Um homem chamado Ricardo29.Jun.09

A Real Academia Galega, em sessão que decorreu em 27 de Junho, decidiu que o Dia das Letras de 2010 será dedicado a Uxío Novoneyra. Não vou entrar aqui a valorar o facto de que para o ano se homenageie Novoneyra, porque acho que seja em 2010, 2011 ou quando for, é uma homenagem merecida que nenhum galego informado, quer reintegracionista ou isolacionista, não põe em causa, devido à sua altura literária e humana, além do inquebrantável compromisso com este país.

O que vou entrar a valorar é que a RAG continue empenhada em desprezar ano após ano Carvalho Calero, apenas polo ‘pecado’ de nos últimos anos da sua vida defender com a prática para o galego o que sempre tinha defendido na teoria o galeguismo: a unidade com o português, a reintegração da Galiza no diassistema linguístico que todas e todos sabemos.

Ao meu ver, Carvalho Calero cumpriu todos os requisitos necessários para poder ser galardoado. Assim, além do inequívoco compromisso com o país (participou na redacção do estatuto de autonomia da Galiza de 1936, luitou na guerra contra o fascismo e foi preso vários anos por «separatista»), foi autor de uma vasta obra literária na nossa língua (sobretudo poética, mas também com obras premiadas noutros géneros, como o romance Skórpio), boa parte dela durante o período repressor franquista.

Ainda, foi o primeiro catedrático de Língua e Literatura galegas, e autor de quinze obras ensaísticas em vida (e mais duas de carácter póstumo) desde a década de ‘60 do século passado até o ano antes de morrer. Como catedrático foi mestre de várias gerações de filólogos que com o passar dos anos acabariam por se instalar como dirigentes do stablishment linguístico galego, contribuindo para relegar no ostracismo o seu ex professor.

E falando de ex professores, recentemente um  um ex professor meu afirmava cousas como esta:

Parece incoherente que por un lado se acose a Academia, non só desde o reintegracionismo, e por outro se lle esixa o recoñecemento de determinadas figuras. Ou se respectan os órganos históricos da lingua galega ou se continúa coas políticas de deslexitimación que tanto dano fan á percepción social do idioma. E creo que non están os tempos para iso.

Esta ideia é partilhada por muitas pessoas, e utilizou-se como um dos argumentos para deslegitimar a candidatura de Carvalho Calero. Mas, digo eu: esta situação é culpa do reintegracionismo ou mais bem do isolacionismo institucional que condenou Carvalho Calero ao ostracismo por um suposto ‘pecado’ linguístico?

Lembro-lhe ao meu ex professor (e a muita outra gente) que Carvalho Calero teve o aval das concelharias de Cultura de todas as cidades galegas (salvo Lugo). Também estas estavam instrumentalizadas polo reintegracionismo? Também eleas atentam contra supostas legitimidade da RAG? É o reintegracionismo quem deslegitima a RAG ou, polo contrário, é esta quem se deslegitima?

Se Carvalho Calero não pode ser homenageado num Dia das Letras, quem pode? Quais são logo os critérios? Carvalho Calero foi relegado por ser reintegracionista prático nos últimos anos da sua vida. Ficarão excluídos no futuro quem defendem o reintegracionismo teórico? Ficarão excluídos autores que tenham publicado obras em reintegracionismo de mínimos?

Em 2010 cumprem-se cem anos do nascimento de Carvalho Calero e vinte da sua morte. Excelente oportunidade para a RAG se reconciliar com a figura de quem foi um dos seus membros, brilhante artista, incansável investigador e inquebrantável no seu compromisso como país: um homem chamado Ricardo.

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O burro de Cancio e as galinhas de AGIR22.Jun.09

Há uns dias, o BNG assinou com PSOE e PP uma declaração condenando a galinhada de AGIR, isto é, a ação da organização estudantil independentista que consistiu em meter duas galinhas numas aulas de Miguel Cancio (professor na faculdade de Económicas da USC) polo seu reiterado desprezo à língua galega.

Não me vou pronunciar eu nem a favor nem em contra da ação, porque conhecendo os seus antecedentes mesmo duvido que o professor se pudesse sentir ofendido. É mais, nas fotografias (ver ligação à galinhada) mesmo se vê uma expressão sorrinte no seu rosto. E se ele não se ofendeu, porque me ofenderia eu?

