[O Sítio de Suso Sanmartin]

      No Caminho Português a Santiago de Compostela existe um lugar chamado Angueira de Suso.

      Segundo o dicionário e-Estraviz da língua galego-portuguesa “angueira” é “o quefazer, cuidados e negócios que cada pessoa tem”. “Angueiras” som “trabalhos, cargas sofrimentos”. Por sua parte “suso”, do latim susu, quer dizer “acima, atrás”.

      Angueira de Suso é o sítio de Suso Sanmartin na rede. Aqui colocará o susodito as suas angueiras presentes, passadas e futuras.

      Obrigado pola visita.

      susosanmartin@gmail.com


      ddooler


    Busca

    As minhas visitas no mundo

    Locations of visitors to this page

free blog software

Categoria: Xó!

Este vai-se e aquel vai-se...

Inteiro-me polo meu amigo Post Scriptum, pessoa bem informada onde as haja e afervoado caetanista coma mim, de que o Caetano Veloso tem novo disco no mercado () e que nele inclui umha música (Porquê?) na qual repete, inúmeras vezes e com sotaque português, a frase Estou-me a vir.

O cantor baiano explicou asssim ao jornal Extra (SÁB, 16-SET-06) o emprego da expressom portuguesa:

“Acho bonita a maneira como, lingüisticamente, os portugueses resolveram a questão (do orgasmo). No Brasil, usamos o verbo gozar, como na França. Mas é como se estivesse acabando alguma coisa. Estou-me a vir é reflexivo, ou seja, fala de si próprio. E ainda dá uma idéia de continuidade”.

Com efeito, "vir-se" é para os portugueses o que para os espanhois é "irse", é dizer, ejacular, expulsar o sémen. Mesma direcçom, sentido contrário. Onde um brazuca diria "estou gozando" (que é gerúndio) um tuga diria "estou-me a vir" (infinitivo gerundial).

"Me voy" diria um espanhol, e um galego, pola perniciosa influência da língua deste, diria "vou-me" ou que "me vou".

Seja como for, este apontamento (muitíssimo obrigado, caro P.S.!) dá-me o pretexto que precisava para publicar em Angueira de Suso umha velha charge, a que ilustra este post, cuja publicaçom tinha pendente desde havia algum tempo e que com antecedência já publicara em papel em três revistas diferentes:

Eis Nº 8 (1993), pág. 11
Xó! Nº 37 (Dezembro 1999), pág. 4
De Troula Nº 3 (2006), pág. 3

Nela pugem em boca dos amantes uns conhecidos versos rosalianos que, nas suas bocas e graças as interferências lingüísticas do castelhano sobre o galego, cobram um sentido completamente diferente. Ele, meio desculpando-se, di-lhe a ela "Adiós, adiós que me vou". Ela, resignada perante a efemeridade do acto amoroso, soluça, salouca: "Éste vaise i aquél vaise / e todos, todos se van".

"Adiós, adiós, que me vou" é um verso de Adiós, ríos; adiós fontes, décimo quinto poema de Cantares Gallegos, obra de Rosalia de Castro publicada o 17 de Maio de 1863.

"Éste vaise i aquel vaise / e todos, todos se van" som, por sua parte, dous versos de As viudas dos vivos e as viudas dos mortos, poema de Follas Novas, poemário rosaliano de 1880.

"Follas Novas"!!?? Devido à "perniciosa influência" do castelhano, de que falava antes, devo esclarecer que aqui "follas" é o plural de "folha" (órgao apendicular, de forma variada, geralmente plano e de cor verde que se desenvolve no caule e nos ramos das plantas e geralmente constituída por bainha, pecíolo e limbo) e nom a segunda pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "follar" (foder, copular);)

Escrito em 08-02-2007, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, De Troula, Xó!
THE INVISIBLE MAN

Janeiro é o mês de Castelao. No mês de Janeiro comemoramos o seu nascimento e a sua morte.

Afonso R. Castelao nasceu em Rianxo em 30 de Janeiro de 1886 (tal dia como hoje há 121 anos) e morreu exilado em Buenos Aires em 7 de Janeiro de 1950.

No dia a seguir à sua morte, 8 de Janeiro de 1950, a Dirección General de Prensa y Propaganda da ditadura franquista enviou umha nota aos diretores dos jornais galegos advertindo que do "político republicano y separatista gallego" unicamente poderiam elogiar-se, em páginas interiores e a umha só coluna, "sus características de humorista, literato y caricaturista".

Ao largo da sua frutífera vida o político, escritor, desenhador, pintor, humorista e caricaturista rianxeiro auto-caricaturou-se em diferentes ocasiões. Sem lugar a dúvidas os seus dous auto-retratos caricaturais mais reproduzidos e famosos som este (capa do seu folheto "Algo acerca de la caricatura", Pontevedra, s.a., 1916?) e estoutro (1920), em que Castelao fai desaparecer o essencial, a sua própria pessoa, para deixar ficar apenas o acessório: chapéu, óculos, gravata de laço e fumegante cigarro.

