
No domingo 28 de fevereiro de 2010 clausurou-se a exposiçom do Sexto Prémio Auditório de Galiza para Novos Artistas 2009 que, desde 2 de dezembro de 2009 e por quase três meses, estivera patente ao público no Auditório de Galiza.
A este Sexto Prémio 2009, igual que ao Quinto Prémio 2007, apresentei umha obra. As duas vezes com idêntico resultado: a minha obra nom foi selecionada polo júri do certame. Ainda que, segundo fontes de toda confiança, desta volta andei-lhe perto.
Se à penúltima ediçom do prémio apresentara umha peça intitulada A Bandeira Lavandeira ou Salva-Pátrias (Homenagem à Tropicália no seu XL Aniversário) a esta última ediçom apresentei umha intitulada Branco sobre Branco (Homenagem a Malevich). Um título um pouquinho mais breve, como vedes, mas igual de homenageativo ![]()
No “texto explicativo -nom superior às 20 linhas- da obra” que, segundo o Regulamento do concurso, tod@s @s participantes devíamos apresentar, dizia da mesma:
A ideia para a criaçom desta peça ocorreu-me sendo estudante de Belas Artes em Salamanca catorze anos e oito meses atrás. Anotada num caderno, permanezia desde aquela no mundo das ideias a realizar.
Tratava-se de fazer umha paródia do célebre quadro do pintor suprematista russo Kazimir Malevich (1878-1935), intitulado “Branco Sobre Branco” (1918) empregando um simples papel para Desenho Técnico BASIK 130 g/m2 GVARRO-CANSON, com “margem normalizada” (Exterior: 230 x 325 mm, Interior: DIN A-4, 210 x 297 mm ).
Com efeito, a ideia ocorreu-me em Salamanca no longínquo 30 de janeiro de 1995 (costou-me encontrar este dado entre as minhas anotações, que naquela altura ainda nom eram tam sistemáticas como agora, nem muitíssimo menos) e nom foi implementada até catorze anos e oito meses depois (entre 22 e 24 de setembro de 2009).
Making Off
Em 21 de setembro do ano passado, quatro dias antes de que expire o prazo de apresentaçom de obras ao VI Prémio Auditório de Galiza para novos artistas 2009, decido finalmente apresentar-me. Num princípio a realizaçom daquela minha velha ideia de Homenagem a Malevich nom parecia mui complicada e o tempo parecia, justinho mas, mais do que suficiente. Primeiro contra-tempo: no Leroy Merlin (Parque Empresarial Costa Velha) dim-me que devido à grande quantidade de encomendas o da moldura demoraria meses.
Mas antes de encomendar a moldura precisava era conseguir umha lâmina DIN A-4 com margem normalizada (ou cajetín) que emoldurar. Umha das razões para nom ter realizado a peça em todos estes anos foi a de nom ter encontrado umha lâmina destas caraterísticas com o texto marginal em galego-português. Lembro que nalgumha ocasiom procurei nalgumha papelaria do país vizinho (por Portugal) e lembro tê-las encontrado mas só com o texto em castelhano ou em inglês. Devia ter apanhado algumha destas últimas!
Na tarde da terça-feira 22 de setembro de 2009 saio à procura da lâmina que precisava para fazer a minha artistada. Na Hiperpapelaria Carlin e na Livraria-Papelaria Palácios, ambas na Rua dos Concheiros, nom a encontro. Encontro-a em Prensa BA-BA, na Área Central, e volto a passar por Altaira (por onde já tinha passado previamente para perguntar o tempo que lhes poderia levar), na Avenida de Lugo, para deixá-la a emoldurar.
Nom me lembro do tempo que me digeram (nem me lembro nem o tenho anotado) mas nom deveram de ser mais de 24 horas porque daí a dous dias, na quinta-feira 24 de setembro, já tinha a lâmina perfeitamente emoldurada (com a moldura mais barroca que tinham) de volta no meu poder.
