Antom Vilar Ponte

 (1881-1936)

 Irmandade da Corunha (Primerio conselheiro)

 “Galiza considera o português como o galego nacionalizado e modernizado…”

A partir da fundaçom da Irmandade corunhesa, começárom a surgir outras em diferentes cidades galegas (Compostela, Monforte, Ponte Vedra, Ourense e Vilalva). Este processo culminou em novembro de 1918 com a organizaçom em Lugo da I Asembleia Nazonalista. Nela foi lida a proposta de Vilar Ponte intitulada “Pangaleguismo. O camiño direito”, documento fundacional do nacionalismo galego, que mostra a importáncia que tinha a língua para os irmandinhos:

“Galiza considera o português como o galego nacionalizado e modernizado… Consignando que toda burla ou ironia que se dedique por hespanhóis a portugueses será tomada como aldrage feito aos galegos. (….) Galiza e Portugal estreitadas ao fim pressuporiam umha expansom cultural de idioma diferente do castelhano tam extensiva quase como a deste na península e caminho de rivalizar também na América, com o baluarte do Brasil, significando a redençom do nosso espírito para colaborar por nós mesmos, com todas as essências naturais da nossa raça, no superior comunismo da cultura universal, de que falou Guyau.” Em ANT, 77 (14/11/1916)

“nom hai palavra netamente portuguesa que nom seja netamente galega e viceversa, e que quanto no português soa a estranho para nós resulta estrangeirismo ou exotismo colonial. Fica “ipso facto” traçado o caminho que conduz à anelada unificaçom das duas ramas de idêntico idioma. E fica também, portanto, condenado para sempre o dito ignaro de que os galegos que depuram a sua língua os qualificam, como se isto fosse defeito, de “aportuguesados” (Vilar Ponte, Pensamento e sementeira. Leiciós de patriotismo galego. 1971: 152).