Foi precisamente esta segunda imagem a que em 1993(?) empreguei para realizar, acrescentando apenas o pé "the invisible man", a cousa que ilustra este post.

A cousa esta (cartoon? charge? vinheta? ilustraçom?) já fora publicada com antecedência em três ocasiões, as duas primeiras na revista universitária Eis [Eis Nº 8 (1993), pág. 11 e Eis Nº 10 (1995), pág. 8] e a terceira na Revista Satírica de Humor Platónico Xó! [Xó! Nº 37 (Dezembro 1999), pág. 2].

No seu testamento político, o Sempre em Galiza, Castelao demostrou científicamente que Galiza era umha naçom. Cinquenta e sete anos após a sua morte os herdeiros do general Franco, galeguistas coma ti, recusam-se a definí-la como tal nem sequer no Limiar do seu novo estatuto.

Agora, como na hora da sua morte, Castelao melhor invisível. O homem invisível.

The Invisible Man, O Filme

No passado sábado, 20 de Janeiro de 2007, às 19h30 (CET), dentro do ciclo de cinema Ficções e Alterações da Realidade, no Centro Galego de Arte Contemporânea (CGAC) projectaram um dos meus filmes favoritos de sempre: The invisible man (James Whale, 1933).

Por tal motivo queria ter publicado naquela data a cousa que hoje publico, mas imprevistos de última hora impediram-me fazê-lo. Nom só me impediram fazê-lo senom que por pouco nom acordo a tempo de ir ver o fime! Som-che cousas da vida... por Castelao! ;-)

Dedicatória

Quigera dedicar esta cousinha ao meu grande amigo João Miguel Lombardeiro (co-fundador junto com José Maria Duram, Marcelo Maneiro, Franjo Padín e comigo próprio, da saudosa revista Eis) e quigera fazê-lo por certo comment que, em 13 de Outubro de 2006 e a propósito de umha outra ilustraçom, me fijo off the record (via e-mail), comentário que hoje fago público com a sua licença:

"Até há pouco tinha uma doença que de por vezes fazia-me passar por tolinho: lembro em qualquer momento, oportuno ou inoportuno, o teu invisible man e escacho a rir perante quem seja (a sério, uma vez passou-me quanado ligava desde a Federação Vizinhal à Subdelegação do Governo Spagnolo em Ponte-Vedra; comecei a rir e não me dava controlado) Agora acontece-me ademais com o buda-fraga".

Escrito em 30-01-2007, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, Xó!
C.I.L. Superpiñeiro

Ante-ontem à tarde cheguei-me ao posto dos Correios (R. Orfãs, 17) para apanhar o envio do que na passada segunda-feira, na minha caixa do correio, encontrara aviso de chegada.

O pessoal de De Troula tivo a gentileza de voltar a enviar-me um exemplar do Nº 4 (que já enviaram no verao à minha antiga morada) e três exemplares do Nº 5 da Revista Mensal da Movida Galega.

Na sua página 6 este último número de De Troula traz a charge que ilustra este post e que com antecedência já publicara na Revista Satírica de Humor Platónico Xó! [Xó! Nº 23 (OUT-1998), pág. 7].

"Vam acabar, vam acabar,
o Supermartes e o Luar"

Assim cantávamos (parodiando Paco Ibáñez e Rafael Alberti) as/os que na noite de 27 de Junho de 2005 espontaneamente nos concentramos na Quintana dos Mortos para, após umha semana de tensa espera, ébrios de felicidade, celebrar a definitiva queda do Fragasauro.

Se bem o programa apresentado polo autodenominado Superpiñeiro acabou daí a pouco nom aconteceu o mesmo com o plácido Luar do incombustível Xosé Ramón Gayoso.

Da mao do mesmíssimo Vice-Presidente da Igualdade e do Bem-estar, o nacionalista Anxo Quintana (quem no último verao contratou o seu convizinho como animador das festas do programa Lazer para os nossos maiores) Xosé Manuel Piñeiro saiu do ostracismo no que caira a raiz da mudança galega e, segundo dim os rumorosos, poderia regressar à TVG.

Se assim for (deus o faga milhor!) as galeguinhas e os galeguinhos teríamos oportunidade de voltar a desfrutar de umha fraseologia, a do tequelexouman alaricano, mais castiza do que enxebre e, com certeza, digna dum estudo do Ramón Piñeiro.

NOTA: Juro que dumha vez lhe ouvim ao Superpiñeiro dizer "Así saia o sol por Antequera" na Televisom de Galiza. Sobra dizer que foi fazendo zapping ;-)

Escrito em 15-12-2006, na categoria: COLABORAÇÕES HABITUAIS:, De Troula, Xó!, CARICATURA