[O Sítio de Suso Sanmartin]

      No Caminho Português a Santiago de Compostela existe um lugar chamado Angueira de Suso.

      Segundo o dicionário e-Estraviz da língua galego-portuguesa “angueira” é “o quefazer, cuidados e negócios que cada pessoa tem”. “Angueiras” som “trabalhos, cargas sofrimentos”. Por sua parte “suso”, do latim susu, quer dizer “acima, atrás”.

      Angueira de Suso é o sítio de Suso Sanmartin na rede. Aqui colocará o susodito as suas angueiras presentes, passadas e futuras.

      Obrigado pola visita.

      susosanmartin@gmail.com


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Arquivos para: Abril 2009

No Centenário de Carmen Miranda

[Premir em cima da imagem para vervo Álbum do Centenário de Carmen Miranda em Slideshow]

Hoje, 10 de Abril de 2009, é Sexta-Feira Santa. Na Sexta-Feira Santa do ano passado, 21 de Março de 2008, e na companhia do meu amigo Carlos Meixide, visitei (em Várzea da Ovelha e Aliviada, Marco de Canaveses, Portugal) a casa natal da cantora e atriz luso-brasileira Carmen Miranda.

No passado 9 de Fevereiro (há dous meses e um dia) o mundo celebrou o centenário do nascimento de Carmen Miranda. Era com motivo da efeméride que gostava de ter publicado as fotografias que (dous meses e um dia depois do inicialmente previsto) venho publicar hoje. Os intensos preparativos e a ressaca do 8 de Fevereiro (Sunday Pottery Sunday) impediram-me fazê-lo daquela.

Marco de Canaveses

Procedentes de Barcelos e do Porto (Museu Serralves: Robert Rauschenberg: Em viagem 70-76) o Carlos Meixide e mais eu chegamos ao Marco de Canaveses na tarde do 20 de Março de 2008, Quinta-Feira Santa.

Primeiro contratempo, no Posto de Turismo (Alameda Dr. Miranda da Rocha) encontramos um bilhete assinado polo Presidente da Câmara, Dr. Manuel Moreira, que dizia assim [Fotos 01 e 02]:

MUNICÍPIO DO MARCO DE CANAVESES

AVISO

A CÂMARA MUNICIPAL DE MARCO DE CANAVESES AVISA todos
os Munícipes que os Serviços desta Câmara se encontrarão encerrados ao
público na tarde do próximo dia 20 de Março (quinta-feira santa), e o
dia 24 de Março (segunda-feira de Páscoa), atendento à tradição
Pascal.

Câmara Municipal de Marco de Canaveses, 13 de Março de
2008.

O Presidente da Câmara Municipal,

Manuel Moreira, Dr.

O Carlos e mais eu fomos à procura dum quarto onde passar a noite (ficamos no Residencial Nantilde) e, depois, jantar (costeletinhas de porco, etc., regadas com umha garrafa de Porca de Murça) à Churrasqueira Pensão Magalhães (Lg. António Q Montenegro, 31) sob a atenta mirada da Carmen Miranda (na fotografia feita desde o exterior na manhã do dia a seguir podem intuir-se, apesar dos reflexos, um olho e boca do grande retrato que presidia a sala de jantar) [Fotos 03 e 04].

À manhã seguinte voltamos ao Posto de Turismo, que continuava fechado. Tampouco encontramos ninguém que nos informasse na Câmara Municipal. O Carlos e mais eu figemo-nos fotografias com o pétreo escudo do concelho do Marco de Canaveses e mais com um monolito (onde podem ler-se os nomes das suas 31 freguesias) que, fazendo esquina, se encontra por alí. O Carlos (quem o conhece sabe da sua importante vis cômica) achou piada em que no Marco de Canaveses houvesse umha freguesia “Folhada” (“fodida” em calão castelão) e umha outra “Aliviada” [Fotos 05, 06 e 07].