Ligado com o anterior, oque mais lamento é que o BNG não se tivesse lembrado do burro (burra, segundo outras crónicas) de Cancio. Não, não estou a insultar o ‘insigne professor’, refiro-me ao burro (ou burra?), ao «asno, jumento, cavalgadura. Nome vulgar dos mamíferos perisodáctilos, da família dos equídeos, menos corpulentos que o cavalo, com orelhas mais longas (Equus asinus)» que o ‘ilustre professor’ meteu no reitorado da USC nos seus tempos moços, numas eleições a reitor. Nem a gente de AGIR chegou a tanto em 2003, quando numas eleições a leitor o mais que fez foi apresentar um porco (Celidónio, como o protagonista d’O porco de pé) aos comícios.

Nenas e nenos de AGIR, aprendam: galinhas, não; burros, sim. Imitem o exemplo do burro de Cancio (dispensando).

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Não se alarmem: estamos fazendo país21.Jun.09

Se você é uma das muitas pessoas que se alarmaram polos quase vinte dias que este blogue leva sem atualizar, já pode ficar descansada: quem me conhecem já sabem que no Verão é quando menos artigos publico. Porquê? Pois verão, do mesmo jeito que há quem aproveita as férias do solstício de Inverno, eu aproveito a época estival para fazer balanço do ano e dos projectos em marcha.

Não se alarmem, pois, se o blogue se atualiza menos daqui a Setembro: estamos fazendo país ;-)

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Fechado por Censura03.Jun.09

1 de Junho de 2009. Lembrem esta data, pois foi o derradeiro Aberto por Reformas.

— Ah, mas o programa não continua?

Prezado amigo, prezada amiga, se uma vaca tem cara de ovelha, patas de ovelha, rabo de ovelha… provavelmente seja uma ovelha, mesmo que a sigamos a chamar «vaca». Nas ondas segue a haver, desde ontem, um programa chamado Aberto por Reformas. Mas nem é um espaço aberto, nem continuam as reformas (mais bem voltam atrás), nem apresenta Xurxo Souto, nem é dinâmico e divertido, nem trata já música galega. Dá-me no corpo que não é Aberto por Reformas, mesmo que se chame igual.

Há quase dous anos e meio, o polifacético artista Tonhito de Poi respondia isto numa entrevista:

- O que destacas do momento actual da música galega?
Desde a época do ‘Xabarín’, quando começaram a sair bandas… não tive uma sensação de uma cousa tão frutífera. A música está unindo as bandas e misturando-se entre elas para medrar como pessoas e como músicos, as fronteiras estão rotas, a música não tem espaço físico, por isso é de todos. Ademais, na música ninguém quita o sítio a ninguém, quanto melhor lhes for aos outros, maiores posibilidades temos todos de chegar, e todo isso ja se está integrando em nós.

- Concordo plenamente (risos).
Mas sabes o que se passa aí? Que havia um suporte (a TVG) que apoiava, e então saías e visivilizava-se o que havia. Porém, isso tapou-se e agora volve haver suporte, sobretudo na rádio… programas como o de Xurxo Souto [«Aberto por Reformas»] estão fazendo muitíssimo, porque isso, para as bandas, saír na radio cria concertos. As bandas não podem estar toda a sua vida nos garagens e nos galinheiros, porque afinal morrem.

Na mesma linha, tamém se pronuncia o Movimento polos Direitos Civis através de uma nota em que lembram que o Aberto por Reformas foi uma das fórmulas que melhores resultados deu à radio pública nos últimos anos. Através deste espaço, e como bem assilava Tonhito de Poi em 2007,  numerosos grupos encontraram uma plataforma para se publicitarem, algo do que este país careceu desde o fim da época gloriosa do Xabarín Club a meados da década de ‘90 do século passado.

A primeira emissão sem Souto, a cargo de Xusto López Carril, tivo como representações galegas a sintonia do programa (com a vital Ugia Pedreira), comentários da maravilhosa Uxía Senlle… e pouco mais. O facto de que a primeira canção emitida fosse de Bruce Springsteen foi toda uma declaração de intenções sobre os ‘novos’ tempos: acabaram as reformas, volta estar a casa cheia de cascalhos.

