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?Isaac Díaz Pardo e a Língua?. Homenagem da Agal.

?Isaac Díaz Pardo e a Língua?. Homenagem da Agal.

Preço: 10?. Preço sócia: 7?.
Este título entra na oferta ?por compra superior a 20? em livros, agasalhamos-che um outro livro!?.

Editorial Agal.

No Dia das Letras Galegas, segundo o colofon, publicou-se este volume1, em jeito de homenagem a Isaac Díaz Pardo. Nele juntam-se textos publicados por este intelectual e empresário a respeito da situaçom e o futuro do idioma, e intervenhem vários autores. ?Quem ler estes trabalhos ?por certo de muito fácil leitura?verá com que claridade e interesse se trata o tema. Como pessoa excepcional que é, reconhece todas as qualidades dos seus numerosos amigos aos que também lhes lembra, com muito humor e retranca, onde estám as deficiências do seu labor?, indica a introduçom deste belo livro.

O primeiro contributo é ?Vida e obra de Isaac Díaz Pardo?, redigido por José Maria Casariego Guerreiro, professor no liceu Sam Paio, de Tui, que em apenas sete páginas oferece muito sintetizadamente os principais factos biográficos, livros publicados, texto teatral, ensaios, monografias e outra produçom do homenageado, além de reconhecimentos recebidos, e mais o repertório bibliográfico sobre ele publicado em várias páginas da revista Moénia, o que resulta umha aproximaçom muito interessante sobre a personagem.

Na continuaçom, Isaac Alonso Estraviz, da Universidade de Vigo, escreve ?Isaac Díaz Pardo e a Memória Histórica?, um texto de 9 páginas em que assinala que ?É o Homem que nunca tem tempo para si e todo lhe é pouco para levar avante o seu projecto. Nom se obcecou polo dinheiro ainda que sem ele pouco se pode fazer. O dinheiro para ele é um meio para trabalhar, para criar, nunca um fim em si mesmo. Ainda que esteja a falar com alguém tem que estar em movimento e anda de cá para lá sem parar. Ultimamente ainda muito mais. Nom tem acougo, nom tem paria. Sente angústia de deixar a obra inacabada ou que depois dele siga roteiros fora da identidade galega?.

José Paz Rodriguez, também da Universidade de Vigo, escreve ?A Dignidade de Díaz Pardo?, artigo de apenas três páginas, em que conclui: ?Gostamos muito do pensamento vigente de Isaac sobre a actualidade galega. ?Na Galiza nom somos donos nem do ar? diz com retranca galaica. E assim nos vai. Só que tivéramos cem mais como Isaac esta terra seria outra. Quanta falta nos fazem pessoas com a generosidade, inteligência, dignidade, entrega e amor pola Terra, como tem Isaac Díaz Pardo! Verdadeiro orgulho de galegos e galegas de bem?.

O Presidente da Agal, Alexandre Banhos, contribui com o trabalho ?Isaac Díaz Pardo, um dos bons e generosos, devidamente acreditado?. Refere como o homenageado defendeu, junto com Valentim Paz Andrade, que em 1977, no tempo do Governo de Adolfo Suárez, assim como Catalunha e Euskadi tivérom como primeiro presidente Tarradellas e Leizaola, duas personalidades relacionadas com o passado político que dérom continuidade às suas renovadas autonomias, na Galiza se contasse para o mesmo fim com Bibiano Fernández Osório-Tafall. Aquela soluçom foi muito contestada e nom prosperou apesar de que, segundo Banhos, teria sido de enorme interesse na altura. Afirma-se neste contributo, de 10 páginas, que ?Isaac Díaz Pardo é um desses milagres que se produzem por fortuna de quando em vez neste país para que sigamos a ter esperança?.

De um outro professor da Universidade de Vigo, José-Martinho Montero Santalha, oferece-se a seguir o estudo ?A nossa língua vista por Isaac Díaz Pardo?. Quem é um dos principais promotores da Academia Galega da Língua Portuguesa analisa, em 9 páginas, os artigos incluídos no volume, embora note em falta outro de interesse sobre o mesmo tema, difundido em 14 de Janeiro do 2002. Segundo este reputado especialista, primeira figura da ciência filológica galega ?Isaac Díaz Pardo possui uma clara concepção da unidade lingüística galego-portuguesa, e nela devem incluir-se as suas repetidas críticas à atitude isolacionista e culturalmente suicida da Real Academia Galega e do Instituto da Língua Galega?.

Incluem-se na continuaçom 16 breves textos, de entre 3 e 8 páginas, de que se frisa terem sido difundidos no jornal La Voz de Galicia e no livro Galicia hoy y el resto del mundo, em que Díaz Pardo foca o problema da língua. Os significativos títulos destes artigos som os seguintes: ?Preto ou perto??, ?Os problemas da Galiza e os importunos?, ?Os problemas da língua manifestam-se de formas muito diversas?, ?O problema da língua visto por um que nom é filólogo?, ?O fio da História?, ?Um contraditor no Caminho de Santiago?, ?A baralha dos partidos estatais?, ?O galego e o português?, ?A inércia dos especialistas?, ?Os especialistas?, ?Sobre a cultura galega?, ?Nós os terroristas?, ?A nossa História em esquema?, ?A propósito da língua galega?, ?Espanha, Portugal e Galiza?, e ?O Mercado Comum e outras eivas?.

Finalmente o volume inclui umha entrevista, realizada por Sole Rei e publicada originariamente no jornal Novas da Galiza (em versom resumida) e no PGL (íntegra), sob o título ?O Galego está a morrer, se nom se abrir à naçom irmá, que pode sustentá-lo, nom vai ficar em nada?. Dos muitos elementos de interesse desse derradeiro contributo vale a pena salientar este depoimento de Díaz Pardo: ?Entom eu cuido que haveria que fechar a porta a Castela; refiro-me às instituiçons da língua como a Academia Galega... Eu levo-me mui bem com os da Academia Galega, porque umha cousa nom tem a ver com a outra: umha cousa é o que pense eu como ideal e outra cousa é o que me vejo obrigado a fazer para conviver. E creio que a Academia Galega fai moi bem em todas as cousas, menos na da língua galega?.

Em definitivo, um interessante volume, belamente editado, que ajuda com certeza para conhecer melhor esta personagem, que em tantos campos da cultura galega tem contribuído nas últimas décadas, e que também se revelou um empresário de sucesso à frente do Grupo Sargadelos, de que foi artífice principal e a que ainda contribui activamente. Livro com muitos elementos de proveito, e polémicos, que bem pode favorecer o sempre necessário diálogo para avançar com soluçons melhores que as actuais para garantir um futuro mais próspero para a língua da Galiza, o assunto central focado nas suas valiosas páginas.

Escrito em 08-02-14, na categoria: Livros
Chuza!

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