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Tempo livre

07-02-2006

Tempo livre

Como poderedes supor pola profusão de posts nos últimos dias, não tenho muito que fazer... E a cabeça tem que trabalhar, se não vira mais lenta.
Para manter um pouco a actividade, estivem a traduzir uma canção, assim vejo se posso dizer o que quero com limitações de sílabas e de palavras. Levou-me duas manhãs (ou uma e meia) e penso que o resultado é aceitável.
O poema original é Les Passantes, de Antoine Pol, na versão cantada por Georges Brassens. A métrica da minha versão não é a mesma do original, mas penso que acai bem à música de Brassens. Como o meu francês não é muito bom, ajudei-me da versão italiana de Fabrizio de André, Le Passanti. A quarta estrofe foi cantada por Brassens só numa das duas versões publicadas, e não foi cantada por de André. Eu traduzi-a porque gostava, e a minha versão é para a mesma música que levam as outras estrofes.
Clicando no Continua poderedes ver a minha tradução

As Passantes (Traduzida do original francês por Ivan Fontão Bestilheiro)

Eu quero dedicar este poema
Às mulheres que topei na senda,
Amor da vida, amor de um ano ou flor de um dia.
Àquelas que mal conhecemos,
Que o Destino cruel que sofremos
Não nos deixou ver mais na vida.

Àquela que sai à janela
Só um segundo, pra podermos vê-la,
E que aginha volta a fugir.
Mas cuja esbelta silueta
Fica escrita na nossa cabeça,
Cuja imagem nos faz sorrir.

À companheira de viagem
Por cujos olhos, formosa paisagem,
O longo caminho é mais breve.
És, talvez, o único que a entende
E, contudo, permites que se arrede
Sem sequer ter rozado a sua pele.

Àquela subtil valsadora
Cujos olhos parecem agora
Muito tristes para o carnaval.
Queria não ser conhecida
E, aguardada por toda a vida,
Não voltou nunca a valsar.

Àquelas que já estão atadas
A um estranho que não é quem amavam
Junto ao qual a sua vida decorre.
Elas deixam, inútil loucura,
Ver do Amor, a face mais dura:
A saudade que mata, que não morre.

Caras imagens entrevistas,
Ilusões que o tempo dissipa,
O vento vos levará.
Pois a pouco que a vida nos bem-trata
A nostalgia fica soterrada
A memória lembra só o amanhã.

Mas se não vivemos a vida
Com inveja, vemos na fantasia
O que no passado ficou:
Os beijos que perdemos por cobardes,
Os amores aos quais fomos tarde,
Tudo quanto pôde ser e não foi...

Então, nas noites de saudade
Habitam a nossa soidade
Os espectros do que deveu ser.
Os beiços que não beijamos dantes,
Os corpos das belas passantes
Que nós não pudemos reter.

FOI ESCRITO @ 12:22:37 na categoria Ivan Link permanente

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