Igual que o MpDC, não queria finalizar esta lembrança sem salientar que Xurxo Manuel Souto Eiroa, além de subdirector de programas da radio pública do país nos últimos tres anos e meio, foi também peça-chave na gestação  do sucedido (e impresindível) concurso A polo Ghit, que em parceria com Vieiros botou os últimos três anos a procurar uma canção galega do Verão,  uma ‘escusa’ que realmente serviu de promoção de muitos pequenos e novos grupos, complementando o labor do Aberto por Reformas.

Acabariam as reformas na Rádio, voltarão a censura, a mentira e a manipulação. Mas ao menos o país terá a boa notícia da recuperação de Xurxo ao 200% para a faceta artística. E, como sempre, FALOU XURXO, FALOU BEM.

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Apologia da ignorância26.Mai.09

Suponho que vós já tereis conhecimento da polémica aberta polo PP (esta não existia antes) sobre o uso do galego para o acesso à função pública galega. Em concreto, o partido da direita espanholista pretende modificar o artigo 35 do texto refundido Lei da Função Pública Galega (reproduzido no pé deste artigo), que deixa bem claro que ao menos uma das provas de acesso deverá realizar-se exclusivamente em galego (oficialista, obviamente).

De acordo com o PP só está o sindicato espanholista de direitas especializado em funcionários CSI-CSIF, que igual que os pepeiros avoga polo direito à ignorância. Isto é, que qualquer pessoa desconhecedora da língua galega possa igualmente examinar-se para, uma vez exercendo na sua vaga, demonstrar que sim conhece a nossa língua.

Mas, pergunto-me eu: e se como em tantos outros casos a funcionária ou funcionário da Administração galega, já com vaga consolidada, se nega a aprender o nosso idioma? O que aconteceria? Seguramente, NADA. Por isso é que cumpre demonstrar antes que se conhece o galego, como também o castelhano ou quaisquer outras línguas cujo domínio se exige para o desempenho do posto de trabalho.

Do mesmo jeito, eu nunca poderia apresentar-me a uma vaga para cirurgião sem antes demonstrar conhecimentos sobre esta especialidade médica: a ninguém se lhe ocorreria que os tivesse de evidenciar depois, já com um posto de trabalho consolidado. Igualmente, se um dos requisitos fosse ter carné de condução, deverei apresentá-lo e, eventualmente, fazer uma prova de condução para demonstrar que já o tenho.

Como já têm dito os sindicatos CCOO, CIG e UGT, se uma pessoa possui esses conhecimentos, esse domínio linguístico, não deveria ter qualquer problema em fazer ao menos uma das provas em galego. Precisamente, a rejeição evidencia que talvez essas competências linguísticas são fracas ou não existem, como por desgraça comprovamos habitualmente. Eu ainda vou mais além, e exigiria que a prova de galego seja eliminatória, ou seja, que para poder aceder à função pública galega seja imprescindível ter superado a prova de galego. Só assim se evitará que saiamos perdendo as pessoas que pedimos ser atendidas na nossa língua pola administração do nosso país.

Artigo 35 [da LFPG]

Para lle dar cumprimento á normalización do idioma galego na Administración pública de Galicia e para garantir o dereito das administradas e dos administrados ao uso da lingua propia de Galicia nas relacións coa Administración pública no ámbito da comunidade autónoma, e en cumprimento da obriga de promover o uso normal do galego por parte dos poderes públicos de Galicia que determina o artigo 6.3º da Lei de normalización lingüística, nas probas selectivas que se realicen para o acceso ás prazas da Administración da Comunidade Autónoma de Galicia, e nas entidades locais de Galicia, terase que demostrar o coñecemento da lingua galega.

Para estes efectos, as bases das convocatorias establecerán que unha ou máis das probas do proceso selectivo se deberán realizar exclusivamente en lingua galega, e iso sen prexuízo doutras probas adicionais, que se puidesen prever, para aqueles postos de traballo que requiran un especial coñecemento da lingua galega.

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Queremos mais galego: Galego Sempre Mais!17.Mai.09

«Mais, mais, mais! Galego, sempre mais!». Foi uma das consignas repetidas este meio-dia em Compostela. Polas minhas humildes contas, 40 mil galegas e galegos saímos à rua manifestar-nos polo galego. Não faltou, como já imaginava eu, quem parabenizasse o resultado da «manifestación convocada pola Mesa». Falso, era uma manifestação polo galego… ou ao menos isso deveria ser. Mas como já sabíamos que havia quem queria patrimonializar a língua e o movimento normalizador, artelhou-se a plataforma crítica Galego Sempre Mais.

