
Meus avós levárom as galinhas do pátio para a cortinha, onde lhes figérom um curral com um chabolo. Podem entrar e sair quando quigerem, sempre estám pola cortinha adiante junto às ovelhas que andam a pastar.
Acontece que o outro dia o galo, que é chulito de caralho, picou-lhe a minha avó numha perna. Deixou-lhe umha boa ferida, minha pobre. Estava também por aló meu tio, tivo que defender-se do ataque do galo, e arreou-lhe com umha vara, mas ainda se lhe repicava. (Duelo de titáns)
Minha avó nom quijo que o matassem, que nom tinha gana de ter que despená-lo. Além disso, diz que dá gosto vê-lo, e como leva às pitas. (Mundo animal)
Só passar por ali e nom para de cacarejar. É bem bonito.
Dentro dum mês, quando tenha chegado a minha certidom de nascimento desde Leom, mudará um jota por um xis no meu nome.
Agora cada vez que vou à aldeia tento ficar com algo de léxico, e reparo em todo o que se diz. Mágoa que nom tivesse começado antes. Ainda muitas vezes meus avós nom se decatam de que lhes estou a falar em galego e respondem-me em castrapo... Com o bem que falam, quem me dera...
Umha cousa que me diz minha mãe, mais frequentemente do que eu quiger...:
- Perezinha, queres pam?
- Sim senhora, se mo dam.
- Corre vai polo cuitelo!
- Nom senhora, nom lho quero.