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No dia 3 de Setembro, Ramiro Vidal Alvarinho, aluno de um curso para recepcionista de hotéis, devia começar a sua primeira prática no "Hotel Ciudad de La Coruña". Para concretizar as suas práticas, este aluno tinha falado em duas conversas telefónicas com o director do hotel, Carlos Salgado.
O aluno fez pela manhã do dia o trabalho da sua prática, guardando durante ela as medidas de cortesia, no plano linguístico, marcadas pela academia, que indicavam que deveria falar com os clientes, se lhe for possível, na língua que estes empregassem. [+...]
Já pela tarde, Ramiro Vidal Alvarinho recebeu um telefonema da academia, a indicar-lhe a vontade do director do hotel, Carlos Salgado, de não continuar as práticas restantes. Alegava o director como motivo o facto de o aluno ter falado em galego com ele durante as duas conversas telefónicas que tiveram.
Esta alegação evidencia uma discriminação em que incorreu Carlos Salgado, director do "Hotel Ciudad de La Coruña", pois o galego é (ainda que o não pareça) língua própria da Galiza, cooficializada no seu "estatuto de autonomia" junto com o castelhano. O senhor Ramiro Vidal Alvarinho, falando numa circunstância privada na sua língua e dentro do seu país, acha-se no exercício de um direito básico inalienável. O senhor Carlos Salgado, pode, dentro do lavor lógico de direcção do seu estabelecimento, controlar o comportamento dos seus empregados com o público, sempre que se respeite os direitos de ambos, mas não está autorizado a sancionar os seus empregados pelo seu uso privado de uma ou outra língua. Isto constitui uma violação dos direitos básicos das pessoas, que, recolhidos no Estatuto de Autonomia da Galiza, na Constituição espanhola e na Declaração Universal dos Direitos Humanos, estabelecem a ausência de discriminação por razão de sexo, raça, religião ou língua.
O director Carlos Salgado queixou-se de que Ramiro Vidal Alvarinho lhe falou em galego apesar de ele empregar o castelhano. Caberia perguntar-lhe o motivo pelo qual um falante de castelhano está legitimado para queixar-se de que os falantes de galego empreguem a sua língua e estes, porém, não estão legitimados para queixarem-se de que os falantes de castelhano usem unicamente esta língua. Como a pergunta pode ser "difícil" de responder, substitui-la-emos por outra:
O senhor Carlos Salgado, que despede os seus empregados que se dirigem a ele em galego, ainda que falem com os clientes dependendo da língua deles, despede também os outros empregados que (com mais evidente descortesia) recusam falar a língua da Galiza e falam só aos clientes em castelhano, ainda que estes não o façam?
Vítor Meirinho, Porta-voz da Assembleia da Língua.
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