A Gentalha paga os 3.000 euros
1.500 na multa; outros 1.500 em comprar mais rotus que poderás adquirir na Festa do Marcador
A Gentalha do Pichel pagou, na sexta-feira passada, os 1.500 euros correspondentes à reduçom da multa de 3.000 com que foi sancionada por corrigir topónimos.
A muitas pessoas poderá parecer frustrante ter acedido a pagar, sem nem sequer recorrer, umha sançom tam desproporcionada, mas lamentamos informá-las de que pouco mais se podia fazer. Pola via administrativa, as possibilidades de ganhar um recurso som mínimas e, depois de começado este, a alternativa de pagar com reduçom desaparece, na seqüência de um dos mais elaborados métodos de chantagem para a indefensom que conhece o chamado Estado de direito.
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Encontramo-nos perante mais um exemplo de cerco à liberdade de expressom. A alguém poderá parecer exagerada esta afirmaçom, umha vez que o delito castigado foi pintar, e nom o que foi pintado. Porém, veja-se de outro modo: que terá acontecido ao longo das últimas décadas para que se tornasse praticamente impossível fazer um mural, distribuir panfletos na rua, colar um cartaz na cidade velha ou corrigir um topónimo sem arriscar-se a elevadas multas e até penas de prisom? Que terá acontecido para que as correçons de topónimos e pintadas reivindicativas que há 30 anos representavam a “recuperaçom da liberdade” sejam agora reprimidas desta maneira? Vale a pena viver numha cidade tam limpinha, numhas ruas tam limpinhas em que para comunicar com as pessoas dessas mesmas ruas seja preciso ser proprietário de um grande meio de comunicaçom?
Enquanto nos rimos da obsessom pola ordem na Coreia do Norte ou lamentamos a falta de liberdade nos países do Magreb, aqui, aos poucos, permitimos que a expressom livre recue a uns níveis que ainda nom estám no ponto mais baixo, mas tampouco longe dele. Como tantas vezes tem acontecido na história, leis que agora nos venhem buscar a nós, poderám ir bucar-te, a ti, e a muitas outras pessoas, amanhá. A modo de exemplo, na semana passada, num conhecido meio de comunicaçom da direita, bramava-se contra o facto de um cidadao ter sido impedido de distribuir propaganda contra a Lei do tabaco na rua. Umha de duas: ou nom conhecem as leis que o seu próprio mundo político edita, ou pretendem fazer que estas normas injustas só as cumpramos nós.
Por isso queremos que saibas que nós nom vamos calar, e começaremos com umhas jornadas para tratar o retrocesso da liberdade de expressom às quais já te convidamos. Em relaçom à multa, vamos pagá-la com os contributos solidários de muitos sócios e sócias, com a ediçom de material têxtil e com umha Festa do Marcador. Porém, todas estas iniciativas serám sobretodo umha escusa. Um pretexto para comprar mais material gráfico, para voltar às estradas e para animarmos muitas mais pessoas a nos imitarem numha batalha que há de ganhar o galego, e a liberdade de expressom.
Escrito em 28-02-2011,
na categoria: Comissons
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