chegada à Praia de Lapamam (Morraço) da maré negra do Prestige.

Rondava a minha cabeça desde havia anos a ideia da criaçom dum super-heroi que levasse por nome o do fermoso areal compartilhado polos concelhos de Bueu e Marim.

Lapaman seria o homem-lapa resultante dumha mutaçom (leia-se humanizaçom) que teria transformado umha vulgar lapa (Patella vulgata) numha criatura extraordinária tipo as Teenage Mutant Ninja Turtles.

O quê teria provocado essa fantástica mutaçom nom o sabia ainda mas a má notícia dada polo Faro naquele dia cinco de Fevereiro deu-me a excussa que precisava.

Segundo consta no meu caderno de bitácora trabalhei em Lapaman durante o mês de Março de 2003.

Três meses antes, em Dezembro de 2002, nascera o Colectivo Chapapote cum objectivo primordial, a ediçom dum álbum de banda desenhada, "un álbum colectivo que mostrasse de jeito caleidoscópico a nossa indignaçom polo curso dos acontecimentos que terminaram com o afundimento do Prestige e com as marés negras mais devastadoras que sofreu nunca a costa galega".

O comic book do Colectivo Chapapote (que era para chamar-se Formato Prestige mas que finalmente se chamaria H2oil e que trazia o meu Lapaman na sua página 50) apresentou-se em 11 de Agosto de 2003, dentro da sexta ediçom do Vinhetas desde o Atlântico da Corunha, atingindo grande sucesso de crítica e público.

Aqui podes, se queres, descarregar o H2Oil em pdf.

Escrito em 05-02-2007, na categoria: BD / HQ