“ 5 olhadas com presbitia”

“ 5 olhadas com presbitia”

16-05-2008

Agrupaçom Cultural O Facho
Rua: Federico Tapia 12-1º
15005 A Corunha


Por Dores Valcárcel Guitiám

Agrupaçom Cultural o Facho abriu umha convocatória pública para um curso de fotografia, e fomos coincidir no mesmo umhas cantas pessoas que hoje expomos aqui parte do trabalho realizado sob o título “ 5 olhadas com presbitia”. Há afeiçons que, como os amigos mais fieis, nos acompanham ao longo da vida e suspeito que para alguns dos meus companheiros que impulsárom a iniciativa deste curso, esta é umha delas.

Alguns e algumhas que nele participamos somos ou recém pre-jubilados, ou jubilados ou estamos a piques de selo. Dum jeito ou doutro, todos somos filhos do século, que para nós fórom tempos virados para o País. Assim que, diante dum horizonte preciso e após algumha quimera e mais dumha batalha pessoal ou colectiva da nossa existência, o presente fai-nos evocar aquela decisom de Voltaire retirando-se, depois de tantos combates contra o poder, ao seu paço de Ferney e dando-se outro novo horizonte vital que rezava: “cultivemos o nosso jardim.” Esta tessitura existencial nom nos vai meter na casa, mais joga um papel: fazer o que nom demos feito antes, agora que temos tempo.

A Helena viajava um dia com a radio acesa, quando escuitou umha entrevista com um professor alemám de fotografia e nom parou até que conseguiu que nos vinhera dar este curso: era Peter Scheneider quem na sua interlingua, rica de tantos ecos, nos explicou os conceitos teóricos e nos mandou ir aos espaços exteriores fechar e abrir o diafragma da nossa reflex. Com rigor alemám, fiz-nos rematar o processo da aprendizagem com esta exposiçom. Assim que começava a segunda parte do cursinho: buscar onde expor fotos comuns, de afeiçoados e neófitos. Agradecemos á Manoli e á Helena este trabalho penoso que consistiu em chegar, com a única tarjeta de cidadans, a petar em moitas e moitas portas até que, ao fim, a Concelharía de Cultura do Concelho de A Corunha – a quem agradecemos vivamente esta atençom - nos permitiu a entrada a este fogar onde reinam os desterrados, os nossos custódios: os Casares Quiroga. Poucos sítios desta cidade nos teriam gostado mais do que esta casa.

Sabemos com canta sanha e vesânia o fascismo se aplicou a borrar a mais mínima traça da existência desta família corunhesa, o injustamente que o grande político, Santiago Casares Quiroga foi tratado até o de agora. Pessoa bondadosa, aberta e moi bem querida polas gentes humildes da cidade, também ganhara a confiança do mais afastado labrego do Val de Lemos, como a de tantos doutros lugares da Galiza.

Ao redigir estas palavras, pensava num título para este texto: Salutaçom, acçom de graças (?). Todo isso lhe-lo fazemos chegar a todos vostedes, assistentes. Mais imos ficar com este título:

Residentes privilegiados

Assim é como nos sentimos estes 15 dias que imos ficar aqui entre os Casares Quiroga. Mais também porque Résidente privilegiée é o título do único libro de Maria Casares publicado nos oitenta em Paris. Aquela foi a sua pátria. Desde esta casa na que ela brincou de nena e nom puído residir: In memoriam.

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Agrupaçom Cultural O Facho

Desde o ano 1963 existe a Agrupaçom Cultural O Facho. Nasce da vontade conjunta de umha vintena de estudantes, trabalhadores e profissionais liberais d’A Corunha. A ideia é originaria dos daquela hora estudantes de bacharelato, Harguindey, Salgueiro, e Carneiro. É a primeira agrupaçom de resistência cultural criada numha cidade do Pais polos seus cidadãos, já que O Galo é conformada por estudantes universitários de todo o Pais em Compostela, naquelas datas era a única cidade galega com Universidade.

O grupo nasceu cos sinais de identidade da resistência contra o franquismo e da defessa da plena valia da língua e da cultura galega. Existia unha claríssima vocaçom política do que se fazia precisamente porque essa era toda a actividade publica com repercussões políticas que se podia fazer. A defessa da cultura e a língua galega é a cerna do que-fazer d’O Facho, que passou de fazer cultura de resistência nos anos da longa noite de pedra a se constituir hoje numha autentica mostra de resistência da cultura.

Desde os primeiros momentos O Facho destaca-se com os seus cursos de língua. Estes cursos tivérom umha importáncia moi grande na Corunha. Daquela o galego nom se escrevia apenas e estava expulso da sociedade “bem pensante”, nem sequer tinha secçom galego a faculdade de Filologia de Compostela. Umha das figuras fundamentais dos cursos foi D. Leandro Carré Alvarelhos quem dirigiu esta actividade. Os ciclos dedicados á cultura galega, os encontros nos que se tratava economia e sociedade, os concursos literários, o grupo de teatro foi dos pioneiros em representar obras no nosso idioma, tanto de autores galegos como de outras nacionalidades ( Brecht, Ionesco...)

Na actualidade, O Facho é consciente dos desafio culturais do século XXI. Agora há que tentar ver o significado que pode ter hoje o sermos galegos num mundo globalizado. A ideia básica é que sermos galegos agora implica ser dumha maneira concreta numha sociedade mundial. Entre as iniciativas mais recentes é a criaçom do Facho de Ouro, um prémio para reivindicar galegos, o que amossa a própria agrupaçom é unha cultura que resiste.

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