A HORTINHA

16-02-11

Entrevista a Ana Peres Rico da Associaçom A Hortinha publicada no nº98 do periódico Novas da Galiza e realizada pola jornalista e membro de Agarimar, Maria Álvares:

Maria Álvares / Brincar em galego, essa é a única regra da Hortinha. Umha associaçom que nasceu há três anos em Ferrol graças a Ana, mestra de profissom e mãe de três crianças, que comprendeu que para educar os seus em galego, estes deviam empregá-lo em todos os contextos, sobretodo no lazer e no jogo. Junto com os seus filhos, outros nenos e nenas reúnem-se cada segunda-feira para gozar com a nossa língua. Ademais, na Hortinha pom-se em valor o jogo coletivo, tradicional e livre.

Conta-nos como nasce a ideia de criares a Hortinha?
Há agora três anos, mas nom é algo que partisse de mim soa. Tenho a sorte de tratar com gente que igual que eu também quijo ter crianças e educá-las em galego.Um dia, falando disto, vimos que todos tínhamos o mesmo problema: os nossos nenos e nenas nom jogavam em galego, tinham assumido que a língua do jogo era o espanhol. Demonos conta dessa carência ao ir com as nossas crianças aos parques e vermos como com o resto da rapazada se desenvolvia em espanhol, mentres que noutros contextos falavam em galego. Nós queríamos que soubessem que a nossa língua é útil para todo. E, claro, também para o jogo. Agora há quinze nenos de idades compreendidas entre quatro e onze anos.

Partindo deste objetivo, como destes forma a esta ideia?
Começamos a combinar os pais e mães que já éramos amigos e logo combinamos com gente que víamos que falava em galego com os filhos e as filhas. Depois buscamos um parque onde podermos ir com eles. Queríamos que fosse um pouco solitário para que as crianças puidessem escuitar só galego. Demos com um espaço estupendo, o parque da Hortinha (daí o nosso nome), que ademais tem um monte que o bordeja. Isto oferecia muitíssimas possibilidades para o jogo, já que permite o relacionamento com o meio natural.
Logo veu o tema da língua, já que temos nenos que só falam em galego na Hortinha (sabem que é umha obriga). Ademais, é curioso ver como depois dum tempo juntando-nos, quando entra algum neno ou nena nova a jogar, o resto corrige-o se fala em espanhol. O objetivo é conseguirmos que se sintam à vontade na sua língua em todos os ámbitos. Além disso, na Hortinha, enriquecem-se: jogam ao que decidem entre todos e regulam-se sozinhos. Os adultos nom nos metemos para nada nos seus jogos, o que considero mui importante.

Com que freqüência combinades?
Todas as segundas-feiras a partir das cinco e cada família vai chegando quando pode. Ao começo fazemos sempre um jogo tradicional cantado e depois escolhem o que jogar.

Que importáncia tem o jogo para as crianças?
Penso que é vital na sua aprendizagem. As sociedades modernas evoluímos mui rapidamente e a irrupçom das tecnologias (computadores, consolas...) nos jogos dos meninhos e meninhas fijo que estas aprendessem muitas coisas decontado, o que levou a muitos problemas nas suas relaçons: o isolamento, a pouca toleráncia à frustraçom.... e deixárom-se de lado outros valores. No jogo coletivo nom há enfrontamentos nem pelejas, basicamente porque nom se está a competir. E o jogo tradicional ademais tem o incentivo de recuperar parte da nossa cultura, e vai parelho à normalizaçom da língua, sobretodo os jogos tradicionais cantados.

Por que dades tanta importáncia à recuperaçom deste tipo de jogos tradicionais?
Penso que ultimamente se figérom muitos esforços para recuperar jogos tradicionais como a bilharda, a ram...Mas ao recuperar os jogos cantados, trabalha-se com a língua, e penso que o mais importante destes jogos é que as suas normas se negociam entre todos, o que é umha aprendizagem para a vida. Por exemplo, ao começo, sempre rifamos. Aos nenos e nenas custa-lhes muito nom serem sempre o centro de atençom e ao rifar, cada vez lhe toca a alguém, nom há protagonistas.
Mas nom só os jogos tradicionais, neste ano organizamos o Sam Joam ou um magusto no começo do outono. Consideramos importante transmitir esta tradiçom aos nenos e nenas. Estarmos de noite no monte foi umha experiência preciosa para todos.