Na Frutaria Alameda (Pça. Dr. Miranda da Rocha) compramos a umha simpática fruteira fruta variada (um ananás, um cacho de bananas, um racimo de uvas...) para confecionarmos um toucado digno da Carmen Miranda com o que retratar-nos perante a sua casa natal [Foto 08].

Na esquadra da Polícia Municipal tampouco deram sinais de vida assim que acabamos perguntando numha bomba de gasolina por onde era que se ia à Várzea da Ovelha e Aliviada.

Várzea da Ovelha e Aliviada

Seguindo as indicações dos amáveis fregueses da loja da bomba de gasolina (direçom Tabuado, foi o que nos digeram) nom demoramos em encontrar o sinal indicador da freguesia de Várzea da Ovelha e Aliviada [Foto 09] e, um pouco mais à frente, a Sede da sua Junta da Freguesia [Fotos 10, 11 e 12].

E, trás umha volta da sinuosa estrada, apareceu por fim diante dos nossos olhos a casa natal de Carmen Miranda. Reconhecim-na eu, nom porque houvesse qualquer sinal que indicasse que o fosse, senom porque antes de iniciar a viagem tinha visto umha foto na internet [Foto 00]. Na versom da Adriana Calcanhotto no rádio do carro estava a soar o Disseram Que Eu Voltei Americanizada.

Casa da Obra Nova

Arrumamos o carro ao pé da paragem do autocarro que, ao outro lado da estrada, há um pouquinho antes da casa. A sua cor azul combinava à perfeiçom com a dos azulejos que revestem o (inexistente nos tempos em que a Pequena Notável morava lá) andar superior da Casa da Obra Nova. Figemo-nos naquele ponto (p. de ônibus) umhas simpáticas fotografias a pintar a mona (com tocado tropicalista-carmen-mirandês e a comermos umha banana na sua honra) [Fotos 13, 14, 15, 16 e 17].

Logo depois aproximamo-nos um bocadinho mais da casa para observar e fotografar alguns pormenores (entre os quais os azulejos que, pola entrada posterior à propriedade, indicam qual é o seu nome) [Fotos 18, 19, 20, 21 e 22].

Igreja de São Martinho

Antes de abandonar o concelho do Marco de Canaveses e prosseguir o nosso caminho para Amarante, o Carlos Meixide (cujas iniciais, ainda agora reparei, coincidem com as da Carmen Miranda) e mais eu visitamos ainda a Igreja de São Martinho (São Martinho de Aliviada), onde há um cento de anos Maria do Carmo Miranda da Cunha, mais conhecida por Carmen Miranda, foi baptizada [Fotos 23 e 24].

Museu Carmen Miranda (RJ)

Havia pouco mais de oito meses que tinha passado pola frente do Museu Carmen Miranda, no Rio de Janeiro, também sem chegar a entrar. Foi durante um longo passeio que a Teresa e mais eu dêmos polo Aterro do Flamengo (da Praia do Flamengo até a de Botafogo) na segunda-feira 30 de Julho de 2007. Infelizmente, a intensidade e a velocidade do trânsito carioca impediram-nos daquela atravessar a Avenida Infante Dom Henrique para aproximar-nos mais. E o nosso tempo de estada no Brasil, um mês escasso, acabou antes de que pudéssemos voltar.

Escrito em 10-04-2009, na categoria: VÁRIOS
Fora as vossas sujas maos de Manoel-António!

'Colectivo da Imaxe'. Cartaz 'Fora as vosas sucias mans de Manoel-Antonio', 1979. Serigrafia, 39,1 x 26 cm

Nesta assoalhada manhã de domingo (Domingo de Ramos) em vez de ir à missa a Teresa e mais eu decidimos ir culturizar-nos um pouco ao CGAC. Dêmos umha vista de olhos às três exposições que na atualidade estám patentes ao público no Centro Galego de Arte Contemporânea: Pequena História da Fotografia, A Mancha Humana / The Human Stain e Portas de Luz. Umha Achega às Artes e à Cultura na Galiza dos 70.

Entre os tesouros expostos nesta última (e muito recomendável) exposiçom, algumhas joias bibliográficas do Grupo de Comunicaçom Poética Rompente (Alberto Avendaño, Antón Reixa e Manolo Romón). Algumhas que ainda pudem conseguir [como Facer pulgarcitos tres (A.A., 1979), As ladillas do travesti (A.R., 1979) e Galletas kokoschka non (M.R., 1979)] e outras [como o Silabario da turbina (Rompente, 1977)] que infelizmente já nom.

Nom vim na devandita exposiçom exemplar nengum d'A dama que fala (livro que também tenho a sorte de ter na minha biblioteca) nem de Fora as vosas sucias mans de Manuel Antonio (obra de Rompente que nem sequer conseguim ter nunca entre as minhas espero-que-limpas maos):

Cando en 1979 o día das Letras foi adicado a Manuel Antonio, o grupo Rompente editou un boletín, continuador das famosas Follas de resistencia poética, que se titulaba precisamente así: Fora as vosas sucias mans de Manoel-Antonio. A realidade é que os poetas vangardistas, que morren novos e que deixan unha fonda pegada nas xeracións posteriores non casan ben coas academias nen cos seus fastos.

O que sim pudem ver nesta expo foi o cartaz que para a particular homenagem manoel-antoniana do Grupo de Comunicaçom Poética Rompente fijo o Colectivo da Imaxe (Menchu Lamas, Antón Patiño, Jorge Agra e Carlos Berrido), o cartaz que ilustra este post.

De Fora as vossas sujas maos de Manoel-António! tivem o privilégio de falar com um dos seus autores, Alberto Avendaño, a quem conhecim numhas Jornadas de Estudo (organizadas pola Direcçom Geral de Promoçom Cultural da Conselharia de Cultura e Comunicaçom Social da Junta de Galiza) dedicadas a Manoel-António que se celebrarom no Quartel Velho-Casa da Cultura de Rianxo há nove anos, nos dias 30 e 31 de Março de 2000.

Nesta mesma liña reivindicativa, pero tamén coa intención de que nos servise como promoción dos nosos futuros libros, creamos os Boletíns de Rompente. Por desgracia, non fomos capaces máis que de tirar un:

Foi co gallo do «Día das Letras Galegas» dedicado a Manuel Antonio. Ocorréusenos facer unha portada con esta consigna: ¡FORA AS VOSAS SUCIAS MANS DE MANUEL ANTONIO! Tratábase dunha publicación estilo fanzine na que ficcionalizabámo-la figura de M-A. Manipulamos un carnet de identidade cos seus datos, recuperamos supostos-falsos textos do poeta rianxeiro, fixemos a M-A protagonista dunha historia de ficción e aproveitamos para lanzar unha proclama a xeito de «nós, poetas galegos, pensamos que...», etc. Seica a ocorrencía non sentou nada ben en círculos galeguisras e institucionais. Para nós, M-A, era unha referencia imprescindible: a única actitude literaria coa que nos podiamos identificar dentro de territorio literario galego de calquera época.

[Alberto Avendaño, O meu Rompente].

Suponho que por modéstia o Alberto Avendaño nom o contou neste texto que acabei de encontrar agora mesmo na internet, mas acho que me digera que o bilhete de identidade com o que falsificaram o de Manoel-António era o seu. Também me dixo daquela que no falhado da casa da sua mai devia haver caixas e caixas cheias de exemplares do (ao menos por mim) cobiçado boletim. "Só espero que a tua mai nom faga como Dona Pura" [a mai de Manoel-António], parece-me que lhe digem eu.

Já agora, nom lho perguntei ao Alberto Avendaño naquela ocasiom mas o título Fora as vossas sujas maos de Manoel-António acho que é umha paródia de No pongas tus sucias manos sobre Mozart, livro com o que por aquelas mesmas datas (1979-1980 a Wikipédia hispana nom o esclarece) ganhou o Prémio González-Ruano o escritor espanhol Manuel Vicent.

Escrito em 05-04-2009, na categoria: TERRORISMO CULTURAL (TC):, Cachimbo Pola Paz