A primeira vez que ouvim falar do Jaguar foi no passado 11 de Abril, na Wikipédia.
Apenas quatro meses e onze dias depois, na quarta-feira 22 de Agosto, há hoje exactamente duas semanas, tivem o privilégio de bater papo com ele em Copacabana.
Continua:
Com efeito, por incrível que pareça até a quarta-feira, 11 de Abril de 2007, nada tinha ouvido falar do Sérgio de Magalhães Gomes Jaguaribe, Jaguar (cartunista brasileiro nascido em 29 de fevereiro de 1932 no Rio de Janeiro). Soubem dele quando, a documentar-me para escrever um artigo sobre a romana estátua de Pasquino (artigo que sob o título de O Pasquim apareceria publicado neste mesmo blogue naquele mesmo dia) descobrim na Wikipédia lusófona a refulgente preexistência d'O Pasquim:
“O Pasquim foi o primeiro e mais influente jornal de oposição à ditadura militar no Brasil. O projeto nasceu no final de 1968 após uma reunião entre o cartunista Jaguar e os jornalistas Tarso de Castro e Sérgio Cabral (...) O nome foi sugestão de Jaguar, inspirado na história de um monsenhor italiano chamado Pasquino, que segundo a lenda escrevia fofocas e notícias para serem lidas em praça pública.”
Embora por motivo bem diferente ao que figura na Wikipédia (de onde tiraria o wikipedista essa distorcida história?) em diversas ocasiões o Jaguar tem admitido ser o responsável de que O Pasquim acabasse por chamar-se assim:
"Eu, sem querer, fui responsável pelo nome do Pasquim. Quando a gente estava quase desistindo de fazer o jornal porque não tinha nome, eu falei 'por que a gente não faz o seguinte: quando falarem de pasquim, porque inevitavelmente vão dizer que o nosso jornal é um pasquim, a gente corta a onda deles, corta a piada'. Eles já estavam de saco cheio e toparam."
(Jaguar em entrevista ao UM - Universo Masculino disponível aqui)
"Eu sugeri o nome 'Pasquim'. Porquê? Porque eu disse que todo o mundo ia chamar esse jornal que nós íamos fazer de pasquim, he, he, então a gente já cortava a onda dos caras, né?"
(Depoimento do Jaguar em O Pasquim – A Subversão do Humor, documentário lançado em Junho de 2004 pola governamental TV Câmara).
Regresso ao Rio
Como já contei aqui, neste verao regressei ao Rio de Janeiro. Regressei, sim, porque embora fosse fazendo escala na viagem de ida e vinda de Curitiba (onde em 1995 fiquei quase dous meses graças a uma bolsa Intercâmpus) e por breve espaço de tempo (7-8 de Agosto e 27-28 de Setembro) no Rio já estivera havia doze anos.
A atual presença no Rio da minha irmã Paula (que foi lá em Outubro do ano passado graças a uma outra bolsa -da Deputaçom da Corunha no seu caso- e gostou tanto que resolveu ficar) era a escusa perfeita que eu precisava para regressar à Cidade Maravilhosa, desta volta com mais vagar.
Nesta ocasiom estivemos no Rio de Janeiro por volta de duas semanas e meia, de 27 de Julho a 7 de Agosto e de 18 a 24 de Agosto de 2007 (entre o 7 e o 18 de Agosto visitamos a Ilha Grande, Parati e São Paulo), ao início e ao final das nossas férias no Brasil (o plural nom é majestático, é que fum com a Teresa).
O Pasquim, Suplemento de Humor do NGZ
Em 25 de Julho, apenas dous dias antes da nossa partida, saira a lume o primeiro número dum novo suplemento de humor do Novas da Galiza que, a sugestom minha, foi baptizado como O Pasquim. Sugerim o nome em homenagem ao (embora já desaparecido) recentemente por mim descoberto Pasquim brasileiro, um Pasquim chamado assim (por sua parte e como acima vimos) a sugestom do próprio Jaguar.
Confiando na virtualidade do nosso encontro com o Jaguar (pensamento positivo, sempre!) levamos ao Rio na mala um ou outro exemplar do recém-saído primeiro número do recém-nascido Pasquim galego (O Pasquim Nº 1 / Novas da Galiza Nº 56) decididos a entregar-lho em mao ao egrégio fundador do Pasquim original.
Jaguar. Bibliografia
No verbete Jaguar (cartunista) da Wikipédia portuguesa conhecim os títulos de cinco Obras publicadas polo autor: Átila, você é bárbaro, Nadie es perfecto, Confesso que bebi e Ipanema, se não me falha a memória.
Na manhã da terça-feira 31 de Julho encontrei e comprei na Academia do Saber (sebo sito no número 43 da cêntrica Rua Luis de Camões, esquina com a Avenida Passos) Átila, você é bárbaro (Civilização Brasileira, 1968) e Confesso que bebi (Editora Record, 2001).