A mais visível consequência de que o movimento normalizador é muito mais do que a Mesa foi que a direcção desta associação pediu desculpas porque nem todo o público assistente colhia na praça da Quintã (melhor lhe teria ido na do Obradoiro). E porque não colhia? Porque da direcção da Mesa só contavam com as pessoas por eles mobilizadas, esquecendo, insisto, a amplitude do movimento normalizador, que com muitos menos recursos encolou Compostela de cartazes, distribuiu material por todos os centros sociais do país (e não apenas polos institutos como já sabemos quem), preocupou-se por contactar associações de base comprometidas com o idioma… de Galego Sempre Mais mesmo se preocuparam por contactar pessoas e colectivos que publicamente apoiavam o manifesto da Mesa pola Normalização, logrando também a sua simpatia (tome nota quem deve).

Mais de um(a) ficou pampo/a ao ver tanta gente. Espero que para determinados ególatras esta amostra de força, mas sobretudo de solidariedade, lhes sirva para nos tomarem em consideração para vindouras convocatórias. Porque a nossa força não no-la dá sermos uma macro-organização profissionalizada e enormemente subsidiada, mas uma rede de pessoas que vivemos PARA o idioma e não DO idioma. Oxalá para a vindoura convocatória, insisto, sejamos tomados em conta e possamos ir juntos, da mão, ao Obradoiro ou aonde for.

Voltando para o sucesso global de uns e de outros, ou seja, O NOSSO COMUM SUCESSO, o da MANIFESTAÇÃO POLO GALEGO, da que boa nota deverão tomar os do PP e os mal chamados bilingues. Se o PP tem decidido que só se vai manifestar da mão do espanholismo, que vá sabendo o que lhe espera, porque lhe imos dar uma legislatura quente. A minha capa sonhada para os jornais de amanhã, aquela na que referenciem claramente que fomos muitos mais do que eles, multiplicando várias vezes. Que aguentamos a chuva em muitos casos sem para-chuvas. Que a chuva não nos impede mobilizarmo-nos polos nossos ideais. De El Correo Gallego falam hoje de 20 mil pessoas… eu só dou um dado: levou-nos duas horas chegar da Alameda à praça do Toural. Leva anos sem ver eu uma manifestação de tal envergadura que tivesse de ir um passo tão ligeiro.

Acima, membros e simpatizantes de Galego Sempre Mais na Alameda;
abaixo, nas imediações da Praça da Galiza

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Parabéns a este país!14.Mai.09

Onde há dous dias dizíamos

… agora é a vez de dizer…

PARABÉNS!!! E, acima de tudo, OBRIGADO!!

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Porque é mais o que nos une14.Mai.09

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VENDO o meu corpo para ajudar a Gentalha do Pichel13.Mai.09

Como já sabeis a Gentalha do Pichel está com problemas. Para botar-lhes uma mãozinha, vendo o meu corpo a quem mais dinheiro ingressar na conta 2091 0316 92 3000223595 (de Caixa Galicia, deveis pôr como conceito “achega para o elevador”).

NOTA: este corpo pode não corresponder
exactamente com o corpo ofertado

NOTA 2: este artigo é humorístico e não tem qualquer valor contractual ;-)

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Ajuda solidária para a Gentalha do Pichel12.Mai.09

A Associaçom Cultural A Gentalha do Pichel precisa instalar um elevador para pessoas discapacitadas a fim de ter todos os seus papéis em regra. Para isto vão precisar reunir DEZ MIL euros ou o local será encerrado. Desta quantidade, CINCO MIL deverão reuni-los nesta mesma semana.

O associacionismo galego e compostelano, em particular no bairro dos Basquinhos, não seria o mesmo sem o O Pichel. Por isso vos peço somardes-vos à campanha solidária de recolhida desse dinheiro se não queremos dizer adeus ao local.

Como colaborar?

No local já estão disponíveis os bonos de ajuda, mas também disponibilizaram o número de conta 2091 0316 92 3000223595 (Caixa Galicia, deveis pôr como conceito “achega para o elevador”).

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