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Os Petróglifos
Umhas das manifestaçons mais genuínas da nossa arte pre-histórica som os petróglifos galegos, um conjunto de gravuras rupestres ao ar livre, com um simbolismo complexo e difícil de interpretaçom. Muitos petróglifos estám a desaparecer pola inexistente vontade política de protegê-los e valorizá-los e polas agressons constantes que sofrem: erosom, canteiras ou abertura de pistas e terrenos para o “AVE”.
Os petróglifos apresentam umha ampla tipologia, abrangem elementos relacionados com o contorno em que se produzem: paisagem, animais de caça, astros ou seres humanos.
A sua simbologia pode ir desde formas singelas e elementares, como no caso das covinhas ou cruzes (motivos que se repetem em todos os tempos) até as formas complexas, cuja concepçom exige que se premedite, caso dos labirintos ou sobranceiras silhuetas de cervídeos.
Estudos arqueológicos apontam para que o desenvolvimento dos petróglifos começa numha fase última do Megalitismo (por volta do 3.000 a.C) e de princípios da Idade dos Metais, atingindo umha fase de esplendor com o Bronze Meio (1200 a.C) e Final (1000 a.C), período em que se representam armas próprias do momento, como punhais ou lanças.
Sobre a simbologia dos petróglifos existem diferentes interpretaçons que os relacionam com os círculos do mundo, as fases astrais, as fontes e mananciais e mesmo com lugares de ampla visibilidade sobre bisbarras férteis e propícias à caça.
Os Petróglifos em Compostela
O núcleo de petróglifos compostelanos tenhem um notável interesse, já que som um valioso documento histórico que permite umha aproximaçom de aspectos da Idade do Bronze que estám escassamente representados na zona.
Os Petróglifos de “A Pedra Que Fala”
Situados numha rocha granítica no lugar de Vilar do Rei, na paróquia compostelana de Fecha, num lugar de grande importância histórica e patrimonial, próxima do castro de Fecha ou Castromaior, zona que algumhas fontes situariam um desaparecido menir em forma de fungo, chamado “A pedra do paragoas”.
O representativo nome, “a pedra que fala”, ainda que poderá dever-se a fenómenos acústicos em relaçom com o eco, outras teorias apontam paraa que isso seja umha deturpaçom que esconda que em realidade estamos perante um ancestral lugar de culto no que se celebrariam cerimónias aruspiciais, mesmo é possível que nalgumhas destas pias conservadas se levassem a cabo ritos de adivinhaçom ou augúrio como sinala F.L. Cuevillas.
Consideramos artificialmente a existência de três grupos de petróglifos em que se representam 43 motivos.
Grupo I: Observamo-lo no plano horizontal da cima da pedra, formado por 6 covinhas, umha ferradura e três signos. Ao seu lado há um cruziforme, possivelmente posterior polo seu fino aristado dos bordes. A pouca distáncia temos umha gravura que semelha umha figura humana em cruz, perto doutra, também em cruz com a indicaçom sucinta da cabeça e extremidades por meio de covinhas.
Grupo II: Está na ladeira, e está integrada somente por círculos concêntricos. Podem contar-se onze. O seu estado incompleto deve-se ao desgaste de jogos infantis, o que supom um número superior de figuras noutras épocas. O motivo principal som três círculos, cada um com 2 anéis e ponto central, unidos aqueles por traços em cruz. À direita observamos 2 círculos com 2 anéis e covinha central cada um; dous com anel e ponto central e os restos doutros dous, possivelmente também dum só anel. Em cima da cadeia situa-se outro círculo com dous anéis, com o extremo gastado e sem mostrar uniom com os três círculos encadeados, algo semelhante ao que acontece ao círculo situado ao pé da figura central.
Grupo III: A maior parte das figuras situa-se nos canais que saem das pias, e unem-se num só canal que desemboca numha covinha. Neste triángulo localizam-se várias insculturas em U, várias covinhas e três figuras humanas estilizadas integradas por cruzes com indicaçom em cabeça e extremidades por meio de covinhas. Próxima da pia da direita, o canal que sai interrope-o um círculo com um ponto central e três covinhas. Arredor da outra pia, vemos gravuras de ferradura, algumhas com covinhas. Completam o conjunto três cruzes simples e outra com um só braço. Finalmente, perto do deságüe vemos outra inscultura em U, notavelmente alargada, com covas e traços nom claros.
As figuras presentes nos petróglifos de “A Pedra Que Fala” formam parte da tipologia freqüente dos petróglifos galegos. O particular destes petróglifos é que os motivos cruciformes e as gravuras em U som os primeiros localizados na comarca compostelana, mas estas representaçons som próprias da arte rupestre galego-portuguesa.
Escrito em 02-02-2010,
na categoria: Comissons
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