À tarde, na livraria Siciliano do Shopping Avenida Central (Av. Rio Branco, 156 Loja 26 Centro), comprei O Pasquim – Antologia Volume I 1969-1971 (Editora Desiterata, 2006) e O Pasquim – Antologia Volume II 1972-1973 (Editora Desiterata, 2007), antologias pasquineiras organizadas e apresentadas por Jaguar e Sérgio Augusto.
O livro do Jaguar que me faltava para completar a coleção, Ipanema, se não me falha a memória, comprei-no na Livraria da Travessa (Av. Afranio de Melo Franco, 290 LJ: 205 A-Leblon) (Shopping Leblon) na segunda-feira, 6 de Agosto.
A coluna do Jaguar no jornal O DIA
Também segundo o verbete Jaguar (cartunista) da Wikipédia lusófona o chargista carioca “atualmente escreve uma coluna semanal no jornal O Dia”. Visto que a Enciclopédia Livre nom esclarecia que dia da semana era o que Jaguar publicava a sua coluna (e visto que nengumha das pessoas às que lho perguntei soubo dizer-mo) nos dias seguintes à nossa chegada ao Rio (sábado 28, domingo 29...) compramos O DIA todas as manhãs.
Ainda nom conseguíramos ler a coluna do Jaguar quando, na noite da terça-feira 31 de Julho, fomos à sede do jornal O Dia (Rua Riachuelo [sic], 359) tentando contatar com ele. Segundo o contínuo que nos atendeu o Jaguar nom costumava a passar por alí, enviava as suas colaborações por correio eletrônico. Nom podia dar-nos qualquer endereço eletrônico ou telefone de contato mas informou-nos de que a coluna do Jaguar saía às quartas-feiras, é dizer, no dia a seguir. Talvez alí aparecesse o e-mail que procurávamos...
No dia seguinte (QUA, 01-AGO-07), antes de embarcar para Niterói, compramos O DIA na banca de jornal da Estação das Barcas e, com efeito, lá estavam a coluna (e a charge!) do Jaguar!
Na terceira página d’O DIA D, caderno de Cultura, Diversão e Estilo de Vida, concretamente ...Mas, de e-mail, nada! ![]()
De como, quando tudo parecia perdido, conseguimos o telefone do Jaguar
Se através do jornal onde publicava nom era possível... como caralho íamos encontrar nós o jaguar no meio daquela selva urbana!?
Afinal encontramo-lo graças a um anúncio. O anúncio que o Paulo Rafael e a Elliz (Cia Tropa de Palhaços de 5ª) colaram no Tumbao do Malevo (Rua Paschoal Carlos Magno, 121) e na banca de jornal do Largo do Guimarães (Santa Teresa) para alugarem o fantástico apartamento no que a Teresa e mais eu estivemos (como em casa) durante toda a nossa estada no Rio de Janeiro.
Porque os nossos simpáticos anfitriões (Paulo Rafael e Elliz) resultaram ser amigos duma amiga (Ângela Pêcego, a quem tivemos o prazer de conhecer na segunda-feira 6 de Agosto no conhecido Bar do Gomes, galego coma ti) dum amigo do Jaguar (o Claudius, colaborador do Pasquim dos primeiros).
No domingo 19 de Agosto (ao nosso regresso ao Rio após o passeio pola Ilha Grande, Parati e São Paulo), desde a loja da Oi (internet de graça!) do Rio Sul (O Shopping Carioca) enviei um e-mail para o Claudius tal e qual a Ângela (no nosso encontro do Gomes na véspera da nossa partida para a Ilha Grande) me indicara.
No dia a seguir (SEG, 20-AGO-O7), ao voltarmos à casa depois de passar a manhã no Pão de Açúcar e a tarde na Praia Vermelha, encontramos na mesa da cozinha o bilhete que a Elliz escrevera sobre a mesma folha em que imprimira os e-mails que a petição minha (andava meio desligado) a Ângela e o Claudius enviaram para ela.
Nom me resisto a reproduzir um trecho da rápida resposta que (com cópia para a Ângela Pêcego que esta encaminhou para a Elliz) me enviou o Claudius. Lamento nom ter podido, por falta de tempo, combinar também com ele e confio em que nom interpretará como violaçom da correspondência este arejamento em vida do nosso epistolário:
From:
Date: 19/08/2007 21:21
Subject: Re: Suso Sanmartin, chargista galego, da Galícia, tentando entrar em contato com o Jaguar e a turma do Pasquim (URGENTE)
To: susosanmartin
Cc:
Caro Suso,
Entrei no site que você indicou, mas o teu Pasquim ainda não está lá. De qualquer modo, deu para ver uma amostra da qualidade do teu trabalho
Falei com o Jaguar, que me autorizou a te passar os números de telefone dele:
Em casa, ---- ----
Celular ---- ----
Ele é uma pessoa muito disponível e simpática, que vai te chamar de “Ô, Galego!” quando te encontrar. Ele sugere que você lhe telefone amanhã pela manhã. Não faço idéia do que isso quer dizer, quando traduzido em horas, mas, se eu fosse você, não o chamaria antes das 11.
