Literatura e Naçom

Literatura e Naçom

08-11-2007

07-10-02 – O Facho – Literatura e Naçom

Contacto português e consciência galeguista no século XX ( O caso Manuel Maria)

Dentro do ciclo de conferências organizado polo Facho intitulado “Língua e Naçom”, e com a finalidade de ponderar a importância da Literatura na conformaçom da consciência nacional galega; o escritor e professor Carlos Quiroga partilhou ontem, dia 2 do mês que corre, sobre a presencia na consciência galeguista do século XX, em particular a influencia na obra e no pensamento do poeta Manuel Maria. A sua palestra “Contacto português e consciência galeguista no século XX”, assim como debate posterior com o público assistente aconteceu num dos locais da Fundaçom Caixa Galiza d’ A Corunha.

No inicio da sua exposiçom, Carlos Quiroga, de soslaio comenta a confusom, fomentada polo pensamento politicamente correcto, entre sistema linguistico e variedades do mesmo, para aginha encetar a conferência em si, mostrando como na conformaçom da consciência galeguista tem muito a ver com o contacto com Portugal. Sendo a experiência literária do poeta Manuel Maria um dos eixos da reflexom.

O poeta da Terra Chá junto com outros autores galegos começou o seus contactos com Portugal na década dos 60, com as suas colaborações na Revista Céltiga editada por Oliveira Guerra em Porto, elo de ligaçom galego-portuguesa. Esta publicaçom nom tivo longa existência devido aos receios salazaristas. Mas nom foi até o ano 1969 quando Manuel Maria se achega fisicamente a Portugal, entrando em contacto com escritores e intelectuais portugueses o que fai possível a publicaçom no ano 1972 em português do livro, “99 poemas de Manuel Maria”. É de salientar o seu encontro com o Professor Rodrigues Lapa em Coimbra, depois do regresso deste último do seu exílio. Na altura daqueles anos Manuel Maria é o escritor galego mais conhecido, o que lhe serve para publicar em português dous livros mais e dar recitais poéticos por todo Portugal.

O conferenciante sublinha o grande o interesse do intelectual Rodrigues Lapa pola questom galega ao longo do século XX e a sua influencia intelectual nas mocidades galeguistas na década dos 30 e posteriormente no grupo fundacional de Galáxia, até o extremo de conceder-lhe a esta editora a publicaçom da sua máxima obra, Cantigas de escarno e maldizer, investigaçom cobiçada por todas as Universidades do planeta; sendo importante salientar que naqueles momentos o investigador nom estava sobrado de dinheiro. Generosidade tal vez hoje incompreensível dada a avidez na que se desenvolve muito do chamado mundo cultural e intelectual galego, mostra do mesmo é a deserçom do reintegracionismo de escritores com o desejo de ter um posto no sol das subvenções.

Ao nascer A.G.A.L., Manuel Maria fai-se sócio da mesma e defende nom só o reintegracionismo senom que também publica dous livros baixo a norma Agal.

Escrever em galego significa algo mais que o singelo acto de escrever: é optar. Em Galiza hoje existe é umha opçom dupla, umha primeira que nos afasta do sistema linguistico ao que de origem e conformaçom pertence o galego que é o espaço conhecido internacionalmente como português e outra segunda que nos reintegra e nos veicula a grande extensom linguistica que é o galego-português, com as nossas diferenciações ou sub-sistema. Esta última escrita é proscrita quando nom vilipendiada polas instituições públicas galegas.

A existência de duas normativas; umha com a presencia, nom só simbólica do tardo-franquismo, ao fazer a escolha do alfabeto castelám para a escrita da nossa Língua. Ao ser a realidade editorial galega umha realidade cativa, pois é o ensino o maior consumidor, a necessidade de publicar para poder receber a subvençom fai de muitas destas pequenas editoriais umha pequena máquina de imprimir qualquer cousa.

Ao findar a palestra, houve um longo e interessante debate sobre a pertinência ou nom de escrever em galego, hoje, ilustrado com múltiplas experiências vividas polas pessoas presentes no acto.

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