De manhã fum à Ferragens Casas Chico (Rua das Casas Reais) para encomendar umha plaquinha metálica com umhas letras gravadas que digessem: “Branco Sobre Branco (Homenagem a Malevich)”. Digeram-me que demoraria de 7 a 10 dias assim que nom a encomendei (o prazo de apresentaçom ao concurso terminava no dia a seguir). Perante a falta de tempo material para fazer umha placa autêntica nom tinha mais remédio que optar pola falsificaçom.
Depois de percorrer vários estabelecimentos à sua procura (Eurotenda e Livraria Ler (Santa Comba), Fotocópias Pelâmios e T44 (Compostela)) encontei, por fim, umha cartolina dourada na antedita Hiperpapelaria Carlin. Umha cartolina dourada tamanho DIN A-3 que na copistaria “T44”, na Rua São Roque, amavelmente me cortaram em duas metades (tamanho DIN A-4) para, a seguir, fotocopiar numha delas o texto que eu levava (como imagem) guardado num pen drive: “Branco Sobre Branco (Homenagem a Malevich)” (em Edwardian Script ITC).
Nas Ferragens A'Rua (Rua de São Pedro) deram-me de graça dous parafusinhos (douradinhos e com a cabecinha redondinha) com os que, às 21h55 (GMT+2), terminei de afixar na dourada e barroca moldura a plaquinha (de cartolina dourada mas que aparenta ser de dourado metal) com o título da obra: Branco Sobre Branco (Homenagem a Malevich).
Na manhã do dia a seguir (sexta-feira, 25 de setembro de 2009) a Teresa fijo-me umhas fotos da obra com luz natural. Imprimim-nas imediatamente em "T44" e, ato seguido, fum ao Auditório de Galiza entregá-las junto com o resto da documentaçom (fotocópia do DNI, fotografia pessoal, currículum vitae, ficha ténica e texto explicativo da obra...). Às 10h40 (GMT+2), três horas e vinte minutos antes de que, às 14h00, expirasse o prazo, tinha apresentado formalmente a minha candidatura ao Sexto Prémio Auditório de Galiza para Novos Artistas 2009.
Aquest any tampoc...
Vinte dias mais tarde, na quinta-feira 15 de outubro de 2009, recebim carta do Paulo Rodríguez, Diretor-Gerente do Auditório de Galiza. Apesar de que nalgumha ocasiom em que nos tínhamos encontrado por aí me tinha dito que a minha obra tinha algumha hipótese (e mesmo algumha ardente defensora, como a diretora dumha prestigiosa revista especializada em arte, dentro do júri do certame) as notícias que o amigo Paulo me enviava por carta desta volta tampouco eram boas: “Lamentamos comunicarlle que NESTA OCASIÓN A SÚA OBRA NON FOI SELECCIONADA.”
Na sexta-feira 27 de novembro, também por correio ordinário, recebim um convite para assistir a entrega de prémios e inauguraçom da exposiçom que, na Sala Isaac Diaz Pardo do Auditório de Galiza, teria lugar na quarta-feira 2 de dezembro. Nom foi a decepçom por afinal nom ser selecionado (se sou sincero tenho de admitir que já me tinha feito umha certa “ilussom”) mas um “Catarro Vias Altas (CVA)”, do que me encontrava convalescente, o que me impediu finalmente assistir.
No passado dia 9, terça-feira, fum por fim visitar a exposiçom.
...i mai més
Este Sexto Prémio Auditório de Galiza para Novos Artistas 2009 era a minha última oportunidade de ser reconhecido como “novo artista”. Se o regulamento do certame nom mudar ao Sétimo Prémio já nom me poderei apresentar porque, a 31 dezembro de 2011, já terei feitos os quarenta anos.
“Poderán participar artistas, individual ou colectivamente, que naceran ou residan en Galiza, menores de 40 anos a 31 de decembro de 2009.”
[http://www.auditoriodegalicia.org/premios/index.php?txt=aud_premios&lg=gal]
Portanto, no improvável caso de que algum dia chegue a ser reconhecido como artista, já nom serei um “novo” mas um “velho artista” (“bello artista” já sou porque sou formado em “Bellas Artes” pola Universidade de Salamanca, Espanha).
Ficam-me como consolaçom duas pecinhas que, nom fosse o estímulo do Prémio Auditório de Galiza para Novos Artistas, provavelmente nunca tivesse realizado.
Homenagem a Malevich, por Hélio Oiticica
Durante o processo de realizaçom material da minha peça (é dizer, catorze anos e oito meses depois de concibida a ideia para a realizaçom da mesma) descubro, por acaso, que quem tem umha peça intitulada igual (Homenagem a Malevich) é o Hélio Oiticica.
Homenagem à Tropicália
Hélio Oiticica é o autor dumha instalaçom penetrável, intitulada Tropicália, da que tomariam o nome a celebérrima canção do Caetano Veloso e um disco coletivo homónimo, manifestos dum movimento (o tropicalista) para o que os seus seguidores mais acérrimos rejeitam o nome de Tropicalismo preferindo chamá-lo de Tropicália mesmo.
No interior dumha reconstruçom da Tropicália do Hélio Oiticica tivem eu a imensa fortuna e o privilégio de penetrar quando, na terça-feira 21 de agosto de 2007, visitei a exposiçom Tropicália, uma revolução na cultura brasileira (1967-1972), organizada polo Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro para comemorar o XL aniversário do "movimento de ruptura que sacudiu o ambiente da música popular e da cultura brasileira entre 1967 e 1968".
E à Tropicália, no seu XL aniversário, renderia eu homenagem quando pouco mais dum mês depois (em 27 de setembro de 2007) e com A Bandeira Lavandeira ou Salva-Pátrias, me apresentava à anterior ediçom do certame.
Escrito em 10-06-2010,
na categoria: ARTISTADAS
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Desde 17 de Julho até anteontem, 28 de Setembro, na sede compostelana da Fundaçom Caixa Galicia (Rua do Vilar, 19) permaneceu patente ao público a exposiçom Joseph Beuys Múltiples (objectos, fotografias, gravuras, etc. de Joseph Beuys, um dos mais influentes artistas europeus da segunda metade do século XX).
Na imelhorável companhia da Teresa visitei esta excelente exposiçom no dia 11 do corrente, 11-S, quinta-feira. A nossa visita vespertina foi dupla. Por livre primeiro e guiada (pola Araceli) depois. Foi o Roberto Abuín, grande admirador do alemao a quem por acaso encontramos no segundo andar, quem nos informou de que havia visita guiada às 19h30 (GMT+2). Muitíssimo obrigado, amigo Roberto!
Escrito em 30-09-2008,
na categoria: ARTISTADAS
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Após mês e meio de férias blogueiras aqui estamos outra vez de novo com todas e todos vós.
Depois de assistirmos o concerto de Caetano na Quintana (tema do último post postado antes de ir-nos de férias) neste verao estivemos de campismo em Louro (22 e 23 de Julho), no Festigal (24 e 25 de Julho), de turismo rural em Igom (de 27 a 30 de Julho), no XXIX Festival de Pardinhas-Guitiriz (1, 2 e 3 de Agosto), no meu Bueu natal (de 4 a 7 de Agosto) e três semanas (de sábado 8 a sábado 30 de Agosto) de viagem por terras gregas e mares gregos (Atenas e cinco das Cíclades: Paros, Santorini, Folegandros, Milos e Sérifos) em companhia da Teresa.
Três semanas física e psiquicamente longe de Espanha, fora do alcance da Brunete mediática (a isso e ao que eu chamo estar de férias) e passando olimpicamente de Beijing.
Escrito em 08-09-2008,
na categoria: ARTISTADAS
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Hoje há duas semanas que recebim na minha morada umha carta do Auditório de Galiza em que com suma delicadeza o seu Diretor-Gerente me informava de que a obra por mim apresentada ao Quinto Prémio Auditório de Galiza para Novos Artistas 2007 nom fora seleccionada polo júri do certame.
Nom é que demorasse duas semanas em assimilar a má notícia (embora a esperança é a última cousa a perder-se, sinceramente, era o que esperava), é que nom sei o que acontece com o tempo (com o tempo cronológico, e nom com o meteorológico apenas) que ultimamente nom corre, voa que se mata!