(...)
Um abraço
Claudius
O esperado encontro com o Jaguar
Seguindo a dica do Claudius à manhã seguinte (TER, 21-AGO-07), por volta das onze horas, descim ao Largo do Guimarães para, do orelhão que lá tem, ligar para o Jaguar. Foi um bate-papo muito legal (apesar dos bondes, ônibus, taxis e moto-táxis que nom paravam de fazer barulho). O Jaguar é, com efeito, uma pessoa muito simpática. Mas visto que a sua agenda para esse dia estava bastante apertada acordamos encontrar-nos no dia seguinte. O Jaguar propujo combinar às onze mas pediu-me que o ligasse antes, às nove e meia para lho lembrar.
No dia seguinte (QUA, 22-AGO-07), às nove e meia, descim ao Largo do Guimarães, comprei O DIA na banca de jornal e, antes de ligar para o Jaguar, lim a sua coluna, intitulada Lucro Líquido, cujo conteúdo no dia anterior me adiantara polo telefone e que começava assim:
“Réu confesso (Confesso que Bebi) minha punição foi uma isquemia depois de 60 anos de transgressão. O lado bom: não morri nem fiquei torto. O mau: os médicos me proibiram de beber temporariamente. Pelo menos, como prêmio de consolação, estou juntando uma bela poupança.”
Combinamos às 11h00 na sede da Editora Desiderata, em Copacabana. Do Largo do Guimarães (Santa Teresa) a Teresa e mais eu descemos de ônibus à Carioca. De Metrô fomos de Carioca a Cantagalo. Daí, seguindo as precisas indicações do Jaguar, nom foi difícil encontrar, ao pé do supermercado Zona Sul, a Editora Desiderata (Av. Nossa Senhora de Copacabana, Nº 928, 4º andar, Sala 402).
Chegamos por volta das 11h10 (apenas dez minutos atrassados). O Jaguar ainda nom chegara mas ligara dizendo que tava a chegar... e chegou daí a nada. Antes de mais perguntei-lhe de quanto tempo dispunha e respondeu-me que do tempo que Célia, a sua mulher, demorasse em ligar para ele. Gargalhadas. Afinal a Célia demorou aproximadamente 1 hora e 20 minutos em ligar para o Jaguar (saímos da Editora por volta das 12h30).
Rascunho de A(c)ta da Reunião
Alguma das muitas cousas que aconteceram durante esses aproximadamente oitenta minutos de excitada conversa foram as seguintes:
Na sua companhia pudemos comprovar (na tela ou écrã dum computador) como ficaram os paineis da exposição individual do Jaguar que, com a sua presença, se inaugurou ontem (terça-feira, 4 de Setembro de 2007) em Luanda (Angola).
O Jaguar oferceu-me um livro do Millôr, Ministério de Perguntas Cretinas, dedicado por ele, o autor das ilustrações.
Eu oferecim ao Jaguar os dous últimos exemplares do número 56 do Novas da Galiza (+ O Pasquim Nº 1) que me restavam pedindo-lhe que desse um deles ao Claudius. O Jaguar fijo-me algumas perguntas sobre as charges e prometeu ler o meu texto (Porque O Pasquim?) com calma.
Ao final da nossa animada conversa (durante a que o Jaguar se definiu como “preguiçoso”) figem-no trabalhar duro ao fazer que me dedicasse todos os livros da sua autoria (ou co-autoria) que, com esse único objectivo, carreguei numa mochila de Santa Teresa a Copacabana: Átila, você é bárbaro, Confesso que bebi, Ipanema, se não me falha a memória, Antologia Brasileira de Humor 1 (Jaguar, págs. 237-242), A Lei de Murphy (traduzido e transubstanciado por Millôr Fernandes e ilustrado por Jaguar) e O Pasquim – Antologia (volumes I e II).
Na hora da despedida manifestei-lhe ao Jaguar a minha pena por nom dispor do tempo necessário para fazer-lhe uma entrevista para O Pasquim (Novas da Galiza). Ele deu-me o e-mail da Célia (que é quem se ocupa das questões tecnológicas das que o Jaguar se confessa ignorante) para que lhe envie as perguntas, cousa que tenho pensado fazer daqui a nom muito tempo.
A Teresa tirou-nos umas fotos juntos ao Jaguar e a mim e a Fernanda Zanuzzi (gaúcha residente em Barcelona e blogueira como nós) tirou a foto dos três (Teresa, Jaguar e mais eu) que ilustra este post.
NOTA: Este post devia ter saido ao ar ante-ontem quarta-feira, 5 de Setembro. Uma série de desafortunados acontecimentos fijo com que nom pudesse sair até hoje, 7 de Setembro, Dia da Independência do Brasil.
Escrito em 07-09-2007,
na categoria: GUEST ARTIST
|
Os meus visitantes dizem: