A noite de defuntos

A noite de defuntos

A noite de 31 de Outubro celebramos a Noite das pessoas Defuntas. Esta é a noite dos mortos e das mortas, das meigas e do lume.

Continua:

Indica também o fim do Verao, a época em que se recolhe o gado e a erva e também se decide quais som os animais que vam para a matança. Existem provas de que alguns dos costumes ancestrais destas datas era deixar um sítio na mesa ou comida para os defuntos. Também se fam colares com castanhas novas e esvaziam-se calacus com rostos desenhados para assustar.
Existe um grande debate à volta dos nomes empregados para referirmo-nos a estas datas polo carácter religioso que implica ou pola sua procedência alheia.
Por causa dos mass-meia, @s american@s exportárom a sua versom da noite de Defuntos a todo o mundo; mesmo aos países de origem da festa que luitam por manter as suas tradiçons face à influência globalizadora e comercial que imponhem os Estados Unidos de América.
Na Galiza, esta data coincidiu com a época do Magusto, palavra que vem de magnus ustus (fogueira grande) ou magum ustum (mago queimado). Existe a teoria de que esta festa foi a evoluçom natural do samaim na Galiza. 
Posteriomente a festa pagá do magusto celebrou-se a 11 de Novembro, o que se conhece como Sam Martinho.
Hoje o Magusto perdeu quase todas as suas conotaçons religioso-esotéricas e ficou como "festa gastronómica das castanhas, chouriço, vinho e queimada” sem data fixa no calendario mas quando coincide próxima do dia das pessoas defuntas, costuma deixar-se o lume aceso para as almas virem aquecer; cumpre ainda deixar algumhas castanhas para os mortos. Também há a crença de que cada castanha que comemos é umha alma libertada do purgatório.
A coincidência do magusto com o dia de Sam Martinho explica-se pola origem ourensana da festa. Tradicionalmente coincidiu nesta data por ser o padroeiro da cidade e daí estendeu-se ao resto do país.
Dentro das festas cíclicas representa o fim dumha etapa, a morte simbólica da natureza.
A protagonista indiscutível desta data é a castanha, fruto que formou parte da base alimentar da populaçom galega até ser substituída pola pataca e o milho procedentes da América, e muito mais ao ser atacado o castanheiro por doenças como o chancro ou a tinta.
A apanha da castanha fai-se especialmente nos meses de Outono e de Novembro; geralmente nomea-se soutar. Levavam-se (e ainda se levam) aos sequeiros ou corripas, pequenas casopas especialmente arranjadas para secar as castanhas. Fazia-se um lume que se introduzia polas fendas do sobrado até a parte superior onde estavam as castanhas.
Também se organizava espontaneamente um magusto em que se assavam as castanhas, bebia-se o vinho novo elaborado polo mês de Setembro e preparava-se umha queimada para começar o baile e os jogos, como o de pintar a cara com a borralha que ficara das brasas.
Deste modo decorria umha jornada em que toda a vizinhanza era partícipe. Este é o propósito com que A Gentalha do Pichel celebrara mais um ano o magusto, em esta ocassom no dia 12 de Novembro, para que todas e todos sejamos partícipes e que as nossas festas tradicionais nom se convirtam num espectáculo folclorizado alheio à participaçom popular.

A IMPORTÁNCIA DA CASTANHA
Em Novembro a castanha recupera o protagonismo que o milho, e sobretodo a batata, lhe roubárom há centos de anos.
Junto com o centeio, a castanha foi durante séculos um dos cultivos básicos da alimentaçom humana e animal na Galiza.
Começou a ser substituída pola batata quando esta chegou da América, mas com o "mal da Tinta", umha doença que afectava os castanheiros, a batata deslocou quase por completo a castanha.
Castanhas das Índias, castanhas de mar (polo lugar de procedência), castanhas de terra ou balocas, som diferentes nomes com que conhecemos as batatas, e que dam boa conta da sustituiçom das castanhas polo novo tubérculo.
Ainda assim, há duas datas quase obrigadas para as comer. Umha é agora, no mês de Novembro, com os magustos. Outra é no mês de Maio, onde se comem as "maiolas", castanhas peladas que se secam ao lume para durarem até Maio.
A importáncia deste fruto vê-se reflectida nas numerosas receitas tradicionais que ainda conservamos e também nas suas possibilidades para a moderna gastronomia. Alguns exemplos mostramo-los a continuaçom:

CALDO DE CASTANHAS
500 g de castanhas
1 molho de berças ou grelos
300 g de feijons cozidos
1 litro de caldo de cozido
aprox. 50 g de unto (opcional)
Monda as castanhas, escalda-as em água a ferver e tira-lhes a segunda pele. Lava a verdura, partindo-a aos pedacinhos e escorre. Pom a ferver o caldo (com o unto se quigeres), bota as castanhas e a verdura e deixa cozer até estarem feitas. Retira o unto e incorpora os feijons cozidos.

