Literatura e Naçom: literatura e ensino”

Literatura e Naçom: literatura e ensino”

14-12-2007

07-12-12 – O Facho

Dentro do ciclo de conferências organizado polo Facho intitulado “Língua e Naçom”, e com a finalidade de ponderar a importância da Literatura na conformaçom do imaginário colectivo dos galegos. Nesta ocasiom o tema tratado foi “Literatura e Ensino” sendo o relator convidado o professor de E. Secundário e coordenador do Arquivo Documental de Burela, Bernardo Penabade Rei.

O conferenciante encetou a sua palestra com duas anedotas. A primeira foi sobre a descoberta de um “recordatorio” de primeira comunhão em galego nos anos setenta e do autor do seu texto. A grande surpresa obtida quando as indagações o conduz a um antigo Guarda Civil como o criador do mesmo. Na segunda mostrou ao auditório a experiência vivida junto a um dos seus alunos em Viveiro com a leitura dos “Caminhos da vida” de O. Pedrayo. Como este rapaz que refugava da novela como o gato da auga, com umha leitura compartida, professor e aluno, das dez primeiras páginas levou a este último a engolir o resto com olhada ambiciosa.

Na sua exposiçom, o conferencista, defendeu que os Projectos de Leitura nos centros de Educaçom infantil e de ensino secundário deveram ser, “realistas; flexíveis; progressivos; e ham de resultar operativos e deveram primar a qualidade na selecçom e tratamento das leituras”.

Aludindo aos critérios de flexibilidade e progressividade, diferenciou diversos tipos de obras de leitura: as “de saída” ou “iniciáticas”, as “de tránsito” e as “de chegada”. Entre as primeiras, as obras que estimulam o gosto pola leitura mencionou “Un home xaceu aquí”, novela negra de Aníbal Malvar; e “Fumareu”, de Xurxo Souto. Referindo-se ao actual Chefe de Programaçom da Radio Galega, Penabade referiu-se á importância da aproximaçom entre escritores e público e puxo como exemplo o dinamismo de Souto nos actos de lançamento dos livros: “em Viveiro tocou o acordeom Manolo Maseda e cantou umhas repichocas; depois falou do libro e dedicou um a um os exemplares. A concorrência toda acabou cantando e batendo palmas. Foi um acto intenso, emotivo, desses que nem professores nem alunos esquecem”.

Trás citar numerosas obras “de tránsito”, entre as que situou O Sol do verán, Carlos Casares, Scórpio, Carvalho Calero, e O lapis do Carpinteiro, Manuel Rivas; o relator centrou-se nas obras “de chegada” –aquelas que necessitam um maior reforço educativo durante o processo de leitura e que, umha vez superadas, já marcam a finalizaçom do processo de aprendizagem regrada. Entre estas citou Os Caminhos da Vida, Otero Pedraio e Por tras dos meus olhos, Nacho Taibo.

Para o relator, a literatura ademais de servir como fonte de conhecimento transversal, a literatura é um maravilhoso instrumento para reforçar as capacidades de compreensom e expressom; e, asseverou, a literatura e a leitura som magníficos instrumentos de integraçom de alunado com determinadas atitudes problemáticas.

Como conclusons finais, o relator mostrou a sua esperança en que o Projecto de Leitura sirva para levar a todas as aulas os obradoiros de animaçom à leitura: “É o momento de que se assentem as estratégias de leitura compreensiva, dentro dos centros de ensino; de que se recupere a leitura en voz alta e a declamaçom. É absolutamente necessário que se recuperem as actividades orais e escritas de compressom e expressom, tomando como base as obras literárias”. A modo de desejo, seguindo o critério aplicado na matéria de Língua e Literatura Castelá, indicou que na matéria de Língua e Literatura Galegas se ofreza ao alumnado umha panorámica da dimensom internacional da Língua: “O mesmo que en castelám existe atençom á literatura do continente americano, as aulas de Língua e Literatura som o lugar idóneo para introduzir no país, en ediçom original, obras do mundo da “Galeguía” como: O Evangelho segundo Jesus Cristo, Saramago, A manhã submersa, Vergilio Ferreira, Emigrantes (Ferreira de Castro); Mayombe (Pepetela); O Alquimista (Paulo Coelho).

Por último, Bernardo Penabade mostrou-se favorável a um dobre reconhecimento entre escritores galegos. Segundo a sua opiniom, os foros literários deben aglutinar o património reintegracionista; a literatura feita por escritoras e escritores galegos, com idênticos dereitos e deveres; os reintegracionistas, pola sua parte, deben assumir a Literatura Galega como un produto genuíno do povo; como um tesouro colectivo. Neste sentido, destacou o bô labor realizado pola Associaçom de Escritores en Língua Galega (AELG) e pola Fundaçom Via Galego, que “–além de retoricismos protocolares- sabem aglutinar no seu seio representaçom plural de todas as tendências”.

Ao findar a palestra, houve um longo e interessante debate, ilustrado com múltiplas experiências vividas polas pessoas presentes no acto.

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