
Meus avós levárom as galinhas do pátio para a cortinha, onde lhes figérom um curral com um chabolo. Podem entrar e sair quando quigerem, sempre estám pola cortinha adiante junto às ovelhas que andam a pastar.
Acontece que o outro dia o galo, que é chulito de caralho, picou-lhe a minha avó numha perna. Deixou-lhe umha boa ferida, minha pobre. Estava também por aló meu tio, tivo que defender-se do ataque do galo, e arreou-lhe com umha vara, mas ainda se lhe repicava. (Duelo de titáns)
Minha avó nom quijo que o matassem, que nom tinha gana de ter que despená-lo. Além disso, diz que dá gosto vê-lo, e como leva às pitas. (Mundo animal)
Só passar por ali e nom para de cacarejar. É bem bonito.
Dentro dum mês, quando tenha chegado a minha certidom de nascimento desde Leom, mudará um jota por um xis no meu nome.
Agora cada vez que vou à aldeia tento ficar com algo de léxico, e reparo em todo o que se diz. Mágoa que nom tivesse começado antes. Ainda muitas vezes meus avós nom se decatam de que lhes estou a falar em galego e respondem-me em castrapo... Com o bem que falam, quem me dera...
Umha cousa que me diz minha mãe, mais frequentemente do que eu quiger...:
- Perezinha, queres pam?
- Sim senhora, se mo dam.
- Corre vai polo cuitelo!
- Nom senhora, nom lho quero.
Os poemas com os que começa o livro de Alicia:
De botar o mar polos ollos,
que ocorra nunha cidade
onde a orientación desapareza
e os xogos de nena non existan.
Onde as cores verdes estean preto
-uns metros é suficiente-
e as mans de millo apreten as ideas
(ou as tetas).
Onde ti sexas procura.
Onde ti (me) habites.
No areal este corpo é de cebas:
as mans de millo percórrenme
limpas
núas
salgadas,
sempre co movemento en espiral
como as ameixas que levo no pelo.
Se a marea alta non me viola
boto o océano todo polos ollos.
Este sábado iremos à apresentaçom do poemário da nossa amiga Alicia. Oxalá se esgotem os livros, ainda que nom sejamos tanta gente como em Escairom ![]()
Alicia Fernández apresenta o seu poemário na Corunha o 2 de Abril.
Alicia Fernández, a jovem poeta do Savinhao que já está a ser considerada como umha das últimas grandes revelaçons da poesia galega, apresentará o dia 2 de Abril às 8 da tarde no Centro Social Atreu (Rua Sam José, 2 - Corunha) o seu poemário "Botar o mar polos ollos", recentemente publicado pola editora portuguesa "Tema".
Neste acto organizado por O Tangaranho Vermelho, intervirám Yolanda Castaño, Ramiro Vidal e a própria Alicia Fernández.
Podedes ler algo da sua poesia na Biblioteca Virtual Galega (é Alizia).

Cheguei ontem da aldeia. Pergunto-me como pode ser que meus avós diferenciem cada ovelha... E que bonito é ver como lhe dam ao rabo @s anh@s quando mamam ![]()
Estivem lendo estes dias outro livro da AGAL dos que pedira, “Caracol ao Pôr-do-Sol”, do Ernesto Guerra da Cal. Eu nom sou mui dado a ler poesia (normalmente nom entendo nada), mas há cousas singelas como esta que me som realmente formosas.
ONTOLOGIA ÓPTICA
SER
é
ser visto
e
é
ver
E
se repararmos bem
o
SER
só
consiste
nisto:
É
só
por ver
e
ser visto
que
EU
existo
Ernesto Guerra da Cal
Estoril, 10 de Junho de 1987

Hoje fum cortar o cabelo. Sem eu querê-lo saim reflectido na porta do armário do meu quarto ![]()