LENTELHAS COM CASTANHAS (Receita do cozinheiro romano Apicius, século I)
1 cunca de castanhas
1 cunca de lentelhas cozidas
Azeite
3 colheradas de mel
1 colherada de vinagre de Jerez (de maçá, de vinho do país ou qualquer aromatizado ao gosto)
Sal, pimenta negra, comino, sementes de coentro ou coentro en pó, nébodas, menta, arruda
Coze as castanhas descascadas acrescentando um pouco de água e sal. Durante a cocçom, esmaga num morteiro pimenta, cominho, sementes de coentro, menta, arruda, nébodas, mel e vinagre. Passa as castanhas cozidas e o do morteiro para outra caçarola com azeite e pom a ferver. Quando estiver bem cozido retira e volta a esmagar no morteiro ou com a batedeira. Serve numha travessa e tempera com azeite virgem extra.

GUISO DE COUVES DE BRUXELAS COM CASTANHAS
455 g de castanhas
750 g de couves de Bruxelas
2 ½ cuncas de caldo vegetal
2 ½ colheradas de manteiga
3 colheradas de salsa (perixel) picada
sal e pementa
a pele de um quarto de limom
Com um cuitelo afiado fai um X na parte de cima de cada castanha, coloca-as sobre um pírex de forno, tapa com papel de prata e assa a 190º durante 45 minutos. Tira o papel e, quando arrefecerem um pouco as castanhas, pela-as e corta-as em quartos.
Limpa as couves, tirando as folhas de fora. Com um cuitelo fai a marca de um X na base, coloca numha caçarola grande com o caldo vegetal e quenta. Acrescenta a pele de limom, cobre e deixa a lume lento até ficarem tenros.
Bota as castanhas, sobe o lume para eliminar o resto do caldo e quando já nom restar, tira as couves e as castanhas e pom a manteiga na caçarola. Quando estiver fundida, bota as couves e as castanhas de novo e salteia. Bota a salsa picada, sal e pimenta e mistura bem.

MOUSSE DE CASTANHAS E CHOCOLATE
400 g de castanhas peladas
100 g de chocolate fondant (sem leite)
1 colherada pequena de café solúvel
1 colherada pequena de manteiga
3 colheradas de açúcar
200 ml de nata montada e açucarada
Pela as castanhas (o melhor é escaldá-las e pelá-las quentes, para tirarmos bem a pele de baixo da casca) e pom-nas a ferver até ficarem bem moles. Escorre-as deixando um pouco de água e tritura-as com o batedor.
Entretando, funde ao banho maria o chocolate com a manteiga, bota o café dissolvido num pouco de leite e o açúcar, e mexe até obter um creme fino.
Mistura o puré e o creme quando ainda estiverem quentes, depois acrescenta a nata e mete a mousse no frigorífico. Fica bem com raspas de chocolate por cima.

Escrito em 31-10-2010, na categoria: Comissons, cultura e novas criaçons

1 comentário

Comentário de: A chiquilimpé [Visitante]
Moi interesante. Parabéns.

Fronte á denominación recente (de hai uns 20, de Samaín), permitideme unha achega:

As celebracións do tempo de defuntos -a entrada na época escura do ano da que sairemos avivando o lume da Candeloria-, na que nos reencontramos coas ánimas dos nosos mortos, proceden -ao menos- do neolítico, da grande civilización Atlántica, a dos dolmens e mámoas, menhires e cromeleques que ateigan o chan galego, portugués, irlandés...

Os celtas -pobos guerreiros, heteroxénos, formados na idade do ferro- chegaron miles de anos despois e, probablemente, adaptaríana dándolle unha connotación bélicas e cruentas
-segundo se conta, facían o rito cos cráneos dos vencidoS-.

Non importa demasiado o nome, sempre que un troco de denominación no agoche o significado: Día de Defuntos –rito católico, Samaín-Celta, Halloween –a mesma festa anterior levada polos emigrantes irlandeses aos EEUU-, Domovoi –Estepa rusa-, Inunna –Brasil-, A Roldiña das Ánimas –Fisterra-, Os Calacús – Pontevedra-... ou, mesmo utilizar a denominación autóctona de Cedeira: Noite das Caliveras.

Sexa polo que for, os nosos mortos sempre nos acompañan.

06-11-2010 @ 23:07

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