Texto explicativo
Segundo o Regulamento do concurso as/os participantes no mesmo devíamos apresentar um “texto explicativo nom superior às 30 linhas” da obra que apresentávamos. Eis o textinho que eu escrevim para a ocasiom:
A idéia desta obrinha ocorreu-me em Curitiba (Paraná) há doze anos durante a minha primeira viagem ao Brasil. Mas nom foi até este ano, em que a Tropicália (ou o Tropicalismo) comemora o seu quadragésimo aniversário e eu regressei ao Brasil pola terceira vez, que me decidim a implementá-la.
A idéia, nom exenta de humor negro, é construirmos a bandeira do Brasil (como toda bandeira nacional, objecto quase sagrado) deconstruindo um objecto tam profano como é um “salva-unhas”. O “salva-unhas” tem duas capas: umha de esponja amarela e umha outra de “fibra verde”. Retirando parcialmente a “fibra verde” (rombo) e praticando umha perforaçom na esponja amarela (circunferência) surge umha irreverente e evocadora bandeira do Brasil.
Enfim, a ver se para o ano! Parabéns às/aos selecionadas/os e muita sorte! Vemo-nos no Auditório o vindouro 20 de Dezembro na inauguraçom! ![]()
Escrito em 21-11-2007,
na categoria: ARTISTADAS
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De entre todos os designs saidos da factoria do ReiZentolo um dos mais afortunados é, sem dúvida, o retrato da Rosália de Castro feito ao estilo dos inúmeros retratos que o Andy Warhol fijo da Marilyn Monroe.
Embora as camisolas pareçam estar já descatalogadas, na loja virtual do ReiZentolo ainda podemos comprar chávenas, crachás, chaveiros e lâminas com este POPular design.
Ignoramos de quando data o design régio-zentoleiro mas em nengum caso é anterior a Abril de 2003, data em que (segundo pudemos ler na reportagem, intitulada Estilo e mensaxes no teu peito, publicada em 22 de Abril de 2004 por CulturaGalega.Org) o Salva, o Pablo e o José Miranda começaram a estampar camisolas:
Rei Zentolo
Neste mes de abril faise un ano desde que Salva, licenciado en Historia da Arte e Pablo e José "Miranda", de Belas Artes, comezaron a estampar camisetas. (...) Naceu así Rei Zentolo, unha empresa con sede en Pontevedra que se está a facer famosa polos seus deseños de "Red Hot Peppers from Padrón" ou "Percebes".
Muito antes, em 1996, dirigida e editada polo entranhável amigo Alexandre Rodríguez Guerra, na altura leitor de galego na Universidade de Salamanca, saiu a lume o primeiro número da revista Galicia dende Salamanca (Depósito Legal: S. 762-1996 / ISBN: 84-605-5459-7). Na capa da revista o retrato da Rosália que, no mínimo um ano antes, eu figera ao jeito de Andy Warhol.
Nom vou negar que o design do ReiZentolo está melhor feito do que o meu (técnica rasca e mista de reprografia em acetato e colagem). Com certeza o alunado da Faculdade de Belas Artes de Ponte-Vedra (onde, já agora, eu próprio figem o primeiro ano do curso) sai milhor preparado do que o alunado da faculdade homónima da Universidade de Salamanca pola que eu sou formado.
Tampouco estou a dizer que os colegas de ReiZentolo plagiaram a minha ideia. Em todo caso isso terám de dizê-lo eles visto que eu nom tenho pensado denunciá-los perante os tribunais
Ao que denunciava de boa gana, se o mau gosto fosse delito, era ao que perpetrou isto. Inda por riba o tipo deve crer que tivo umha ideia da hóstia porque se dedica a inçar a Galiza e parte do estrangeiro de horrorosos autocolantes!
Tingir a Rosália de loiro também é um acto de mau gosto, poderá dizer algum de vós. Talvez sim, mas na altura a mim pareceu-me justo e necessário fazer-lhe umha pecaminosa mudança de imagem à que injustamente era alcunhada de Santinha.
Nom sei, se queredes discutimo-lo nos comments...
Escrito em 20-03-2007,
na categoria: ARTISTADAS
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