Suponho que na Hortinha se dam situaçons invertidas quanto à sociolingüística.
Dam-se, sim. É esse também era um dos nosso objetivos. Penso que a nossa língua tem um problema de apreço, e o que necessitam as crianças galegofalantes para continuar falando na nossa língua é sentirem-se cómodas num espaço de lazer, que é onde realmente gozam. Por outra parte, a Hortinha dá umha competência na sua língua às crianças que antes nom empregavam nunca o galego, e agora já o relacionam com o jogo.
Quando os nenos e as nenas som conscientes que a sua língua vale para todo, logo é muito mais singelo que a levem para outros âmbitos.
Ademais, a Hortinha tem umha vantagem mui grande: que é que as crianças vam ali jogar, a passarem-no bem e pesa muito mais isto que no início lhes custe o exprimirem-se em galego.
Penso também que elas e eles nom tenhem todos os preconceitos que podamos ter nós a respeito da língua. Nom tenhem nada em contra do galego.
Dous aulas a muitas crianças que freqüentam à Hortinha e enche-me de orgulho ver a atitude de defesa do idioma no dia a dia, algo inviável noutros casos.

O que conseguiu já a Hortinha numha comarca como Ferrol Terra, onde a presença do galego é mui minoritária, sobretodo no urbano?
Os nenos e nenas que vam à Hortinha ganhárom em qualidade de língua. Ademais, é um grupo que cria expectativas fora. Muitos rapazes e raparigas querem ir porque sabem que ali se passa genial. Penso que foi umha imagem ganha passo a passo, já que no início diziam que éramos um grupo político, mas penso que esta barreira já está rota desde há tempos.

Falamos muito do que aprendêrom as crianças na Hortinha, mas o que aprendêrom os pais?
Os pais aprendemos a desprejuizar-nos. Falamos mais galego agora e muitos já nom tenhem medo a falá-lo mal. A maioria conseguiu falar sempre em galego com os seus filhos e filhas, cousa que antes muitos nom faziam. Desfrutamos vendo os nossos meninhos e meninhas brincarem em liberdade e lembramo-nos de muitos dos jogos que tínhamos quando éramos pequenos. Penso que somos conscientes de que estamos transmitindo algo mui importante aos nossos fihos e filhas.
Olha, eu antes de ficar grávida era espanholfalante, mas quando tivem a minha primeira filha tivem claro que lhe queria dar o melhor. A nossa língua é um tesouro e o melhor legado que lhes podo deixar, e a única maneira de lha ensinar, era que eu a falasse...

Que objetivos tem a Hortinha a curto prazo?
Queremos ter um local para nós. Agora no inverno o parque nom vale e imos ao Círculo Mercantil, mas tem que estar sempre connosco algum sócio.
Termos um local próprio abriria-nos muitíssimas possibilidades, como ter um horário muito mais amplo (mesmo abrirmos cada dia), alargar as atividades, ter DVD,S, livros, contos. É por isso agora mesmo estamos fazendo uns estatutos para nos constituir como associaçom para poder optar a subvençons ou que nos cedam um local.
Ademais, sabemos que há um grupo de moças e moços de quinze anos que querem participar, porque já tenhem feito connosco algumha atividade. Abrirmo-nos a estas idades seria mui importante.

Escrito às 23:43:44 nas castegorias: Formaçom
por agarimar Email , 1234 palavras, 556 leituras   Portuguese (PT)   Chuza!

1 comentário

Comentário de: jo [Visitante]
Que maravilha!
Parabéns para a Ana.
Nós moramos em Oleiros, que não fica tão longe. Poderíamos combinar.
18-02-11 @ 04:00

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