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Artigo publicado no número 62 do periódico Novas da Galiza.
Eduardo Sanches Maragoto
Com a publicaçom de A Impostura e a Desorientación na Normalización Lingüística, Xosé Manuel Sarille (ex-presidente d’A Mesa) une-se às críticas explícitas, e públicas, ao modelo de ‘afastamento lingüístico luso-galaico’ promovido polas instituiçons galegas. Cabe celebrá-lo, ainda que para o fazer tivesse que necessitar proferir injustas críticas ao reintegracionismo, dando a sensaçom de ser esta umha maneira de reinterpretar o seu papel ausente na história de um debate que agora considera fundamental. [+...]
O livro avalia sem contemplaçons a orientaçom da prática normalizadora de diferentes organismos: cámaras municipais, Universidade, instituiçons académicas, administraçom autonómica, associaçons normalizadoras e partidos políticos. Entre os últimos é especialmente duro com o BNG, que acusa de estar dirigido por “um novo estamento [...] que nom tem entre as suas metas que a Galiza viva em galego” e que teria seguido “exactamente a mesma política” que o PP e o PSOE no ámbito municipal. Entre os principais defeitos aludidos polo autor ao longo do livro para desqualificar praticamente todo o que ele nom tivesse desenhado na sua longa etapa como presidente d’A Mesa, encontra-se a confusom entre ‘política cultural’ e ‘lingüística’, por um lado, e entre ‘agentes normalizadores’ e ‘filólogos’, polo outro.
Mas a falta de espaço obriga-nos a centrar-nos no capítulo VII (Onde se explica que o cisma normativo foi mais que um debate lingüístico). Nele, depois de fortes críticas ao isolacionismo, identificado com concepçons ruralistas da Galiza, a visom oposta, o reintegracionismo (entende-se que ‘ortográfico’), é acusada de se ter “inspirado” no nacionalismo radical, limitando-se a tentar “consolidar umha normativa”, e esquecendo-se da “criaçom em todo o corpo social de sinergias com Portugal e Brasil”. Nesta estratégia só teria tentado avançar o Projecto Além-Minho (vinculado a A Mesa e actual Via Galego), ainda que o próprio autor confesse que sem suficiente “músculo” até os dias de hoje.
Ao reconhecer isto, parece ilógico que acuse o reintegracionismo de se desentender do que segundo ele seria o seu cometido histórico: “propiciar a ruptura das fronteiras”, porque se esquece de explicar que para isso é preciso dinheiro (o mesmo de cuja falta se lamenta para tantas outras cousas) e reconhecimento institucional. De qualquer um destes dous ingredientes A Mesa desfrutou mais num ano do que o reintegracionismo inteiro em toda umha década. Sinceramente pensa Sarille que o reintegracionismo tivo capacidade para mais do que ‘justificar a sua existência e proposta ortográfica’, quando a sua exclusom foi co-participada por todos os organismos que respirárom do ar que gerou o galego “particularista”? Entre eles A Mesa. Sarille esquece-se de que, apesar da escassa margem de manobra com que contou, o reintegracionismo conseguiu colocar ideias na sociedade que só mais tarde viriam a ser assumidas polos organismos que ele desculpa, e até por ele próprio neste livro. É preciso lembrar que fôrom colectivos reintegracionistas a propor (e praticar na medida das suas possibilidades) o ensino do português, as tv’s portuguesas, a difusom de livros luso-brasileiros, etc.? Estes colectivos nom merecem umha só referência no livro.
Em oposiçom ao ‘ortografismo’, Sarille propom a “introduçom prática” da “variante” portuguesa na Galiza, fazendo a mesma confusom entre política cultural e lingüística que tanto critica a outros ao longo do livro. Assim, parece pretender que a profusom de concertos e conferências lusófonas irá propiciar que “o galego cumpra funçons úteis”. O ‘reintegracionismo ortográfico’ nunca rejeitou este tipo de campanhas de sensibilizaçom, mas também foi mais além, porque elas nom asseguram que as pessoas podam usar ‘o seu galego’ (o de Sarille) nas cada vez mais diversificadas funçons que há de cumprir umha língua, dentro e fora das quatro províncias.
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