Gostei muito do comunicado da Casa Encantada de Compostela, que se pode ler em Arredemo, e que eu fago meu e colo aqui:
Comunicado da Casa Encantada ao respeito das detençons:
A criminalizaçom da disidência no estado espanhol segue o seu rumo habitual apoiado e auspiciado por um governo espanhol que se autotitula de esquerdas. Nom só na Galiza, senom também nos Países Cataláns, Asturies, Euskadi,... toda pessoa que se mova organizadamente contra este sistema capitalista-terrorista corre o risco de ser detida, criminalizada e represaliada.De feito as dez pessoas detidas estám lá por ser activas, rebeldes e combativas, e nom comungar com as rodas de moinho que dia a dia traga a maioria da populaçom.
Os cárregos que se lhes imputam podem qualquer dia imputar-se-lhos a toda a gente que considera que a monarquia é um anacronismo, que a autêntica violência é a que cometem os mercenários das grandes multinacionais apoiadas e respaldadas polos governos dos países industrializados, ou que os danos dos que som acusadas (pintadas em murais entroutros) nom som nada comparados com as mortes que ocorrem todos os dias nos postos de trabalho por culpa das condiçons laborais que se fomentam no capitalismo e sem que ninguém seja ajusticiado por isso.
Sentimo-nos afectivamente doidas e resentidas por esta actuaçom mediática do governo espanhol, da audiência espanhola e do seu braço armado. A carnaça servida ao falsimedias com o espectacular despregue das forças armadas, derom lugar a capas principais nos meios relacionando as pessoas detidas com actos dos que nom se aporta nengumha prova e criminalizando também aos Centros Sociais da Gentalha do Pichel (Compostela), A Revolta (Vigo) e A Esmorga (Ourense).
Amanhá pode ser que venham por nós, poida que inventem qualquer motivo para encerrarnos, fotografarnos, sacar-nos polas “merdateuves”, dizer os nossos nomes e apelidos, relacionar-nos com ETA ou Al Qaeda e meter-nos nos seus centros de extermínio, polo simple feito de ser dissidentes e combativas.
Actuaçons como estas nom pode ficar sem resposta independentemente de quem seja criminalizada.
Nom às montagens mediático-policiais!!!
Liberdade para @s dez detid@s já!!!
Um artigo de Beiras, intitulado "Declaración de Láncara", foi publicado estes dias em Vieiros. É o texto que leu ao receber um prémio nessa vila. Nele fai umha valoraçom e autocrítica da sua trajectória política, definindo-se como intelectual, motivo polo que passou por ser um político atípico. Um intelectual move-se por valores, e explica quais som esses valores para ele em dez pontos.
E um dos pontos, no que critica a linha autonomista seguida por ele próprio e hoje majoritária no nacionalismo galego, é este que cito a continuaçom:
8. Autodeterminación cara a independencia. Qué queredes que vos diga. Tardei en convencerme. Mais, após decenios de vida malgastos en ensaiar o raciocinio, a paciencia, o tempero, a argumentación, a persuasión e até o optimismo da vontade para contribuir dende a miña identidade nacional galega a construirmos en común un Estado español habitábel por todos, despois de todo ese esforzo durante todo ese tempo, cheguei á conclusión de que estivera a "traballar para o inglés". Nen sequer se trata dun esforzo ilusorio por realizar unha utopía. Non. Trátase dunha "impossible mission". Debín facerlle caso ao don Ramón María dos esperpentos, que hai ben tempo xa que dictaminara por boca do seu alter-ego Max Estrella que "España es un corral nublado". A caverna española obstínase en darlle toda a razón aínda hoxe. Compre renderse á evidencia: só o combate pola nosa autodeterminación como povo, orientada cara a independencia, só ese camiño poderá chegar a algures, só esa actitude suscitará respeito cara nós e os nosos dereitos cívico-políticos, poisque a caverna española só respeita a quen teme. É mágoa, mais é asi. Porque o problema non o somos nós, os galegos nacionalistas: sóno iles, os chovinistas de diversas córes e adubíos. Os atrancos non os pómos nós: poñenos iles. Nós tentamos construir para todos: iles só se aplican a destruir o que nós dámos construído. Cómprenos elevar o ángulo de tiro na nosa pacífica e cívica proposta para chegarmos alén das suas posicións. E dende aí sempre estaremos a tempo de falar se acaso "abrenuncian" á apolexética dos dogmas para profesaren o uso da razón ilustrada –é dicir, se acaban por ingresar na cultura da modernidade propriamente dita.
Pois isso, melhor tarde que nunca ![]()
Ontem manifestamo-nos por Monelos contra o desfile militar na Corunha. Foi o nosso um desfile bem diferente, dos que reivindicamos umha outra cidade e um outro país.
Reproduzo aqui um trecho do manifesto que foi lido por Xurxo Souto (gaiteiro!):
A comemoraçom do Dia das Forças Armadas na Corunha é um desprezo para esta cidade e para a Galiza inteira. Contra o que nos di a propaganda reaccionária do vazquismo, entusiasmado por acolher o evento, a Corunha nom é o foco da Galiza provinciana, espanhola e direitista. Na Corunha ressurge a nossa língua e nasce o nacionalismo galego; na Corunha desenvolve-se umha forte tradiçom obreira e sindicalista revolucionária a que se vinculam as mais importantes greves da nossa história; na Corunha tivo lugar umha das mais contudentes e massivas resistências ao alçamento fascista, precisamente dirigido polo exército que agora se homenageia; na Corunha tem um dos seus núcleos principais a guerrilha anti-franquista dos 40; na Corunha articulam-se respostas galegas e populares nas últimas quatro décadas nos campos mais diversos da luita política.
Essa é a Corunha que queremos, Pacolândia tem-se que acabar!

Bom, pois hoje é 25 de Abril, 31º aniversário da Revolução dos Cravos em Portugal. Feliz dia para todos os portugueses e portuguesas! Que fique sempre na memória dos nossos povos (mais que) irmãos, e continuemos a fazer a revolução cada dia. E se não que lho digam a minha irmã, que vendo no telejornal as imagens do que nestes dias aconteceu no Equador, disse que se não os botamos há que sair à rua e rebelar-se. Mas bem sabemos que com botá-los não chega a nada..., melhor seria rebelar-se de todas formas ;-)
Grândola Vila Morena
Grândola vila morena
terra da fraternidade
o povo é quem mais ordena
dentro de ti ó cidade.
Dentro de ti ó cidade
o povo é quem mais ordena
terra da fraternidade
Grândola vila morena.
Em cada esquina um amigo
em cada rosto igualdade
Grândola vila morena
terra da fraternidade.
Terra da fraternidade
Grândola vila morena
em cada rosto igualdade
o povo é quem mais ordena.
À sombra duma azinheira
que já não sabia a idade
jurei ter por companheira
Grândola a tua vontade.
Grândola a tua vontade
jurei ter por companheira
à sombra duma azinheira
que já não sabia a idade.

Letra e música: José Afonso
Hoje vai um frio que nom é normal. Meu avô e eu tremíamos com a friagem na rua, aguardando polo autocarro. Aqui na Corunha quando vai este frio e pega o ar nom há quem pare, ainda que a temperatura nom seja tam baixa como noutros sítios. Menos mal que na casa “está-se ao quente”, como ele diz
. E eu estou na casa, no quente, e bebendo um chá negro que me sabe a glória, na minha tacinha nova
.
Acontece que a semana passada topei na rua com um rapaz limião que levava tempo sem ver. Com este amigo passou-me umha cousa bem curiosa. Quando o conhecim, há uns anos, sendo ele (e ainda é) companheiro de apartamento dum colega, eu fiquei para ele como um radical (xD). Por declarar-me nacionalista e reintegracionista, e lembro também que discutíramos acaloradamente sobre as gaitas marcianas (ele tinha umha), que lá pola zona de Ourense tenhem umha nojenta grande implantaçom (com os cartos e toda a maquinária caciquil da Deputaçom detrás).
Quando volvim coincidir com ele, celebrando um aniversário no seu apartamento, surpreendim-me de encontrar ciscadas pola sala brochuras dumha associaçom da que fazia parte desde havia pouco, Juventude pola Autodeterminaçom (JA!!), agora integrada em Aguilhoar. Eu numha noite de borracheira nom o conseguira convencer nem um pouco, mas aí o tinha, feito um reintegrata e independentista. O das gaitas, isso sim, ainda nom o tinha mui claro...
A questom é que quando o vim comentou-me decepcionado o resultado do referendo da Constituiçom europeia. Ainda pensava que poderia ter ganhado o NOM, um amigo muito optimista, ou melhor, pouco informado. Com certeza nom houvo um rejeitamento contundente nas urnas, mas sim umha clara encenaçom do afastamento da UE e as suas instituições no povo. E há que ter em conta a dificuldade de fazer chegar à populaçom as mensagens críticas, ficando os média nos artigos da Constituiçom que ninguém poderia rejeitar, lidos por personagens como Loquillo ou Butragueño, e nos partidos políticos que distorcérom a consulta fazendo que esta passasse a ser “Europa (e nom Uniom Europeia) Sim” ou “Europa Nom”. Há quem diga ainda que isto é umha democracia...
Bom, eu alegrei-me de volvê-lo ver
.